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O Planeta dos Macacos (Pierre Boulle)

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Desde que o romance de Pierre Boulle foi publicado, em 1963, já contava com certa notoriedade no mundo literário. Uma notoriedade que só aumentou desde o lançamento da primeira adaptação do livro para o cinema em 1968. Depois disso, várias adaptações e continuações foram produzidas. Algumas mais próximas à trama original e outras bem distantes da trama criada por Boulle. Com o reboot da franquia e o lançamento de Planeta dos Macacos: A Origem em 2011, o interesse sobre a obra de Boulle reacendeu. E a editora Aleph, muito sabiamente em 2015, resgatou essa obra icônica da ficção científica, com uma edição que também conta com uma entrevista concedida por Boulle em 1972, um ensaio jornalístico sobre a vida do autor, além de um posfácio escrito pelo pesquisador de ficção científica Braulio Tavares.

A história de Boulle nos é entregue encapsulada. É um casal de cosmonautas em viagem turística pelo espaço que a encontra: uma garrafa contendo um manuscrito. Um documento contendo as memórias de Ulysse Mérou, um jornalista que um dia decidiu se aventurar em uma viagem espacial, na companhia de mais dois cosmonautas, em direção à estrela Betelgeuse na Constelação de Órion. Continuar lendo

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O Leitor do Trem das 6h27 (Jean-Paul Didierlaurent)

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“Ao longo de todos esses anos, Guylain Vignolles vivera simplesmente não existindo, exceto aqui, nessa sinistra plataforma de estação de trem em que pisava todas as manhãs.

(…)

Ao longo dos anos, os outros passageiros acabaram demonstrando por ele esse tipo de respeito indulgente reservado aos malucos inofensivos. Guylain era um alento que, durante os vinte minutos, retirava-os por um tempo da monotonia dos dias. ” (Página 9)

Quando tive em mãos pela primeira vez O Leitor do Trem das 6h27 fiquei surpresa com o tamanho do livro do Didierlaurent. São apenas 175 páginas e um formato ligeiramente maior do que um livro de bolso. Uma incursão modesta em direção aos romances de um autor conhecido e premiado por seus contos. Modesta no tamanho e na simplicidade do texto, mas com um potencial bem grande para emocionar. Algumas pessoas conseguem extrair poesia do cotidiano, ao mesmo tempo que escancaram todas as mazelas que pouco a pouco consomem a vontade de viver. É assim, que Didierlaurent nos brinda com uma história tocante, uma mistura de um testemunho doloroso das ações aviltantes impingidas pelo trabalho do protagonista, com o alento concedido pelo ato de rebeldia que o transforma em salvador de palavras, em propagador de ideias, no leitor do trem das 6h27. Continuar lendo

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O Chamado do Anjo (Guillaume Musso)

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Em 2007, em um aeroporto em Montreal, Guillaume Musso acabou trocando por descuido seu celular com uma desconhecida. O evento poderia ter se restringido apenas ao incômodo de ter que providenciar a troca dos aparelhos, mas Musso percebeu ali um estopim que poderia render uma boa história. E é assim que começamos a enveredar pela trama de O Chamado do Anjo.

Madeline Greene é florista em Paris e estava em Nova Iorque em uma viagem romântica com o noivo. Jonathan Lempereur tem um pequeno restaurante em São Francisco e estava em NY apenas para buscar o filho para as férias de final do ano com a ex-mulher. Madeline e Jonathan nunca haviam se visto, mas no aeroporto lotado eles se esbarram, espalham suas coisas pelo chão e após uma breve discussão seguem o seu caminho. Talvez jamais se vissem novamente, mas ao recolherem seus pertences acabaram trocando os aparelhos celulares e quando perceberam a confusão já estavam distantes mais de dez mil quilômetros um do outro. Continuar lendo

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Vendredi ou la vie sauvage – Michel Tournier

Desde setembro de 2011, eu venho estudando francês – e com tanta dedicação que às vezes esqueço do blog (shame on me). Mas tudo isso gerou bons frutos: estou na turma avançada e consegui dois diplomas de proficiência (dos níveis A2 e B1 do Quadro Europeu de Referência). Nas aulas, a professora escolhe um livro para trabalharmos naquele semestre. E o do semestre que passou foi Vendredi ou la vie sauvage, de Michel Tournier, do qual vou falar hoje.

Venderedi ou la vie sauvage, ou “Sexta-feira ou a vida selvagem” é uma releitura do clássico Robinson Crousoe, de Daniel Defoe. No entanto, enquanto o original narra diversas histórias da vida conturbada de Robinson, esta versão se foca na aventura vivida pela personagem enquanto ficou em uma ilha deserta.

O livro começa com a viagem de Robinson no Virgínia, que fazia o trajeto final do percurso até o Chile, onde Robinson pretendia fazer acordos comerciais. No entanto, uma tempestade feroz sacode o navio matando todos menos Robinson e Tenn, seu cachorro. Os dois acordam numa praia na manhã seguinte, com a visão do barco destroçado. Desolado, Robinson passa seus primeiros momentos na ilha apenas sobrevivendo e esperando que um navio apareça para salvá-lo.

Apenas quando sofre uma alucinação é que Robinson percebe que tem que agir para não morrer sentado esperando o navio chegar. Então, ele começa a civilizar a ilha, transformando-a, da melhor maneira que pode, em uma pequena cidade européia. Certo dia, ele se depara com índios chegando na ilha para executar (e comer) um prisioneiro. Quando o prisioneiro foge floresta adentro bem na direção onde Robinson está, ele acaba matando um dos índios e salvando o prisioneiro, a quem ele dá o nome de Vendredi (Sexta-feira), porque é esse o dia da semana em que os dois se conheceram. Os dois começam a viver juntos, um ensinando ao outro.

Michel Tournier transforma a história e personagens do século XVIII em um livro mais humano e menos “aventura pirata pelos sete mares”. O Robinson novo é mais “certinho” do que o de Daniel Defoe, o qual se lança ao mar contra a vontade (e a benção) dos pais para viver aventuras inacreditáveis. Este Sexta-feira é menos fiel a seu patrão e amigo. A história deste livro é diferente da original em diversos pontos.

O livro é muito gostoso de ler, rápido, e tem um final chocante, então não descarte a leitura de “Sexta-feira ou a vida selvagem” só porque já leu Robinson Crusoe!

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A Lei dos Varões (Maurice Druon)

Atenção, esta é a resenha do quarto livro da série Os Reis de Ferro. Para ler a resenha do terceiro, clique aqui.

 

A Lei dos Varões

Na França de 1316, depois da morte do Rei Luís X, o Cabeçudo, começa o jogo de poder e chantagens para definir quem vai ocupar o trono (não, eu não estou falando de um novo livro de Guerra dos Tronos, isso é história aqui na Terra). Como Luís X não deixou filho, apenas uma rainha grávida, a disputa pelo trono é entre Felipe de Poitiers, Carlos de Valois e o duque de Borgonha.

Naturalmente, quando o herdeiro nasce, sua vida está (e muito) ameçada pelas pessoas que querem ocupar seu lugar no trono. Como que as pessoas leais ao trono vão fazer para proteger essa criança?

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Um Autor de Quinta #49

Coluna inspirada no Uma Estante de Quinta  da Mi Muller do Bibliophile. Pretendemos toda quinta-feira trazer informações, curiosidades e algumas dicas de leituras e afins sobre algum(a) autor(a).

 

Shan Sa

Shan Sa nasceu em 26 de outubro de 1972 em Pequim (China) e é uma autora francesa (pois apesar da nacionalidade, mora na França há muito tempo e seus livros foram publicados lá em língua francesa), caligrafista e pintora, já tendo feito exibições em Paris, Nova York e Shanghai.

Shan Sa nasceu Yan Ni, o pseudônimo Shan Sa foi retirado de um poema da Dinastia Tang do poeta Bai Juyi. Com 7 anos ela começou a escrever poemas e a estudar caligrafia chinesa e pintura chinesa tradicional. Aos 10 anos ela publicou sua primeira coletânea de poesias e ganhou seu primeiro prêmio em um concurso nacional de poesias com 12 anos. Com 14 anos, ela tornou-se o membro mais jovem da Associação de Escritores de Pequim (Beijing Writer’s Association). Continuar lendo

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Colour – François Delamare e Bernard Guineau

Talvez eu seja meio estranha, mas sempre tive curiosidade para saber a origem de alguns compostos do mundo. Os que mais me interessam, de longe, são os remédios, mas a história do uso da cor pela humanidade também é cativante.

Sempre fui aquela criança que queria a caixa de 48 lápis de cor. Acho lindo organizar coisas na ordem do arco-íris e, ainda hoje, tenho coleção de canetas coloridas. Agora olhem para a capa ao lado. Ela obviamente me chamou a atenção quando a vi pela primeira vez, passeando pelo Skoob e não resisti quando encontrei o livro no Book Depository.

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A Jogadora de Go (Shan Sa)

O local escolhido por Shan Sa para contar sua história é a Manchúria, que está localizada na parte externa da Grande Muralha da China e estava na zona de influência japonesa na época da história (entre as décadas de 20 e 30). Na Praça dos Mil Ventos, um local de encontro dos apreciadores do jogo de Go. Dois jovens estão destinados a terem seus destinos cruzados, ela uma jovem manchu de 16 anos e única mulher admitida no círculo dos apreciadores do jogo e ele, um jovem soldado japonês que faz parte das forças de ocupação japonesa no território chinês.

A autora optou por uma narrativa em primeira pessoa, seus personagens narradores são a Jogadora de Go e o Soldado Japonês. Eles não são nomeados, mas ao contrário do afastamento que podemos pensar que isso causaria. A falta de nomes nos torna mais próximos, como se fossemos nós os protagonistas. Shan Sa penetra e disseca o mundo psicológico de seus personagens e nos leva junto em sua viagem. Com capítulos alternados e curtos vai nos apresentando retratos da vida da jogadora e do soldado. Quadro a quadro ela delineia o cotidiano brutal da ocupação do país da jovem manchu, as missões diárias do soldado japonês e as escolhas que permearam suas vidas e os trouxeram até o presente. Utilizando o Go como metáfora e estopim para os eventos narrados, ela nos familiariza por um lado com o pensamento político da jogadora, sua busca pela liberdade e o desabrochar para o amor e por outro com a obediência servil, a crença na pátria e os infortúnios que marcaram a vida do soldado. Duas visões distintas sobre a mesma situação: o japonês que vê sua nação como superior à China e a chinesa que vê os japoneses como usurpadores de sua liberdade e de seu país. Duas visões destinadas a se encarar… Continuar lendo

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Ramsés, O Filho da Luz – Christian Jacq

Mais uma resenha escrita pelo Fábio (também conhecido como meu namorado).

Christian Jacq é uma daquelas pessoas aficionadas pelo que faz: além de ser egiptologista e de ter criado o instituto Ramsés, que reconstrói fotograficamente sítios arqueológicos ameaçados do Egito, também arranjou tempo para escrever sobre o assunto. Publicou, em 1995, a saga de romances históricos Ramsés que conta com 5 volumes: O Filho da Luz, O Templo de Milhões de Anos, A Batalha de Kadesh, A Dama de Abu-Simbel e Sob a Acácia do Ocidente.

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A Bicicleta Azul (Régine Deforges)

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A Bicicleta Azul é o primeiro volume de uma série publicada por Deforges em 1985 e que desde então vem sendo reeditada e publicada, sendo considerada por alguns como um dos maiores êxitos editoriais dos últimos tempos. Não sei até que ponto isto é verdade, mas já tinha ouvido falar deste livro e quando estava no ensino médio cheguei até a folhear o segundo volume, na época a biblioteca não tinha o primeiro e por este motivo, adiei a leitura da série para quando o tivesse, até que os livros vieram parar na minha mão…

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