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1356 – Bernard Cornwell

Atenção! Este post trata do livro 1356, que embora não seja da série “A Busca do Graal”, se passa alguns anos depois do último livro da série, O Herege.  Assim, esta resenha pode conter spoiler da trama dos livros da série.

Em 1356, os boatos de que uma relíquia religiosa foi encontrada começam a se espalhar pela França. Isso seria considerado normal para aqueles tempos, cheios de falsas relíquias e peregrinações indo de encontro àquelas consideradas verdadeiras. Mas a relíquia em questão não é o dedo de um santo, ou um pedaço da cruz onde Jesus foi crucificado. Os boatos falam da espada que São Pedro usou no Getsêmani, quando os romanos foram buscar Jesus para a crucificação. A espada, La Malice (francês para a malícia), seria indestrutível, tornaria seu dono praticamente invencível e significaria que Deus apoiava o lado em posse da relíquia. O que no meio da Idade Média era tudo que um rei precisava saber antes de se lançar à guerra.

Claro que, durante a Guerra dos Cem Anos, o período em que este livro se passa, não faltavam motivos para a Inglaterra e a França lutarem entre si. O rei da Inglaterra, Eduardo, reivindicava para si o trono da França, ocupado por Carlos de Valois. E, motivado por essa reinividicação, todos os anos viam navios ingleses despejando arqueiros e homens de arma na costa da França, que aos poucos era dominada. No entanto, depois da derrota em Calais (descrita na trilogia “A Busca do Graal”), o moral do exército francês está bastante baixo, e Carlos de Valois reluta em lançar seu exército na luta contra os inimigos.

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Azincourt (Bernard Cornwell)

“Os arqueiros eram os heróis de Hook. A Inglaterra, para Hook, não era protegida por homens vestindo armaduras brilhantes, montados em cavalos ajaezados, e sim por arqueiros”. 

A figura do arqueiro sempre foi mítica para os ingleses, durante todo o período medieval e antes do advento das armas de fogo, os arqueiros eram amplamente utilizados nas batalhas e chegavam a compor mais da metade do exército inglês. Ter um arqueiro em um exército no século XIV era praticamente uma exclusividade inglesa, já que para ser um bom atirador eram precisos anos de prática e em nenhum outro país o arco longo era tão difundido. Essa característica do exército inglês fez da Inglaterra nos séculos XIV e XV uma potência na Europa e tornou-se uma das unidades bélicas mais temidas, e com razão, os arqueiros eram capazes de fazer a guerra pender para os ingleses mesmo quando as condições numéricas eram desfavoráveis.

Emprestando novamente a figura do arqueiro, que já foi explorada na série A Busca do Graal, Cornwell faz uma releitura de uma das batalhas mais famosas da Guerra dos Cem Anos entre a Inglaterra e a França. A batalha de Azincourt, travada em 1415, em solo francês no dia de São Crispim. Azincourt ficou famosa, não pelos ganhos políticos ingleses (que foram bem ínfimos), mas sim pela disparidade numérica entre ingleses e franceses. Algumas fontes chegam a falar de 6 mil para 30 mil respectivamente. São os eventos que culminaram nessa batalha que nos são narrados em Azincourt, só que diferente de Shakespeare que também revisitou esse dia em sua obra Henrique V, Cornwell traz como protagonista um simples arqueiro, um tanto esquentado, com uma rixa familiar e com uma mira de dar inveja. Continuar lendo

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