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Star Wars – Lordes dos Sith (Paul S. Kemp)

“Vader completou a meditação e abriu os olhos. No transparaço escuro e reflexivo da câmara de meditação pressurizada, fitou um rosto pálido, deformado de modo selvagem pelas chamas. Sem a conexão neural com a armadura, tinha plena consciência dos cotos das pernas, da ruína dos braços, da eterna dor em sua carne. Ele a recebia de braços abertos. A dor alimentava o seu ódio, e o ódio alimentava sua têmpera. Antigamente, quando era Jedi, meditava para encontrar a paz. Agora, meditava para aguçar a raiva. ”(Página 20)

Assim como Luceno em Tarkin, coube à Kemp dar o protagonismo aos vilões em outro romance do novo cânone de Star Wars. Pena que diferentemente do primeiro, Kemp escorregou na caracterização dos seus personagens e ainda que Lordes dos Sith tenha um enredo inicial interessante, algumas de suas escolhas e a caracterização superficial de Vader e Palpatine deixaram a história de Kemp bastante problemática e muito aquém do que prometia inicialmente.

Lordes dos Sith está situado temporalmente entre os filmes III e IV, pouco depois do “surgimento” do Darth Vader. O relacionamento entre o novo Sith e seu Mestre ainda é um tanto quanto cambaleante e é do interesse de Palpatine colocar seu pupilo à prova. E a oportunidade vem na forma do movimento rebelde Ryloth Livre liderado pelo twi’lek Cham Syndulla. O sobrenome não é uma coincidência, ele é pai da Hera da série Rebels e do livro Um Novo Amanhecer. Quando o movimento começa a aparecer nos radares do Império, Palpatine decide fazer uma averiguação in loco do movimento insurgente em Ryloth, e leva consigo Darth Vader. E é claro que os rebeldes não deixariam tal oportunidade passar. O plano de Cham é audacioso: matar Vader e o Imperador. É temerário e ingênuo também, porque é óbvio que há tramoias do Imperador por trás de tudo. Com alguns bons personagens, como Cham e todo o seu idealismo e a vontade de acender uma chama que se alastre por todos os mundos e que inspire os oprimidos a lutarem por sua liberdade; e, também Isval e seu passado como escrava imperial, que a tornou um pouco mais sanguinária e com objetivos mais imediatistas em relação ao Império; o livro de Kemp cativa o leitor mais rapidamente do que o protagonizado pelo Luke (leia a resenha de Herdeiro do Jedi), talvez porque atrás de cada missão (mesmo as solos) há um objetivo maior, há todo o propósito evidente de lutar contra o Império que confere um tom de grandiosidade que eleva a narrativa. Continuar lendo

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Star Wars Book TAG

Com a estreia do mais novo filme da franquia (que eu já vi e gostei muito!), achei que seria legal responder a TAG criada pela Gabriela e pela Sibelle do canal Sibelle Lobo, que eu vi no Who’s Geek.

A TAG original tinha sete perguntas que remetiam aos filmes. Tomei a liberdade de modificar a pergunta relacionada com O Despertar da Força (a pergunta original não fazia tanto sentido estando tão perto do fim do ano) e adicionei uma relacionada com Os Últimos Jedis. Vamos às categorias? Continuar lendo

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Star Wars – Herdeiro do Jedi (Kevin Hearne)

Nesta nova leva de romances do Universo Expandido de Star Wars, sim estou me referindo apenas às obras cânones, já li livros que se passam pós-eventos dos filmes antigos e antes dos retratados na nova trilogia, outros que se passam poucos anos após a instauração do Império Galáctico e que até mesmo acompanham o nascimento e a derrocada do poderio de Palpatine. Em alguns, os protagonistas são os vilões (bem persuasivos e carismáticos) ou personagens pouco expoentes nos filmes, mas que ainda esperamos que venham a ter alguma importância na nova história central que descortina. A história de Kevin Hearne está ambientada entre os filmes IV e V, logo após os eventos que culminaram na explosão da primeira Estrela da Morte, e é protagonizada e narrada pelo ainda incipiente jedi Luke Skywalker.

“(…) eu sei que a Força é real. Pude senti-la.

Ainda a sinto, na verdade, mas acho que é como saber que há algo escondido na areia enquanto você desliza as mãos sobre ela. Você vê ondulações na superfície, sugestões de que algo está se movendo ali embaixo (talvez algo pequeno, talvez algo enorme), levando uma vida completamente diferente que você não vê. E sair atrás desse algo para ver o que está sob a superfície pode ser seguro e gratificante, ou pode ser a última coisa que fará na vida. Preciso de alguém para me dizer quando mergulhar nessas ondulações e quando recuar.” (Página 18)

Aqui encontramos um Luke ainda descobrindo a Força, que mal havia começado seu treinamento com Obi Wan Kenobi quando este fora “derrotado” por Darth Vader. Agora, determinado a seguir o caminho da Força e se tornar um jedi, ele está em busca de algo ou alguém que lhe ensine o caminho das pedras. Apesar de todo o potencial demonstrado por ele durante a incursão que destruiu a Estrela da Morte, Luke ainda é o rapaz cheio de dúvidas e inseguranças, com uma leve quedinha pela Princesa Leia e agora, separado de Han e Chewie, os novos amigos que partiram em busca de seus próprios negócios. Herdeiro do Jedi então é essencialmente um livro de autodescoberta, representando o início da mudança do jovem ingênuo e imprudente Luke no heroico e destemido piloto  e jedi Skywalker. Continuar lendo

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Um Autor de Quinta #102

Coluna inspirada no Uma Estante de Quinta da Mi Muller do Bibliophile .

Quase deixamos a coluna ser soterrada em camadas de poeira novamente…

Quero falar para vocês hoje sobre uma autora que conheci por suas obras sobrenaturais (e minha experiência não foi das melhores), mas que só ganhou minha admiração quando se aventurou pelo universo de Star Wars. Aliás, é dela um dos melhores livros do novo cânone da saga. É sério, se você é fã da saga e se aventura pelos livros também, não deixe de conferir Estrelas Perdidas da Claudia Gray.

Claudia Gray

 

Foto: Melissa Vincent – Del Rey/Random House

Claudia Gray é o pseudônimo utilizado pela autora americana Amy Vincent. Amy Vincent trabalhou como advogada e em 2003 ajudou no desmantelamento de um cartel internacional de contrabando de diamantes, o que levou muita gente a acreditar que o uso do pseudônimo poderia ser para se proteger dos integrantes remanescentes do cartel (o que a própria autora já desmentiu). Na verdade, o uso do pseudônimo não é para esconder seu passado dramático ou sombrio, para fornecer uma áurea de mistério, ou porque ela não ache seu nome real vendável, mas porque ela pensou que seria divertido escolher seu próprio nome, que foi baseado em uma de suas minisséries favoritas I, Claudius.

Desde criança ela sonhava em se tornar uma estabelecida autora de romances, mas a carreira como escritora só começaria efetivamente em 2008, quando ela publicou o primeiro volume da série Evernight pela HarperCollins. Atualmente Claudia mora em Nova Orleans e se dedica integralmente à escrita. Continuar lendo

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Estrelas Perdidas (Claudia Gray)

Claudia Gray é conhecida por seus romances YA (alguns não tão bem-sucedidos assim) e nunca imaginei que algum dia leria algo dela relacionado ao universo de Star Wars (e ela já escreveu mais um livro que logo será publicado por aqui!) mas, se tem algo que o universo expandido da franquia sempre permitiu foi a pluralidade de adaptações e formatos. E, há espaço para romances YA também, principalmente os que nada ficam a dever em termos de qualidade, boas tramas, narrativas envolventes, personagens cativantes e que fornecem informações e lançam pistas acerca do futuro do novo cânone.

Em Estrelas Perdidas acompanhamos a história de Ciena Ree e Thane Kyrell. Ambos nasceram no isolado planeta Jelucan na Orla Exterior, no mesmo ano do soerguimento do Império. Ela, pertencente a uma família descendente da primeira leva de colonizadores do planeta, os quais ocuparam os vales e vivem na pobreza. Ele, pertencente a uma abastada família da segunda leva de colonizadores. Oito anos após a queda da Velha República, Jelucan foi conquistada pelo Império e é nesse cenário de festa e demonstração do poderio aéreo imperial que ambos têm seu primeiro contato, motivados pelo sonho compartilhado de pilotarem as naves do Império. A partir daqui, acompanhamos a amizade crescente dos dois, os primeiros treinamentos de voo em conjunto (algo criticado pela família de ambos), os estudos preparatórios e a entrada na Academia Imperial. Mas, é lá naquela primeira apresentação dos dois (com direito a uma participação especial do Grão Moff Tarkin) que Gray deixa claro as principais diferenças entre Ciena e Thane, diferenças depois utilizadas muito apropriadamente por ela para fundamentar as escolhas dos personagens. Continuar lendo

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Star Wars – Um Novo Amanhecer (John Jackson Miller)

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Um Novo Amanhecer cronologicamente se passa oito anos após a Trilogia Prequela, e, apesar de fazer parte do cânone de Star Wars, basicamente traz a história de como o “ex-jedi” Kanan Jarrus conheceu a piloto/espiã Hera Syndulla. Ambos são personagens principais da série de desenho animado Star Wars Rebels, que como o próprio nome sugere, expande mais o nosso conhecimento sobre a Aliança Rebelde. O livro que pode ser considerado como a primeira aventura da Saga Rebels pode não acrescentar muitas informações acerca do Universo Star Wars, mas John Jackson Miller entregou uma história repleta de personagens cativantes e com uma narrativa envolvente que te prende desde as primeiras páginas.

“Vinha peregrinando por aí desde aquele dia sombrio, anos antes. O mais sombrio dos dias. O dia em que sua vida, como ele a conhecia, desmoronou; foi destroçada por algo que, na época, ele sequer tinha compreendido. Ainda não compreendia muito bem. Lá estava ele, com quatorze anos, completamente dependente da Ordem Jedi para tudo: comida, abrigo, educação e segurança. Amor, talvez não; mas pelo menos tinha estabilidade, paz e bom senso.

E, então, de repente, a República e seus soldados clone se voltaram contra o Jedi. ”

(Página 88)

Kanan Jarrus foi um dos poucos (único?) aprendizes de Jedi que sobreviveram à Ordem 66. No caso dele, foi o sacrifício de sua mestre que lhe garantiu a chance de fugir. Desde então ele tem vivido na clandestinidade, evitando criar problemas com o Império. O personagem Miller já encontrou pronto, mas ele conseguiu contribuir para a construção de um histórico contundente para o personagem e deixou-o cativante o suficiente para deixar no leitor a vontade de continuar acompanhando suas aventuras na série animada. Kanan é um protagonista com aspectos que vão além da bondade e da calma atribuídas aos Jedi. Por tentar negar seu passado, inicialmente por puro terror de ser encontrado e morto pelas forças imperiais e depois para se proteger das perdas que o soerguimento do Império causou, Kanan se tornou um casca grossa. Bebe para esquecer, leva uma vida errante desde sua primeira fuga, tentando ao máximo evitar criar laços e com um ânimo um tanto esquentado com uma leve tendência a entrar em brigas. Depois de tantos anos fugindo, tornou-se especialista em manter-se longe dos radares imperiais. Mas, depois dos acontecimentos no planeta Gorse, onde sua permanência já se estende por um bom tempo, ele não conseguirá ficar sem agir. Continuar lendo

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Star Wars – Império Despedaçado (Rucka, Checchetto, Unzueta & Laiso)

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Star Wars – Império Despedaçado é uma minissérie gráfica composta por quatro volumes publicada pela Marvel. Elas fazem parte do novo cânon da franquia e ajudam a criar a ponte entre os filmes seis e sete. No Brasil, os quatro volumes foram reunidos em um único encadernado pela Panini. As histórias têm roteiro do Greg Rucka (autor de Star Wars: A Missão do Contrabandista e Star Wars: Antes do Despertar), arte do Marco Checchetto, Ángel Unzueta e Emilio Laiso e cores de Andres Mossa.

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Star Wars – Tarkin (James Luceno)

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Continuando com as leituras das obras que fazem parte do novo cânone da franquia Star Wars, desta vez voltamos um pouco no tempo. O período retratado se passa cinco anos após o golpe contra a república e a instauração do Império Galáctico. Nesta época, o império está construindo secretamente uma de suas mais terríveis armas: a estrela da morte (a primeira) e supervisionando essa grande obra está o oficial (moff) Wilhuff Tarkin.

“Nem todos morriam de amores por ele. Se para alguns ele era meticuloso, racional e destemido, para outros era calculista, cruel e fanático. No entanto, independentemente de qual postura seus pares adotassem, as histórias sobre Tarkin surgidas nos últimos dias do Departamento Judicial eram lendárias e só faziam aumentar conforme corriam adiante. ” (Página 102)

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Star Wars: Marcas da Guerra (Chuck Wendig)

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“- Esta não é uma história inspiradora qualquer. Não é mais um conto de um azarão, pobre coitado e pé-rapado, uma luta pugilista onde nós somos o gladiador de bom coração que derruba o regime opressor que o colocou na arena. Eles ficaram com essa narrativa. Nós somos aqueles que escravizaram mundos inteiros, repletos de habitantes alienígenas. Nós somos aqueles que construíram algo chamado de Estrela da Morte sob a liderança de um velho goblin decrépito que acreditava no “lado sombrio” de uma antiga religião maluca qualquer. ” (Página 176)

Até bem pouco tempo atrás meu contato com o universo de Star Wars restringia-se aos filmes. Como fã da franquia desde que me entendo por gente, sabia que o Universo Expandido de Star Wars tinha bastante coisa, mas nunca tinha ido atrás, salvo a primeira temporada da série de animação Star Wars: The Clone Wars que acabei nem continuando a ver. Com a notícia da produção dos novos filmes pela Disney, o auê em torno da história principal e seu universo expandido reacendeu-se. Foram lançados hq’s (já conferi algumas) e a Editora Aleph começou uma publicação massiva de obras literárias desse universo (e não tô reclamando não, pode mandar mais Aleph!). Tanto as antigas (anteriores à 2014), que agora são conhecidas como Legends e que não fazem parte do cânone estabelecido em 2014, quanto as obras mais recentes e que trazem os conceitos a serem explorados em filmes, livros, games…. Dentre esses, Star Wars – Marcas da Guerra, primeiro volume da trilogia Aftermath, de Chuck Wendig chega para preparar o terreno para o que começou a ser explorado no episódio VII dos filmes. Mas, não vá com muita sede ao pote, achando que ele contém maiores detalhes sobre o que você viu em Star Wars: O Despertar da Força. O que é explorado aqui é muito mais antigo…

A trama de Wendig se passa alguns meses após a Batalha de Endor que acarretou na destruição da Segunda Estrela da Morte, nas mortes de Darth Vader e Palpatine e no enfraquecimento das forças imperiais e início da restauração da Nova República. É claro que velhos conhecidos nossos não são esquecidos, mas desta vez, eles cedem espaço para personagens secundários dos filmes brilharem. Almirante Ackbar, o Líder Vermelho Capitão Wedge Antilles e a piloto Norra Wexley são os protagonistas que representam a antiga resistência. Do outro lado temos a almirante Rae Sloane e alguns figurões das forças imperiais. Além deles, outros personagens ganham destaque na trama: Jas Emari, uma caçadora de recompensas; Sinjir, um antigo agente imperial; Temmin, o filho que Norra deixou para trás, na Orla Exterior, para se juntar às forças rebeldes; e, não posso esquecer do Senhor Ossudo, um droide esquisitão, mas cativante. Continuar lendo

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