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Uma Casa no Fim do Mundo (Michael Cunningham)

Michael Cunningham conheceu Virginia Woolf ainda na adolescência e logo estabeleceu uma conexão afetiva e artística com a autora. Foi inspirado nela que adentrou ao mundo da escrita; foi homenageando ela que ele recebeu o maior prêmio de sua carreira; e é no uso do fluxo de consciência, ainda que de forma tímida algumas vezes, e nos pensamentos digressivos de seus personagens, que ao ressoar a técnica tão bem empregada por Woolf, ele nos entrega uma narrativa a quatro vozes em uma explosão de solilóquios mentais que grudam o leitor às páginas de Uma casa no fim do mundo.

O romance, publicado em 1990, é considerado por Cunningham como sendo sua verdadeira estreia no meio literário, apesar de ter publicado um livro antes (em 1984). Nele o autor traz a história de um trio de jovens que na busca por encontrar seu lugar no mundo, ousaram seguir caminhos pouco convencionais mesmo na sociedade americana da década de 1980 ainda fortemente influenciada pelos ideais libertários do Festival de Woodstock. A trama que engloba mais de vinte anos, primeiro nos anos de 1960 em Cleveland e mais tarde nos anos de 1980 em Nova York, perpassa pela utopia hippie, a cultura gay nos Estados Unidos e a disseminação da AIDS. Temas espinhosos, mas tratados com a sensibilidade necessária sem deixar de lado a crítica social. Continuar lendo

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CONTÁGIO – Infecções de origem animal e a evolução das pandemias (David Quammen)

“Invadimos florestas tropicais e outras paisagens selvagens, que abrigam tantas espécies de animais e plantas – e dentro dessas criaturas, tantos vírus desconhecidos. Cortamos as árvores; matamos os animais ou os engaiolamos e os enviamos aos mercados. Destruímos os ecossistemas e liberamos os vírus de seus hospedeiros naturais. Quando isso acontece, eles precisam de um novo hospedeiro. Muitas vezes, somos nós. ” (e-book, posição 81-84)

Apesar de ter sido publicado originalmente em 2012, o livro de David Quammen não poderia ser mais atual. A Companhia das Letras tê-lo trazido neste momento para o mercado brasileiro não poderia ser mais emblemático. Com a pandemia de covid-19 ainda longe de acabar, entender como as doenças zoonóticas podem se tornar pandemias e como se dá o processo de erradicação ou controle de doenças (principalmente com os movimentos antivacinas em alta) é fundamental para que hábitos e costumes perigosos sejam mudados e para que tenhamos embasamento científico para lutar por políticas públicas, principalmente ambientais e de saúde, para que situações como a que vivenciamos hoje não se repitam ou cheguem em uma onda ainda mais dizimatória.

Hendra, Ebola, Malária, SARS-CoV, Febre Q, Psitacose, Doença de Lyme, Marburg e HIV são algumas das doenças (a maioria provocada por vírus, algumas por bactérias) de origem zoonóticas que Quammen aborda em Contágio. Ele revisita os casos dessas epidemias, evidencia a importância das investigações epidemiológicas e das medidas públicas de contenção quando uma doença está em curso e acompanha pesquisadores que dedicam-se a descobrir a origem dessas doenças, seus mecanismos de infecção e como elas “atravessaram a ponte” entre o restante dos animais e os humanos. Continuar lendo

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