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Aru Shah e o Fim dos Tempos (Roshani Chokshi)

A Saga Pândava, escrita por Roshani Chokshi, e que será uma tetralogia, marca a estreia do Selo Rick Riordan Apresenta. Se enquanto você lia as aventuras de Percy Jackson e os outros semideuses gregos e romanos, ou ainda dos irmãos Kane ou Magnus Chase, você desejou que Riordan fosse além e nos apresentasse outras mitologias, eis aqui a resposta. Em seu novo projeto com a editora Disney/Hyperion ele se torna curador de novos autores provindo de diversas culturas e que poderão nos mostrar um pouco mais de sua ancestralidade em suas histórias.

Coube a Chokshi trazer toda a riqueza da mitologia hindu em uma história protagonizada por duas garotas de cerca de 12 anos: Aru e Mini. A mãe de Aru Shah trabalha no Museu Arqueológico de Arte e Cultura Indiana e Aru praticamente cresceu entre as peças expostas ali e sempre foi avisada para não tocar na lâmpada (a Diya de Bharata) que fica na Galeria dos Deuses. Só que Aru sempre se sentiu deslocada na escola cheia de crianças ricas e mimadas e escolheu se resguardar sob mentiras. E, como mentira tem perna curta, um dia três de seus colegas visitam o museu de surpresa e a pegam na mentira. Para se safar da saia justa, Aru decide então lhes mostrar a lâmpada amaldiçoada. É assim que Aru acabou libertando Sono, um demônio ancestral com sede de destruição. Para evitar o fim do mundo, ela contará com a ajuda de Mini e de suas ligações míticas com o OutroMundo. A saber, elas são reencarnações dos irmãos Pândavas, príncipes guerreiros semideuses. Sim, há semideuses na Índia também, ainda que as relações de parentesco não sejam da forma como estamos acostumados (isto é, com deuses tentando levar vidas normais no mundo dos mortais). E, em meio ao desenrolar dessa trama, Chokshi vai nos desvelando as lendas, os seres míticos e toda a riqueza da mitologia hindu. Continuar lendo

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Deuses Americanos (Neil Gaiman)

Em 1992 Gaiman foi morar nos Estados Unidos. E como imigrante recém-chegado naquele grande país, ele queria entendê-lo, ainda que a tarefa na maior parte das vezes fosse impossível. E, como escritor, não há melhor forma de tentar conhecer algo do que escrever sobre isso. Apesar disso, a ideia de escrever sobre mitos e colocar os Estados Unidos no centro disso tudo só veio em 1998.

“Eu queria que o livro fosse uma série de coisas. Queria escrever uma história que fosse grandiosa, excêntrica e sinuosa, e escrevi, e ela era. Queria escrever uma história que incluísse todas as partes dos Estados Unidos pelas quais eu estava obcecado e encantado, que costumavam ser os pedaços que nunca apareciam nos filmes e nas séries de tevê. ” (Página 8)

Deuses Americanos realmente é uma história grandiosa (ultrapassa as quinhentas páginas, e os personagens viajam praticamente de costa a costa do país), excêntrica (tanto no humor quanto nos personagens bastante peculiares) e é sinuosa (Shadow e Wednesday viajam por recantos obscuros e atalhos, e sempre que você acha que sabe para onde a história está se encaminhando, lá vem Gaiman com suas reviravoltas retraçando os caminhos). Para escrever essa história que mistura deuses, romance investigativo e uma road trip inusitada, Gaiman colocou os pés na estrada. Todos os lugares que aparecem na história (ou pelo menos a maioria deles) foram visitados por ele. E, ainda que alguns lugares sejam conhecidos (quer sejam dos filmes ou das séries de tevê), foi uma experiência interessante conhecer tantos outros pelo ponto de vista do imigrante.

A edição publicada recentemente pela Editora Intrínseca é considerada como sendo o texto definitivo e a edição favorita de Gaiman. Ela é uma mistura das edições americana e inglesa, com a mistura dos textos pré e pós-edição e do texto impresso. A edição reformulada tem cerca de doze mil palavras a mais do que a edição original de 2001.

A história tem início com Shadow, um homem condenado a seis anos de prisão, mas que após cumprir três está prestes a ganhar a liberdade por bom comportamento. Tudo o que ele queria era retomar sua vida junto à esposa. Mas, dois dias antes da sua soltura Laura morre e de repente Shadow já não tem mais para onde voltar. Ao sair ele conhece o misterioso Wednesday que lhe oferece um serviço. Shadow até reluta no início, mas acaba cedendo aos pedidos de Wednesday. Ambos então partem em uma longa viagem pelos Estados Unidos para angariar aliados para uma guerra iminente entre deuses velhos e novos. Continuar lendo

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