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Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios (Marçal Aquino)

Só conhecia o Marçal Aquino por seus livros juvenis. Histórias sempre envolvendo mistérios, investigações e muito perigo. De certa forma, essas características são como marcas registradas dos livros do autor, Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios, romance voltado ao público adulto, também está carregado deles. As tensões políticas e sociais na pequena cidade de garimpeiros no interior do Pará; os perigos do relacionamento clandestino e conturbado entre Cauby e Lavínia; a paixão destinada à tragédia. Mas, mais do que perigos, traições e assassinatos, o romance de Marçal é uma ode ao amor inesperado, desajeitado, repleto de paixão e de uma intensidade avassaladora. Tudo isso em uma narrativa envolvente que nos torna confidentes ansiosos de seus desdobramentos. Continuar lendo

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Dôra, Doralina (Rachel de Queiroz)

Esta é mais uma daquelas leituras que foram fomentadas por um desafio literário, no caso o Desafio Lendo Mais Mulheres 2018. Nele há a categoria ler um livro de uma autora sul-americana e eu não pude deixar passar a oportunidade de colocar o único livro da Rachel de Queiroz que tenho na minha estante. Não é que eu nunca tenha ouvido falar da Rachel de Queiroz, mas ela não fulgurava entre os autores que li no ensino médio. Não comecei pelo O Quinze nem Memorial de Maria Moura (duas de suas obras mais emblemáticas), mas Dôra, Doralina cumpriu seu papel de me apresentar uma escritora de narrativa afiada, muito ligada às suas raízes nordestinas e sempre preocupada com a situação política do país.

Dôra, Doralina foi publicado originalmente em 1975 e traz a história de uma protagonista que vive em uma fazenda no agreste nordestino sob o jugo da mãe, passando por seu grito de liberdade, seu envolvimento com uma trupe de teatro mambembe, seu desembarque no Rio de Janeiro em tempos de guerra e a descoberta do amor. Apesar de não acompanharmos Dôra desde sua infância, este é essencialmente um romance de formação e para refletir as diferentes fases pelas quais Dôra transita, Rachel estruturou a obra em três livros. Continuar lendo

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Todo Dia a Mesma Noite (Daniela Arbex)

“A capitã da brigada caminhou pela Kiss atordoada não só com o que viu, mas com o barulho dos celulares das vítimas. Os aparelhos tocavam juntos e cada telefone tinha um som diferente. (…) Na maioria dos casos, porém, o visor indicava a mesma legenda: “mãe”, “mamãe”, “vó”, “casa”, “pai”, “mana”. Aquela sinfonia da tragédia era tão insuportável quanto a cena que Liliane presenciava. Como lidar com um evento dessa proporção?“ (Páginas 34 e 35)

Na manhã do dia 27 de janeiro de 2013 o Brasil acordou estarrecido pela tragédia que se abateu em Santa Maria no Rio Grande do Sul. Até o dia 26 de janeiro, Santa Maria vivenciou uma calmaria sem precedentes nos atendimentos do SAMU. Na madrugada do dia 27, a tempestade. A boate Kiss, com superlotação, funcionando sem todos os alvarás obrigatórios, utilizando material expressamente proibido com a finalidade de isolamento acústico, aliado a uma ação totalmente imprudente, incendiou. Com a guarnição dos bombeiros desfalcada, dezenas de civis ajudaram no resgate, muitos morreram durante o processo. Com uma só porta de saída e entrada, dificultada pela presença de guarda-corpos, muitos jovens não conseguiram sair, centenas morreram na boate e mesmo entre os resgatados com vida, muitos acabaram morrendo depois vítimas da intoxicação da fumaça letal gerada na combustão. O incêndio na Kiss interrompeu 242 vidas repletas de sonhos e projetos. A tragédia foi amplamente esmiuçada na mídia e muitos desses detalhes se tornaram de conhecimento público. Então, qual seria a história não contada da boate Kiss? Continuar lendo

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Letra e Música (Ruy Castro)

Ruy Castro é conhecido por sua produção de biografias (são deles as de Nelson Rodrigues e Carmem Miranda) e por seus livros de documentação histórica, como o ótimo Chega de Saudade no qual retraça os caminhos que levaram ao surgimento da Bossa Nova. Ele também teve passagem por importantes veículos da imprensa até a década de 90 quando passou a se dedicar aos livros. De volta aos jornais, desde 2007 Ruy publica crônicas na coluna que assina quatro vezes na semana no jornal Folha de São Paulo. Letra e Música, publicado pela extinta Cosac Naify, traz um compilado de algumas de suas crônicas e ensaios publicadas entre 2007 e 2013.

O livro é composto por dois volumes com 64 pequenos textos em cada. No primeiro, A Canção Eterna, estão os textos do Ruy apaixonado por música: Continuar lendo

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Leia Mulheres: Aventura

 

As autoras indicadas hoje poderiam também estar presentes naquela lista de escritoras de fantasia, seja por terem criados novos mundos ou feito a fantasia encontrar a realidade. Mas, estas autoras também criaram histórias nas quais seus personagens são colocados em situações perigosas, são convidados a desbravar novos lugares, encontrarem sua coragem interior e lutarem para superarem os percalços, derrotarem um vilão, ou simplesmente superarem o medo. Os livros de aventura, como são conhecidos, são bem difundidos na literatura para crianças e jovens e dentre as autoras aqui citadas há aquelas já bem conhecidas por esse público e outras que são mais conhecidas por seus livros direcionados ao público adulto, mas que também tem ótimos livros de aventura direcionados ao público mais jovem. Continuar lendo

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Minha Vida Fora de Série – 4° Temporada (Paula Pimenta)

Atenção, esta resenha trata sobre os acontecimentos do quarto livro da série Minha Vida Fora de Série. Por isso, pode conter spoilers, revelando partes dos conteúdos dos livros anteriores. Para saber o que eu achei dos demais livros, confira os links no final desta resenha.

 

Na quarta temporada de Minha Vida Fora de Série, a Paula Pimenta já começa surpreendendo com a escolha de seu narrador. Ainda que o primeiro livro tenha sido exclusivamente narrado pela Priscila, desde a segunda temporada estamos acostumados com as participações eventuais do Rodrigo (e até do Leo) na narrativa, mas desta vez, a Paula pediu licença à sua protagonista e nos entregou um livro todo Rodrigo. E, se por um lado isso nos deixou roendo as unhas de curiosidade para saber tudo o que aconteceu com a Priscila desde o fatídico término e suas decisões surpreendentes, por outro, nos permitiu conhecer mais a fundo o outro lado dessa história. Suas mágoas, sua intransigência (me desculpem as fãs, mas ele o foi em relação à Priscila, estou com a Dani e não abro e a situação do Klaus com a Daphne serviu para evidenciar isso muito bem), a fuga de si mesmo e o encontro de si próprio. Acompanhar toda a jornada de descoberta do Rodrigo rendeu uma temporada repleta de emoções.

Após o término do namoro com a Priscila, o Rodrigo decidiu afastar-se de tudo o que lembrava sua antiga vida e finalmente cedeu aos apelos dos irmãos mais velhos e se mudou para Vancouver. Em MVFS4 a trama alterna entre a chegada do Rodrigo à Vancouver, o empenho exacerbado da Sara e do João Marcelo em bancarem os cupidos (e fazerem a caveira da Pri como já é de praxe), as aulas como ouvinte na faculdade de música, o desenrolar da sua amizade com Klaus; e o Rodrigo hoje em Toronto, as apresentações com a banda de Sean, a amizade com Ton Ton, o surgimento de Lucky e quiçá uma nova guinada em seus planos.

“Sempre me considerei um cara indeciso. Ao me deparar com dois caminhos, procrastinava até o último momento, por medo de tomar a decisão errada. (…)

Entretanto, ao jogar a prudência para o alto e finalmente tomar uma decisão apenas minha, descobri que durante a vida inteira eu vinha recebendo o resultado das escolhas alheias. Fazer faculdade de Administração, transferir a faculdade para São Paulo, me mudar para Vancouver… Eu não tinha feito nada daquilo por desejo próprio. Era sempre a vontade das outras pessoas me levando a algum lugar. E talvez por isso eu nunca havia me sentido no lugar certo. Ao contrário, era como se eu fosse um peixe fora d’agua, me contentando com migalhas que os outros me atiravam da felicidade deles.“ (Página 179)

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Leia Mulheres: Fantasia

Olha mais uma coluna precisando ser resgatada das camadas de pó…

Vamos ver se agora eu consigo mantê-la atualizada. Desta vez vamos falar sobre mulheres e fantasia. Quando falamos em livros de fantasia é comum nos atermos aos nomes de autores masculinos, ou porque eles têm maior visibilidade e um histórico mais antigo de publicação ou porque, infelizmente, algumas pessoas associam fantasia de qualidade à autores masculinos como se as mulheres não pudessem produzir excelentes obras também (xô preconceito!). A lista de autoras que se enveredam pelo mundo das palavras e criam mundos e personagens fantásticos não é pequena, mas hoje trago apenas uma pequena contribuição. Cinco autoras que merecem ser conhecidas por quem gosta do gênero. Já aviso de antemão que a ausência da Ursula K Le Guin é proposital (afinal, se Tolkien é considerado o pai da fantasia, Le Guin bem pode ser a matriarca), mas é que eu guardei ela para a lista de sci-fi!

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Leia Mulheres: Formando Novos Leitores

Estudos já comprovaram que a exposição precoce de crianças à leitura em casa tem um impacto bastante positivo para a formação de novos leitores. O exemplo de ver os pais lendo e a experiência de conhecer novos mundos com a ‘contação de histórias’ e a leitura antes de dormir, podem ser cruciais para que as crianças cresçam vendo a leitura como uma atividade divertida e prazerosa e sigam levando esse hábito consigo. Mas, mais do que só despertar curiosidade sobre o hábito da leitura, é preciso também manter essa curiosidade acesa durante o desenvolvimento da criança e adolescente. Permitir que as crianças e os adolescentes possam escolher os livros que querem ler (de vez em quando) e poderem falar sobre eles, pode ser uma ótima iniciativa. No ensino fundamental os livros paradidáticos ainda trazem histórias de aventuras e com uma linguagem bem mais acessível que acabam captando muita a atenção das crianças, mas no ensino médio, quando chegam as listas de livros clássicos, muitos acham bem difícil engolir. Não é preciso excluir os clássicos, eles têm sua importância, mas por que não trazer livros mais do gosto da garotada para dentro da sala de aula? Trabalhar Harry Potter não exclui trabalhar Machado de Assis e nem precisa. Continuar lendo

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Mônica – Força (Bianca Pinheiro)

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A enorme força da Mônica sempre foi a sua característica mais marcante, não são raras as histórias em que ela emprega o uso de sua força, principalmente se elas envolverem os planos infalíveis do Cebolinha. Só que agora, na trama desta Graphic MSP o Sidney Gusman teve a ideia de explorar um outro lado desta força. Confrontar a Mônica, do alto de seus sete anos, com a realidade de que a força muitas vezes não é a solução para todos os problemas. Há problemas além do alcance de suas coelhadas, que expõem sua fragilidade e impotência. A Bianca Pinheiro foi a escolhida para encarar esse desafio. Ela é mais conhecida pela série Bear (publicada pela Nemo) que ainda não tive a oportunidade de conferir, mas que fiquei com muita vontade depois de ter lido sua história da Mônica.

A trama é simples que pode até ser considerada banal. Mas foi tratada com uma grande sensibilidade pela Bianca. A história foge dos padrões das histórias da Mônica, com uma trama mais intimista, de poucas palavras e muitos simbolismos (e algumas referências), na qual até mesmo as folhas de guarda participam da história. Os traços são limpos, sem muitos detalhes, porém bastante expressivos. O enquadramento é amplo, Bianca aproveita bem todos os espaços disponíveis. Tudo isso aliado a uma paleta de cores tão linda, que mesmo sendo uma trama dolorida, ainda assim explode em fofura. Continuar lendo

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Princesa das Águas (Paula Pimenta)

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Princesa das Águas é o terceiro volume da série de releituras de contos de fadas/princesas que a Paula Pimenta está publicando pela Galera Record. E, juntamente com a história da DJ Cinderela, a história da nadadora Arielle Botrel está entre as minhas favoritas. Ouso dizer que até mesmo superou a da primeira trama publicada. Os personagens são carismáticos, o alívio cômico ao drama é garantido e, a vilã fez uma boa participação, daquelas de provocar raiva. Todos elementos mais do que bem-vindos em um “conto de fadas”. Afinal, um final feliz sem muitos percalços e sem um desenvolvimento crível do romance dos protagonistas não convence, e, felizmente em Princesa das Águas a Paula Pimenta soube trabalhar isso muito bem, produzindo uma narrativa leve, fluída e envolvente.

Arielle Botrel tem 16 anos e é uma das promessas da natação nas Olimpíadas: da qual ela participará pela primeira vez. Filha de um campeão mundial de natação e de uma famosa cantora que morreu de complicações em seu parto, ela também tem cinco irmãs mais velhas que compõem a girl band “Mermaid Sisters”. Uma empreitada da qual ela adoraria fazer parte, se ela não se culpasse pela morte da mãe.

“Claro que ela perguntou se eu também gostaria de cantar, mas mesmo com 7 anos eu já sabia que não poderia fazer aquilo sem que meu pai ficasse sabendo… E eu realmente não queria magoá-lo, fazendo com que ele lembrasse da minha mãe. Então apenas balancei a cabeça e disse que preferia nadar. Foi aí que meu destino foi selado. Troquei os palcos pelas piscinas, os holofotes pelas raias, as melodias pelos treinos e os perfumes pelo constante cheiro de cloro.

E o mais incrível é que por bastante tempo eu fui feliz assim… ” (Página 13)

Como nadadora e como filha caçula, a vida de Arielle é bastante regrada e superprotegida, mas a garota vive tentando dar suas escapadas (que nem sempre dão certo) e em uma dela acaba se deparando com Erico, o atleta queridinho da Suíça e que irá balançar o coração dessa nadadora.

Quando soube que a história se passaria durante as Olimpíadas do Rio de Janeiro, fiquei curiosa para saber como a Paula iria colocar o amor no ar, pois em meio a tantas competições ia ficar meio difícil trabalhar todos os elementos da história que serviu de inspiração. Mas, ela foi criativa em sua solução: uma prévia das Olimpíadas com direito a muitos reality shows dos quais não vou falar muito para não estragar a surpresa. Só vou dizer que isso permitiu que Arielle pudesse tentar conquistar seu príncipe sem poder utilizar sua voz, que as maquinações da vilã fizeram jus à sua contraparte da animação (mesmo sem os poderes) e que inúmeras pistas sobre novas princesas foram deixadas no ar. Continuar lendo

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