Arquivo da tag: Editora Companhia das Letras

Colecionando Textos #52

 

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Colecionando Textos #51

 

 

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Jude, o Obscuro (Thomas Hardy)

“Quando você envelhecia, e se sentia no centro do seu tempo, e não mero ponto numa circunferência, como quando era pequeno, você era tomado por uma espécie de arrepio, ele percebia. Por toda a sua volta parecia haver algo gritante, berrante, estrondoso, e os ruídos e impactos atingiam você na pequena cela que se chamava vida, e a sacudiam e a incendiavam. ” (Página 23)

Último romance de Thomas Hardy, Jude, o Obscuro foi publicado inicialmente de forma serializada a partir de 1894. Também foi feito de forma suprimida e modificado por causa dos aspectos considerados indecentes da obra. Na realidade, a ideia de escrever um romance como Jude já rondava Hardy desde muitos anos antes, mas a censura social e uma carreira literária ainda em formação fizeram Hardy protelar a ideia. Jude, o Obscuro é o amálgama de todas as discussões sociais e políticas que Hardy reuniu ao longo da carreira. Sua obra de despedida dos romances (depois de Jude, Hardy se dedicou à poesia) não poderia ter sido com menos estardalhaço. Publicar a obra completa não foi fácil, mas em 1912 finalmente Jude foi entregue ao público sem cortes de cenas e no formato desejado por Hardy.

Jude, o Obscuro pode ser considerado basicamente um romance social. Contemporâneo à Hardy, a obra representa a Era Vitoriana, quando haviam basicamente três classes no Reino Unido: baixa, média e alta, e a mobilidade social entre elas era praticamente impossível. Mas, resumir a obra apenas à isso é subestimar a narrativa de Hardy, que vai além e colocar em discussão os costumes, a instituição casamento e defende a independência feminina. Continuar lendo

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Colecionando Textos #49

 

 

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Muito Longe de Casa (Ishmael Beah)

““Quantas vezes mais vamos ter que enfrentar a morte até encontrar segurança?”, perguntou.

Ele esperou alguns minutos, mas nós três não dissemos nada. Ele continuou: “Toda vez que somos perseguidos por gente que quer nos matar, fecho os olhos e espero pela morte. Apesar de ainda estar vivo, sinto como se, a cada vez que aceito a morte, parte de mim morresse. Muito em breve eu vou morrer completamente e tudo que sobrar de mim será meu corpo vazio, andando com vocês. Ele será mais silencioso do que eu. ”” (Página 79)

Ishmael Beah, serra-leonense, até os dez anos de idade só tinha tido contato com a guerra pelos filmes e notícias de jornais. Aos 12 anos, a guerra o alcançou pela primeira vez. Em Muito Longe de Casa, Ishmael compartilha um bom pedaço (quiçá o mais impactante dele) de sua experiência como menino-soldado. Em um texto conciso e fluído, mas de “difícil” leitura pela crueza da verdade que encerra, Ishmael relembra como teve sua infância extirpada; como se perdeu dos pais em meio ao caos instaurado pelos ataques, e a vida em constante fuga na qual acabou portando fuzis AK-47; e, como quando achou que a guerra havia ficado para trás, ela adentrou na sua vida novamente.

Serra Leoa começou como um aglomerado de tribos africanas, espalhadas por um território que primeiramente começou a ser explorado pelos portugueses estabelecendo-se um comércio de escravos bastante lucrativo. Até que abolicionistas britânicos começaram a lutar pela alforria de escravos, de várias etnias e tribos, que se estabeleceram em Freetown (atual capital de Serra Leoa). Serra Leoa se torna colônia britânica. De um passado de exploração, passando por uma nova colonização mascarada de acesso à liberdade, Serra Leoa conquistou sua independência a duras penas e ela foi seguida por revoltas, golpes de estado, corrupção desenfreada e um crescimento do governo absolutista. É nesse contexto de um conflito armado iminente que Ishmael nasceu. Em 1991 a guerra civil explode. Em 1993 ela atinge a aldeia que Ishmael e seu irmão mais velho estavam visitando. Os sinais claros da guerra eram desesperadores, ainda mais para dois garotos que se viram impedidos de retornar e ir atrás de seus familiares. Continuar lendo

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Colecionando Textos #48

 

 

 

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Colecionando Textos #47

 

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Sejamos Todos Feministas (Chimamanda Ngozi Adichie)

“O problema da questão de gênero é que ela prescreve como devemos ser em vez de reconhecer como somos. Seríamos bem mais felizes, mais livres para sermos quem realmente somos, se não tivéssemos o peso das expectativas do gênero. ” (e-book)

Influenciada pelo tom feminista da história de Charlotte Perkins Gilman, decidi finalmente conferir o pequeno livro, mas imenso em informações e discussões, da Chimamanda Ngozi Adichie, Sejamos Todos Feministas. Publicado pela Companhia das Letras aqui no Brasil, tem uma versão física e outra em e-book, esta última fornecida gratuitamente pela editora.

A obra é uma versão modificada de uma palestra que Chimamanda deu em dezembro de 2012 no TEDxEuston, uma conferência com foco na África. Chimamanda compartilha suas experiências de infância na Nigéria (mas que poderia ser em qualquer outro país) moldadas pelo machismo, que podam as ambições das meninas e acabam sendo tidas como normais. O que se torna normal acaba imperceptível e é aí que todos param de enxergar o quanto essas diferenças impactam a vida de meninas, garotas e mulheres. Usando seu país como exemplo, ela nos mostra como a mulher é colocada constantemente em segundo plano e o quanto de liberdade lhe é tolhida enquanto os homens têm passe livre para ir e vir. Com bons argumentos ela mostra o quanto isso é potencializado pelo direcionamento da criação das meninas em prol dos meninos. Uma criação que ensina às meninas que elas devem se preocupar com o que os meninos pensam delas, e aos meninos que eles devem crescer como homens duros e fortes. Como resultado temos homens com egos frágeis e mulheres que acreditam ser sua responsabilidade protegerem esse ego. Não se permitir alcançar todo seu potencial para não ameaçar aos homens é só mais uma consequência desastrosa dessa educação há tanto tempo internalizada. Continuar lendo

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Colecionando Textos #46

 

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Boca do Inferno (Ana Miranda)

 

Descobrir Ana Miranda foi um daqueles presentes que os desafios literários podem nos proporcionar. Quando tive que escolher um livro escrito por um xará de nome ou sobrenome para o Desafio Livrada de 2019, fiquei em dúvida entre Boca do Inferno e Dias e Dias, mas acabei optando pelo primeiro, seu romance de estreia que recebeu o Prêmio Jabuti de revelação em 1990. Com um livro recheado de figuras históricas (o governador Antônio de Souza de Menezes, Padre Antonio Vieira e o poeta Gregório de Matos só para citar alguns) e uma trama que inicialmente desenha-se bem complexa, a leitura no início é um pouco arrastada e demora a engrenar, mas a perseguição intensa, o jogo de gato e rato e a intromissão nos meandros dos conchavos políticos no estado da Bahia no século XVII, torna a trama de Miranda difícil de largar. Continuar lendo

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