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Uma Breve História das Mentiras Fascistas (Federico Finchelstein)

Numa época em que a disseminação de fake news mais do que nunca tem moldado a nossa vida em sociedade, a leitura do livro escrito pelo historiador Federico Finchelstein vem para fornecer um breve histórico do fascismo e dos movimentos políticos originados a partir deste, enfocando como a construção histórica das mentiras fascistas lançou as bases para o fenômeno da pós-verdade e a manipulação das multidões. Por que alguns boatos prosperam nas redes sociais? Como a desqualificação de quem ousa contradizer uma inverdade ajuda a manutenção desse status quo?

Do poder da propaganda para a manutenção do regime nazista; a mitificação da figura do líder; o posicionamento contrário à noção da falseabilidade científica; passando pela ascensão do revisionismo como ferramenta de normalização de políticas atuais, Finchelstein demonstra a importância de se debruçar sobre o passado para entender o presente no qual estamos imersos e se munir de conhecimentos para lutar contra o bombardeio de fake news diário.

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CONTÁGIO – Infecções de origem animal e a evolução das pandemias (David Quammen)

“Invadimos florestas tropicais e outras paisagens selvagens, que abrigam tantas espécies de animais e plantas – e dentro dessas criaturas, tantos vírus desconhecidos. Cortamos as árvores; matamos os animais ou os engaiolamos e os enviamos aos mercados. Destruímos os ecossistemas e liberamos os vírus de seus hospedeiros naturais. Quando isso acontece, eles precisam de um novo hospedeiro. Muitas vezes, somos nós. ” (e-book, posição 81-84)

Apesar de ter sido publicado originalmente em 2012, o livro de David Quammen não poderia ser mais atual. A Companhia das Letras tê-lo trazido neste momento para o mercado brasileiro não poderia ser mais emblemático. Com a pandemia de covid-19 ainda longe de acabar, entender como as doenças zoonóticas podem se tornar pandemias e como se dá o processo de erradicação ou controle de doenças (principalmente com os movimentos antivacinas em alta) é fundamental para que hábitos e costumes perigosos sejam mudados e para que tenhamos embasamento científico para lutar por políticas públicas, principalmente ambientais e de saúde, para que situações como a que vivenciamos hoje não se repitam ou cheguem em uma onda ainda mais dizimatória.

Hendra, Ebola, Malária, SARS-CoV, Febre Q, Psitacose, Doença de Lyme, Marburg e HIV são algumas das doenças (a maioria provocada por vírus, algumas por bactérias) de origem zoonóticas que Quammen aborda em Contágio. Ele revisita os casos dessas epidemias, evidencia a importância das investigações epidemiológicas e das medidas públicas de contenção quando uma doença está em curso e acompanha pesquisadores que dedicam-se a descobrir a origem dessas doenças, seus mecanismos de infecção e como elas “atravessaram a ponte” entre o restante dos animais e os humanos. Continuar lendo

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Eu, Miep, Escondi a Família de Anne Frank (Miep Gies & Alison Leslie Gold)

“(…) é uma história de pessoas comuns durante uma época terrível e extraordinária. Tempos que espero, de todo o meu coração, que nunca, nunca voltem. Minha história é para que nós, pessoas comuns em todo o mundo, saibamos o que aconteceu e jamais deixemos que isso se repita. ”

(página 10)

O Diário de Anne Frank pode não ser o livro mais lido no mundo, mas o relato pungente da adolescente judia que viveu durante dois anos escondida com a família e amigos em um sótão é mundialmente conhecida e constantemente descoberta por novos leitores. Em Eu, Miep, Escondi a Família de Anne Frank temos a oportunidade de captar nuances do período retratado por Anne Frank, desta vez por um olhar adulto. Não um que esteve acuado no mesmo sótão que Frank, mas que possibilitou que o esconderijo fosse viável e sustentável por um longo período. Que mesmo em sua relativa liberdade se compadeceu pelo cerceio ao que os outros estavam sujeitos e se colocou em risco para ajudá-los. Miep Gies trabalhou como secretária na empresa de Otto Frank (pai de Anne) e ela e seu marido Henk Gies ajudaram a esconder e deram suporte a família Frank de julho de 1942 a agosto de 1944. Continuar lendo

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Amazônia (Ricardo Abramovay)

“Grilagem de terras, invasão de áreas protegidas, construção de estradas clandestinas voltadas à extração ilegal e predatória de madeira e supressão de vegetação em desacordo com a legislação atual são práticas que vêm desde o século XIX. E é óbvio que essas práticas são incompatíveis com a vida econômica do século XXI, com a capacidade técnica da agropecuária brasileira e com a contribuição que o país pode e deve dar à luta contra as mudanças climáticas. ” (página 73)

Um artigo recentemente publicado na Scientific American (Destroyed Habitat Creates the Perfect Conditions for Coronavirus to Emerge) fala sobre como a destruição de habitats naturais criam perfeitas condições para que doenças emergentes (tais como a covid-19) alastrem na população humana. Ora, se nós derrubamos árvores e consumimos animais silvestres sem quaisquer controles, é claro que estamos a perturbar um sistema que até então estava em equilíbrio. Quando tal equilíbrio é quebrado, animais silvestres aproximam-se de comunidades humanas, muitos se sentem no direito de transformarem os mesmos em presas (culturalmente ou não), daí, para os vírus presentes nos animais silvestres “cruzarem a fronteira” e serem espalhados pelo homem, é um pulo certo para uma pandemia. Quantas mais teremos de enfrentar até que entendamos que este ritmo de exploração da natureza só nos fará acelerar o nosso próprio fim?

Em tempo de Pandemia a mensagem deixada por Ricardo Abramovay em Amazônia não poderia ser mais clara e válida. Precisamos estabelecer a economia da floresta em pé. De um país que já foi um dos maiores contribuidores no combate contra o aquecimento global, segundo o IPCC, hoje, temos um modelo fortemente atrelado ao desmatamento, uso extensivo dos recursos naturais e conflitos sociais. Um cenário que precisa ser modificado e é com isso em mente que Abramovay apresenta este ensaio: contra a tolerância excessiva ao desmatamento e a favor de uma economia de valorização da Amazônia. Continuar lendo

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Colecionando Textos #55

 

*Feito no Canva.

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Colecionando Textos #54

 

 

*Feito no Canva.

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A Cidade Inteligente (Evgeny Morozov & Francesca Bria)

Definitivamente este não seria um livro que eu escolheria para ler. Mesmo entre os livros de não-ficção, costumo me ater às ciências básicas. Ler sobre smart cities, as tecnologias envolvidas e a política de democratização e acesso às suas benesses, bem como o ônus gerado por esse processo, não estava nos meus planos. Eis uma prova de que assinar o Circuito Ubu (o clube de assinaturas de livros de não-ficção da Editora Ubu) foi uma ótima ideia. Não há dúvidas de que o clube tem contribuído para me tirar um pouquinho mais da minha zona de conforto de leitora.

Basicamente o que Morozov e Bria fazem em A Cidade Inteligente é investigar as conexões entre as infraestruturas digitais que têm moldado as paisagens digitais das cidades e os programas políticos e econômicos associados a elas, quer já estejam em curso ou em fase de implementação. Continuar lendo

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Colecionando Textos #53

 

 

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A Guerra Não Tem Rosto de Mulher (Svetlana Aleksiévitch)

Svetlana foi uma criança que cresceu tendo seu mundo girando em torno da consequência da Segunda Guerra Mundial. Foi natural para ela querer falar sobre esse período quando começou a escrever livros, mas o queria fazer sob um diferente ponto de vista, dar espaço a voz que sempre permaneceu calada, apesar de ter participado ativamente da guerra, a voz feminina. E isso, Svetlana conseguiu fazer com louvor em A guerra não tem rosto de mulher.

“No exército soviético lutaram aproximadamente 1 milhão de mulheres. Elas dominavam todas as especialidades militares, inclusive as mais ‘masculinas’. Surgiu até um problema linguístico: as palavras ‘tanquista’, ‘soldado de infantaria’, ‘atirador de fuzil’, até aquela época, não tinham gênero feminino, porque mulheres nunca tinham feito esse trabalho. O feminino dessas palavras nasceu lá, na Guerra…. ” (De uma conversa com um historiador, página 8)

Para fazer isso, cerca de quarenta anos depois de findada a guerra, Svetlana se entregou à hercúlea tarefa de recuperar relatos, memórias que muitas se empenharam muito para esquecer. Quando começou a colher os depoimentos, foi com reticência que muitas receberam Svetlana, mas não demorou para a partir delas mesmas, criar-se uma rede de indicações e convites que mergulharam Svetlana em milhares de depoimentos. O desafio já não era conseguir informações do papel feminino na guerra, mas escolher o que entraria no livro. Continuar lendo

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Revolução das Plantas (Stefano Mancuso)

Revolução das Plantas do neurobiólogo Stefano Mancuso foi a escolha (bem acertada) da Editora Ubu para estrear o seu clube de leituras Circuito Ubu. A proposta fundamental de Mancuso foi a de explorar o mundo das plantas, as quais seguiram um caminho evolutivo bastante divergente do tomado pelos animais, para descobrir o que elas podem nos ensinar sobre inovação e soluções para os problemas da humanidade. É com isso em mente que ele nos apresenta exemplos extraordinários das inovações vegetais comprovados por experimentos científicos, alguns dos quais desenvolvidos por ele e sua equipe no LINV (Laboratório Internacional de Neurobiologia Vegetal) da Universidade de Florença.

São nove capítulos nos quais Mancuso nos transporta para o mundo vegetal e mostra por A + B o quão surpreendente ele pode ser e o quanto podemos aprender se aprendermos a enxergar as plantas, não apenas vê-las. Continuar lendo

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