Arquivo da tag: Editora Intrínseca

Colecionando Textos #8

 

 

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Mulheres Sem Nome (Martha Hall Kelly)

Mulheres sem nome surgiu da vontade de Martha Hall Kelly contar a história de Caroline Ferriday e seus feitos históricos. A história de uma filha da nata da sociedade nova-iorquina, ex-debutante, ex-atriz da Broadway e fortemente envolvida nas causas humanitárias, primeiramente com auxílios aos franceses e depois com as mulheres polonesas libertas do campo de Ravensbrück no pós-guerra além é claro de todo o trabalho político no qual acabou envolvida para garantir que as pessoas que cometeram atos terríveis durante a Segunda Guerra Mundial fossem punidas. Para contar essa história, ela concede a narrativa a três mulheres: Caroline e Herta, que realmente existiram, e Kasia, sua criação fictícia livremente baseada em algumas prisioneiras de Ravensbrück. Três mulheres, três narrativas, três caminhos díspares que os acontecimentos históricos fizeram coalescer. Hall Kelly retrata quase duas décadas (do pré ao pós-guerra) de histórias cotidianas, interesses amorosos, perdas e pequenas lutas diárias; e nos dá um baita exercício de empatia e uma ode às mulheres que estabeleceram uma rede de auxílio à outras mulheres nesses tempos tão sombrios. Continuar lendo

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Colecionando Textos #7

 

 

 

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Mindhunter (John Douglas & Mark Olshaker)

“(…) desde Thomas Harris e O Silêncio dos Inocentes, escritores, jornalistas e cineastas vivem nos procurando para descobrir a ‘história real’ por trás dos casos.

Entretanto, logo notei, ao relatar os detalhes de alguns de meus casos mais interessantes e perturbadores, que muitas pessoas da plateia estavam se distraindo e deixando de prestar atenção. Elas estavam ficando realmente enojadas ao ouvir as coisas que eu e minha equipe víamos todos os dias. Percebi que não se interessavam pelos detalhes, e devem ter percebido também que não queriam escrever sobre isso da maneira como era de verdade. Não vejo problema nisso. Cada um de nós tem a própria clientela. ”(Página 373)

Como membro da clientela dos que escrevem sobre isso não da maneira como é de verdade (leia-se livros, séries e filmes policiais), fiquei curiosa a respeito do livro de John Douglas e do Mark Olshaker quando fiquei sabendo que teria uma série da Netflix inspirada nele. Para quem sempre teve interesse em saber mais sobre os casos retratados (ou que serviram de inspiração), sobre como funciona o processo investigativo, como se dá a ‘leitura’ do potencial assassino e toda a burocracia que atravanca o serviço de investigação e obtenção de provas, Mindhunter é uma leitura obrigatória e repleta de informações. E, mesmo que tenha sido publicado em 1995 e muita coisa desde então tenha mudado e aprimorado (ao menos esperamos), os primórdios da utilização da ciência comportamental nas investigações criminais estão devidamente bem representados.

John Douglas foi o fundador e chefe da Unidade de Apoio Investigativo do FBI, criada em 1980. O nome um tanto quanto genérico era proposital, naqueles anos ninguém levava a sério as ciências comportamentais, não como ferramenta para a solução de crimes. É justamente como venceu essas barreiras e como o estudo baseado nas entrevistas com assassinos em série presos (primeiro informalmente e depois de forma sistematizada com a inclusão da dra. Ann Burgess – especialista em doenças mentais – ao grupo) permitiu o reconhecimento de padrões nos criminosos que Douglas discorre neste livro. A narrativa lembra muito um romance biográfico, com Douglas inclusive trazendo fatos de sua infância e anos pré-FBI e do FBI nos tempos de Hoover. Assim como uma biografia, a narrativa assume um tom de memórias, na medida do possível temporalmente linear, ainda que comumente um caso tratado mais a frente em maiores detalhes tenha sido brevemente citado antes. Estruturar o livro como um romance biográfico foi uma ótima escolha, pois tornou a leitura mais fluída e menos parecida com um manual sobre como decifrar a mente de assassino, ainda que em algumas partes o livro ganhe um tom professoral muito semelhante ao de livros textos. Depois de tantos cursos e palestras ministrados por Douglas, isso até que é compreensível. Continuar lendo

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O Navio dos Mortos (Rick Riordan)

Atenção, esta resenha trata sobre os acontecimentos do último livro da trilogia Magnus Chase e os Deuses de Asgard. Por isso, pode conter spoilers, revelando parte do conteúdo dos livros anteriores. Para saber o que eu achei dos outros livros, confira os links no final desta resenha.

 

Com O Navio dos Mortos, as aventuras de Magnus e seus amigos chegam ao fim, pelo menos enquanto protagonistas de suas próprias histórias. Enveredar pela mitologia nórdica com o tio Rick foi uma experiência bastante divertida. O Hotel Valhala e suas peculiaridades, todos os melindres e as loucuras dos deuses e gigantes e a grande diversidade de personagens que Riordan colocou nas páginas dessa história, tornaram a trilogia Magnus Chase e os Deuses de Asgard uma leitura bastante atrativa. Mas, o principal mérito de Riordan é não subestimar seus leitores. Apesar de muitos torcerem o nariz para a forma como ele trabalha a mitologia em suas histórias, não se pode falar que ele deixa de fornecer maiores detalhes da mitologia só porque sua obra é direcionada ao público juvenil. E olha que a mitologia nórdica é cheia de peculiaridades, principalmente relacionadas à Loki, mas ó, você não irá ver Riordan modificar parentescos ou formas, ele sabe que a informação bem trabalhada é bem melhor que a suprimida ou modificada. É assim, que ao longo dos livros lemos sobre Loki e suas constantes mudanças de formas e gêneros que lhe renderam filhos bastante singulares; conhecemos o esperto anão Andvari e os detalhes da criação do sábio Kvásir; e, formos surpreendidos pela variedade de relacionamentos entre deuses e gigantes. Tudo isso em meio a muita referência pop e o tom humorado e um tanto quanto sarcástico que se tornou a marca de Magnus. Continuar lendo

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Tartarugas até lá embaixo (John Green)

Eu preciso começar esta resenha enfatizando como é difícil escolher uma só citação em um livro do John Green. Mesmo nos livros de que menos gostei (O Teorema Katherine e Cidades de Papel) tenho várias passagens favoritas. Mas, em Tartarugas até lá embaixo ele realmente se superou. Suas construções de frases estão ainda mais refinadas, as relações transtextuais ainda mais presentes e alguns de seus personagens realmente calaram fundo. Aza, a protagonista, é daquelas personagens que dá vontade de colocar no potinho e proteger, e ao mesmo tempo, alguns de seus pensamentos/sentimentos representam um espelho um tanto quanto incômodo de se olhar.

“- Quero ler para você algo que a Virginia Woolf escreveu: “(…) Uma simples colegial, quando se apaixona, tem Shakespeare ou Keats para expressar o sentimento em seu lugar, mas deixem um sofredor tentar descrever uma dor de cabeça a um médico e a língua logo se torna árida.” O ser humano é tão dependente da linguagem que, até certo ponto, não conseguimos entender o que não podemos nomear. Por isso presumimos que as coisas sem nome não são reais. Usamos termos genéricos, como maluco ou dor crônica, termos que ao mesmo tempo marginalizam e minimizam. Dor crônica não exprime a dor inescapável, persistente, constante, opressiva. E o termo maluco chega até nós sem um pingo do terror e da preocupação que dominam você. E nenhum dos dois transmite a coragem das pessoas que enfrentam esse tipo de dor, e é por isso que eu encorajaria você a enquadrar sua condição mental numa palavra que não maluca.” (Páginas 88  e 89)

Tartarugas até lá embaixo começa com um mistério. O desaparecimento do bilionário Russell Pickett, foragido da polícia, que deixou para trás os dois filhos e desde a fuga não fez nenhum contato. Muitas pessoas querem achar Russell e até mesmo uma recompensa de 100 mil dólares foi estipulada. Aza Holmes, estudante do ensino médio, tem seus próprios problemas para lidar e ela realmente não quer dar uma de Sherlock nessa história, mas sua melhor amiga, Daisy Ramirez, quer muito essa grana e com o empurrão necessário acaba envolvendo Aza nessa busca. É assim que Aza acaba reencontrando Davis, seu amigo de infância e filho do bilionário. Continuar lendo

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Um Autor de Quinta #103

Coluna inspirada no Uma Estante de Quinta da Mi Muller do Bibliophile.

Anthony Doerr

O americano Anthony Doerr nasceu em Cleveland, Ohio em 27 de outubro de 1973. Doerr publicou seu primeiro livro The Shell Collector, uma coletânea de contos, em 2002. Em 2004 ele publicou seu primeiro romance (About Grace), logo seguido por Quatro Estações em Roma (Four Seasons in Rome) em 2007 e Memory Wall em 2010. Muitos de seus livros têm por característica ressoarem os lugares nos quais Doerr já morou ou visitou. E assim, temos histórias que se passam na África, na Nova Zelândia e na França e um livro de memórias da épica que morou em Roma.

Todos esses livros lhe renderam vários prêmios literários, mas não há dúvidas de que o reconhecimento do público só chegou com o lançamento de Toda luz que não podemos ver (All the Light We Cannot See) em 2014. O romance lhe rendeu o Prêmio Pulitzer de ficção em 2015, entrou para a lista de mais vendidos se tornando um grande sucesso editorial e já foi publicado em mais de quarenta idiomas. Para escrever seu romance de mais sucesso, a tarefa não foi fácil, Doerr levou dez anos para terminá-lo e teve de viajar às várias locações na França e na Alemanha nas quais a história é ambientada, além de lhe ter exigido um bom trabalho de historiador ao estudar antigos documentos da época da Segunda Guerra Mundial. Historiador por formação e mestre em ficção, Doerr se mostrou apto para a tarefa e entregou um livro bastante emblemático e poético, um retrato triste e trágico do período, mas belo pela resiliência dos que não mediram esforços para sobreviver a ele. Continuar lendo

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Leia Mulheres: Aventura

 

As autoras indicadas hoje poderiam também estar presentes naquela lista de escritoras de fantasia, seja por terem criados novos mundos ou feito a fantasia encontrar a realidade. Mas, estas autoras também criaram histórias nas quais seus personagens são colocados em situações perigosas, são convidados a desbravar novos lugares, encontrarem sua coragem interior e lutarem para superarem os percalços, derrotarem um vilão, ou simplesmente superarem o medo. Os livros de aventura, como são conhecidos, são bem difundidos na literatura para crianças e jovens e dentre as autoras aqui citadas há aquelas já bem conhecidas por esse público e outras que são mais conhecidas por seus livros direcionados ao público adulto, mas que também tem ótimos livros de aventura direcionados ao público mais jovem. Continuar lendo

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Matéria Escura (Blake Crouch)

Com a experiência de quem está acostumado a entregar roteiros frenéticos, Blake Crouch nos entrega em Matéria Escura uma mistura de ficção científica e thriller psicológico de tirar o fôlego. Não surpreende a Sony ter comprado os direitos de adaptação (para filme ou série) lá em 2014 quando Crouch tinha apenas cerca de 150 páginas de sua história escritas. Este é daqueles livros que irá agradar os fãs mais vorazes de ficção científica, afinal tem temas tão teóricos e abstratos como multiverso, mecânica quântica e neurociência, mas também garante adeptos entre os fãs de um bom thriller e romances investigativos. E isso é garantido pelo fato dele não banalizar a parte científica da trama, tornando-a superficial demais, mas também não aprofundando demais, o que poderia tornar a leitura hermética para os leitores que pouco se enveredam pelo gênero. Aliás, Matéria Escura pode ser uma boa escolha para quem quer começar a se aventurar por esse gênero literário.

Começamos essa história conhecendo Jason Dessen, um professor universitário que poderia ter sido um cientista brilhante se a vida não tivesse lhe exigido uma escolha na qual ele precisou abdicar de um lado importante de sua vida; o mesmo vale para sua esposa Daniela, uma artista plástica com grande potencial e que agora é professora de artes no ensino fundamental. O fato de um amigo de Jason ter ganhado um importante prêmio por causa de um trabalho no campo da neurociência, acaba fazendo Jason colocar sua vida em perspectiva e duvidar de suas escolhas por um breve momento. O que poderia ter ficado por isso mesmo, se Jason não tivesse sido sequestrado, dopado e lançado em uma vida que ressoa à sua a não ser pelo fato de que: ele não é casado com Daniela, seu filho Charlie nunca nasceu e ele é um importante cientista no campo da física quântica. Qual vida de Jason é real? Ele tem certeza de que aquela em que ele é um pai de família e professor universitário, mas os fatos mostram que nesse lugar onde está também havia um Jason. Continuar lendo

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Até que a Culpa nos Separe (Liane Moriarty)

Tudo começa com uma menção a um episódio traumático. Com quem? Não é muito difícil supor acertadamente. Como? É o que Moriarty nos convida a descobrir. Suas implicações? Permeiam toda a narrativa. A forma de contar essa história não é muito diferente da adotada pela autora em seus outros livros, muito pelo contrário, o vislumbre da tragédia, o retorno no tempo, o vai vem frequente na linha temporal da trama e a forma como ela nos apresenta seus personagens, que vejam só, são cheios de defeitos e não criados propositadamente para encantar o leitor, são estratégias bem recorrentes em seus outros livros. Pode-se dizer que essa é a fórmula Moriarty para escrever livros. É mais do mesmo? De jeito nenhum! O foco das histórias de Moriarty está na vida cotidiana de seus personagens, nas relações familiares, na dinâmica do relacionamento entre amigos, nos mal-entendidos, nas pequenas rusgas diárias, nas manias e nos segredos que cada um guarda para si. Transformar o ordinário em extraordinário, com uma boa pitada de drama, de romance e de suspense, é o que torna cada uma das histórias de Moriarty únicas.

“Erika notou um terror bruto e uma urgência aguda naquela única palavra: Clementine!

Sabia que ela era a amiga que gritara o nome de Clementine naquela noite, mas não tinha qualquer recordação disso. Não havia nada além de um branco onde deveria estar aquela memória, e se ela não conseguia se lembrar de um momento como aquele, bem, isso significava que havia um problema, uma anomalia, uma discrepância; uma discrepância extremamente significativa e preocupante. ” (Página 133)

Em Até que a culpa nos separe tudo começa com um churrasco. Era para ter sido inofensivo, apenas uma comemoração, mas terminou em tragédia. Meses depois os envolvidos ainda lidam com a culpa e com as implicações de tudo o que ocorreu aquele dia, bem, de boa parte dele já que ainda há minúcias que permanecem obscuras mesmo para alguns dos envolvidos. Para recontar o que aconteceu, Moriarty divide a tarefa entre todos os presentes. São muitas e muitas versões entrecortadas e Moriarty é exímia em nos manter em suspenso, no limite entre a curiosidade e a compulsão por desvelar os segredos alheios. Continuar lendo

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