Arquivo da tag: literatura inglesa

Colecionando Textos #52

 

*Feito no Canva.

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Colecionando Textos #51

 

 

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Jude, o Obscuro (Thomas Hardy)

“Quando você envelhecia, e se sentia no centro do seu tempo, e não mero ponto numa circunferência, como quando era pequeno, você era tomado por uma espécie de arrepio, ele percebia. Por toda a sua volta parecia haver algo gritante, berrante, estrondoso, e os ruídos e impactos atingiam você na pequena cela que se chamava vida, e a sacudiam e a incendiavam. ” (Página 23)

Último romance de Thomas Hardy, Jude, o Obscuro foi publicado inicialmente de forma serializada a partir de 1894. Também foi feito de forma suprimida e modificado por causa dos aspectos considerados indecentes da obra. Na realidade, a ideia de escrever um romance como Jude já rondava Hardy desde muitos anos antes, mas a censura social e uma carreira literária ainda em formação fizeram Hardy protelar a ideia. Jude, o Obscuro é o amálgama de todas as discussões sociais e políticas que Hardy reuniu ao longo da carreira. Sua obra de despedida dos romances (depois de Jude, Hardy se dedicou à poesia) não poderia ter sido com menos estardalhaço. Publicar a obra completa não foi fácil, mas em 1912 finalmente Jude foi entregue ao público sem cortes de cenas e no formato desejado por Hardy.

Jude, o Obscuro pode ser considerado basicamente um romance social. Contemporâneo à Hardy, a obra representa a Era Vitoriana, quando haviam basicamente três classes no Reino Unido: baixa, média e alta, e a mobilidade social entre elas era praticamente impossível. Mas, resumir a obra apenas à isso é subestimar a narrativa de Hardy, que vai além e colocar em discussão os costumes, a instituição casamento e defende a independência feminina. Continuar lendo

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Então, eu reli #3: Harry Potter e a Câmara Secreta (J.K. Rowling) – edição ilustrada

Depois de ter descoberto o maravilhoso mundo mágico, e de finalmente se sentir querido, Harry não está disposto a voltar a viver entre seus tios trouxas, ainda que as férias de Hogwarts sejam torturantes já que é para lá que ele deve voltar. No início do segundo ano em Hogwarts é justamente esse medo que Rowling trabalha aqui. Com a inclusão de Dobby, o elfo doméstico e um dos personagens mais emblemáticos da saga, a possibilidade de não retornar à Hogwarts e depois de poder ser expulso dela ou mesmo vê-la fechada para sempre por causa dos acontecimentos tenebrosos que marcaram o segundo ano de Harry, se torna real. O início da trama da Câmara Secreta, tanto no livro quanto no filme, sempre me deixou aflita. Eu adoro o Dobby, mas sua introdução, com tudo o que ele apronta para “salvar” o Harry é de nos fazer puxar os cabelos, mas, ao mesmo tempo, como ficar com raiva de uma criaturinha tão esquisita, mas tão fofa? Jim Kay conseguiu exprimir isso muito bem em suas ilustrações. Continuar lendo

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Deuses Americanos – Sombras (Neil Gaiman, P. Craig Russell & Scott Hampton)

Quando escrevi sobre a minha experiência de leitura com Deuses Americanos comentei que eu o releria facilmente. Naquela época eu ainda não sabia que uma adaptação para graphic novel estava em vias de publicação. Poder revisitar esse universo com roteiro e layouts de P. Craig Russell e arte de Scott Hampton (que já trabalharam em Sandman) foi uma ótima experiência. Continuar lendo

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Ainda Sou Eu (Jojo Moyes)

Atenção, esta resenha trata dos acontecimentos ocorridos no terceiro livro da duologia trilogia Como eu era antes de você e pode haver spoilers sobre fatos dos primeiros livros. Para saber o que eu achei deles, confira os links no final desta resenha.

 

Em Depois de Você Lou Clark precisou aprender a juntar seus pedaços, descobrir suas potencialidades, restabelecer suas relações com sua família, e encontrar forças para superar as marcas indeléveis que a perda de Will causou em sua vida. O segundo volume foi sobretudo uma história sobre superação, um ponto de parada para que Lou se preparasse para a sua grande jornada de descoberta. Por isso, a existência de um terceiro volume acabou sendo menos surpreendente. Depois de vermos Lou se acertar com a família, estabelecer um relacionamento com Lily, se envolver com Sam e receber uma proposta de emprego que lhe permitirá alçar voos, é claro que ficamos curiosos para saber como será essa experiência e se as coisas finalmente irão se ajeitar para Lou. É isso que Jojo prometeu entregar em Ainda Sou Eu, e conseguiu. Eu ainda prefiro os dois primeiros volumes, mas Ainda sou eu com todo seu ar de Quinta Avenida, mas com uma pitada de subúrbio (ainda bem!) e uma boa dose de moda (que até poderia ser mais!), rendeu uma leitura divertida, um tanto dramática e bastante enternecedora. Continuar lendo

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Mrs. Dalloway (Virginia Woolf)

Apesar de já ter um Virginia Woolf na estante há tempos, sempre fiquei protelando sua leitura. Acho que no fim das contas eu era uma dos que tinham medo de Virginia Woolf. Ter colocado um livro dela nas listas do projeto Volta ao Mundo em 198 Livros e do Desafio Livrada foram os incentivos que faltavam para eu finalmente experimentar o texto de Woolf. Decidi começar por uma de suas obras mais famosas: Mrs. Dalloway. Talvez um dos melhores exemplos do uso do fluxo de consciência em um romance. Também comecei por ele porque queria começar a ler Virginia por um romance e não por seus contos.

O romance publicado em 1925 começa com Clarissa Dalloway, uma distinta senhora de 52 anos, que decide sair ela mesma para comprar as flores para a festa que ela irá dar logo mais a noite. Está estipulada aqui a linha temporal espacial da história. Todos os acontecimentos ocorrem em um dia: a partir da saída de Clarissa até a ocorrência de sua festa. No plano das ideias, entretanto, a linha temporal dilata-se ao extremo para abarcar lembranças, excursões ao passado e complexos diálogos interiores. Continuar lendo

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Então, eu reli #2: Harry Potter e a Pedra Filosofal (J.K. Rowling) – edição ilustrada

Há tempos venho ensaiando uma releitura de Harry Potter, a última vez que reli todos os livros foi pouco antes do lançamento do último livro da série (era assim que eu aguentava esperar pelos lançamentos) e já se passaram mais de dez anos desde então. Com o lançamento das novas edições belamente ilustradas pelo Jim Kay resolvi novamente me enveredar pelas páginas da história desse bruxinho que conheci lá na adolescência. Findada a leitura desse primeiro volume, mais do que um reencontro com velhos amigos e a redescoberta da magia inspiradora de Hogwarts que nos faz querer voltar às carteiras e assistir uma aula ou outra de Transfiguração, Defesa Contra Artes das Trevas e até mesmo Poções; é uma nova experiência perceber detalhes que as leituras algumas vezes afoitas deixaram passar, ou, que foram retomados nos livros derradeiros. Também é um alívio reler sabendo (e conseguir captar as nuances por causa disso) que um de seus personagens favoritos, apesar de chato, sempre foi fiel (momento nostalgia de quem participava da comunidade “Eu confio no Snape” no finado Orkut). É justamente por saber tudo o que Harry, Rony e Hermione ainda irão passar, todos os perigos que irão correr, os amigos que irão fazer, outros tantos que irão perder, que a experiência de reler tudo desde o início se torna ainda mais especial. Continuar lendo

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Os Fuzileiros de Sharpe (Bernard Cornwell)

Atenção, esta resenha trata sobre os acontecimentos do sexto livro (ordem cronológica) da série As Aventuras de um Soldado nas Guerras Napoleônicas. Por isso, pode conter spoilers, revelando parte do conteúdo dos livros anteriores. Para saber o que eu e a Mari achamos de outros livros da série, confira os links no final desta resenha.

Depois da caçada a Lavisser, dois anos atrás na Dinamarca, e as dúvidas que fizeram Sharpe quase desistir do exército, ele acabou decidindo retornar ao seu posto de intendente, com a promessa de que não seria deixado para trás quando o regimento viajasse outra vez para a guerra. Agora, ele está na Espanha. Nesse período, a França é senhora de toda a Europa e Napoleão avançou com todas as forças de seu exército imperial sobre a Espanha e Portugal. Com perdas significativas nos dois países, o exército britânico está restrito a esparsos regimentos e muitos soldados almejam retornar para os seus países. Há seis meses Sharpe se junto ao 95° Regimento de Fuzileiros no cargo de intendente é claro, afinal, não é do interesse de ninguém conferir algum poder a um tenente ascendido das fileiras. Se tudo corresse conforme o planejado, caberia a Sharpe apenas gerir as provisões de seu batalhão enquanto ignoraria os esgares e o escárnio de seus companheiros, mas com Sharpe, nada ocorre como o esperado.

Na Espanha, a cavalaria francesa massacra o 95° Regimento, faz de reféns oficiais, fere mortalmente outros e, para infelicidade de todos os fuzileiros sobrevivente, resta apenas Sharpe com a patente requerida para comandá-los.

“(…) Os cinquenta fuzileiros eram inofensivos como os destroços de um naufrágio, e se os franceses soubessem que os fugitivos eram liderados por um intendente, iriam considerá-los ainda mais inócuos.

Mas o intendente lutara contra os franceses pela primeira vez há quinze anos, e continuara lutando desde então. Os fuzileiros perdidos podiam chamá-lo de tenente novato, e podiam até enfatizar a palavra “novato” com o escárnio dos soldados velhos, mas isso era porque não conheciam este homem. Tinham-no como um mero sargento ascendido das fileiras, mas estavam enganados. Ele era um soldado, e seu nome era Richard Sharpe.” (Página 35)

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Então, eu reli #1: O Senhor dos Anéis (J. R. R. Tolkien)

Ler apenas novos livros, ou além disso, ler novamente histórias já conhecidas? A Mell Ferraz do canal Literature-se fez um vídeo bem legal falando sobre releituras. Sim, todo leitor, por mais voraz que seja, sabe que mesmo que sua vida seja longa e próspera, ele nunca irá ler todos os livros que deseja ler. Faz sentido então ler novamente uma história que você já conhece? Alguns leitores pensam que não, eu sou daquelas leitoras que acha que por mais que você conheça o início e o fim da jornada, trilhar novamente esse caminho pode gerar gratas surpresas. Tirando alguns livros que já reli mais de uma vez e estão frescos na memória, há outros que já li há muito tempo e que lembro que me marcaram na época, mas que a trama em si já está difusa na memória, porque não os reler? Pode ser que eu me decepcione com alguns, mas posso a vir a me apaixonar novamente por outros, ou passar a gostar mais de algum do qual inicialmente não gostei tanto assim. Isso foi o que me incentivou a criar essa nova seção aqui no blog. E, para estrear com o pé direito eu escolhi O Senhor dos Anéis do Tolkien. Quem já nos acompanha há um tempinho, sabe que a admiração por Tolkien e sua obra foi o que possibilitou que eu e a Mari nos conhecêssemos, no já antigo, mas firme e forte, fórum Valinor. Nada mais justo então que esse livro tantas vezes relido (não tanto quanto eu gostaria) ou pelo menos frequentemente consultado na época do fórum, fosse o escolhido.

Para falar dele, não vou fazer como costumeiramente faço em minhas resenhas, a obra já ultrapassou o patamar de hors concours tão longe, que não consigo fazer uma análise imparcial. Então, vou basicamente me focar nas surpresas que essa releitura me trouxe. No caso de O Senhor dos Anéis, temos uma versão cinematográfica (particularmente considero uma das melhores adaptações cinematográficas) e, ao contrário dos livros que havia relido há tempos, o filme eu revejo todos os anos, às vezes mais de uma vez, e o resultado é que as modificações feitas pelo Peter Jackson acabaram mascarando alguns fatos da obra tolkieniana. Eu sei que nos livros a Arwen tem um papel bem menor na trama do que nos filmes, que foi Glorfindel e não ela que levou Frodo até Valfenda e que Saruman não encontrou seu fim em Isengard, mas ao fazer essa releitura, percebi que o filme já havia modificado muito mais as minhas memórias da obra do que eu supunha. Continuar lendo

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