Teoria do Banho

Não sou socióloga, nem pretendo ser, mas este fim de semana, eu pensei numa analogia bacana para relacionamentos humanos. E ela tem a ver com banho.

Lava lava lava lava uma orelha uma orelha outra orelha outra orelha

Quando vamos entrar no banho, a primeira coisa que a maioria das pessoas faz é testar a temperatura da água. Liga primeiro a quente, espera esquentar e vai dosando a água gelada, até chegar na temperatura ideal. Tem gente que gosta de ligar e já entrar de baixo da corrente e tem gente que só falta colocar o termômetro, e vou falar deles também.

Aí, no meio do banho, por algum motivo qualquer, seja porque a luz piscou, ou alguém deu a descarga, acabou o gás… a temperatura é alterada. Fica mais quente ou mais gelada. E logo corremos para ajustar e voltar pra temperatura confortável. Ou não. Tem quem prefira a temperatura nova.

Imaginei o primeiro passo, de arrumar a temperatura, como as primeiras palavras que trocamos com alguma pessoa. Analisamos tudo, desde o estilo de roupa que ela está vestindo, ao corte do cabelo, passando por eventuais expressões de fala, sotaques e, os mais detalhistas, a cor da unha do pé. Tem quem não se deixa levar pela aparência, liga logo o chuveiro e se joga no relacionamento. Outras pessoas, mais reservadas, demoram mais para ficar confortáveis com aquela pessoa e ficam sempre com um pé atrás, ajustando a temperatura com um termômetro, antes de entrar de cabeça, pra não se queimar ou passar frio.

Mas aí vem a mudança de temperatura. Lembrem-se, pode ficar mais quente ou mais frio. Fica mais quente quando a pessoa diz que conhece sua tia favorita, por exemplo. Mais quente ainda quando se descobre que ela estudou na sala de uma grande amiga do colegial. Ainda mais quente quando ela solta que namorou aquele carinha que você nunca superou. E insuportável quando é apresentada como sendo namorada do seu melhor amigo. Quente demais?! Desliga a água quente, liga a fria, volta pra temperatura de conforto. E começa aquela tentativa de gostar da pessoa que te fez passar por um desconforto inimagináve, que quase queimou sua pele…

O frio vem quando você puxa um assunto que te interessa um monte, e a pessoa te corta. “Ah! Você viu que estreiou aquele filme com aquele ator gato?!” – “Não”. E você tenta de novo. “Hm. Leu algum livro bom esses tempos?” – “Não vejo graça em ler”. E mais uma tentativa. “Viu, um bando de amigos vão no barzinho Y depois daqui, quer ir?” – “Odeio esse lugar”. Até arrepia a falta de vontade da pessoa se socializar com você, pode-se até dizer que ela jogou um balde de água fria em você. Dá vontade de sair do banho, se enrolar numa toalha e ligar pro técnico arrumar a fonte de água fria. Credo.

Pena que as pessoas não mudam de cor também

O ponto é: quando estamos sozinhos, estamos na nossa zona de conforto. E se relacionar, conhecer pessoas novas, falar com velhos amigos, é sair dessa zona de conforto. Ou pelo menos se dispor a mudar um pouco a temperatura da água. Claro que ninguém gosta de ser escaldado, nem de tomar banho frio, mas corremos esse risco às vezes. Algumas pessoas simplesmente não tem noção de quão drásticas elas são. Podemos sempre escolher quando desligar o chuveiro e desistir daquela situação, mas é importante se deixar tentar.

17 Comentários

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17 Respostas para “Teoria do Banho

  1. Teoria perfeita! :clap:

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  2. Reflexão bacana, mas há lados bem negativos em se comparar banho e relacionamento, também, como o fato do banho ser tomado em maior parte por razões utilitárias (higiene e conforto) e ter início meio e fim. Olhar relacionamento dessa forma pode ser uma maneira meio dura, mas realista, de ver as coisas também.

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    • Avatar de Feanari Feanari

      Não me preocupei muito em analisar o porque do início do banho. Mas se você for pensar bem, o contato com uma pessoa só, por mais longo que seja, não é tão duradouro. Ao reencontrar a pessoa outro dia, é outro banho, ate porque você se acostuma ao jeito dela, e a temperatura de conforto se restaura

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      • É, em analogias a gente nunca quer que as coisas sejam comparadas ao pé da letra, nem compara todos os aspectos, mesmo.

        Meu ponto é somente que há ainda outras leituras pra se fazer nessa sua analogia bem bacana, como essa de olhar o lado utilitário do relacionamento, comparando com o utilitarismo do banho. E olhar o relacionamento olhando cada dia como um banho como você disse é interessante. Seria essa mais uma razão pra gente pensar que a gente se relaciona porque “precisa”, tanto quanto tomamos banho porque precisamos?

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      • Avatar de Feanari Feanari

        Não disse que não queria que comparassem ao pé da letra! Foi uma analogia que brotou no meio do banho e eu fui falando aqui conforme pensei no assunto, acho ótimo trazerem outros aspectos, ainda mais brilhantes como o que você apontou =D

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  3. Avatar de Larissa Larissa

    Me senti de fora da teoria porque eu tenho chuveiro elétrico. =(

    Do mais, realmente sempre tomamos um banho de água fria de alguém, é inevitável mesmo. hehe

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  4. Eu achei uma analogia bacana, a respeito da cautela. Eu sou de testar bem a água antes de entrar, mas, depois que estou confortável, não quero mais sair do chuveiro.

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  5. Avatar de DW DW

    Eu, por outro lado, só tomo banho ao sábados.

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