Arquivo da tag: Julia Sobral Campos (tradução)

Pequenos Incêndios Por Toda Parte (Celeste Ng)

Celeste Ng, em Pequenos incêndios por toda parte, mostrou-se exímia em fazer histórias de pessoas comuns renderem intricadas tramas e narrativas cativantes. Em colocar em discussão assuntos tabu e questões de representatividade com muita naturalidade, desprovida de julgamentos e sem ser determinística entre o certo e o errado. Em mostrar como as escolhas, os mal-entendidos, a falta de comunicação e os atos de desespero espalham pequenos incêndios por aí. Uma casa incendiada na cidade modelo de Shaker Heights (onde tudo tem seu lugar) marca o início dessa trama na qual as pequenas amostras do presente, passado e futuro nos mantém fisgados à espera do porvir. Continuar lendo

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Ainda Sou Eu (Jojo Moyes)

Atenção, esta resenha trata dos acontecimentos ocorridos no terceiro livro da duologia trilogia Como eu era antes de você e pode haver spoilers sobre fatos dos primeiros livros. Para saber o que eu achei deles, confira os links no final desta resenha.

 

Em Depois de Você Lou Clark precisou aprender a juntar seus pedaços, descobrir suas potencialidades, restabelecer suas relações com sua família, e encontrar forças para superar as marcas indeléveis que a perda de Will causou em sua vida. O segundo volume foi sobretudo uma história sobre superação, um ponto de parada para que Lou se preparasse para a sua grande jornada de descoberta. Por isso, a existência de um terceiro volume acabou sendo menos surpreendente. Depois de vermos Lou se acertar com a família, estabelecer um relacionamento com Lily, se envolver com Sam e receber uma proposta de emprego que lhe permitirá alçar voos, é claro que ficamos curiosos para saber como será essa experiência e se as coisas finalmente irão se ajeitar para Lou. É isso que Jojo prometeu entregar em Ainda Sou Eu, e conseguiu. Eu ainda prefiro os dois primeiros volumes, mas Ainda sou eu com todo seu ar de Quinta Avenida, mas com uma pitada de subúrbio (ainda bem!) e uma boa dose de moda (que até poderia ser mais!), rendeu uma leitura divertida, um tanto dramática e bastante enternecedora. Continuar lendo

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Até que a Culpa nos Separe (Liane Moriarty)

Tudo começa com uma menção a um episódio traumático. Com quem? Não é muito difícil supor acertadamente. Como? É o que Moriarty nos convida a descobrir. Suas implicações? Permeiam toda a narrativa. A forma de contar essa história não é muito diferente da adotada pela autora em seus outros livros, muito pelo contrário, o vislumbre da tragédia, o retorno no tempo, o vai vem frequente na linha temporal da trama e a forma como ela nos apresenta seus personagens, que vejam só, são cheios de defeitos e não criados propositadamente para encantar o leitor, são estratégias bem recorrentes em seus outros livros. Pode-se dizer que essa é a fórmula Moriarty para escrever livros. É mais do mesmo? De jeito nenhum! O foco das histórias de Moriarty está na vida cotidiana de seus personagens, nas relações familiares, na dinâmica do relacionamento entre amigos, nos mal-entendidos, nas pequenas rusgas diárias, nas manias e nos segredos que cada um guarda para si. Transformar o ordinário em extraordinário, com uma boa pitada de drama, de romance e de suspense, é o que torna cada uma das histórias de Moriarty únicas.

“Erika notou um terror bruto e uma urgência aguda naquela única palavra: Clementine!

Sabia que ela era a amiga que gritara o nome de Clementine naquela noite, mas não tinha qualquer recordação disso. Não havia nada além de um branco onde deveria estar aquela memória, e se ela não conseguia se lembrar de um momento como aquele, bem, isso significava que havia um problema, uma anomalia, uma discrepância; uma discrepância extremamente significativa e preocupante. ” (Página 133)

Em Até que a culpa nos separe tudo começa com um churrasco. Era para ter sido inofensivo, apenas uma comemoração, mas terminou em tragédia. Meses depois os envolvidos ainda lidam com a culpa e com as implicações de tudo o que ocorreu aquele dia, bem, de boa parte dele já que ainda há minúcias que permanecem obscuras mesmo para alguns dos envolvidos. Para recontar o que aconteceu, Moriarty divide a tarefa entre todos os presentes. São muitas e muitas versões entrecortadas e Moriarty é exímia em nos manter em suspenso, no limite entre a curiosidade e a compulsão por desvelar os segredos alheios. Continuar lendo

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Arquivado em Editora Intrínseca, Editoras Parceiras, Resenhas da Núbia, Volta ao Mundo em 198 Livros