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As Últimas Testemunhas (Svetlana Aleksiévitch)

As Últimas Testemunhas, publicado originalmente em 1985, é o segundo livro de Svetlana. Nele ela resgata as memórias de quem era criança durante a devastação da Bielorússia na Segunda Guerra Mundial. Assim como em seus outros livros, neste ela segue experimentando esse gênero literário que muitos ainda relutam em chamar de literatura, o romance-testemunho. A compilação de um coro de vozes, palavras e memórias que podem não pertencer a Svetlana, mas que são ouvidas, sentidas e trabalhadas com empatia e sensibilidade palpáveis. São narrativas arrebatadoras, repositórios de períodos históricos que não podemos nos permitir esquecer.

“Talvez ela tivesse oito anos, talvez dez. Como ia adivinhar pelos ossinhos? Não eram pessoas que andavam ali, mas esqueletos…. Logo ela ficou doente, não conseguia levantar e ir para o trabalho. Eu pedia para ela… No primeiro dia inclusive eu a puxei até a porta, ela se segurou na porta mas não conseguia andar. Passou dois dias deitada, e no terceiro vieram pegá-la e levaram na maca. Só havia uma saída do campo: pela chaminé…. Direto para o céu… ” (Página 146)

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Vozes de Tchernóbil (Svetlana Aleksiévitch)

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Ao longo da história da humanidade são muitas as catástrofes que acumulamos: umas de causas naturais, outras intencionais e algumas, resultados do erro e da negligência humana. Quando pensamos em acidentes nucleares, é impossível não lembrar do acidente com o Césio 137 ocorrido em 1987 em Goiânia (particularmente, nós brasileiros); o mais recente ocorrido em 2011 em Fukushima no Japão; e, talvez aquele que mais perdure no imaginário popular, quer seja pela magnitude atingida, pelos efeitos deletérios e/ou pela carga histórica até hoje impingida aos bielorrussos, ucranianos e russos.

No dia 26 de abril de 1986 ocorreram uma série de explosões seguidas de incêndio na usina nuclear de Tchernóbil, localizada em Prípiat na Ucrânia, bem próximo à fronteira da Bielorrússia, e então parte da União Soviética. O acidente lançou grandes quantidades de partículas radioativas na atmosfera da URSS e de boa parte da Europa, transformando Prípiat em uma cidade fantasma, matando milhares de pessoas, plantas e animais, e gerando consequências até hoje enfrentadas pelos sobreviventes e pelos que nasceram após ele. Minúcias do acidente há muito são esmiuçadas, nos livros de história, de ciências, nos documentários…

“Este livro não é sobre Tchernóbil, mas sobre o mundo de Tchernóbil. Sobre o evento propriamente, já foram escritos milhares de páginas e filmados centenas de milhares de metros em película. Quanto a mim, eu me dedico ao que chamaria de história omitida, aos rastros imperceptíveis da nossa passagem pela Terra e pelo tempo. Escrevo os relatos da cotidianidade dos sentimentos, dos pensamentos e das palavras. Tento captar a vida cotidiana da alma. ”

(Página 40)

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