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Gone, Baby, Gone (Dennis Lehane)

Atenção, esta resenha trata dos acontecimentos do quarto livro da série dos detetives Kenzie & Gennaro e pode haver spoilers (evitados ao máximo) sobre fatos dos livros anteriores. Para saber o que eu achei dos outros livros, confira os links no final desta resenha.

Sobre Meninos e Lobos me apresentou à escrita do Dennis Lehane, mas foi Gone, Baby, Gone que me apresentou aos seus personagens mais icônicos: os detetives particulares Patrick Kenzie e Angela Gennaro. Quando conheci Lehane lá no ensino médio, logo ele se tornou um dos meus autores favoritos de ficção policial. Ao longo dos anos isso nunca mudou e quando embarquei nessa empreitada de ler os livros da série Kenzie e Gennaro na ordem cronológica, achei que talvez a releitura de alguns de seus livros não fosse funcionar. Mas, tantos anos depois, a trama de Gone, Baby, Gone conseguiu me deixar presa às páginas, fissurada nos acontecimentos e com aquela sensação de soco no estômago que Lehane consegue imprimir tão bem com sua narrativa.

No caso da vez, lidamos com o desaparecimento da garotinha Amanda no veranico de 1997, em Boston. Para ser ainda mais precisa, na região em que Patrick e Angie moram. Amanda desapareceu de seu quarto enquanto a mãe estava na casa da vizinha e o apartamento em que morava ficara destrancado. O caso da garota não demora a virar comoção popular e a falta de resposta acaba levando Beatrice e Lionel (tios de Amanda) a procurar a ajuda de Kenzie e Gennaro. Um trabalho que eles não querem aceitar, não porque encontrar crianças desaparecidas não seja um trabalho válido, mas porque as perdas recentes e a violência escancarada tão próxima de suas vidas os levaram a questionar se realmente querem permanecer nessa vida. Continuar lendo

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Eu Sou Malala (Malala Yousafzai)

“Há um ano saí de casa para ir à escola e nunca mais voltei. Levei um tiro de um dos homens do Talibã e mergulhei no inconsciente do Paquistão. Algumas pessoas dizem que não porei mais os pés em meu país, mas acredito firmemente que retornarei. Ser arrancada de uma nação que se ama é algo que não se deseja a ninguém. ” (Página 11)

No dia 09 de outubro de 2012, no Vale do Swat, no Paquistão, Malala que nessa época já defendia abertamente o direito de meninas terem acesso à educação, sofreu um ataque perpetrado pelo Talibã. Depois daquele dia Malala não voltou mais para casa, não retornou mais ao Paquistão*. Agora, como cidadã do mundo, destinada a carregar na alma a saudade de seu país, Malala se tornou porta voz pelo direito à educação para todos e todas, no mundo inteiro. Principalmente das meninas que historicamente são sistematicamente silenciadas e diminuídas. Eu Sou Malala, publicado antes dela ser agraciada com o Prêmio Nobel da Paz, traz as suas memórias, da infância no Vale do Swat, aos momentos de terror do atentado, até os momentos de fé e sua recuperação no Reino Unido. Continuar lendo

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Sagrado (Dennis Lehane)

Atenção, esta resenha trata dos acontecimentos do terceiro livro da série dos detetives Kenzie & Gennaro e pode haver spoilers (evitados ao máximo) sobre fatos dos livros anteriores. Para saber o que eu achei dos outros livros, confira os links no final desta resenha.

Sagrado_lehane

Dando continuidade aos meus planos de ler a série protagonizada pelos detetives Kenzie e Gennaro na ordem cronológica, chego ao terceiro volume. E, após as perdas recentes e a violência escancarada que adentrou às vidas de Patrick e Angie há poucos meses (Apelo às Trevas), neste volume, Lehane atinge novos patamares com seu humor sarcástico. Angie e Patrick estão mais afiados do que nunca, o que contribuiu para tornar a leitura de Sagrado ainda mais ágil. Ele também não poupou nas reviravoltas…

“Talvez a honra estivesse em seu ocaso. Talvez ela já estivesse em declínio havia muito tempo. Ou, pior: talvez ela nunca tivesse passado de uma ilusão.

Todo mundo é suspeito. Todo mundo é suspeito.

Aquilo estava virando o meu mantra. ” (Página 208)

Desde os eventos trágicos há poucos meses atrás, Angie e Patrick fecharam o escritório e decidiram deixar o trabalho de detetives em estase. Mas, alguns clientes como o milionário Trevor Stone não aceitam a porta fechada. Trevor quer saber o que aconteceu com sua bela e deprimida filha. E, quando o antigo mentor de Patrick que já fora contratado anteriormente para resolver esse mesmo caso, também se encontra desaparecido, os detetives se veem envolvidos em uma caçada que envolve uma empresa que oferece terapias para a dor, meandros religiosos e evidências bastante enganosas. Nada é o que parece, e se Lehane pode tornar um caso aparentemente simples em algo intricado, é claro que ele o irá fazer. Mas, sem quebrar o ritmo da narrativa e sem utilizar a estratégia em demasia. Continuar lendo

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