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O Rei Corvo (Maggie Stiefvater)

Atenção, esta resenha trata dos acontecimentos ocorridos no quarto e último livro da série A Saga dos Corvos e pode haver spoilers sobre fatos dos livros anteriores. Para saber o que eu achei dos outros livros, confira os links no final desta resenha.

 

É sempre uma sensação agridoce terminar uma série. É triste porque é chegada a hora de despedir-se de personagens com os quais você sonhou junto, sofreu junto e nutriu esperanças, e ao mesmo tempo, é bom descobrir como as situações duvidosas se resolveram, qual era aquele segredo que o autor lhe escondeu desde o início e o futuro dos personagens. Se a conclusão faz jus a todo o resto da história, melhor ainda! Chegou a hora de me despedir dos garotos corvos, de Blue Sargent e toda a sanidade transvestida em loucura da Rua Fox 300.

A Saga do Corvos me apresentou Maggie Stiefvater e sua escrita única. Uma narrativa fluída, personagens complexos e uma trama repleta de informações: magia, ocultismo, mitologia, fatos históricos; todas devidamente explicadas e introduzidas de forma harmoniosa à trama. Stiefvater nos entregou uma quadrilogia com inúmeros personagens (nenhum esquecível, ainda que uns tenham sido mais marcantes que outros) e uma boa quantidade de tramas paralelas, que no fim se uniram para nos entregar uma saga que mais do que romance trouxe à tona discussões sobre crenças, sobre vida e morte, escolhas, oportunidades, aceitação e amizade. Talvez esteja aqui a maior força de sua história. Ao não focar no lado romântico da trama (tática adotada comumente nos livros do gênero), Maggie abriu espaço para que todos os personagens tivessem voz, crescessem perante os olhos do leitor e tivessem tanta importância quanto Blue e Gansey nessa jornada. Continuar lendo

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Destinado (Carina Rissi)

Atenção, esta resenha trata dos acontecimentos ocorridos no terceiro livro da série Perdida e pode haver spoilers sobre fatos dos primeiros livros. Para saber o que eu achei deles, confira os links no final desta resenha.

Destinado

Ainda lembro que quando terminei a leitura de Perdida, fiquei receosa quando soube que um segundo volume da série estava a caminho. Perdida havia narrado a história de amor de Sofia e Ian de forma tão redondinha que não via como a Carina poderia manter o fôlego da trama principal em uma nova história. Quando Encontrada veio, mudei minha opinião. Carina mostrou que antes dos felizes para sempre, ainda havia muitas histórias para contar. Havia toda a adaptação de Sofia ao século 19 e a adaptação da sociedade da época à Sofia. O livro único virou uma duologia e acabou por se transformar em uma série (serão cinco livros) e, no terceiro volume, cabe a Ian narrar o seu lado da história, e claro, vem muito drama e muito romance por aí.

“Então veio o depois, quando conheci Sofia. Bastou um olhar para que eu perdesse o coração, o fôlego e também o raciocínio. Eu a amei desde o primeiro instante, mesmo que ainda não soubesse disso. E, sendo Sofia como é, entrou em minha vida feito uma carroça desgovernada, atropelando-me, fazendo-me entender coisas que antes eu não compreendia e me sentir tão feliz com isso que às vezes doía. ” (Página 15)

Nós reencontramos o casal algum tempo depois dos eventos narrados em Encontrada. Elisa está completando dezessete anos e um baile está sendo preparado para a comemoração. Marina já está com dez meses. As relações com tia Cassandra, ainda que um pouco estremecidas, estão em vias de reparação. A fábrica de Sofia está indo muito bem obrigada. E a vida é boa e feliz. Mas, pode ser que não esteja destinada a durar. O celular de Sofia está de volta. Ian encontrou o aparelho que um dia fizera Sofia desaparecer no ar. Desta vez, ele está determinado a mantê-la longe do aparelho. Mas, a precaução não sai como o esperado. Elisa é enviada para o século 21 e caba a Sofia e Ian irem em seu resgate. Continuar lendo

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Lírio Azul, Azul Lírio (Maggie Stiefvater)

Atenção, esta resenha trata dos acontecimentos ocorridos no terceiro livro da série A Saga dos Corvos e pode haver spoilers sobre fatos dos livros anteriores. Para saber o que eu achei dos outros livros, confira os links no final desta resenha.

Lírio azul, Azul lírio - Saga dos Corvos Vol 3

“…o que ela não tinha percebido a respeito de Blue e seus garotos era que todos estavam apaixonados uns pelos outros. Ela não estava menos obcecada por eles do que eles por ela, ou uns pelos outros (…). Blue sabia perfeitamente que era possível existir uma amizade que não tomasse tanto sua vida, que não a cegasse, que não a ensurdecesse, que não a enlouquecesse, que não a excitasse. A questão era que, agora que ela tinha uma desse tipo, não queria a outra. ” (Página 25)

Em Lírio Azul, Azul Lírio, o terceiro livro da Saga dos Corvos, Blue e os garotos continuam em sua busca por Glendower. Eles estão cada vez mais próximos de atingirem seus objetivos, mas por outro lado, os empecilhos, perigos e perdas, se tornam mais frequentes. Eles precisam entender as demandas de Cabeswater, enfrentar novas ameaças que chegam a cidade e lidar com o desaparecimento de Maura e uma profecia envolvendo o rei adormecido e um perigo que não deve ser despertado.

Depois do ritmo frenético estabelecido em Ladrões de Sonhos, Stiefvater vende uma pretensa calmaria em Lírio Azul, Azul Lírio, o que torna a leitura deste terceiro volume a mais arrastada dentre os três livros já publicados. Grande parte dos dramas e embates iniciados aqui, arrastam-se por quase todo o livro (e seguem além), tornando muito difícil enxergá-lo como uma obra completa e coerente como os livros anteriores. A impressão que tive foi que este volume poderia ter sido facilmente diluído entre as tramas do segundo e do último volume, sem prejuízo para a história. Continuar lendo

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O Mapa de Vidro (S. E. Grove)

mapa de vidro

“Tornou-se evidente que, em um momento terrível, as várias partes do mundo se separaram. Elas se desprenderam do tempo. Girando livremente em diferentes direções, cada pedaço do mundo fora lançado em uma era diferente. Quando aquele momento passou, os pedaços ficaram espalhados, tão perto espacialmente uns dos outros como sempre estiveram, mas irremediavelmente separados pelo tempo. Ninguém sabia a idade real do mundo, ou qual das eras causara a catástrofe. O mundo como o conhecíamos havia se partido, e um novo mundo tomara seu lugar. Nós chamamos esse momento de Grande Ruptura. ” (Página 18)

E é assim que tem início o mundo imaginado por S. E. Grove. Partindo do mundo real, conhecido por todos nós, ela moldou um mundo fantástico, no qual ficção e fatos históricos caminham lado a lado e fornecem um arcabouço bastante robusto e muito bem trabalhado por ela. Para quem preza pelos detalhes, a trama é um prato cheio, e às vezes até beira a demasia. Política, história, geografia, sociologia e religião são explorados ao máximo, o que poderia até ter tornado a história cansativa, mas a trama é tão bem conduzida e os personagens interessantes que acabam compensando a abundância de informações em alguns momentos. Continuar lendo

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Beleza Perdida (Amy Harmon)

Beleza Perdida

Quando vi que estavam “vendendo” o livro da Amy Harmon como uma releitura de A Bela e a Fera, não me empolguei muito. A premissa de cinco garotos que vão para a guerra e apenas um retorna, desfigurado, e passa a se isolar de todos, sendo o isolamento vencido pela mocinha que sempre fora apaixonada por ele, prometia um romance bem água com açúcar, então, já havia me preparado para não esperar nada além disso. E sim, Beleza Perdida tem muito romance, mas Harmon adicionou ao romance uma pitada (bem grande) de drama e alguns personagens bem carismáticos. No fim das contas, o romance passa a ser coadjuvante em meio à tantas outras tramas, e isso, na verdade, é muito bom.

“E então eles se foram, através do mar, para um mundo de calor e areia, um mundo que não existia de verdade, pelo menos não para Fern. E talvez não existisse para o povo de Hannah Lake, simplesmente porque era longe demais, desconectado demais de qualquer coisa que eles conheciam. E a vida continuou como antes. A cidade fez orações, amou, sofreu e viveu. (…) E o relógio continuou a correr calmamente. ” (Página 99)

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Ladrões de Sonhos (Maggie Stiefvater)

Atenção, esta resenha trata dos acontecimentos ocorridos no segundo livro da série A Saga dos Corvos e pode haver spoilers sobre fatos do livro anterior. Para saber o que eu achei do primeiro livro, confira os links no final desta resenha.

ladroes-de-sonhos

“Naquele momento, Blue estava um pouco apaixonada por todos eles. Pela magia deles. Pela voracidade e pela estranheza deles. Seus garotos corvos.” (Página 18)

No segundo volume da Saga dos Corvos, Blue e os garotos continuam sua busca pelo lendário rei galês, Glendower. Mas, as explorações são dificultadas por causa do enfraquecimento das linhas ley – linhas de energia que conectam lugares místicos e que podem ser o caminho para o túmulo do antigo rei. Lugares místicos como a floresta de Cabeswater, que misteriosamente sumiu!

Ao mesmo tempo que precisam lidar com esses empecilhos. O mistério em torno de Ronan aumenta. No final do livro anterior tivemos uma amostra do que ele era capaz ao ter tirado de seus sonhos um corvo. Agora, seu superpoder está cada vez mais forte e acaba colocando-o na mira de pessoas interessadas neste poder. Sonhar com coisas e poder retirá-las do sonho para o mundo real é um poder invejável, algo que ele herdou do pai e que vem acompanhado de muitos segredos envolvendo sua família. Mas, também é perigoso, tanto pela falta de controle de Ronan, quanto pelo tipo de gente que está atrás desse dom.

E assim, enquanto os garotos persistem em sua busca, o perigo em torno deles aumenta, e outras questões precisam ser respondidas. Ronan precisa entender melhor seus poderes e parar de se esconder sob seu comportamento rebelde. Adam precisa enfrentar as consequências de suas escolhas e falar para Gansey sobre seu real interesse na busca por Glendower. Noah tenta aproveitar ao máximo seus poucos momentos “corpóreos”. E Blue e Gansey precisam, finalmente, encarar seus reais sentimentos. Aliás, o triângulo amoroso (implícito) entre Adam, Blue e Gansey, foi muito bem trabalhado neste volume. A ponto de dividir torcidas ao longo de toda a narrativa. Continuar lendo

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Um Amor de Cinema – Victoria Van Tiem

Durante toda a sua vida, Kensington Shaw se sentiu uma estranha em sua própria casa, ela chegou até a demitir a mãe, por acreditar que ela não estava cumprindo seu papel. Quando seu namorado, Bradley, a pede em casamento, ela finalmente vê uma chance de conseguir pontos com sua mãe. Infelizmente, no mesmo almoço, sua cunhada, Ren, anunciou que está grávida, e a novidade de Kenzi perdeu todo o seu impacto. Como se tudo isso não bastasse, ela recebe a notícia de que seu emprego depende de ela conseguir conquistar o mais recente cliente da empresa de publicidade em que ela (e Bradley) trabalham.

Ela só não esperava que fosse seu ex-namorado, Shane Bennett, fosse o tal cliente. Ele ameaça trocar de agência a não ser que Kenzi aceite viver com ele os momentos de dez comédias românticas, que teoricamente serviriam para inspirá-la no projeto. Começamos a acompanhar Kenzi enquanto ela vive momentos icônicos da telona, e sua vida parece que vira filme de verdade, com direito a traição, gravidez escandalosa, amizades falsas, vovós sábias e muito mais. A lista de filmes ajuda Kensi a se redescobrir, a perceber que está vivendo a vida para contentar a mãe, e não a si mesma, e lhe dá a coragem de que precisa para recomeçar. Continuar lendo

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O Diário Secreto de Lizzie Bennet – Bernie Su e Kate Rorick

“É uma verdade universalmente conhecida que um homem solteiro com uma grande fortuna deve estar à procura de uma esposa.”

A frase célebre que abre o romance mais famoso de Jane Austen, Orgulho e Preconceito, também inicia a versão moderna deste clássico. Só que ao invés de ser uma fala da Sra. Bennet, está impresso em uma camiseta que ela dá a suas filhas. Ao modernizar o clássico inglês, a família Bennet tem duas filhas a menos, com Kitty e Mary virando uma gata e uma prima. Eles também mudaram de cidade, e moram no estado da Califórnia nos EUA, não na Inglaterra. Outras alterações também foram feitas: o par de Jane é Bing Lee (Bingley no original – e devo admitir que ri por uns 5 minutos com essa mudança), Pemberley é a empresa de Darcy (versus o nome da sua propriedade), a Sra. Gardiner é a orientadora da Lizzie, não sua tia, entre outras, todas feitas com o intuito de tornar mais real a modernização. Continuar lendo

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Encontrada (Carina Rissi)

Atenção, esta resenha trata sobre os acontecimentos do segundo (e último?) livro da série Perdida e pode haver spoilers dos livro anterior. Para saber o que eu achei de Perdida confira os links no final desta resenha.

 encontrada

Quando terminei a leitura de Perdida e fiquei sabendo que iria ter uma continuação, logo fiquei com o pé atrás. A história criada por Carina tinha se encerrado de forma tão coesa, sem deixar pontas soltas, que duvidava de que ainda pudesse haver algo para Carina criar uma nova história. Apesar dos personagens cativantes e de um romance de abalar o século dezenove, tinha medo de que ao prolongar-se demais Carina fizesse a história perder parte de seu brilho. Então, comecei a ler Encontrada com esperanças de que Carina me surpreendesse, mas ao mesmo tempo sabendo que eu poderia me decepcionar. E que ótimo que meus receios não se concretizaram. Carina veio e mostrou que havia sim muito que pudesse ser explorado, que não bastava garantir a volta de Sofia ao século dezenove e colocá-la junto à Ian. Acompanhar a adaptação dessa ávida consumidora de tecnologias, dessa garota com hábitos e pensamentos típicos do século vinte e um ao século dezenove, poderia render histórias que tornariam esse romance atemporal ainda mais mágico. Continuar lendo

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O Trono das Sombras (Jennifer A. Nielsen)

Atenção, esta resenha trata sobre os acontecimentos do último livro da Trilogia do Reino. Por isso, pode conter spoilers, revelando parte do conteúdo dos livros anteriores. Para saber o que eu achei deles, confira os links no final desta resenha.

O-Trono-das-Sombras

“Vilões, intrigas e inimigos são coisas simples para mim. Mas as amizades são complicadas, e o amor é ainda mais difícil. Isso tem me ferido de maneiras que uma espada jamais seria capaz.” Página 144.

Depois de dois primeiros volumes, nos quais Nielsen sempre primou por conclusões repletas de batalhas, revelações surpreendentes e por futuros nada auspiciosos. Era de se esperar que a conclusão da trilogia, iniciada em O Falso Príncipe, tivesse sua conclusão pautada em batalhas (e há muitas) e revelações (algumas surpreendentes, outras nem tanto mas, nem por isso piores), só que dessa vez com a esperança de um futuro mais promissor e feliz para aquele que nos conquistou quando ainda era considerado um zé ninguém nos confins de Carthya e que se redescobriu como rei. E Nielsen não decepciona. Sua narrativa continua explosiva e fluída. Imprimindo um ritmo que clama por uma leitura ininterrupta.

Finalmente a promessa da Guerra pelo domínio de Carthya, que levou Conner a perpetrar seus escusos planos envolvendo três garotos órfãos e a disputa por uma coroa, se concretizou. Sage foi revelado a seus súditos como sendo o verdadeiro príncipe Jaron, tentaram em uma medida desesperada fazê-lo desistir do trono e desacreditá-lo, mas ele deu a volta por cima, e agora, o rei Vargan, de Avenia, dá sua última cartada. Imogen, a garota que o ajudou enquanto Sage e que não se intimidou perante o Jaron, que tentou manter-se distante porque Jaron está prometido a Amarinda, foi sequestrada. E é claro que Jaron não deixará sua amiga, talvez a pessoa por quem tenha os sentimentos mais fortes, pene nas mãos do inimigo. E é assim, com uma missão de resgate e com muitos imprevistos e perdas pelo caminho (What? Nielsen!) que tem início a principal jornada de Jaron para salvar seu reino. Continuar lendo

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