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Amazônia (Ricardo Abramovay)

“Grilagem de terras, invasão de áreas protegidas, construção de estradas clandestinas voltadas à extração ilegal e predatória de madeira e supressão de vegetação em desacordo com a legislação atual são práticas que vêm desde o século XIX. E é óbvio que essas práticas são incompatíveis com a vida econômica do século XXI, com a capacidade técnica da agropecuária brasileira e com a contribuição que o país pode e deve dar à luta contra as mudanças climáticas. ” (página 73)

Um artigo recentemente publicado na Scientific American (Destroyed Habitat Creates the Perfect Conditions for Coronavirus to Emerge) fala sobre como a destruição de habitats naturais criam perfeitas condições para que doenças emergentes (tais como a covid-19) alastrem na população humana. Ora, se nós derrubamos árvores e consumimos animais silvestres sem quaisquer controles, é claro que estamos a perturbar um sistema que até então estava em equilíbrio. Quando tal equilíbrio é quebrado, animais silvestres aproximam-se de comunidades humanas, muitos se sentem no direito de transformarem os mesmos em presas (culturalmente ou não), daí, para os vírus presentes nos animais silvestres “cruzarem a fronteira” e serem espalhados pelo homem, é um pulo certo para uma pandemia. Quantas mais teremos de enfrentar até que entendamos que este ritmo de exploração da natureza só nos fará acelerar o nosso próprio fim?

Em tempo de Pandemia a mensagem deixada por Ricardo Abramovay em Amazônia não poderia ser mais clara e válida. Precisamos estabelecer a economia da floresta em pé. De um país que já foi um dos maiores contribuidores no combate contra o aquecimento global, segundo o IPCC, hoje, temos um modelo fortemente atrelado ao desmatamento, uso extensivo dos recursos naturais e conflitos sociais. Um cenário que precisa ser modificado e é com isso em mente que Abramovay apresenta este ensaio: contra a tolerância excessiva ao desmatamento e a favor de uma economia de valorização da Amazônia. Continuar lendo

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Colecionando Textos #55

 

*Feito no Canva.

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Colecionando Textos #54

 

 

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A Cidade Inteligente (Evgeny Morozov & Francesca Bria)

Definitivamente este não seria um livro que eu escolheria para ler. Mesmo entre os livros de não-ficção, costumo me ater às ciências básicas. Ler sobre smart cities, as tecnologias envolvidas e a política de democratização e acesso às suas benesses, bem como o ônus gerado por esse processo, não estava nos meus planos. Eis uma prova de que assinar o Circuito Ubu (o clube de assinaturas de livros de não-ficção da Editora Ubu) foi uma ótima ideia. Não há dúvidas de que o clube tem contribuído para me tirar um pouquinho mais da minha zona de conforto de leitora.

Basicamente o que Morozov e Bria fazem em A Cidade Inteligente é investigar as conexões entre as infraestruturas digitais que têm moldado as paisagens digitais das cidades e os programas políticos e econômicos associados a elas, quer já estejam em curso ou em fase de implementação. Continuar lendo

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Colecionando Textos #53

 

 

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A Guerra Não Tem Rosto de Mulher (Svetlana Aleksiévitch)

Svetlana foi uma criança que cresceu tendo seu mundo girando em torno da consequência da Segunda Guerra Mundial. Foi natural para ela querer falar sobre esse período quando começou a escrever livros, mas o queria fazer sob um diferente ponto de vista, dar espaço a voz que sempre permaneceu calada, apesar de ter participado ativamente da guerra, a voz feminina. E isso, Svetlana conseguiu fazer com louvor em A guerra não tem rosto de mulher.

“No exército soviético lutaram aproximadamente 1 milhão de mulheres. Elas dominavam todas as especialidades militares, inclusive as mais ‘masculinas’. Surgiu até um problema linguístico: as palavras ‘tanquista’, ‘soldado de infantaria’, ‘atirador de fuzil’, até aquela época, não tinham gênero feminino, porque mulheres nunca tinham feito esse trabalho. O feminino dessas palavras nasceu lá, na Guerra…. ” (De uma conversa com um historiador, página 8)

Para fazer isso, cerca de quarenta anos depois de findada a guerra, Svetlana se entregou à hercúlea tarefa de recuperar relatos, memórias que muitas se empenharam muito para esquecer. Quando começou a colher os depoimentos, foi com reticência que muitas receberam Svetlana, mas não demorou para a partir delas mesmas, criar-se uma rede de indicações e convites que mergulharam Svetlana em milhares de depoimentos. O desafio já não era conseguir informações do papel feminino na guerra, mas escolher o que entraria no livro. Continuar lendo

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Revolução das Plantas (Stefano Mancuso)

Revolução das Plantas do neurobiólogo Stefano Mancuso foi a escolha (bem acertada) da Editora Ubu para estrear o seu clube de leituras Circuito Ubu. A proposta fundamental de Mancuso foi a de explorar o mundo das plantas, as quais seguiram um caminho evolutivo bastante divergente do tomado pelos animais, para descobrir o que elas podem nos ensinar sobre inovação e soluções para os problemas da humanidade. É com isso em mente que ele nos apresenta exemplos extraordinários das inovações vegetais comprovados por experimentos científicos, alguns dos quais desenvolvidos por ele e sua equipe no LINV (Laboratório Internacional de Neurobiologia Vegetal) da Universidade de Florença.

São nove capítulos nos quais Mancuso nos transporta para o mundo vegetal e mostra por A + B o quão surpreendente ele pode ser e o quanto podemos aprender se aprendermos a enxergar as plantas, não apenas vê-las. Continuar lendo

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O Feminismo é Para Todo Mundo (bell hooks)

Apesar de sempre me procurar me informar sobre o feminismo, sempre me restringi aos textos e ensaios avulsos e ainda não havia me aventurado pela bibliografia feminista, apesar de já ter alguns títulos na lista de futuras leituras. Decidi começar com o livro da bell hooks. É assim mesmo que escreve, com letras minúsculas, porque o pseudônimo criado por Gloria Jean Watkins é grafado em letras minúsculas com o objetivo de deslocar o foco da figura autoral para suas ideias. hooks se propõe a falar sobre feminismo de uma forma fácil, que acabasse por incentivar a adoção de práticas feministas. Em tempos nos quais as lutas feministas são deturpadas e mal compreendidas, mesmo tendo sido publicado originalmente no ano 2000, o livro de hooks continua necessário. No prefácio, hooks deixa claro que ela nunca achou que o movimento feminista fosse um movimento só de mulheres, e é sobre este ponto de vista que todos os ensaios que fazem parte deste livro transitam. Continuar lendo

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Todo Dia a Mesma Noite (Daniela Arbex)

“A capitã da brigada caminhou pela Kiss atordoada não só com o que viu, mas com o barulho dos celulares das vítimas. Os aparelhos tocavam juntos e cada telefone tinha um som diferente. (…) Na maioria dos casos, porém, o visor indicava a mesma legenda: “mãe”, “mamãe”, “vó”, “casa”, “pai”, “mana”. Aquela sinfonia da tragédia era tão insuportável quanto a cena que Liliane presenciava. Como lidar com um evento dessa proporção?“ (Páginas 34 e 35)

Na manhã do dia 27 de janeiro de 2013 o Brasil acordou estarrecido pela tragédia que se abateu em Santa Maria no Rio Grande do Sul. Até o dia 26 de janeiro, Santa Maria vivenciou uma calmaria sem precedentes nos atendimentos do SAMU. Na madrugada do dia 27, a tempestade. A boate Kiss, com superlotação, funcionando sem todos os alvarás obrigatórios, utilizando material expressamente proibido com a finalidade de isolamento acústico, aliado a uma ação totalmente imprudente, incendiou. Com a guarnição dos bombeiros desfalcada, dezenas de civis ajudaram no resgate, muitos morreram durante o processo. Com uma só porta de saída e entrada, dificultada pela presença de guarda-corpos, muitos jovens não conseguiram sair, centenas morreram na boate e mesmo entre os resgatados com vida, muitos acabaram morrendo depois vítimas da intoxicação da fumaça letal gerada na combustão. O incêndio na Kiss interrompeu 242 vidas repletas de sonhos e projetos. A tragédia foi amplamente esmiuçada na mídia e muitos desses detalhes se tornaram de conhecimento público. Então, qual seria a história não contada da boate Kiss? Continuar lendo

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Letra e Música (Ruy Castro)

Ruy Castro é conhecido por sua produção de biografias (são deles as de Nelson Rodrigues e Carmem Miranda) e por seus livros de documentação histórica, como o ótimo Chega de Saudade no qual retraça os caminhos que levaram ao surgimento da Bossa Nova. Ele também teve passagem por importantes veículos da imprensa até a década de 90 quando passou a se dedicar aos livros. De volta aos jornais, desde 2007 Ruy publica crônicas na coluna que assina quatro vezes na semana no jornal Folha de São Paulo. Letra e Música, publicado pela extinta Cosac Naify, traz um compilado de algumas de suas crônicas e ensaios publicadas entre 2007 e 2013.

O livro é composto por dois volumes com 64 pequenos textos em cada. No primeiro, A Canção Eterna, estão os textos do Ruy apaixonado por música: Continuar lendo

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