Arquivo da tag: literatura norte-americana

Logo, Logo (Kelly Weinersmith & Zach Weinersmith)

Em Logo, Logo a bióloga Kelly Weinersmith e o cartunista Zach Weinersmith exploram dez campos tecnológicos em desenvolvimento. Sim, isso mesmo, é um livro de divulgação científica. Nele os autores fornecem em cada capítulo um panorama sobre a tecnologia que está sendo apresentada, em que ponto ela está no momento, quais são os pontos em que precisa melhorar e como seu desenvolvimento mudará nossas vidas (para o bem e para o mal). Também há espaço para notas históricas e políticas sobre figuras que tiveram sua importância no tema que está sendo discutido, e algumas dessas notas são bastante peculiares.

O livro está dividido em três seções que exploram tecnologias que vão do macro ao micro. Na primeira seção está em foco o universo e Kelly e Zach além de esmiuçarem as diferentes proposições teóricas para baratear o lançamento de foguetes, vão além e também discorrem sobre a mineração em asteroides visando a obtenção de matéria prima para a colonização humana do espaço. Pode parecer ficção científica, e realmente muita coisa ainda é, mas há também muita ciência básica e muita tecnologia envolvida, e as projeções são empolgantes. Continuar lendo

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O Canto do Dodô (David Quammen)

“O que ele quis dizer é que um ecossistema – sob certas condições especificáveis – perde diversidade do mesmo modo que uma massa de urânio verte elétrons. Como um gotejamento incessante, extinções ocorrem, constantemente, sem nenhuma causa evidente. Espécies desaparecem. Categorias inteiras de plantas e animais deixam de existir. Quais são as condições especificáveis? Pretendo descrevê-las ao longo deste livro, e também investir contra a ilusão de que os ecossistemas decaem sem causa. ” (Página 12)

Lembro que fiquei com vontade de ler o livro do David Quammen assim que a Companhia das Letras anunciou sua publicação no Brasil (isso lá em 2008), simplesmente por causa do título (tá, também por ser um livro de divulgação científica da área da biologia). Mas ei, qualquer biólogo com um interesse maior em evolução tem um certo fascínio por espécies emblemáticas da história da Terra. As tartarugas e os tentilhões de Darwin, a rã-dourada-do-panamá, os araus-gigantes, o tilacino ou o dodô. Uma agigantada espécie de ave da família dos pombos que vivia em Maurício, aliás endêmica da ilha. Uma espécie que prosperou por um longo tempo, até que a caça perpetrada por nossa espécie a dizimou em menos de um século. Continuar lendo

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A Princesa Prometida (William Goldman)

A Princesa Prometida, de William Goldman, foi publicado em 1973. Em 1987 ganhou um filme (com roteiro do próprio Goldman) que fez da obra um grande sucesso e com grande influência na cultura pop, sendo comum as referências à história de Buttercup e Westley. Apesar disso tudo, tenho de confessar que não conhecia a história de Goldman, nem nas páginas, nem nas telas. E, se não fosse por esse relançamento da Intrínseca, talvez nunca conhecesse essa história que mistura elementos de comédia, aventura, fantasia, romances de capa e espada, histórias de amor e contos de fada. Com tantos elementos diferentes, a história bem poderia ter se tornado uma salada russa, mas Goldman conseguiu colocar ordem na balbúrdia e entregou uma trama fluida, divertida, emocionante e com alguns personagens bastante cativantes (outros você só irá odiar mesmo). Continuar lendo

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Um Banquete Para Hitler (V. S. Alexander)

“Eu, Magda Ritter, fui uma das quinze mulheres que provavam a comida de Hitler. Ele se preocupava obsessivamente com o risco de ser envenenado pelos Aliados ou por traidores.

Depois da guerra, ninguém, exceto meu marido, soube o que fiz. Não falei sobre isso. Não conseguia falar sobre isso. Mas os segredos que eu guardei tantos anos precisam ser libertados de sua prisão interior. Não tenho mais muito tempo de vida. ” (Prólogo, Página 7)

Durante a Segunda Guerra Mundial, Hitler manteve a seus serviços mulheres que atuavam como provadoras. O líder do Nacional-Socialismo se preocupava excessivamente que pudesse ser envenenado e essas mulheres eram usadas como barreiras de proteção. Magda Ritter foi uma dessas mulheres e é sua história que acompanhamos em Um banquete para Hitler. Seu trabalho que a colocou em proximidade com o Führer e, que apesar dos riscos, lhe garantiram uma vida confortável em tempos de guerra; o abrir dos olhos para todo sofrimento impingido pelo regime ao povo; a dor das perdas e a revolta que norteou suas ações derradeiras. Continuar lendo

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Pequenos Incêndios Por Toda Parte (Celeste Ng)

Celeste Ng, em Pequenos incêndios por toda parte, mostrou-se exímia em fazer histórias de pessoas comuns renderem intricadas tramas e narrativas cativantes. Em colocar em discussão assuntos tabu e questões de representatividade com muita naturalidade, desprovida de julgamentos e sem ser determinística entre o certo e o errado. Em mostrar como as escolhas, os mal-entendidos, a falta de comunicação e os atos de desespero espalham pequenos incêndios por aí. Uma casa incendiada na cidade modelo de Shaker Heights (onde tudo tem seu lugar) marca o início dessa trama na qual as pequenas amostras do presente, passado e futuro nos mantém fisgados à espera do porvir. Continuar lendo

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Um Autor de Quinta #106

Coluna inspirada no Uma Estante de Quinta da Mi Muller do Bibliophile.

 

Josh Malerman

Foto: Doug Coombe (fonte)

 

Desde que li Caixa de Pássaros, fui surpreendida pela forma como Josh Malerman trabalha o medo do impalpável. Mais do que histórias de terror, suas histórias exploram a psique humana e levam a extremos os sentidos humanos. Em Caixa de Pássaros foi a visão, em Piano Vermelho a audição, só podemos ficar curiosos sobre o que Malerman irá aprontar em seus próximos livros, mas sempre poderemos esperar por futuros pós-apocalípticos, thrillers com elementos sobrenaturais e locações para lá de esquisitas. Continuar lendo

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O Labirinto de Fogo (Rick Riordan)

Atenção, esta resenha trata sobre os acontecimentos do terceiro livro da série As Provações de Apolo (The Trials of Apollo). Por isso, pode conter spoilers, revelando parte do conteúdo dos livros anteriores. Para saber o que eu achei dos demais livros, confira os links no final desta resenha.

O Labirinto de Fogo é o terceiro livro da série As Provações de Apolo, que traz as aventuras e desventuras do adolescente Lester, na verdade o deus Apolo que foi expulso do Monte Olimpo e que agora precisa partir em missões para recuperar seus oráculos das mãos de sanguinários, cruéis e sádicos ex-imperadores romanos. Como já é de praxe nos livros do Riordan, cada livro traz uma missão a ser cumprida nele, mas na série de Apolo, são vários os ajudantes e boa parte deles são velhos conhecidos nossos. Os dois primeiros livros são repletos de humor, piadinhas, poesia e uma vibe que lembra muito os primeiros livros do Riordan. Neste, o humor tão característico é mantido, mas Riordan também nos mostra que é capaz de fazer escolhas difíceis. Continuar lendo

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Endurance – Um ano no espaço (Scott Kelly)

“Havíamos acelerado de zero a 28 mil quilômetros por hora em apenas oito minutos e meio. Agora, flutuávamos no espaço. Olhei pela janela.

(…)

– Ei, o que diabos é aquilo? – perguntei (…)

– É o nascer do sol – respondeu Curt.

Um amanhecer orbital, o meu primeiro. Eu não fazia ideia de quantos outros veria. Agora já vi milhares, e a beleza deles nunca me cansa.

(..) Quando passamos sobre a Europa, vi uma linha azul e laranja pela janela que se estendia no horizonte à medida que aumentava. Para mim, parecia tinta colorida brilhante em um espelho, bem diante dos meus olhos, e eu soube imediatamente que a Terra seria a coisa mais linda que eu veria. ” (Páginas 230-231)

Ver a Terra do espaço já deve ter sido o sonho de uma a cada três crianças (na verdade essa proporção é inventada porque na realidade não faço a mínima ideia da quantidade de crianças que sonharam/sonham em ser testemunhas, mas imagino que seja um grande número). E para muitas (e eu me incluo nessa) o sonho pode até ter sido substituído, mas o interesse pelo espaço, a torcida pelas viagens tripuladas (e pelos lançamentos de sondas espaciais) e a curiosidade por tudo que cerca a carreira de um astronauta continua. Por isso, Endurance, o livro escrito por Scott Kelly, um astronauta que embarcou na missão de passar um ano na Estação Espacial Internacional (EEI), é cativante. O livro que é uma mistura de biografia, documentário e divulgação científica traz informações desde o processo de seleção de um futuro astronauta, seu treinamento e a designação das missões; passando pela história e funcionamento do programa espacial americano, seus sucessos, fracassos e tragédias; o início da colaboração internacional que culminou na construção da EEI e a transferência dos lançamentos tripulados para a agência espacial russa. Uma pequena informação: desde 2011, com a aposentadoria dos ônibus espaciais, astronautas não deixam a Terra a partir de lançamentos nos Estados Unidos. Agora eles são feitos a partir do Cosmódromo de Baikonur no deserto cazaque, a bordo das naves Soyuz. Continuar lendo

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Jogador n° 1 (Ernest Cline)

Este é daqueles livros que quando foi lançado foi bastante comentado, angariou uma boa quantidade de leitores, mas que não tinha me deixado com vontade de lê-lo. Mas, com o lançamento do filme (que não, ainda não conferi, mas que ainda pretendo, apesar dos comentários de insatisfação) o interesse no livro reacendeu e finalmente fiquei curiosa para saber mais sobre a história criada por Cline e o motivo dela ter conquistado um grande número de fãs.

Na Terra do futuro (nem tão futuro assim), o uso exacerbado da tecnologia acarretou uma Crise de Energia Global, que além de reduzir drasticamente a energia disponível para a população, também contribuiu para mudanças ambientais catastróficas. Plantas e animais extinguiram-se, muitas pessoas morreram e estão morrendo de fome e doenças, não há moradias suficientes e cada vez mais e mais guerras são travadas por causa dos recursos que ainda restam. Morar nessa Terra não é uma tarefa fácil, bonita ou agradável, e isso tudo criou um ambiente perfeito para o desenvolvimento do OASIS (ou Simulação Imersiva Ontologicamente Antropocêntrica), uma utopia virtual global que permite aos usuários serem o que quiserem e viverem inúmeras experiências em quaisquer um dos muitos mundos criados com inspiração nos filmes, videogames e na cultura pop dos anos 1980. Você quer ter experiências no universo de Star Wars? Pode. Star Trek? É claro. Terra Média? Claro que sim. Disc World? Também. O OASIS se transformou numa verdadeira válvula de escape e se difundiu rapidamente. As pessoas estudam, trabalham e têm relacionamentos no OASIS. Aos poucos ele foi se tornando a realidade delas. Continuar lendo

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Cartas de Amor aos Mortos (Ava Dellaira)

Depois do que aconteceu com May, sua irmã mais velha. Laurel decidiu ir para uma nova escola cursar o Ensino Médio. Ela não queria ser alvo de olhares de pena e ter de responder a perguntas. Na nova escola, porém, ela é uma solitária. Com a morte de May, a família de Laurel desmoronou: a mãe foi embora; o pai está ausente mesmo estando por perto; e sobrou para Laurel passar a maior parte do tempo com a tia, que tenta compensar a perda de May com um controle mais rígido (ainda que falho) de Laurel. Talvez Laurel continuasse a levar uma vida escolar solitária, e uma vida familiar ausente de diálogos e se contentasse apenas em nutrir sentimentos platônicos pelo misterioso Sky, seu colega de escola. Mas, uma tarefa escolar foi a catalisadora de mudanças. A tarefa era simples. Escrever uma carta para alguém que já morreu. Laurel escreve. Na verdade, a partir de então ela lota seu caderno de cartas e mais cartas, mas não as entrega à professora.

Kurt Cobain, Judy Garland, Elizabeth Bishop, Janis Joplin, River Phoenix, Amelia Earhart, Amy Winehouse, Jim Morrison, John Keats, E.E. Cummings, Heath Ledger… Na companhia deles, Laurel tenta lidar com seu primeiro ano em uma escola nova e com sua família despedaçada. Por meio das cartas, ela começa a se abrir e se permitir a cultivar amizades na nova escola. Por meio das cartas ela rememora seus momentos com May e tenta entender o que aconteceu na noite que a irmã morreu. O que Laurel fez na noite em que May se matou? O que acontecia nas noites de sexta-feira? São respostas com as quais Laurel precisa se reconciliar. Continuar lendo

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