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Leia Mulheres: Fantasia

Olha mais uma coluna precisando ser resgatada das camadas de pó…

Vamos ver se agora eu consigo mantê-la atualizada. Desta vez vamos falar sobre mulheres e fantasia. Quando falamos em livros de fantasia é comum nos atermos aos nomes de autores masculinos, ou porque eles têm maior visibilidade e um histórico mais antigo de publicação ou porque, infelizmente, algumas pessoas associam fantasia de qualidade à autores masculinos como se as mulheres não pudessem produzir excelentes obras também (xô preconceito!). A lista de autoras que se enveredam pelo mundo das palavras e criam mundos e personagens fantásticos não é pequena, mas hoje trago apenas uma pequena contribuição. Cinco autoras que merecem ser conhecidas porque gosta do gênero. Já aviso de antemão que a ausência da Ursula K Le Guin é proposital (afinal, se Tolkien é considerado o pai da fantasia, Le Guin bem pode ser a matriarca), mas é que eu guardei ela para a lista de sci-fi!

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Leia Mulheres: Formando Novos Leitores

Estudos já comprovaram que a exposição precoce de crianças à leitura em casa tem um impacto bastante positivo para a formação de novos leitores. O exemplo de ver os pais lendo e a experiência de conhecer novos mundos com a ‘contação de histórias’ e a leitura antes de dormir, podem ser cruciais para que as crianças cresçam vendo a leitura como uma atividade divertida e prazerosa e sigam levando esse hábito consigo. Mas, mais do que só despertar curiosidade sobre o hábito da leitura, é preciso também manter essa curiosidade acesa durante o desenvolvimento da criança e adolescente. Permitir que as crianças e os adolescentes possam escolher os livros que querem ler (de vez em quando) e poderem falar sobre eles, pode ser uma ótima iniciativa. No ensino fundamental os livros paradidáticos ainda trazem histórias de aventuras e com uma linguagem bem mais acessível que acabam captando muita a atenção das crianças, mas no ensino médio, quando chegam as listas de livros clássicos, muitos acham bem difícil engolir. Não é preciso excluir os clássicos, eles têm sua importância, mas por que não trazer livros mais do gosto da garotada para dentro da sala de aula? Trabalhar Harry Potter não exclui trabalhar Machado de Assis e nem precisa. Continuar lendo

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Biblioteca de Almas (Ransom Riggs)

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“Apenas uma história. Mas nunca era apenas uma história. Isso tinha se tornado uma das verdades definidoras da minha vida, pois por mais que eu tentasse manter as histórias aplanadas, bidimensionais, presas em papel e tinta, sempre havia aquelas que se recusavam a ficar restritas ao interior dos livros. Eu sabia: uma história tinha engolido toda a minha vida. ” (Página 330)

Em Biblioteca de Almas, enquanto todos os outros acabaram capturados, apenas Emma, Jacob, Addison e Sergei escaparam dos acólitos, e, ainda que o tempo presente possa ser um forte atrativo à Jacob, eles precisam se enveredar por outra fenda, o Recanto do Demônio, uma espécie de purgatório dos peculiares e local onde fica o quartel-general dos acólitos, para onde eles estão levando todas as suas vítimas. No Recanto do Demônio os garotos terão mostras do quão decantes a vida dos peculiares podem se tornar, Jacob descobrirá mais sobre a sua origem e seus poderes, os eventos envolvendo a catástrofe que deu origem aos etéreos finalmente serão revelados, e uma lenda, uma invenção engenhosa e os verdadeiros planos de Caul virão à tona. Continuar lendo

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Pax (Sara Pennypacker)

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Sou daquelas que acreditam que para a leitura não há idade e não há espaço para o preconceito (ao menos a gente tenta né). Da mesma forma que um pré-adolescente pode resolver encarar um “livro cabeça” e ter sim uma leitura prazerosa, um adulto pode se encantar por um livro destinado ao público infantil e dele tirar lições para a vida. Com Pax, Sara Pennypacker reforçou esse sentimento trazendo a bela história de amizade de um garoto e sua raposa. Uma história para encantar as crianças e fazer palpitar até os corações adultos mais peludos.

Peter e Pax são inseparáveis. Peter encontrou Pax, a raposa, quando este tinha poucos dias de vida. Desde então ele cuidou de Pax, e Pax cuidou dele, até chegar a guerra… O pai de Peter irá para o exército e o garoto terá de ir morar com o avô, e Pax não poderá ir junto. A raposa que nunca viveu no ambiente selvagem é abandonada, mas logo Peter se arrepende, se rebela e parte em busca do amigo. Continuar lendo

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A Espada do Verão (Rick Riordan)

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“- Você tem dezesseis anos agora, já é um homem. Escapou deles uma vez, na noite em que sua mãe morreu. Eles não vão deixar você escapar de novo. Essa é nossa última chance. Se não me deixar ajudá-lo, você não sobreviverá até o fim do dia. ” (Página 25)

Durante a leitura da série Os Heróis do Olimpo, muito leitores devem ter ficado com a impressão (e a esperança) de que Riordan estava preparando algo envolvendo a mitologia chinesa, mas qual não foi a surpresa quando veio a notícia de que a próxima série de livros focaria na mitologia nórdica. E ela chega com Magnus Chase, e o sobrenome não é coincidência não, Magnus é primo da nossa já querida Annabeth. E ela é claro não é esquecida e até tem suas participações na trama, as quais prometem vir a serem mais frequentes no próximo livro.

A nova série de Riordan traz todos os elementos já tão característicos do autor: a grande quantidade de personagens; uma trama estruturada em torno de uma grande missão (decorrente de uma profecia feita na hora mais imprópria); missões menores que servem de preparação para o embate final; deuses melindrosos, misteriosos e meio doidos; um lugar para reunir os heróis (já conhecíamos alguns acampamentos e uma casa no Brooklyn, agora é a vez de um hotel que é o próprio Valhala); muitas e muitas referências pop e uma boa pitada de humor. Aliás, o tom de hilaridade atinge níveis estratosféricos nessa nova série. Mas, ao mesmo tempo, ele não deixou de explorar temas mais sérios como o bullying e a rejeição familiar devido a deficiência de um dos personagens. A narrativa também lembra muito a utilizada na série do Percy Jackson, com a narrativa em primeira pessoa e apenas sob o ponto de vista de Magnus. Até mesmo os títulos estranhos e engraçados estão de volta. Continuar lendo

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João & Maria (Neil Gaiman & Lorenzo Mattotti)

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“No inverno, quando a neve estava alta, a mulher deu à luz uma menina. A criança foi chamada de Ana Maria, mas depois inverteram seu nome, que virou Mariana, e no fim ficou só Maria. Dois anos mais tarde, a esposa do lenhador deu à luz um menino, que foi chamado de João, e, como já tinham esgotado a criatividade, ficou sendo João mesmo. ” (Página 6)

Começarei esta resenha de trás para frente para falar de algo muito legal que está apenas no final do livro: um ensaio, bastante completo, sobre o conto de Hansel & Gretel. Como toda criança que cresceu conhecendo a história de João e Maria de trás para frente, mas que nunca se aprofundou nos pormenores por detrás do conto, é bom descobrir mais sobre suas variações e modificações sofridas ao longo do tempo e tomar conhecimento de contos semelhantes oriundos de outros países. É neste ensaio também, que descobrimos que Lorenzo Mattotti criou os desenhos que ilustram este livro, em 2007 para uma exposição. E que foi inspirado por eles que Gaiman resolveu recontar sua versão do conto alemão.

Mas, mesmo lendo a releitura de Gaiman com apenas os conhecimentos parcos e as lembranças nebulosas da história, foi impossível não perceber que não há muitas diferenças entre a narrativa de Gaiman e sua contraparte original. Não o conto amplamente difundido e um pouco menos sombrio, mas sim, aquele eternizado pelos irmãos Grimm que não nos poupa dos detalhes sórdidos: o abandono dos pais, a perda da inocência infantil, o enfoque nas consequências trágicas da guerra, canibalismo e assassinato. E, justamente por ter mantido tanta fidelidade ao conto original não há como não se perguntar sobre o porquê de uma releitura, quando no final das contas as mudanças foram tão sutis. Não há como negar que as ilustrações de Mattotti foram muito bem entremeadas à narrativa e garantiram um tom sombrio muito bem-vindo à edição. Além disso, é possível perceber na narrativa traços do sarcasmo, do humor irônico e do lado sombrio de Gaiman. Mas, a obra como um todo fica bem aquém do esperado. É o lado complicado de ser fã de Gaiman e consumidora de tudo o que ele escreve. Você acaba indo com sede demais ao pote, ânsia por inovação e no final das contas acaba decepcionada. Em se tratando de releituras, penso que Gaiman tem sido mais feliz quando só usa as histórias antigas como fonte de inspiração para criar seus mundos (eis O Livro do Cemitério que não me deixa mentir), se manter preso em histórias já tão fechadas não foi lá uma boa ideia.

PS: Fica como ponto positivo o capricho da Intrínseca com a edição brasileira. O livro em capa dura, impresso em papel couchê e com uma diagramação esmerada rendeu um belo volume para se ter na estante.

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A Mais Pura Verdade (Dan Gemeinhart)

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Quando a Novo Conceito anunciou o lançamento de A Mais Pura Verdade, as comparações foram inevitáveis. Um livro sobre câncer e com a capa azul? Não demorou muito para compararem a obra de Gemeinhart com a de Green. Mas, já vou logo avisando: a semelhança para por aí. Antes de tudo, Mark, o protagonista, tem apenas doze anos, logo o foco aqui não é um romance, mas sim o seu relacionamento de amizade com Jessie, sua melhor amiga desde que ele se lembra. Não há reuniões, terapias em grupo ou sonhos que possam ser patrocinados por associações. O único desejo de Mark é perigoso, potencialmente mortal e nada adequado para um garoto de doze anos sofrendo com o câncer, não é à toa que sua jornada é solitária e clandestina.

“- É como se, sei lá, eu levasse um pedaço de vida comigo. Todas essas coisas acontecem, todos esses pequenos momentos passam por nós e vão embora. Então você vai embora. – Inspirei profundamente e expirei no vidro da janela. – Mas, quando você tira uma foto, aquele momento não passa. Você o prende. É seu. Você pode guardá-lo.” Página 80.

O livro traz a história de Mark. Um garoto de 12 anos, que tem um cachorro chamado Beau, uma melhor amiga chamada Jessie, gosta de fotografar e escrever haicais em seu caderno e tem o sonho de um dia escalar a maior montanha da América do Norte. Mas Mark está doente. Ele tem o tipo de doença da qual algumas pessoas nunca melhoram. O tipo de doença que lhe reserva notícias desesperadoras. É por isso, que Mark decide fugir. Sair de casa apenas com seu cachorro por companhia, sua máquina fotográfica, seu caderno e caneta, remédios e equipamentos de alpinismo. Em direção ao Monte Rainier. Continuar lendo

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Infinity Drake: Os Filhos da Scarlatti (John McNally)

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Infinity Drake, ou Finn como prefere ser chamado, tem onze anos e mora no interior da Inglaterra com a avó. Seus pais, ambos cientistas, morreram. Agora é só ele, vovó Allenby – que sabe como se impor e não tem papas na língua, seu cachorro e o tio um tanto quanto inconstante, também cientista, e que desconhece o significado de limites. E é com esse tio, Al, um tanto quanto excêntrico e que lhe deixa fazer qualquer coisa que queira, que Finn irá ficar por uns dias enquanto vovó Allenby viaja. Os planos, da vovó, são que os dois fiquem em casa e que Finn continue a ir à escola. Os planos, de Al e Finn, são de ir acampar nos Pirineus e aumentar a coleção de insetos do garoto. Mas, ambos os planos precisam ser interrompidos, porque Al é contatado pelo Comandante King do Comitê Global Não-Governamental de Resposta à Ameaças para retomar um antigo projeto que pode evitar um desastre global. O que é uma baita surpresa para Finn que não imaginava que o tio fosse tão importante.

“A lente se aproximou do ponto e de repente a criatura apareceu na tela.

Projetado do tamanho de um ser humano, um monstro preto e amarelo com pontinhos vermelhos, recém-saído de sua última troca de pele. Seu exoesqueleto se expandiu; seu tórax como um punhado de vigas mestras; sua cabeça feito uma atrocidade; suas asas pretas e pratas ainda grudadas ao abdômen, que colorido e distendido, pendia do tórax como uma enorme gota de veneno. E, no fim, um grupo feito de três ferrões.” (Página 54)

Essa é Scarlatti, uma espécie de vespa criada em laboratório e altamente mortal que foi libertada na natureza. Para evitar uma situação de calamidade global e a alternativa de tentar sanar o problema utilizando armamento nuclear, todos recorrem à pesquisa (um tanto quanto maluca) de Al. Seu projeto, o BoldKlub tem por finalidade encolher a matéria. O plano maluco é utilizar o outro único exemplar da Scarlatti mantido em laboratório, implantar nele um feromônio para atrair a outra Scarlatti e matar ambas. Com um time de extermínio composto por humanos em miniatura! E é claro que uma série de contratempos acaba fazendo Finn ser um dos miniaturizados. O que no final das contas acaba sendo um ponto positivo (não para Al e definitivamente não para vovó Allenby), pois o conhecimento sobre insetos e aracnídeos do garoto, livra a equipe de diversas situações perigosas. Continuar lendo

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O Sangue do Olimpo (Rick Riordan)

Atenção, esta resenha trata dos acontecimentos ocorridos no quinto e último livro da série Os Heróis do Olimpo e pode haver spoilers sobre fatos dos livros anteriores. Para saber o que eu achei dos outros livros, confira os links no final desta resenha.

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Quem poderia imaginar que o desaparecimento de Percy Jackson e a inclusão de um novo acampamento de semideuses, desta vez romanos, poderia render histórias tão dramáticas, divertidas e repletas de aventura como em sua série antecessora (leia-se Percy Jackson e Os Olimpianos)? Riordan acertou em cheio em resgatar velhos conhecidos, trazer novos personagens, e, ao misturar ambas as faces dos deuses e trabalhar muito bem essa bagunça ao longo dos livros. Aliás, ver Atena-Minerva transtornada, Ares-Marte doido por uma carnificina independente do lado apresentado e toda essa disparidade entre o lado grego bom vivant e o romano sisudo, foi uma das coisas mais legais ao longo dos livros.

Em O Sangue do Olimpo, Riordan encerra mais uma série bem sucedida. É hora de darmos adeus (com a esperança de que possamos esbarrar com eles novamente por aí) aos velhos conhecidos e aos novos personagens que souberam como ninguém cair nas graças do público. Continuar lendo

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A Casa de Hades (Rick Riordan)

Atenção, esta resenha trata sobre os acontecimentos do quarto livro da série Os Heróis do Olimpo e pode haver spoilers dos livros anteriores. Para saber o que eu achei dos outros livros veja os links no final desta resenha.

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“Ao vê-los reunidos no Tártaro, Percy se sentiu tão desamparado quanto as almas no Rio Cócito. E daí que era um herói? E daí que realizara feitos corajosos? O mal sempre estava presente; regenerando-se, fervilhando sob a superfície. Percy não passava de um pequeno estorvo para aqueles seres imortais. Eles só precisavam esperar.” Página 373.

A Casa de Hades é o penúltimo livro da série Os Heróis do Olimpo e fazendo jus ao papel que carrega, ele traz toda a carga dramática inerente a uma aventura que está cada vez mais difícil e na qual os níveis de esperança estão cada vez mais baixos. Após os eventos derradeiros do livro anterior, não dava para esperar outra coisa. Os semideuses já sabiam que chegar às Portas da Morte seria uma tarefa hercúlea, mas não contava que a jornada para dois deles fosse ser mais árdua e um tanto quanto impossível, afinal, atravessar o Tártaro e atingir as Portas da Morte pelo outro lado é uma tarefa que extrai até a última gota de esperança de Annabeth e Percy. É desesperador, sombrio e doloroso. Mas, aqui do outro lado as coisas não estão muito melhores. Os ânimos dos outros semideuses estão abalados pela separação dos dois amigos, as forças de Gaia transformam-se em empecilhos cada vez mais maiores, e todos, sem exceção, são obrigados a enfrentar seus monstros no armário e provarem-se como merecedores dessa missão, não para os outros, mas para si mesmos. Continuar lendo

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