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Caraval (Stephanie Garber)

Caraval é um lugar mágico e é também um jogo. Mestre Lenda do Caraval, o responsável pela empreitada, antigamente levava seu mágico espetáculo por todo o Império e suas ilhas conquistadas. Mas, após misteriosos eventos que culminaram na morte de uma mulher que participava do jogo, Mestre Lenda restringiu os espetáculos à sua ilha particular e conseguir um convite para participar não é fácil.

As irmãs Scarlett e Donatella vivem na pequena ilha de Trisda, governada por seu cruel e poderoso pai, o Governador Dragna. Desde pequena Scarlett sonha conhecer o Mestre Lenda e começou a enviar cartas para ele aos dez anos de idade. Sete anos depois, a garota agora já de casamento marcado (arranjado pelo pai) envia uma última carta, de despedida. E é claro que dessa vez ela tem sua resposta e com direito a convites para que ela e Donatella participem do Caraval. Mas, ir ao Caraval pode colocar o casamento de Scarlett em risco, e, mesmo que ele tenha sido engendrado por seu pai, ela enxerga nele a chance de salvar a si e sua irmã faz garras sádicas do pai. Mas, Donatella é da opinião de que o risco é válido e de que elas podem escapar do pai por si mesmas e de quebra, conhecer o mágico e misterioso Caraval. Ao aportarem na ilha de Caraval, Donatella desaparece e Scarlett precisa encontrá-la o mais rápido possível. Mas, para isso ela terá de jogar o Caraval. Ela terá apenas cinco noites para encontrar sua irmã e vencer essa jornada. Continuar lendo

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Então, eu reli #1: O Senhor dos Anéis (J. R. R. Tolkien)

Ler apenas novos livros, ou além disso, ler novamente histórias já conhecidas? A Mell Ferraz do canal Literature-se fez um vídeo bem legal falando sobre releituras. Sim, todo leitor, por mais voraz que seja, sabe que mesmo que sua vida seja longa e próspera, ele nunca irá ler todos os livros que deseja ler. Faz sentido então ler novamente uma história que você já conhece? Alguns leitores pensam que não, eu sou daquelas leitoras que acha que por mais que você conheça o início e o fim da jornada, trilhar novamente esse caminho pode gerar gratas surpresas. Tirando alguns livros que já reli mais de uma vez e estão frescos na memória, há outros que já li há muito tempo e que lembro que me marcaram na época, mas que a trama em si já está difusa na memória, porque não os reler? Pode ser que eu me decepcione com alguns, mas posso a vir a me apaixonar novamente por outros, ou passar a gostar mais de algum que não do qual não gostei tanto assim. Isso foi o que me incentivou a criar essa nova seção aqui no blog. E, para estrear com o pé direito eu escolhi O Senhor dos Anéis do Tolkien. Quem já nos acompanha há um tempinho, sabe que a admiração por Tolkien e sua obra foi o que possibilitou que eu e a Mari nos conhecêssemos, no já antigo, mas firme e forte, fórum Valinor. Nada mais justo então que esse livro tantas vezes relido (não tanto quanto eu gostaria) ou pelo menos frequentemente consultado na época do fórum, fosse o escolhido.

Para falar dele, não vou fazer como costumeiramente faço em minhas resenhas, a obra já ultrapassou o patamar de hors concours tão longe, que não consigo fazer uma análise imparcial. Então, vou basicamente me focar nas surpresas que essa releitura me trouxe. No caso de O Senhor dos Anéis, temos uma versão cinematográfica (particularmente considero uma das melhores adaptações cinematográficas) e, ao contrário dos livros que havia relido há tempos, o filme eu revejo todos os anos, às vezes mais de uma vez, e o resultado é que as modificações feitas pelo Peter Jackson acabaram mascarando alguns fatos da obra tolkieniana. Eu sei que nos livros a Arwen tem um papel bem menor na trama do que nos filmes, que foi Glorfindel e não ela que levou Frodo até Valfenda e que Saruman não encontrou seu fim em Isengard, mas ao fazer essa releitura, percebi que o filme já havia modificado muito mais as minhas memórias da obra do que eu supunha. Continuar lendo

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Leia Mulheres: Fantasia

Olha mais uma coluna precisando ser resgatada das camadas de pó…

Vamos ver se agora eu consigo mantê-la atualizada. Desta vez vamos falar sobre mulheres e fantasia. Quando falamos em livros de fantasia é comum nos atermos aos nomes de autores masculinos, ou porque eles têm maior visibilidade e um histórico mais antigo de publicação ou porque, infelizmente, algumas pessoas associam fantasia de qualidade à autores masculinos como se as mulheres não pudessem produzir excelentes obras também (xô preconceito!). A lista de autoras que se enveredam pelo mundo das palavras e criam mundos e personagens fantásticos não é pequena, mas hoje trago apenas uma pequena contribuição. Cinco autoras que merecem ser conhecidas porque gosta do gênero. Já aviso de antemão que a ausência da Ursula K Le Guin é proposital (afinal, se Tolkien é considerado o pai da fantasia, Le Guin bem pode ser a matriarca), mas é que eu guardei ela para a lista de sci-fi!

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The Name of the Wind – Patrick Rothfuss

Kvothe está vivendo uma vida simples como dono de uma estalagem. No entanto, a sua vida pacata está para ser perturbada com a chegada de Chronicler, um colecionador de histórias. Ele enxerga através da farsa de “estalajadeiro” e convence Kvothe a contar a sua historia, que já virou boato em todos os cantos do mundo.

É assim que começamos a ouvir a versão verdadeira da lenda que ele virou. A história é dividida entre os três livros, e cada um representa um dia em que Kvothe a conta ao Chronicler. Como bom narrador, ele começa a narrativa com sua infância, para dar um bom pano de fundo sobre a personagem. Em alguns momentos, achei que ele se estendeu demais na narrativa – e que nada aconteça de fato, mas não acho que eu teria conseguido tirar alguma parte.

O autor conta bem os momentos que tiram Kvothe de onde está em um dado momento, e não senti que as coisas lhe vinham fácil demais, mas me irritou bastante o tanto que ele é convencido. Kvothe é bastante inteligente e aprende rápido, e por isso, ele acha que é melhor que todos ao seu redor (tudo bem que em alguns momentos ele é, mas um pouco de humildade não faz mal a ninguém). Continuar lendo

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A Dança dos Dragões (George R. R. Martin)

*Atenção, este livro é o quinto da série As Crônicas de Gelo e Fogo e esta resenha pode conter spoilers dos livros anteriores. Quer saber o que nós achamos dos livros anteriores? No final da resenha disponibilizo os links.

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Com a leitura de A Dança dos Dragões, tomamos conhecimento dos acontecimentos ocorridos em paralelo aos narrados em O Festim dos Corvos e temos vislumbres do que aconteceu depois e do que provavelmente virá a partir daí. Se O Festim dos Corvos focou-se em Porto Real, nas disputas por poder dos Greyjoy, nas batalhas empreendidas pelos Lannister e em alguns jovens lobos sedentos por vingança. Agora temos mais detalhes dos acontecimentos na Muralha e além dela, das previsões do Senhor da Luz, dos planos de Stannis, do paradeiro de Tyrion e de como ele pode ter influenciado uma decisão que poderá provocar ainda mais derramamento de sangue em Westeros e da indecisão de Daenerys e das armações sendo tramadas nas Terras Livres. Continuar lendo

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Atrás do Espelho (A. G. Howard)

Atenção, esta resenha trata dos acontecimentos ocorridos no segundo livro da trilogia Splintered e pode haver spoilers sobre fatos do livro anterior. Para saber o que eu achei do primeiro livro, confira os links no final desta resenha.

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“É mais um lembrete de que o conto de fadas do País das Maravilhas é real, de que o fato de ser descendente de Alice Liddell significa que sou diferente de todo mundo. Não importa a distância que eu tente colocar entre nós, estou para sempre ligada a uma estranha e horripilante espécie de criaturas mágicas chamadas intraterrenos.” página 8

Há um ano Alyssa foi coroada Rainha do País das Maravilhas, mas decidiu abdicar de seus afazeres reais para viver no mundo dos humanos, junto à sua família, amigos e do seu namorado Jeb. Durante um ano, ela tentou levar uma vida normal, aproveitar para passar mais tempo com sua mãe (que finalmente voltara para casa), com Jeb, com suas obras de arte e fazendo planos para um futuro em Londres. Há apenas um porém nessa normalidade toda, Jeb não se lembra do tempo passado no País das Maravilhas e Alyssa vem protelando contar a ele sobre a aventura passada e sua herança fantástica por medo de parecer louca. Mas, quando a loucura invade seu mundo, ela não tem mais escolha a não ser abrir o jogo e tentar manter um equilíbrio entre o mundo dos humanos e o dos intraterrenos. Porque Morfeu, o intraterreno que há muito habita seus sonhos, não permitirá que Alyssa despreze seu legado. Morfeu está no reino humano, com notícias nada animadoras. A Rainha Vermelha está determinada a se vingar de Alyssa, o País das Maravilhas está em colapso e todos os que Alyssa ama estão em perigo, a menos que ela reivindique seu trono e lute pelo País das Maravilhas contra a ira da Rainha Vermelha. Continuar lendo

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A Mariposa no Espelho (A. G. Howard)

Atenção, esta resenha trata dos acontecimentos ocorridos entre o primeiro e o segundo livro da trilogia Splintered e pode haver spoilers sobre fatos do livro anterior. Para saber o que eu achei do primeiro livro, confira os links no final desta resenha.

a mariposa no espelho

Seguindo a moda atual das séries literárias, A. G. Howard também escreveu um conto que serve de ponte entre os acontecimentos de O Lado Mais Sombrio e Atrás do Espelho. O conto, A Mariposa no Espelho, traz alguns acontecimentos do primeiro livro sob o ponto de vista de Jeb, analisado e esmiuçados por Morfeu.

“Manter-se afastado da amiga fez com ele sentisse o gosto da solidão pela primeira vez. Mesmo todos os anos claustrofobia que ele passara aprisionado em um casulo antes de encontrá-la… nem mesmo eles o prepararam para o sofrimento da ausência dela.”

Seis meses após Alyssa derrotar a Rainha Vermelha e decidir partir do País das Maravilhas, Morfeu ainda não consegue entender como um humano pode ter conseguido o que ele mais almeja e não pôde conquistar. O coração de Alyssa. E mesmo com ela mesmo longe, ele está decidido a enveredar-se pelos pensamentos mais profundos de Jeb (suas memórias perdidas do País das Maravilhas), para assim conhecer suas fraquezas e saber como derrotá-lo e ter Alyssa para si. É por meio dessas memórias, juntos com Morfeu, que podemos ter uma visão mais ampla de episódios derradeiros de O Lado Mais Sombrio. Continuar lendo

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O Lado Mais Sombrio (A. G. Howard)

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Assim que comecei a ler o livro da Howard, pensei, por que demorei tanto para começar a ler este livro? Já estava com ele há tempos na estante, se não estou enganada, O Lado Mais Sombrio foi um dos lançamentos do mês de abril da Novo Conceito. A narrativa de Howard é fluida e sua trama ágil. O Lado Mais Sombrio é daqueles livros para ser “ler numa sentada só”. A história é repleta de tanta ação e tantos plot twists, que é impossível não ser fisgado é só querer parar quando chegar ao fim. Li em algumas resenhas, que alguns leitores não gostaram da enorme quantidade de reviravoltas utilizadas pela autora, alegaram que deixaram a história cansativa. Eu pelo contrário, achei que toda essa inconstância na trama e nos personagens casou perfeitamente com toda a loucura, insensatez e psicodelismo do mundo criado por Lewis Carroll e utilizado com propriedade por Howard para dar vida a sua história. Uma história feita sob medida para os fãs do País das Maravilhas. Continuar lendo

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A Feast for Crows – George R. R. Martin

*Atenção, este livro é o quarto da série As Crônicas de Gelo e Fogo e esta resenha pode conter spoilers dos livros anteriores. Quer saber o que nós achamos dos livros anteriores? No final da resenha disponibilizo os links.

Com a maior parte dos combatentes da Guerra dos Cinco Reis fora do tabuleiro, George R. R. Martin nos mostra como ficaram as peças restantes. Temos olhos em boa parte dos Sete Reinos graças às personagens espalhadas pelo mapa. Os aspirantes ao Trono de Ferro tramam para vencer a guerra dos tronos, e a trama se complica.

O quarto livro da série “A Game of Thrones” “A Song of Ice and Fire” é, inicialmente, o mais fraco. Cheio de personagens novas, com as quais ainda não simpatizamos, e sem nossos já definidos favoritos, é complicado de ler. Afinal, o que nos importa o que acontece em Dorne frente a Daenerys e seus dragões? E por que ler sobre as Ilhas de Ferro quando queremos é Tyrion?? Sim, é difícil, mas é necessário. Inicialmente, o autor havia planejado um “Cinco anos depois…” entre o terceiro e o quarto livros (e o quinto livro seria o quarto). No entanto, ao escrever a história desse modo, ele se viu precisando descrever muitos flashbacks, ou com um prólogo de 200 páginas. Então pareceu lógico diluir isso ao longo do livro – o qual ficou então muito longo para ser publicado em apenas um volume. Continuar lendo

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O Festim dos Corvos (George R. R. Martin)

*Atenção, este livro é o quarto da série As Crônicas de Gelo e Fogo e esta resenha pode conter spoilers dos livros anteriores. Quer saber o que nós achamos dos livros anteriores? No final da resenha disponibilizo os links.

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“Os sonhos de lobo eram bons. Neles, ela era rápida e forte, perseguindo as presas com a alcateia atrás de si. Era o outro sonho que odiava, aquele em que tinha duas pernas em vez de quatro patas. Neste, andava sempre à procura da mãe, aos tropeções, por uma terra devastada repleta de lama, sangue e fogo.” página 434.

 

A conclusão do terceiro livro da série As Crônicas de Gelo e Fogo (A Tormenta de Espadas) até agora é o que possui um dos melhores finais. Soube dosar bem toda a carnificina característica das obras de Martin com o lado sobrenatural que começou a dar mostras de como pode tornar essa história ainda mais dramática. Foi daquelas conclusões de te deixar no afã doentio pela continuação. Ao escolher ceifar boa parte de seus personagens, Martin também encerra um ciclo e suscita dúvidas sobre os rumos que a história irá tomar. É de se esperar portanto que o leitor parta para a leitura do quarto livro da série com a expectativas lá em cima, o que infelizmente pode desapontar os mais afoitos.

Felizmente como já havia sido avisada de que este talvez fosse me desapontar um pouquinho, iniciei a leitura de O Festim dos Corvos com expectativas baixas e ciente de que o tamanho colossal do livro pudesse contribuir para que ela fosse ainda mais demorada. Ainda assim me surpreendi. Sabe o final eletrizante do livro antecessor? Suas consequências mais imediatas ficaram relegadas ao segundo plano. Só está presente por meio de dicas esparsas ao longo da leitura e nos permite um vislumbre apenas nos capítulos derradeiros. Isso porque Martin, prolixo que é, acabou prolongando-se demais na narrativa, o que o obrigou dividir um único livro em dois. Isso mesmo, O Festim dos Corvos e A Dança dos Dragões (livros quatro e cinco respectivamente) podem ser entendidos como uma obra única. Como Martin mesmo frisa na nota ao final do livro, ao se deparar com a enormidade do livro que tinha em mãos ele tinha duas alternativas: contar metade da história para todos os personagens, ou contar a história toda para metade deles e depois retomar a história para a outra metade; ele escolheu a segunda. Foi assim que O Festim dos Corvos acabou focando-se nos conluios, tramas e armações de Porto Real, na disputa pela Cadeira de Pedra do Mar dos Greyjoy, nas batalhas empreendidas pelos Lannister para manter seu poder e em alguns jovens lobos dispersos pelo reino e sedentos de vingança. Todos os outros acontecimentos: Muralha, Terras Livres, dragões, selvagens, corvos de três olhos, Senhor da Luz e etecetera ficam em suspenso, sendo retomados em A Dança dos Dragões. Continuar lendo

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