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O Deserto dos Tártaros (Dino Buzzati)

O Deserto dos Tártaros foi publicado em 1940 e é considerada a obra-prima do italiano Dino Buzzati. A história, que tem uma grande carga filosófica, versa sobre a espera. Sobre engolir sapos, esperando posteriormente desfrutar de um lauto banquete. Mas, como bem colocado por Antonio Candido em sua resenha do livro, a obra de Buzzati é um romance de desencanto. Não há muito o que esperar do porvir, porque a vida, ah, essa só reserva frustrações. Contudo, por mais que a tristeza esteja reservada para o fim e que a melancolia seja companheira ao longo de toda a narrativa, isso não diminui a beleza poética do texto de Buzzati, um romance no qual os anseios e as renúncias são praticamente personagens.

“Do deserto do norte devia chegar a sorte, a aventura, a hora milagrosa, que, pelo menos uma vez, cabe a cada um. Para essa vaga eventualidade, que parecia tornar-se cada vez mais incerta com o tempo, os homens consumiam ali a melhor parte das suas vidas.” (Página 54)

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Colecionando Textos #26

 

 

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Um Autor de Quinta #67

Coluna inspirada no Uma Estante de Quinta da Mi Muller do Bibliophile. Pretendemos toda quinta-feira trazer informações, curiosidades e algumas dicas de leituras e afins sobre algum(a) autor(a).

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Chris Cleave

Chris nasceu em Londres em 1973, mas passou a infância em Camarões e depois no condado de Buckinghamshire no Reino Unido. Chris é formado em Psicologia pelo Balliol College de Oxford.

Seu primeiro romance publicado foi Incendiary (Incendiário) em 2005. A história logo foi traduzida e publicada em mais de vinte países, ganhou alguns prêmios literários em 2006 e rendeu uma adaptação cinematográfica. Seu segundo e talvez o mais conhecido livro, The Other Hand (Little Bee – Pequena Abelha) foi publicado em 2008 e foi um sucesso de críticas e vendas.

Além de escritor, Cleave também é colunista do jornal londrino The Guardian. Continuar lendo

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A Travessia de Caleb (Geraldine Brooks)

Caleb Cheeshahteaumauk da tribo wôpanâak da ilha Noepe (atual Martha’s Vineyard, Massachusetts), foi o primeiro indígena a se formar na Universidade de Harvard em 1665. Os registros desse marco histórico e os detalhes de seu acesso à universidade e sua vida de estudante são escassos, mas bastaram algumas informações fragmentadas para inspirarem Geraldine Brooks a recontar a saga de Caleb.

“Suponho que precise narrar a minha vida, o meu papel na travessia de Caleb de seu mundo para o meu, e o que fluiu a partir daí.”

Para narrar esta história, Brooks nos dá Bethia, que nos conta em uma narrativa por vezes errante entre os eventos passados e presentes, todo seu relacionamento com o jovem wampanoag e todos os acontecimentos decorrentes de sua “intromissão” no mundo do garoto. Neta do fundador da comunidade inglesa da ilha Noepe (Great Harbor) e filha do pastor local, Bethia sempre teve um espírito independente e um pendor para os estudos, que naquela época eram restritos aos homens. Costume que não a impediu de aprender às escondidas e não somente os estudos clássicos que seu irmão tinha, mas também a língua dos nativos que o pai estudava para assim ter sucesso na conversão dos indígenas. Ao lhe proibirem o estudo formal, Bethia passou a utilizar a ilha como sua fonte de aprendizado e em suas andanças solitárias deparou-se com o garoto Cheeshahteaumauk. Começa então uma relação de amizade entre a garota e o jovem wampanoag. É assim que Bethia torna-se Olhos de Tormenta e Cheeshahteaumauk, Caleb. Brooks coloca a amizade como força motriz para todos os acontecimentos vindouros, pois se com ela Bethia passa a conhecer mais sobre os wampanoags e admirar sua cultura é através dela que ela modifica o mundo de Caleb e lhe dá vislumbres do que o conhecimento fornecido pelos forasteiros poderia lhe oferecer. Continuar lendo

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O Mistério da Torre Negra (Louis Bayard)

Fatos históricos servindo de mote. O período retratado? A transição entre o governo imperial de Napoleão e a restituição da monarquia, mas como se não bastasse isso, algo precisa ser investigado e temos um detetive de peso escalado para esse papel…

Em 1793, o rei Luís XVI e Maria Antonieta foram depostos e guilhotinados durante a Revolução Francesa que colocou Napoleão no poder. Luís Carlos, o herdeiro real, de apenas sete anos, sobreviveu à morte dos pais e por quase três anos foi mantido prisioneiro na Torre do Templo, aonde viria a falecer em 1795. Porém, logo após sua morte surgiram rumores de que ele tinha escapado desse trágico destino e de fato nunca se soube o que aconteceu a ele. Continuar lendo

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