Arquivo da tag: Maria Carmelita Dias (tradução)

Mulheres Sem Nome (Martha Hall Kelly)

Mulheres sem nome surgiu da vontade de Martha Hall Kelly contar a história de Caroline Ferriday e seus feitos históricos. A história de uma filha da nata da sociedade nova-iorquina, ex-debutante, ex-atriz da Broadway e fortemente envolvida nas causas humanitárias, primeiramente com auxílios aos franceses e depois com as mulheres polonesas libertas do campo de Ravensbrück no pós-guerra além é claro de todo o trabalho político no qual acabou envolvida para garantir que as pessoas que cometeram atos terríveis durante a Segunda Guerra Mundial fossem punidas. Para contar essa história, ela concede a narrativa a três mulheres: Caroline e Herta, que realmente existiram, e Kasia, sua criação fictícia livremente baseada em algumas prisioneiras de Ravensbrück. Três mulheres, três narrativas, três caminhos díspares que os acontecimentos históricos fizeram coalescer. Hall Kelly retrata quase duas décadas (do pré ao pós-guerra) de histórias cotidianas, interesses amorosos, perdas e pequenas lutas diárias; e nos dá um baita exercício de empatia e uma ode às mulheres que estabeleceram uma rede de auxílio à outras mulheres nesses tempos tão sombrios. Continuar lendo

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Toda Luz Que Não Podemos Ver (Anthony Doerr)

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“Naquelas últimas noites em Paris, caminhando para casa com o pai à meia-noite, o enorme livro enganchado ao peito, Marie-Laurie pensa poder sentir um arrepio no ar, nas pausas entre os chiados dos insetos, como a superfície de água congelada trincando quando se coloca peso demais sobre ela. Como se todo esse tempo a cidade não fosse mais do que a maquete construída pelo seu pai, e a sombra de uma grande mão caísse sobre ela. ” (Página 77)

“- Sabe a maior lição da história? A história é aquilo que os vitoriosos determinam. Eis a lição. Seja qual for o vencedor, ele é quem decide a história. Agimos em nosso próprio interesse. Claro que sim. Me dê o nome de uma pessoa ou de um país que não faça isso. O truque é perceber onde estão os seus interesses. ” (Página 89)

Há inúmeros livros de ficção retratando o período da Segunda Guerra Mundial. Eu mesma, já li livros retratando o sofrimento impingido aos não-arianos, livros retratando a resistência dos que tentaram (muitas vezes sem sucesso) se manter longe dos campos de concentração, livros que se focam mais no front de batalha, outros que até tentaram utilizar a Guerra na trama, mas que se focaram tanto na parte romântica que a intenção de ser um romance de guerra ficou só na intenção. Há também aqueles que não são ficção. Quem não conhece a história da garota Anne Frank? Quem não se compadeceu por seu sofrimento? O fato é que a Segunda Guerra Mundial envolveu muitos países, praticamente todos os continentes, e teve desdobramentos que ainda se refletem hoje. Então, por mais que o assunto seja muitas vezes revisitado, há ainda algum ponto, alguma faceta desse período negro da história que pode ser utilizado como ponto de partida para uma nova história. Foi isso o que Anthony Doerr fez em seu Toda Luz que Não Podemos Ver. Doerr é formado em história e usou como inspiração para sua trama a quase destruição da cidade de Saint-Malo na França – em agosto de 1944, durante a Batalha da Normandia, e o papel fundamental que o rádio teve durante a Guerra. Continuar lendo

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