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As Luzes de Setembro (Carlos Ruiz Zafón)

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Comecei a ler a Trilogia da Névoa em 2013 e só agora a completei, mas mesmo tendo lido O Príncipe da Névoa há tanto tempo, foi impossível não perceber a grande semelhança entre a trama dele e do As Luzes de Setembro. Tanto é, que ao começar a leitura deste, tive que pegar meu exemplar de O Príncipe da Névoa para folheá-lo atrás de informações e ter a certeza de que realmente não havia relações entre os personagens dos dois livros. A semelhança é explicada pelo próprio Zafón:

“Escrevi As Luzes de Setembro em Los Angeles, entre 1994 e 1995, com a intenção de solucionar alguns elementos que não havia resolvido do jeito que gostaria em O Príncipe da Névoa. ” (Página 07)

Daí a grande proximidade entre os dois romances. Tanto pela locação (ainda que as cidades sejam diferentes, ambas são no litoral da França) quanto pelos elementos que se repetem: o mar, o farol, as pescas marítimas, a descoberta do amor juvenil, o garoto aventureiro e curioso. No Príncipe da Névoa há um jardim de estátuas fantasmagóricas e um misterioso naufrágio em As Luzes de Setembro há uma mansão repleta de autômatos e entidades assustadoras. Continuar lendo

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O Palácio da Meia-Noite (Carlos Ruiz Zafón)

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O Palácio da Meia-Noite foi o segundo romance publicado por Zafón e, juntamente com seu antecessor (O Príncipe da Névoa) e o As Luzes de Setembro compõem a Trilogia da Névoa. Mas, como já havia dado para perceber desde a leitura do primeiro livro, o agrupamento desses livros em uma trilogia é artificial e cada qual funciona perfeitamente como um romance único. Os personagens e as tramas são distintos e as histórias tomam formas em lugares tão díspares quanto um vilarejo no litoral do Atlântico ou em Calcutá. Talvez o único denominador comum entre os livros seja a Névoa e o que ela representa: o sobrenatural, os perigos representados pelo oculto e a atmosfera sufocante que Zafón consegue imprimir tão bem em seus romances.

Em O Palácio da Meia-Noite Zafón nos convida a acompanhá-lo em Calcutá. Em 1916, um homem está em fuga desenfreada para salvar a vida de dois bebês gêmeos de um homem (uma entidade?) sobrenatural que matou a mãe das crianças e agora as quer mortas também. Para mantê-los a salvo, as crianças são separadas. A menina (Sheere) fica com a avó materna e o menino (Ben) é entregue no orfanato St. Patrick’s. E, durante um tempo a ameaça arrefeceu. Até maio de 1932. Prestes a completarem dezesseis anos, Ben e Sheere se reencontram e o passado da família e o homem que os caça deverão ser enfrentados. Continuar lendo

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O Príncipe da Névoa (Carlos Ruiz Zafón)

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Primeiro romance publicado por Záfon, O Príncipe da Névoa foi publicado originalmente em 1993 e assim como Marina compõe a ‘série’ de livros juvenis com a qual Zafón planejava atingir leitores de todas as idades. O romance também lhe garantiu o Prêmio Ebedé de literatura em 1993.

Em 1943, o pai de Max Carver decide que a melhor decisão para a família é se mudar para um vilarejo no litoral e assim escapar das agruras da Guerra. Max recebeu a notícia no dia do seu aniversário de 13 anos e sentiu seu mundo ruir por ter de ir embora e abandonar a escola, os amigos e a banca de quadrinhos da rua. Suas irmãs, Alicia e Irina também não estão lá muito contentes. Mas, a imensidão azul do Atlântico acaba por conquistar a todos. É realmente uma pena, que os planos do Sr. Carver de ter uma vida tranquila não caminhem conforme o planejado…

A casa para a qual se mudaram foi palco de uma tragédia e os fantasmas dessa época, mais do que ecos estão cada vez mais reais e interferindo na vida da família. Max descobre um misterioso jardim de estátuas envoltas em névoa no qual a peça principal é um palhaço que tem sido protagonista dos sonhos que tem perturbado Alicia e a pequena Irina tem sido atormentada por uma voz misteriosa que vem do seu armário. Mistérios que começam a ser desvendados depois que o novo amigo de Max, Roland, lhe conta sobre o misterioso naufrágio de 1918 e lhe leva para visitar os destroços do navio. É assim que a figura do Príncipe da Névoa começa a ser delineada, junto com todo o terror que o tem acompanhado ao longo do tempo, o qual estende suas garras para mudar para sempre o destino da família Carver e de Roland e seu avô.

“Durante as intermináveis noites no farol, costumava imaginar como teria sido sua vida se o destino não tivesse cruzado seu caminho com o daquele poderoso bruxo. Agora sabia que as lembranças que o acompanhariam em seus últimos anos de vida seriam apenas fantasias de uma biografia que nunca pôde viver.”

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Por se tratar do primeiro romance do autor, a narrativa é simples e apresenta algumas discrepâncias ao longo da trama. Porque convenhamos, por mais que você se mude para uma cidade do interior onde nada parece ocorrer e aparentemente não há perigos a espreita, não há como concordar que o comportamento dos pais de Max é condizente com, bem, o comportamento que se espera de pais preocupados com o bem estar dos filhos. É complacência demais para o meu gosto. Como assim um garoto de 13 anos só informa aos pais que irá mergulhar? O garoto nunca morou a beira-mar antes e simplesmente pode ir assim facilmente ter sua primeira experiência no oceano? Pedir permissão para quê não é mesmo? Além disso, há incongruência em algumas datas relacionadas à história do garotinho Jacob que muito me incomodaram e foi impossível relevar, pois estão intimamente relacionadas com a trama que o autor criou. Mas, apesar das ressalvas aos deslizes cometidos, foi mais uma leitura agradável e que me fez lembrar o motivo pelo qual gosto tanto da narrativa do autor. Reafirmo o que já havia escrito na resenha de Marina. O Príncipe da Névoa é um romance para agradar leitores de todas as idades, pois ainda que seja direcionado ao público mais jovem, o suspense e o mistério tem tudo para cativar os leitores mais maduros também.

Dessa vez não estamos em Barcelona e sua atmosfera gótica (ou talvez, deveria dizer que Zafón ainda não chegou lá), contudo, o ar sombrio e sobrenatural, que é a principal característica de seus romances, é palpável e é em torno dele que sua história se desenrola. E essa atmosfera vai tornando-se cada vez mais densa e sufocante até convergir em um final eletrizante e tudo isso em poucas páginas. Em pouco menos de 200 páginas Zafón nos apresenta personagens cativantes, tece um arcabouço robusto para sua história e nos faz sentir frio na espinha e ficar ansiosos com as possibilidades aterrorizantes que a história pode reservar. Agora, estou curiosa para descobrir como Zafón conectou os livros que fazem parte da trilogia iniciada pelo Príncipe da Névoa, pelo que pude perceber lendo a sinopse do segundo livro, são novos personagens e aparentemente não consegui tecer uma relação entre a história que será narrada ali e as aventuras de Max. Aliás, a história de O Príncipe da Névoa funciona perfeitamente bem sozinha e poderia muito bem ser tomada por um romance único por um leitor que não soubesse sobre a trilogia.

Conheça a Trilogia da Névoa:

  1. O Príncipe da Névoa [Goodreads][Skoob]
  2. O Palácio da Meia-Noite [Goodreads][Skoob]
  3. Las Luces de Septiembre [Goodreads][Skoob]

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Um Autor de Quinta #53

Coluna inspirada no Uma Estante de Quinta da Mi Muller do Bibliophile. Pretendemos toda quinta-feira trazer informações, curiosidades e algumas dicas de leituras e afins sobre algum(a) autor(a).

 

Elia Barceló

Elia nasceu em Elda, Alicante (Espanha), em 29 de janeiro de 1957. Estudou filologia anglo germânica na Universidade de Valência (1979) e filologia hispânica na Universidade de Alicante (1981). Em 1995 obteve doutorado pela Universidade de Innsbruck (Áustria) defendendo uma tese sobre os arquétipos do gênero de terror nos relatos fantásticos de Julio Cortázar. É considerada uma das escritoras mais importantes, em língua espanhola, do gênero de ficção científica, junto com a argentina Angélica Gorodischer e a cubana Daína Chaviano. As três formam a chamada “trindade feminina da ficção científica na Hispano América”.

Seus primeiros trabalhos literários foram os romances Sagrada (1989), Consecuencias Naturales (1994) e El mundo de Yarek (1994), pelos quais ela ganhou o Prêmio Internacional para romances curtos de ficção científica da Universidade Politécnica da Catalunha. Ela também ganhou o Prêmio Ignotus para histórias fantásticas pela Associação Espanhola de Fantasia e Ficção Científica (1991) e o Prêmio Edebé de literatura juvenil por El caso del artista cruel (1998).

A autora é casada, mãe de dois filhos e atualmente mora na Áustria onde é professora de literatura espanhola e produção de texto na Universidade de Innsbruck. É sócia de honra da Nocte, a Associação Espanhola de Escritores de Terror. Suas obras já foram traduzidas para mais de 18 idiomas. Desde 1997 a autora se dedica também à literatura juvenil. Continuar lendo

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Book Tour: Cordeluna (Élia Barceló)

Élia Barceló é uma autora espanhola de bastante sucesso mundo afora. A autora escreve romances policiais, ficção científica e literatura fantástica para adultos e jovens, e foi esse último gênero o escolhido pela Editora Biruta para começar a publicar seus livros no Brasil. E começaram com o pé direito, escolheram Cordeluna, um romance juvenil, ganhador do Prêmio Edebé de Literatura Juvenil, que mescla história medieval, romance e magia no melhor estilo conto de fadas.

“E enquanto os protagonistas atuais da história que vai começar vivem sua vidas cotidianas, outros protagonistas que já não têm nada, exceto seu amor e sua esperança, aguardam nas trevas geladas que o milagre aconteça.

Tudo começou há mil anos.

E, para o bem ou para o mal, acabará agora.”

A autora toma emprestada uma figura histórica espanhola e recria em volta dela um romance atemporal. Como ponto de partida uma antiga espada, chamada Cordeluna, que parece encerrar estranhos poderes e que faz parte de uma lenda de amor.

Com o jovem cavaleiro Sancho Ramírez, mergulhamos na Idade Média. O rapaz era vassalo do senhor Dom Rodrigo de Vivar (mais conhecido como El Cid), bom guerreiro e que vivia despertando as atenções das mulheres, sua última fã foi a viúva Dona Brianda, relacionamento esse que até poderia ter tido algum futuro se o rapaz não tivesse se enamorado pela jovem enteada dela, Guiomar. Um amor que desde o início já tinha tudo para dar errado, Guiomar era uma jovem da nobreza, Sancho um humilde ginete. Apesar dos empecilhos lutaram para viver seu amor, mas só puderam presenciar ele ser destruído pelo ódio e pela inveja e ser relegado às profundezas de uma maldição que só mil anos depois terá sua última chance de redenção.

Na Espanha atual conhecemos Glória e Sérgio, dois jovens que foram selecionados para participar de um projeto de uma peça teatral em homenagem a El Cid. Eles e outros jovens irão ficar alojados em um antigo mosteiro na região dos Burgos, vivenciando os costumes da Idade Média. No primeiro encontro dos dois, sentimentos fortes brotam e ambos começam a ter estranhas sensações e visões. Como a história de Sancho e Guiomar mil anos atrás se espelha na vida de Sérgio e Glória? Conseguirão eles quebrar essa maldição tão antiga? Continuar lendo

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Um Autor de Quinta #46

Coluna inspirada no Uma Estante de Quinta  da Mi Muller do Bibliophile. Pretendemos toda quinta-feira trazer informações, curiosidades e algumas dicas de leituras e afins sobre algum(a) autor(a).

Carlos Ruiz Záfon

Zafón nasceu no dia 25 de setembro de 1964 em Barcelona, Espanha. Em 1993 mudou-se para Los Angeles, onde reside até hoje. Nos Estados Unidos Zafón passou alguns anos escrevendo roteiros enquanto desenvolvia sua carreira literária. Seu primeiro romance publicado foi El Príncipe de la Niebla (O Príncipe da Neblina – em Portugal) primeiro volume da Trilogía de la Niebla e romance pelo qual ganhou o prêmio Edebé de literatura infantil e juvenil. Em 2001 ele publicou o seu primeiro romance “adulto” A Sombra do Vento, que se transformou em um fenômeno literário internacional com traduções em mais de 30 idiomas, publicado em cerca de 45 países e premiados em muitos deles. Zafón é considerado um dos mais bem sucedidos escritores contemporâneos espanhóis, junto com Javier Sierra e Juan Gómez-Jurado.  Zafón colabora também nos jornais espanhóis La Vanguardia e El País. Continuar lendo

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Marina (Carlos Ruiz Zafón)

“Na época, não sabia que, cedo ou tarde, o oceano do tempo nos devolve as lembranças que enterramos nele. Quinze anos depois, a memória daquele dia voltou para mim. Vi aquele menino vagando entre as brumas da estação de Francia e o nome de Marina se acendeu de novo como uma ferida aberta.”

Em maio de 1980, Óscar Drai, então com 15 anos ficou desaparecido durante uma semana. Ninguém sabia o porquê, quando e como, mas quinze anos depois Óscar assume o papel de narrador e compartilha conosco os acontecimentos que culminaram em seu desaparecimento…

Em setembro de 1979, Óscar estudava em um internato em Barcelona, mas conseguia burlar a vigilância dos padres para se aventurar pelas ruas da cidade, sua predileção eram os bairros antigos e esquecidos, aqueles nos quais a vida parece ter deixado de existir. Talvez isso fosse verdade para a maioria dos casarões daquele bairro abandonado, mas em um deles morava uma garota. Marina mora com seu pai Germán que parece estar muito doente e leva uma vida a parte, mas da qual Óscar logo passa a ser integrante. Com Marina novas aventuras são oferecidas e nesses passeios por lugares esquecidos eles testemunham uma misteriosa mulher depositar uma rosa vermelha em um túmulo com uma lápide sem inscrição, apenas o desenho de uma borboleta negra. Ao escolherem segui-la e desvelar o mistério que a ronda, Óscar e Marina são ‘convidados’ a tomar parte em uma estranha história e sofrer todas as penalidades inerentes a isso. Continuar lendo

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O Grande Labirinto (Fernando Savater)

Algo muito estranho e terrível está acontecendo no estádio e colocando em risco a vida de muitas pessoas da cidade. Os pais de Fisco, o tio de Jaiko e os pais de Sara e Arno estão lá, a um passo de serem tragados para a morte. Para salvá-los as crianças precisam encontrar oito letras. Como? Aonde? Quais letras? É com esse “pequeno problema” que O Grande Labirinto nos é apresentado. A narrativa já começa a todo vapor e a adrenalina corre a mil… E o que uma livraria com ares góticos tem a ver com a história? Que segredos D. Pantaleão, o livreiro, esconde? Será que ali, entre os livros, as crianças encontrarão respostas?

É esse o pano de fundo para as muitas aventuras que as quatro crianças empreenderão. As respostas não estão na leitura dos livros, mas dentro deles e dos fatos históricos que de uma forma ou de outra estão relacionados com a sociedade humana. Como assim dentro dos livros? Quando digo dentro é dentro mesmo, nossos heróis literalmente se encontram com outros heróis da literatura e o fazem porque o “segredo” de D. Pantaleão é o pequeno cubículo denominado por este de “O Labirinto das Sereias”, e este pequeno cubículo é a porta de entrada para essas aventuras. E que aventuras! Continuar lendo

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