Arquivo da tag: literatura inglesa

Mitologia Nórdica (Neil Gaiman)

Não comece a ler este livro achando que se trata de um romance do Gaiman tendo por base a mitologia nórdica (para isso leia Deuses Americanos e aproveite para acompanhar a série de tv também), vi várias pessoas achando isso (não devem ter lido a sinopse) e se decepcionando durante a leitura. O que Gaiman se propôs a fazer em Mitologia Nórdica foi resgatar alguns contos escandinavos, conferindo-os um estilo mais atual (meta alcançada por causa do seu estilo narrativo), para que se tornasse mais palatáveis e emocionantes para o leitor minimamente interessado em aprender um pouco mais sobre Odin, Thor, Loki e outros deuses nórdicos. Não foi à toa que ele escolheu garimpar a Edda em Prosa e o Edda Poética, ambos compêndios do século XIII, para escolher as histórias que iria recontar. Há relatos mais recentes, lidos e admirados por ele, mas ele queria que outros, mais antigos, pudessem estar mais facilmente ao nosso acesso. Pode não ser uma história inédita de Gaiman, mas o livro ganha importância ao nos fornecer um novo material que pode ser lido, relido e utilizado como futura referência para os que quiserem conhecer mais alguns desses mitos nórdicos. Qualquer fã de Tolkien e do próprio Gaiman, ambos influenciados por essa mitologia em suas obras – Gaiman até mesmo colocou alguns desses deuses como personagens em suas histórias, fará bom uso desse material. E não nos esqueçamos dos leitores do Rick Riordan também, quem está lendo a trilogia Magnus Chase e os deuses de Asgard vai reconhecer algumas das histórias que o autor ‘reciclou’ em sua trama. Se você está acompanhando as aventuras de Magnus, considere adicionar este à sua estante. Perceber de onde Riordan retirou os elementos que ele utilizou é muito divertido. Continuar lendo

Deixe um comentário

Arquivado em Editora Intrínseca, Editoras Parceiras, Resenhas da Núbia

Quem era ela (J.P. Delaney)

O que você estaria disposto a abandonar para ter a chance de recomeçar em um novo lugar? Você estaria disposto a abdicar de tudo o que adquiriu ao longo de sua vida para morar em um lugar high tech, uma casa linda e minimalista, considerada uma obra-prima da arquitetura londrina? Para morar na n°01 da Folgate Street há uma lista imensa de cláusulas restritivas que proíbem muitas coisas. Bastou apenas conhecer uma dessas proibições para ter a certeza de que eu nunca moraria ali. Proibir livros? Sem chance! Mas para Emma, e mais tarde, para Jane, essas e tantas outras proibições não as fizeram perder a vontade de tentar reconstruir suas vidas naquela casa onde o “supérfluo” não tem lugar, a beleza está por toda a parte e a segurança está acima de todas as coisas.

“Talvez esse seja o verdadeiro objetivo das Regras, como já as apelidamos. Talvez o arquiteto não seja um maníaco por controle preocupado com a possibilidade de bagunçarmos sua bela casa. Talvez seja algum experimento de moradia. ” (Emma – Página 23)

A primeira moradora que nos é apresentada é Emma. Ela e o namorado Simon estão procurando uma nova casa para morar depois de assaltantes terem invadido a casa anterior, quando Emma estava sozinha, e a ameaçado com uma faca.

A segunda moradora é Jane que está procura de um novo lugar que a ajude a superar a dor recente de ter perdido alguém e que lhe permita reconstruir sua vida. Continuar lendo

Deixe um comentário

Arquivado em Editora Intrínseca, Editoras Parceiras, Resenhas da Núbia

Leia Mulheres: Formando Novos Leitores

Estudos já comprovaram que a exposição precoce de crianças à leitura em casa tem um impacto bastante positivo para a formação de novos leitores. O exemplo de ver os pais lendo e a experiência de conhecer novos mundos com a ‘contação de histórias’ e a leitura antes de dormir, podem ser cruciais para que as crianças cresçam vendo a leitura como uma atividade divertida e prazerosa e sigam levando esse hábito consigo. Mas, mais do que só despertar curiosidade sobre o hábito da leitura, é preciso também manter essa curiosidade acesa durante o desenvolvimento da criança e adolescente. Permitir que as crianças e os adolescentes possam escolher os livros que querem ler (de vez em quando) e poderem falar sobre eles, pode ser uma ótima iniciativa. No ensino fundamental os livros paradidáticos ainda trazem histórias de aventuras e com uma linguagem bem mais acessível que acabam captando muita a atenção das crianças, mas no ensino médio, quando chegam as listas de livros clássicos, muitos acham bem difícil engolir. Não é preciso excluir os clássicos, eles têm sua importância, mas por que não trazer livros mais do gosto da garotada para dentro da sala de aula? Trabalhar Harry Potter não exclui trabalhar Machado de Assis e nem precisa. Continuar lendo

1 comentário

Arquivado em Leia Mulheres, Lendo aleatoriamente

Lugar Nenhum (Neil Gaiman)

lugar-nenhum

Lugar Nenhum foi uma história que começou na TV. Inicialmente foi uma série de televisão da BBC que foi ao ar em 1996. Mas, o formato muitas vezes podava ou não fazia jus às ideias pensadas por seu criador, transpor a série para o mundo das palavras foi a válvula de escape encontrada por Gaiman. Desde então, o romance que é considerado um dos expoentes da fantasia urbana tem angariado cada vez mais fãs. Esta nova edição, publicada pela Editora Intrínseca, é a que Gaiman considera a sua favorita. Foi elaborada a partir da combinação das edições originais inglesa e americana e de uma nova revisão. Não sei o quão diferente ela está de suas edições predecessoras, a tarefa exigiria um cotejo minucioso entre diferentes edições. Mas, o próprio Gaiman fala que esta seria a sua versão definitiva, o que já é uma baita recomendação para os fãs de carteirinha atualizarem suas coleções. O fato das capas dessas edições preferidas (aka Os Filhos de Anansi, Lugar Nenhum e Deuses Americanos) seguirem um padrão (muito bonito por sinal) é um incentivo mais do que válido para qualquer bookaholic.

Lugar Nenhum surgiu da vontade de Gaiman em criar uma história fantástica e que ao mesmo tempo lhe permitisse colocar em foco as pessoas que vivem à margem da sociedade. Os quais na maior parte das vezes nos são invisíveis. Para isso ele nos convida a conhecer sua Londres, não a de cima, mas a que vive nas entranhas desta. Um espelho da de cima, mas com suas próprias peculiaridades, pessoas reais e lendas encarnadas. Uma que assim como a outra também é conectada por sua emblemática rede de metrô. Ela que é quase um ser onipresente e onisciente na história criada por Gaiman. Continuar lendo

1 comentário

Arquivado em Editora Intrínseca, Editoras Parceiras

Buracos Negros (Stephen Hawking)

buracos-negros

“Talvez seus colegas nesse campo terrivelmente complexo receiem que seus trabalhos nunca cheguem à compreensão geral. Contudo a marca registrada de Hawking é sua luta para alcançar um público mais amplo. ” (David Shukman, Página 11)

Buracos Negros é um livro pequenininho (são apenas 64 páginas), no qual Stephen Hawking discorre de forma clara e concisa, os conceitos, descobertas e teorias envolvendo os buracos negros, essas “entidades cósmicas” que há muito tempo são objetos de suas pesquisas. De fato, o livro é composto pela transcrição das duas palestras que Hawking deu em 2016 para a série de palestras da BBC Reith Lectures: Buracos Negros não têm cabelo? (Do Black Holes have no hair?) e Buracos Negros não são tão negros quanto se diz (Black Holes ain’t as black as they are painted). Continuar lendo

5 Comentários

Arquivado em Editora Intrínseca, Lendo aleatoriamente, Resenhas da Núbia

Harry Potter e a Criança Amaldiçoada (J.K. Rowling, John Tiffany & Jack Thorne)

hpcursedchild

Com Harry Potter e a Criança Amaldiçoada, J.K. Rowling em colaboração com John Tiffany e Jack Thorne, nos convida de volta ao mundo mágico dos bruxos, dezenove anos depois da Batalha de Hogwarts. Harry Potter agora é funcionário do Ministério da Magia, marido e pai de três crianças em idade escolar. A trama tem início justamente no diálogo do epílogo do sétimo livro, e dos filhos de Potter, será Alvo Severo que terá que lidar com o legado da família e todas as implicações dele em sua vida de estudante em Hogwarts. A seleção das casas, os amigos escolhidos, as habilidades ou a falta delas, o relacionamento com o pai e a enorme vontade de provar o seu valor. O tempo é o cerne da trama e a forma como ele foi trabalhado foi interessante, mas caramba, precisava ter tornado o Alvo um chato de galocha? O guri é insuportável, ainda bem que havia o Escórpio Malfoy (quem diria, um Malfoy!) para fazer frente a tanta chatice e angariar nossa empatia. Não falarei mais nada da trama que é para não estragar a surpresa, já que a história se apoia bastante nela para fisgar o leitor. Continuar lendo

2 Comentários

Arquivado em Lendo aleatoriamente, Resenhas da Núbia

O Forte – Bernard Cornwell

O Forte

Durante a Guerra da Independência dos EUA, tropas britânicas foram enviadas ao estado de Massachusetts com o objetivo de construir uma fortificação que seria a base da Marinha Real Britânica, para diminuir os ataques de corsários na região. O major McLean leva seus 700 homens a Majabigwaduce e começa a construir o Forte George. Pouco tempo depois, as forças rebeldes do estado se organizam e partem em uma campanha para expulsá-los.

Do lado britânico, além de Mc Lean, temos o —— Mowat e o tenente John Moore, que viria a revolucionar o exército britânico. Os rebeldes contam com Solomon Lovell, Peleg Wadsworth, Dudley Saltonstall e Paul Revere, este último famoso por sua cavalgada noturna avisando da chegada dos ingleses. E logo aprendemos que Lovell e Saltonstall não se dão bem, e que Paul Revere se ressente todos e não gosta de receber ordens.

Após explorar os detalhes de cada uma das campanhas, os dois exércitos estão frente a frente. O que eles vão fazer ficará para sempre registrado nas páginas da história. Este livro é bastante diferente dos outros livros do autor. Aqui, ele foca bastante nos detalhes dos bastidores dos dois lados da batalha, normalmente, sabemos mais ou menos a mesma coisa que o herói (Sharpe, Uhtred, Thomas ou Derfel). Se por um lado os vários nomes possam deixar o leitor confuso, por outro, a não ser que você já saiba quem ganhou, a história retém seu suspense. Continuar lendo

Deixe um comentário

Arquivado em Grupo Editorial Record, Resenhas da Feanari

A Presa de Sharpe (Bernard Cornwell)

Atenção, esta resenha trata sobre os acontecimentos do quinto livro (ordem cronológica) da série As Aventuras de um Soldado nas Guerras Napoleônicas. Por isso, pode conter spoilers, revelando parte do conteúdo dos livros anteriores. Para saber o que eu e a Mari achamos de outros livros da série, confira os links no final desta resenha.

APresadeSharpe

Depois da Batalha de Trafalgar, eu confesso que esperava reencontrar um Sharpe mais feliz. Com algum dinheiro no bolso, uma posição efetiva como soldado nos Fuzileiros e, quem sabe, o amor de Lady Grace. Mas, a leitura deste quinto volume mostrou que se Cornwell pode deixar a vida de seu protagonista árdua e melancólica, ele o irá fazê-lo sem meias medidas. É assim que reencontramos Sharpe em 1807 (dois anos depois de Trafalgar): vagando solitário e sem dinheiro pelas ruas de Londres, desenganado com o amor e cansado de tentar ser um bom soldado e não reconhecerem o seu valor. Será o fim de sua carreira como oficial? Se ele pudesse ter vendido sua patente talvez fosse, mas como até isso lhe foi negado, restou ao acaso o papel de reunir velhos companheiros de batalhas indianas e garantir a Sharpe uma missão. Acompanhar o nobre oficial John Lavisser à Dinamarca. Lavisse irá propor um suborno ao príncipe herdeiro dinamarquês e quem sabe trazer a Dinamarca para o lado inglês e impedir uma guerra. Cabe a Sharpe mantê-lo a salvo dos franceses. Mas, se tem uma coisa que aprendemos com os livros anteriores é que sempre há um traidor e, se ele não é Haskewill (ainda estou me perguntando aonde o bendito foi parar e quando irá dar as caras novamente), será alguém bem próximo a Sharpe. Lavisser é claro, não é muito difícil perceber isso. Sharpe foi escolhido como substituto ao antigo soldado designado para proteger Lavisser e que acabou assassinado, e não demora para o nobre oficial tentar livrar-se de Sharpe também, mas é claro que não dá certo e agora é Sharpe que parte em seu encalço (por toda a Dinamarca) para desmascará-lo e fazê-lo pagar pela traição. Continuar lendo

3 Comentários

Arquivado em Lendo aleatoriamente, Resenhas da Núbia

Loney (Andrew Michael Hurley)

Loney

Loney, romance de estreia de Andrew Michael Hurley, traz a história de dois irmãos. Um deles mudo e o outro destinado a ser seu eterno protetor. O livro é narrado em primeira pessoa pelo irmão protetor. Interessante que mesmo Hanny sendo mudo, a ele o direito de sua identidade não lhe é negado. O irmão, apesar de narrador, protetor e intérprete de Hanny, dele nem mesmo seu primeiro nome nos é permitido saber. O que escancara ainda mais o quanto Smith (sobrenome da família) ou Tonto (apelido dado pelo Padre) se anulou ao longo dos anos impelido pela mãe superprotetora e intransigente. E é justamente na construção do relacionamento fraternal, o fato de Smith ser o único capaz de compreender os anseios de Hanny e dele não se importar com a deficiência do irmão, enxergada como uma mácula que precisa ser expurgada pela mãe; que repousa a melhor parte da história de Hurley. Supera até mesmo o Loney e sua atmosfera lúgubre e, principalmente, é muito mais interessante que todas as manias, preceitos e preconceitos da sra. Smith.

A história de Hurley tem início com Smith lendo a notícia do corpo de uma criança que foi encontrado em Coldbarrow. Um lugar sobre o qual há trinta anos ele não ouvia falar, e ao qual será necessário voltar por meio de suas reminiscências. Continuar lendo

1 comentário

Arquivado em Editora Intrínseca, Editoras Parceiras, Resenhas da Núbia

O Estranho Caso do Cachorro Morto (Mark Haddon)

Capa O Estranho Caso do Cachorro Morto Nova Ortografia V1 RB Sel

A literatura sem dúvidas tem se tornado mais inclusiva (ainda que haja ainda um longo caminho pela frente), o que é muito bom, pois ao nos colocar (leitores) na vida do outro, contribui para nos tornar mais empáticos às situações enfrentadas por ele e colabora para romper preconceitos, ou ao menos, amenizá-los.

Desde que o autismo se tornou uma condição mais conhecida do público em geral — e não duvido que os livros, séries e filmes possam ter contribuído muito para isso — o interesse em compreender mais sobre esse distúrbio só tem aumentado. E a literatura tem ressoado esse interesse. Temos livros mais técnicos, obras escritas por autistas e livros com protagonistas autistas. E as temáticas abordadas são bem amplas. Temos romance (com protagonistas adultos), romances policiais e toda uma gama de obras voltadas ao público jovem que vão dos dramas escolares até os dramas familiares envolvendo grandes tragédias. O romance de Mark Haddon pode até ser apenas mais um, mas tem seus méritos. Quer seja pelo desenvolvimento de seu protagonista, quer seja pelo fato de ter sido publicado lá em 2004, quando o assunto nem estava tão em voga assim.

Em O Estranho Caso do Cachorro Morto conhecemos Christopher John Francis Boone, um garoto de quinze anos que têm Síndrome de Asperger, uma forma de autismo. Christopher sabe de cor todos os países e suas capitais, sabe também todos os números primos até 7.507. Gosta de animais, não entende nada de relações humanas, não suporta ser tocado, não consegue mentir e não entende metáforas ou piadas. Continuar lendo

Deixe um comentário

Arquivado em Lendo aleatoriamente, Resenhas da Núbia