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Maus (Art Spiegelman)

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Depois de inúmeros romances e filmes retratando a Segunda Guerra Mundial e os horrores do Holocausto de forma tão trágica e massacrante, é impossível não se perguntar se a sensibilidade, a emoção e o horror conseguiriam ser bem retratados em uma graphic novel. Foi essa a tarefa que Art Spiegelman tomou para si lá em 1973, quando a primeira parte do primeiro volume de Maus foi publicada, este que só seria finalizado em 1986 e que ganharia um segundo (e final) volume finalizado em 1991. A tarefa foi concluída com sucesso, tanto é que no ano seguinte, foi agraciado com o Prêmio Pulitzer de literatura. Na edição brasileira publicada em 2005 pela Companhia das Letras (pelo selo Quadrinhos na Cia.) todas essas partes foram reunidas em um volume único.

Maus, palavra alemã para rato, traz a história de Vladek Spiegelman, pai do autor, um judeu polonês que sobreviveu ao campo de concentração de Auschwitz. A história de Art vai se desenrolando perante nossos olhos como uma conversa e para isso ele se coloca como personagem. É Art, que depois de adulto e durante suas visitas ao seu idoso pai, que o convence a compartilhar sua história. São essas conversas, marcadas pela relação não tão próxima entre pai e filho e pelas interrupções de Vladek para corrigir partes da história já anteriormente narradas que encaminham a trama de Spiegelman aos anos pré-Guerra e aos anos de embate propriamente dito. Continuar lendo

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Persépolis (Marjane Satrapi)

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Depois de um tempo me dedicando às graphic novels mais fofinhas e coloridas, decidi que era chegada a hora de partir para uma com um tema mais sóbrio e Persépolis, que já estava há um bom tempo na estante, foi a escolhida, marcando assim a minha estreia em dois nichos dos quadrinhos: as graphic novels autobiográficas e os quadrinhos iranianos.

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Marjane Satrapi nasceu em Rasht, no Irã, em 1969. Aos dez anos se viu obrigada a usar o véu islâmico e a frequentar uma escola só para garotas. Ela vivenciou a derrubada do Xá em 1979 por meio de uma revolução popular que posteriormente acabou se transformando em um regime ditatorial. Com a violência perpetrada pelo regime cada vez mais frequente e a guerra contra o Iraque contribuindo para fazer ainda mais vítimas, Marjane ficou cada vez mais revoltada contra o sistema. E isso só foi possível porque a garota apesar de não ter a cultura do país renegada de sua educação, foi criada em um ambiente bastante aberto às discussões políticas e sociais e à cultura ocidental. Uma educação progressista que a tornou naturalmente questionadora e a colocou em rota de colisão contra o governo, motivo pelo qual os pais tiveram que a enviar para morar no exterior durante uma grande parte de sua adolescência. Depois de retornar ao Irã, onde concluiu seus estudos, Marjane mudou para a França onde atua como autora e ilustradora. Foi ali, na França, que ao ser questionada sobre sua história por seus amigos, surgiu Persépolis. Uma obra autobiográfica escrita em francês e publicada originalmente em quatro volumes, que foram traduzidos e reunidos em um volume único pelo selo Quadrinhos na Cia da editora Companhia das Letras (a obra também foi publicada no formato original de quatro volumes). Continuar lendo

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