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Leia Mulheres: escritoras de não-ficção que vale a pena conhecer

Com o Dia Internacional da Mulher se aproximando, nada mais justo do que lembrar a data colocando em evidência as mulheres que fazem do mundo das palavras suas profissões. O título deste post faz referência ao projeto #readwomen2014 (adotado no Brasil como #leiamulheres2014) proposto pela escritora Joanna Walsh e que propunha que todos lessem mais mulheres, as quais historicamente sempre tiveram menos visibilidade no mercado editorial. Houve um grande engajamento no ano de 2014 e até hoje ele rende frutos. No Brasil hoje temos o projeto Leia Mulheres que já conta com vários clubes de leituras espalhados pelo Brasil e que tem contribuído para colocar em destaque o trabalho de várias escritoras. A minha contribuição de formiguinha aqui é apresentar cinco escritoras de não-ficção que me proporcionaram ótimas leituras, algumas extraordinárias, e, que eu gostaria que cada vez mais tivessem suas obras conhecidas e lidas por mais pessoas.

A ordem de apresentação das autoras é aleatória.

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Foto de Elke Wetzig

Era inconcebível eu fazer essa lista e deixar de fora a bielorussa Svetlana Aleksiévitch laureada em 2015 com o Prêmio Nobel de Literatura pelo livro Vozes de Tchernóbil, uma leitura sofrida e angustiante, mas de uma sensibilidade e um compromisso com o povo de Tchernóbil imensos. O livro faz jus a todo o burburinho que causou na época de seu lançamento aqui no Brasil e se você ainda não leu se permita ter essa experiência. Dela a Companhia das Letras também já publicou outros dois livros: “A guerra não tem rosto de mulher” e “O fim do homem soviético”. O primeiro traz o relato da Segunda Guerra Mundial do ponto de vista das mulheres que longe de ficarem na retaguarda, estiveram na linha de frente das batalhas. Uma leitura com um grande enfoque feminino e que já está na pilha de livros para ler ainda este ano. Continuar lendo

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O Polegar do Violinista (Sam Kean)

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Sam Kean é jornalista dedicado à divulgação científica, dos mais variados campos. Seu primeiro livro A Colher que Desaparece (já resenhado pela Mari aqui no blog) envereda pelo mundo dos elementos químicos; no mais recente, O Duelo dos Neurocirurgiões, ele traz histórias de curiosidade neurológicas; e, em O Polegar do Violinista o DNA é a grande estrela. Aqui ele narra a história da genética e os avanços que têm revolucionado nossa maneira de entender o passado e moldar nosso futuro.

“(…) a história do DNA substituiu as antigas aulas sobre a civilização ocidental como a grande narrativa da existência humana. A compreensão do DNA pode nos ajudar a entender de onde viemos e como nosso corpo e nossa mente funcionam; entender os limites do DNA também nos ajuda a conhecer como nosso corpo e nossa mente não funcionam.

(…)

(…) as questões ainda não estão totalmente resolvidas. As coisas ainda são incertas – em especial o problema de como vai acabar esse grande experimento de desenterrar tudo que há para saber sobre o nosso DNA. ”

(Páginas 14 e 15)

São dezesseis capítulos e um epílogo nos quais Kean narra o passo-a-passo das principais descobertas científicas, mas não se restringe apenas a elas. Ele faz um ótimo trabalho ao garimpar a história de cada um desses momentos: as relações sociais, as convicções políticas e as profundas mudanças ocorridas nas épocas em que elas aconteceram. Tudo isso com um texto claro e envolvente, de fácil compreensão, com exemplos e comparações certeiras e várias e várias notas diretas e até mesmo digressivas. E elas são tantas que muitas tiveram de ser suprimidas por falta de espaço. Aos mais curiosos recomendo que visitem o site do autor. Além das notas adicionais, há figuras, links, jogos e vídeos que tornarão a leitura ainda mais enriquecedora (em inglês). Continuar lendo

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Ex-Libris (Anne Fadiman)

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“Nossos livros (…) registraram a passagem do tempo real, e porque nos lembravam de todas as ocasiões em que tinham sido lidos e relidos, também refletiram a passagem das décadas precedentes.

Os livros escreveram a história da nossa vida e, à medida que se acumularam nas estantes (e no parapeito das janelas, e debaixo do sofá, e em cima da geladeira), tornaram-se capítulos dela. Como poderia ser diferente? ” (Página 9)

Anne Fadiman cresceu em uma família de leitores e escritores, mais tarde casou-se com um escritor, sendo ela mesma editora e escritora. Desde pequena vive entre os livros e esse relacionamento íntimo lhe propiciou angariar alguns costumes peculiares e colecionar anedotas e curiosidades envolvendo o universo da leitura. São essas experiências como leitora, como escritora e como amante dos livros que Fadiman compartilha conosco. Os ensaios contidos no livro foram primeiramente publicados na coluna “O Leitor Comum” que Fadiman assinava na revista Civilization. Em Ex-Libris – Confissões de uma Leitora Comum, ela compartilha dezoito ensaios escritos em um período de quatro anos.

Alguns dos assuntos tratados aqui merecem menção pois reverberam em experiências vivenciadas por muitos leitores. Como as manias de cada um (ou a falta delas) com a organização de suas estantes. E para os que casaram, a árdua tarefa de misturar estantes e sistemas de organização. Aquela porção da sua estante em que repousa uma coleção de volumes destoantes do resto, sua excentricidade particular. Os diversos tipos de leitores. A dicotomia ente os que não admitem nenhuma marca nos livros, que devem permanecer imaculados, e os que no outro extremo, riscam, marcam, fazem anotações nas margens das páginas. Gente, o pai dela, para reduzir o peso das brochuras que lia em suas viagens de avião, rasgava os capítulos terminados e jogava-os no lixo! Ainda bem que hoje temos os e-readers né. Sobra espaço para ela também falar sobre o prazer de ler um livro no lugar em que a história se passa. E a grande importância dos pais como formadores de futuros leitores. Continuar lendo

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Pequenas Maravilhas: como os micróbios governam o mundo (Idan Ben-Barak)

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O que são micróbios? O que eles fazem? Como eles influenciam nossa vida? São essas perguntas e outras tantas mais que Ben-Barak propõe responder em seu livro Pequenas Maravilhas. Apaixonado pelos seres microscópicos resolveu extravasar esse amor ao mundo e deixar registrado no papel o quão importante esses organismos são para o funcionamento da natureza e a manutenção da vida.

“Quero lhe contar algumas histórias sobre micróbios. Mas estou com um problema: se eu entrar em explicações detalhadas e rigorosas sobre ideias e termos biológicos, gastaria muito tempo e muito papel, este livro se tornaria um livro acadêmico e eu acabaria perdendo o leitor. Por outro lado, se eu simplesmente começar a tagarelar sobre fatores sigma e RNAsi, você talvez decida me mandar passear.

Não quero transformar você em um microbiologista. Ser microbiologista é uma coisa para a qual os microbiologistas é que foram mandados à Terra.”

Como bem evidenciado pelo autor no trecho acima, ele não quer formar microbiólogos e sim trazer informações sobre esses seres microscópicos, de forma que um leigo possa entender. Por isso, seu texto é simples, e apesar de citar processos complexos, ele o faz de forma clara e objetiva, mas faz questão de frisar que o processo é complexo e indica para os leitores mais curiosos, leituras complementares. Ah, e sim, como grande parte dos livros de divulgação científica, o livro é repleto de notas de rodapé, mas em sua maioria, além de complementares elas são bastante divertidas. Em algumas partes o texto beira à poesia, por mais que você neste momento esteja achando que é impossível fazer poesia envolvendo micróbios e que eu tenha que confessar que enxergar poesia na natureza é algo inerente à natureza do biólogo, culpada.

Micróbios estão envolvidos na fabricação do vinho, da cerveja e de mais um tanto de outros alimentos, alguns vivem nos ambientes mais inóspitos da Terra e outros tantos (milhões e milhões) vivem mais próximos de nós do que imaginamos. Você sabia que a razão entre células microbianas e células humanas em nosso corpo é de dez para uma? Um a dois quilos de nosso peso são puros micróbios, isso pode no mínimo até parecer nojento, mas tem lá seu motivo. Controle cerebral? Doenças e condições mentais que parecem estar associadas a micróbios? Isso sim é assustador, controverso, curioso, preocupante e de por caraminholas (isso se já não tiver outras coisas por lá) em sua cabeça. Mas as doenças são só uma ínfima parte de todas as informações que o autor traz. Continuar lendo

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A Colher que Desaparece – Sam Kean

Quando eu comecei a ler esse livro, não estava nem na página 50 quando disse, para quem quisesse ouvir, que este é o melhor livro que eu já li na minha vida. Pode parecer um exagero, porque eu disse algo parecido quando li The Physician, do Noah Gordon (resenha aqui), mas A Colher que Desaparece, de Sam Kean entrou rapidamente para a lista de melhores livros já lidos por mim.

Diferentemente do The Physician, ACqD é um livro de Química. Sim, mais um. Este livro conta histórias incríveis sobre cada um dos 112 elementos já descobertos pelo homem (a partir do 113, eles ainda não foram descobertos, embora algumas tabelas já tenham reservado o espaço para eles). Tem como a leitura dessa compilação de histórias não ser incrível? Se você respondeu que sim, então leve em consideração que o autor consegue escrever sobre alguns dos conceitos mais difíceis da Química e da Física de uma maneira incrivelmente fácil (tão fácil que eu fiquei me perguntando porque diabos os professores da faculdade deixaram tudo tão confuso).

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Barbies, Bambolês e Bolas de Bilhar – Joe Schwarcz

Desde que eu era pequena, a química me fascina. Eu acreditava que misturar xampus e condicionadores no banheiro era algo mágico e passei muitas tardes com meu irmão aprontando dessas travessuras. Um dos meus maiores traumas é não ter tido um kit alquimia quando era criança. Todo esse amor me fez escolher Química como curso na faculdade e os livros que descrevem a química no dia-a-dia são os meus favoritos, ganhando de todos os romances históricos que podem aparecer por aí. Assim, não é de surpreender que eu comprei 3 livros de química em 15 minutos quando estava na Bienal de São Paulo. Dentre eles estava Barbies, Bambolês e Bolas de Bilhar.

O subtítulo do livro diz que ele contém “67 deliciosos comentários sobre a fascinante química do dia-a-dia”. Estes comentários estão dividos em 7 capítulos, que abrangem desde crimes cometidos usando a química até a sua importância na culinária. Inclusive, este livro contém várias informações sobre aqueles alimentos considerados mágicos para o ser humano. Aquela história de “uma maçã por dia mantém o médico longe”, na verdade, seriam necessárias 3. Também devemos tomar 3 xícaras de chá (verde, que tem mais catequinas) por dia.

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Na África Selvagem (Mark Seal)

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Muitos jovens quando decidem que querem ser biólogos, se sentem primariamente encantados pela vida marinha. Isso nunca aconteceu comigo. Não que um bando de baleias jubartes ou de grandes arraias seja feio, mas quando criança o que me deixava fascinada não eram os programas que abordavam o mundo azul. Os que me fascinavam eram os que mostravam as grandes planícies africanas e suas matizes de laranja. Então, é claro que não poderia deixar de ler o livro do Mark Seal, um livro que nos permite conhecer um pouco mais sobre a aventura que é ser um cinegrafista da vida selvagem, um livro que nos conta a história de uma mulher africana que morreu lutando pela preservação da biodiversidade do seu país.

No dia 13 de janeiro de 2006, Joan Root, cineasta da vida selvagem junto com o ex-marido Alan Root e ambientalista, foi assassinada em sua casa à beira do Lago Naivasha no Quênia com tiros de fuzis AK-47 aos 69 anos. Essa poderia ter sido mais uma notícia e parado por aí, mas Mark Seal enxergou aí a oportunidade de mostrar para o mundo quem foi Joan Root. A Joan que durante muito tempo foi companheira de profissão de seu ex-marido e aquela que após a separação encontrou na defesa da natureza sua razão de viver. O livro é baseado em entrevistas, depoimentos e nos diários e cartas que Joan escrevia. E está repleto de fatos sobre a vida de Joan, mas, além disso, de dados curiosos e fatos sobre a vida de outros grandes naturalistas. Só para citar alguns exemplos: você sabia que foi o casal Root que apresentou os gorilas-das-montanhas à zoóloga Dian Fossey? Ou que Stephen Jay Gould dizia que uma conversa com Joan acabava por render-lhe ótimos exemplos para serem utilizados em seus livros de divulgação científica? Continuar lendo

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O que Einstein disse a seu cozinheiro 2 – Robert L. Wolke

Ao contrário da maioria das séries, eu posso falar seguramente que este post não tem como conter spoiler do primeiro livro, que eu já resenhei aqui no blog e pode ser visto clicando aqui.

Assim que terminei de ler O que Einstein disse a seu cozinheiro, comecei a ler a “continuação”. Entre aspas porque os dois livros poderiam facilmente trocar de lugar, e não é crime ler o segundo antes do primeiro. Inclusive, em sua maioria, a resenha que eu fiz ao primeiro volume se aplica ao segundo.

Novamente, Robert L. Wolke utiliza as perguntas mais frequentes dos leitores de sua coluna sobre culinária no Washington Post para nos guiar em uma aventura pela ciência escondida na nossa cozinha. Acho que não preciso dizer que são perguntas diferentes, embora muitas vezes os conceitos explorados nos dois livros se sobreponham e, para alguém dotado de boa memória, alguns trechos são enfadonhos, por serem repetição do que o autor disse no livro anterior, mas momentos assim são raros.

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O que Einstein disse a seu cozinheiro 1 – Robert L. Wolke

Se esta é a sua primeira visita ao Blablabla Aleatório, então você provavelmente não sabe que eu sou (quase que praticamente) formada em Química e, felizmente, amo o que faço. Assim, não é de surpreender que eu goste de gastar parte do meu tempo livre lendo livros relacionados à esta grande ciência que eu tanto amo. Em 2009, comecei uma busca incessante por livros que abordassem a intrigante Química do dia-a-dia, explicando os porquês das coisas serem como são, e eventualmente, esta busca me trouxe (graças à minha sogra e meu namorado) a este livro: O que Einstein disse a seu cozinheiro 1.

Bom, Einstein provavelmente não precisa de uma introdução, então vou pular direto ao livro que, infelizmente, não é uma narrativa de conversas entre Einstein e seu cozinheiro, como o título pode nos levar a acreditar, mas uma longa série de perguntas e respostas organizadas em capítulos, cada um abordando um “tema” culinário.

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As Aventuras de Alice no País das Maravilhas & Através do Espelho e o que Alice encontrou por lá – Lewis Caroll

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Este é um dos livros que comprei na Bienal do Livro de São Paulo. A edição lançada pela Editora Zahar tem uma qualidade incrível! Capa dura, com folhas grossinhas (daquelas meio amareladas, sabe?). Tudo isso por meros R$13,90. E não é preço de bienal! É o preço normal por aí!

Bom, primeiramente, achei lindo colocarem as duas histórias em um livro só. Simplesmente porque o contato que eu tinha com Alice eram os dois filmes: a animação da Disney e a versão nova, com direito a Johnny Depp.

E, como no filme com o Johnny tinha e não tinha coisas que estavam no filme da Disney, fiquei curiosa para ler e saber quais os elementos que eles aproveitaram em cada uma das histórias.

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