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Um Autor de Quinta #101

Coluna inspirada no Uma Estante de Quinta da Mi Muller do Bibliophile.

 Nossa coluna do Um Autor de Quinta já estava praticamente soterrada nas camadas de poeira, o que não é legal porque é sempre bom poder falar mais sobre um autor/autora, apresentar seu trabalho, trocar informações com outros leitores quiçá fãs e descobrir trabalhos vindouros e/ou produções associadas à sua obra. Então, vou assumir o compromisso de não deixar a coluna agonizar e trazer ao menos um post por mês. E, nada melhor do que começar com uma autora/quadrinista que mal conheci mas que já admiro pacas desde que caí de amores pela graphic novel Nimona. É sério, se você ainda não leu não perca mais tempo. E já aviso que este post explodirá em imagens (não poderia ser de outra forma).

Noelle Stevenson

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Foto de Jody Culkin.

Noelle Stevenson nasceu em 31 de dezembro de 1991 em Columbia na Carolina do Sul, EUA. Ela se graduou no Maryland Institute College of Art e atualmente mora em Los Angeles. Continuar lendo

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Lugar Nenhum (Neil Gaiman)

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Lugar Nenhum foi uma história que começou na TV. Inicialmente foi uma série de televisão da BBC que foi ao ar em 1996. Mas, o formato muitas vezes podava ou não fazia jus às ideias pensadas por seu criador, transpor a série para o mundo das palavras foi a válvula de escape encontrada por Gaiman. Desde então, o romance que é considerado um dos expoentes da fantasia urbana tem angariado cada vez mais fãs. Esta nova edição, publicada pela Editora Intrínseca, é a que Gaiman considera a sua favorita. Foi elaborada a partir da combinação das edições originais inglesa e americana e de uma nova revisão. Não sei o quão diferente ela está de suas edições predecessoras, a tarefa exigiria um cotejo minucioso entre diferentes edições. Mas, o próprio Gaiman fala que esta seria a sua versão definitiva, o que já é uma baita recomendação para os fãs de carteirinha atualizarem suas coleções. O fato das capas dessas edições preferidas (aka Os Filhos de Anansi, Lugar Nenhum e Deuses Americanos) seguirem um padrão (muito bonito por sinal) é um incentivo mais do que válido para qualquer bookaholic.

Lugar Nenhum surgiu da vontade de Gaiman em criar uma história fantástica e que ao mesmo tempo lhe permitisse colocar em foco as pessoas que vivem à margem da sociedade. Os quais na maior parte das vezes nos são invisíveis. Para isso ele nos convida a conhecer sua Londres, não a de cima, mas a que vive nas entranhas desta. Um espelho da de cima, mas com suas próprias peculiaridades, pessoas reais e lendas encarnadas. Uma que assim como a outra também é conectada por sua emblemática rede de metrô. Ela que é quase um ser onipresente e onisciente na história criada por Gaiman. Continuar lendo

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Buracos Negros (Stephen Hawking)

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“Talvez seus colegas nesse campo terrivelmente complexo receiem que seus trabalhos nunca cheguem à compreensão geral. Contudo a marca registrada de Hawking é sua luta para alcançar um público mais amplo. ” (David Shukman, Página 11)

Buracos Negros é um livro pequenininho (são apenas 64 páginas), no qual Stephen Hawking discorre de forma clara e concisa, os conceitos, descobertas e teorias envolvendo os buracos negros, essas “entidades cósmicas” que há muito tempo são objetos de suas pesquisas. De fato, o livro é composto pela transcrição das duas palestras que Hawking deu em 2016 para a série de palestras da BBC Reith Lectures: Buracos Negros não têm cabelo? (Do Black Holes have no hair?) e Buracos Negros não são tão negros quanto se diz (Black Holes ain’t as black as they are painted). Continuar lendo

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O Martelo de Thor (Rick Riordan)

Atenção, esta resenha trata sobre os acontecimentos do segundo livro da trilogia Magnus Chase e os Deuses de Asgard. Por isso, pode conter spoilers, revelando parte do conteúdo do livro anterior. Para saber o que eu achei do primeiro livro, confira os links no final desta resenha.

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“Desde que eu renasci, me acostumei a muitas coisas esquisitas. Viajei pelos nove mundos e conheci deuses nórdicos, elfos, anões e um bando de monstros com nomes impronunciáveis. Encontrei uma espada mágica, atualmente pendurada no meu pescoço na forma de um pingente de runa. E até tive uma conversa muito louca com minha prima Annabeth sobre os deuses gregos, que habitavam Nova York e dificultavam a vida dela. Aparentemente, os Estados Unidos estavam infestados de deuses antigos. Era uma verdadeira praga. ” (Página 14)

Acho que já posso admitir que perdi a imparcialidade para falar dos livros do Rick Riordan, pelo menos das suas obras dedicadas ao público jovem. Nem eu mesma imaginava que acabaria sendo sugada para suas narrativas e que iria gostar tanto dessa história de moradias dos desuses estarem espalhadas pelo Estado Unidos. Isso foi justamente o que me fez torcer o nariz para Percy Jackson e o Ladrão de Raios! Mas, aos poucos os personagens foram me cativando e Riordan demonstrando que essa história de dar uma repaginada nos seres mitológicos tinha muito potencial. Começamos com um Acampamento em Long Island (Nova York), fizemos uma parada ocasional em uma Casa no Brooklyn (NY), nos enveredamos por outro Acampamento nas Oakland Hills (São Francisco) e agora somos hóspedes do Hotel Valhala em Boston. E assim como Magnus, já percebemos que ter divindades mesoamericanas ou (insira sua mitologia favorita aqui) zanzando pelos Estados Unidos não seria de todo surpreendente e é algo que Riordan pode nos presentear daqui a pouco. E bem que ele podia mesmo. Continuar lendo

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Biblioteca de Almas (Ransom Riggs)

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“Apenas uma história. Mas nunca era apenas uma história. Isso tinha se tornado uma das verdades definidoras da minha vida, pois por mais que eu tentasse manter as histórias aplanadas, bidimensionais, presas em papel e tinta, sempre havia aquelas que se recusavam a ficar restritas ao interior dos livros. Eu sabia: uma história tinha engolido toda a minha vida. ” (Página 330)

Em Biblioteca de Almas, enquanto todos os outros acabaram capturados, apenas Emma, Jacob, Addison e Sergei escaparam dos acólitos, e, ainda que o tempo presente possa ser um forte atrativo à Jacob, eles precisam se enveredar por outra fenda, o Recanto do Demônio, uma espécie de purgatório dos peculiares e local onde fica o quartel-general dos acólitos, para onde eles estão levando todas as suas vítimas. No Recanto do Demônio os garotos terão mostras do quão decantes a vida dos peculiares podem se tornar, Jacob descobrirá mais sobre a sua origem e seus poderes, os eventos envolvendo a catástrofe que deu origem aos etéreos finalmente serão revelados, e uma lenda, uma invenção engenhosa e os verdadeiros planos de Caul virão à tona. Continuar lendo

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Nimona (Noelle Stevenson)

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Noelle Stevenson entrou no meu radar com a obra Lumberjanes, uma série em quadrinhos que acompanha as aventuras de cinco amigas que vão passar o verão num acampamento de escoteiros. Uma série criada por mulheres (além de Noelle, Grace Ellis, Shannon Watters e Brooke Allen também respondem pela autoria) e protagonizadas por personagens femininas, da qual só ouvi elogios de quem já conferiu e que acaba de chegar ao Brasil pela Devir. Lumberjanes chamou minha atenção para a ilustradora, e Nimona me deu a certeza de que quero continuar acompanhando seus trabalhos.

Nimona surgiu como uma webcomic, a Noelle publicava uma página por semana no seu Tumblr. E fez tanto sucesso, que a HarperCollins comprou os direitos de publicação antes mesmo da série ser finalizada. A hq foi publicada, com algumas modificações, em 2015.

A trama mistura elementos de cavalaria, magia e ciência, e conta com uma protagonista que encarna a anti-heroína, com ideias ferrenhas e um tanto exacerbadas e um visual que foge de todos os estereótipos. Nimona cativa por quem ela é, mesmo com sua sede pelo mau feito e pelos ânimos um pouco exaltados, mas, principalmente pelo seu humor, sua característica peculiar de se metamorfosear e sua independência. Continuar lendo

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Cidade dos Etéreos (Ransom Riggs)

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No segundo volume da série O Lar da Srta. Peregrine reencontramos as crianças exatamente onde Riggs as deixou: tendo de abandonar a fenda temporal de Cairnholm e a casa que durante muito tempo chamaram de lar. Jacob escolhera ficar e ajudá-los a curar a Srta. Peregrine presa indefinidamente na forma de ave.

“Éramos dez crianças e uma ave em três pequenos barcos instáveis, remando em silêncio, com vontade, para alto-mar, deixando para trás rapidamente a única baía segura em quilômetros, que se exibia rochosa e mágica à luz azul-dourada do amanhecer.

(…)

… o mundo que eu escolhera, tudo o que eu tinha nele, nossas preciosas vidas peculiares, tudo contido em três lascas de madeira à deriva sobre o olho vasto e sempre aberto do mar. ” (Página 17)

 

A linguagem gráfica, tão característica da série, continua efetiva e Riggs insere também elementos da cultura peculiar por meio do livro fábulas “Contos Peculiares” (já publicado pela Intrínseca) que também têm sua importância para o desenvolvimento da história.

E, se no primeiro livro a descoberta coube inteiramente à Jacob, neste volume a aventura é de todas as crianças. Partir de Cairnholm e ir em busca de outra ymbryne que possa ajudar a Srta. Peregrine, as lança em uma jornada pelas fendas temporais, desbravando novos tempos (na verdade, velhos tempos), esbarrando com outros peculiares, descobrindo novos poderes e enfrentando situações de vida e morte. Continuar lendo

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Pax (Sara Pennypacker)

pax

Sou daquelas que acreditam que para a leitura não há idade e não há espaço para o preconceito (ao menos a gente tenta né). Da mesma forma que um pré-adolescente pode resolver encarar um “livro cabeça” e ter sim uma leitura prazerosa, um adulto pode se encantar por um livro destinado ao público infantil e dele tirar lições para a vida. Com Pax, Sara Pennypacker reforçou esse sentimento trazendo a bela história de amizade de um garoto e sua raposa. Uma história para encantar as crianças e fazer palpitar até os corações adultos mais peludos.

Peter e Pax são inseparáveis. Peter encontrou Pax, a raposa, quando este tinha poucos dias de vida. Desde então ele cuidou de Pax, e Pax cuidou dele, até chegar a guerra… O pai de Peter irá para o exército e o garoto terá de ir morar com o avô, e Pax não poderá ir junto. A raposa que nunca viveu no ambiente selvagem é abandonada, mas logo Peter se arrepende, se rebela e parte em busca do amigo. Continuar lendo

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Destinos e Fúrias (Lauren Groff)

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Terminei de ler Destinos e Fúrias há um tempinho já, mas para escrever esta resenha, precisei ruminar um pouco essa história. A trama de Groff me deixou com sentimentos ambíguos. Foi um livro com o qual a leitura não fluiu totalmente, várias vezes interrompi a leitura porque os personagens não conseguiam me prender. Lotto e Mathilde não são personagens fáceis de ‘engolir’, eles não te cativam logo de cara e, durante muito tempo você até mesmo não gosta deles, o que te faz pensar muitas vezes sobre qual foi o objetivo de Groff ao escrever uma história sobre personagens tão, na falta de melhor palavra para descrevê-los, antipáticos. Mas aí Groff faz sua mágica e você nem mesmo percebe. De repente você passa a enxergar a aura dourada de Lotto que sempre lhe angariou admiradores fiéis, e Mathilde revela toda a sua complexidade, sua força interior. Os defeitos de ambos continuam ali, e no fim das contas, são eles que os tornam mais humanos e acessíveis. E é assim que o livro com o qual comecei a leitura com a impressão de que não iria gostar, de que o auê em torno dele era injustificável e que não havia nada de mais na história de Groff, me pegou de jeito. O casal pode não ser tão extraordinário assim, mas Groff tornou o nosso papel de observadores desse casamento fascinante.

“- Minha esposa – disse. – Minha.

(…)

– Pare – pediu ela. Perdera o sorriso, tão tímido e constante que deixara o marido espantado de vê-la de perto sem um. – Ninguém é de ninguém. Fizemos algo grandioso. É novidade.

(…)

– Você tem razão – disse ele; pensando “Não”, pensando em quão profundamente pertenciam um ao outro. Sem dúvida.

Entre a pele dele e a dela havia o menor dos espaços, mal cabia ar, mal cabia a camada de suor que começava a esfriar. Mesmo assim, uma terceira pessoa, o casamento dos dois, se insinuara ali. ”

(Páginas 10 e 11)

Lotto e Mathilde se casaram aos 22 anos, loucamente apaixonados. É o pontapé inicial da narrativa de Groff que nos convida então a desvendar as facetas dessa união por intermédio de seus dois lados. Assim, Destinos e Fúrias torna-se dois livros. Destinos, narrado sob o ponto de vista de Lotto, traz sua história desde antes do seu nascimento: o envolvimento dos pais, o relacionamento com os amigos desaprovado pela mãe, o envio para o internato em outro estado, a solidão, a descoberta do teatro, seu despertar como don juan, o casamento com Mathilde… Continuar lendo

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O Oráculo Oculto (Rick Riordan)

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Riordan desta vez foi bonzinho e não nos deixou muito tempo longe dos personagens que aprendemos tanto a gostar. Após a conclusão da série Os Heróis do Olimpo e seu enveredamento pelo mundo dos deuses nórdicos, era de se esperar que Riordan fosse dar uma pausa nos mundos grego e romano. A participação de Annabeth na história do primo Magnus Chase vinha como um alento para mantermos contato, ainda que indiretamente, com os semideuses já tão conhecidos. Mas, pelo visto Riordan não conseguiu ficar muito tempo afastado do Olimpo e de Long Island e o término da batalha contra Gaia forneceu a desculpa que faltava para ele começar uma nova história, desta vez com um toque divino a mais, na verdade, a menos, bem menos…

 “ Inspecionei meu novo corpo. Eu aparentava ser um adolescente caucasiano do sexo masculino, usando tênis, calça jeans e uma camisa polo verde. Muito sem graça. Eu me sentia enjoado, fraco e tão, tão humano.

       Nunca vou entender como vocês, mortais, toleram isso. Vocês passam a vida toda presos em um saco de carne, incapazes de apreciar os prazeres mais simples, como se transformar em um beija-flor ou se dissolver em pura luz.

 E agora, que os céus me ajudem, eu era um de vocês, apenas mais um saco de carne no universo.” (Página 11)

Zeus culpou Apolo pela batalha entre os deuses e Gaia e como punição o expulsou do Olimpo. O deus do sol foi parar na Terra, agora sob a forma de garoto (mortal) de 16 anos. Não é a primeira vez que Apolo passa por tal provação e se tem uma coisa que suas experiências anteriores lhe ensinaram, era que ele estaria destinado a servir um semideus e que ainda sofreria muito até cair nas graças de seu pai novamente. Ele só não contava ficar a serviço de Meg McCaffrey, uma semideusa sem-teto e maltrapilha que se defende com frutas; que o seu mais famoso oráculo (o Oráculo de Delfos) ainda não estivesse funcionando e que caberia a ele (e não a um grupo de semideuses, por mais famosos e competentes que sejam) reavê-lo; e que como apenas mais um saco de carne no universo, entraria na mira de um de seus adversários mais antigos (e ele não está sozinho). Continuar lendo

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