Arquivo da tag: Tag Experiências Literárias

Colecionando Textos #19

 

 

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Arquivado em Colecionando Textos, Lendo aleatoriamente

Voragem (Junichiro Tanizaki)

Publicado em 1931, o romance de Junichiro Tanizaki acompanha a história de Sonoko Kakiuchi, uma jovem casada que se apaixona por uma colega do curso de Arte e de repente se vê envolvida em uma trama de intrigas, paixão, chantagem e suspeitas.

Sonoko nunca teve uma vida conjugal feliz, presa a um casamento mais de conveniência do que qualquer outra coisa e no qual sempre faltou amor, por parte dela e do marido. Presa nessa vida monótona, para se distrair, decidiu começar a frequentar as aulas de pintura na Escola Feminina de Artes. Ali ela conhece Mitsuko, de quem primeiro se torna amiga e com quem logo se envolve romanticamente, desesperadamente. Um relacionamento conturbado e bombástico para a época, que não demora a se transformar em um triângulo amoroso com a inclusão de Watanuki, um interesse amoroso do passado de Mitsuko. Aqui começam as dúvidas. Quem é o real interesse amoroso de Mitsuko: Sonoko ou Watanuki? Sonoko foi só a desculpa que Mitsuko encontrou para continuar se relacionando com Watanuki? Como a inclusão deste na trama, a narrativa atinge ares de drama novelesco. As disputas pelo amor de Mitsuko, as escolhas feitas no afã da loucura para garantir um espaço na vida dela, as chantagens decorrentes dessas ações impensadas e os entrames psicológicos nos quais os personagens se veem envolvidos. Continuar lendo

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Arquivado em Lendo aleatoriamente, Resenhas da Núbia, Volta ao Mundo em 198 Livros

Tempo de Migrar Para o Norte (Tayeb Salih)

Tayeb Salih nasceu em uma pequena vila na região norte do Sudão. E, apesar de ter se formado em literatura pela Universidade de Cartum, na capital do Sudão, ele deixou o país em 1952 fazendo parte da primeira geração de sudaneses educados na Grã-Bretanha. Por sempre ter se mantido nessa transição entre seu país de origem e o que o acolheu, Tayeb manteve-se conectado às suas raízes orientais, ao mesmo tempo que ao carregar também o ocidente dentro de si, talvez nunca tenha se sentido plenamente em casa quando no seu país de origem. É essa dualidade que Tayeb traz para seu romance. A de um sudanês que se vê dividido entre diferentes costumes, raízes e modos de vida.

“No dia seguinte à minha chegada, acordei na mesma cama, no mesmo quarto cujas paredes haviam sido testemunhas da trivialidade da minha vida na infância e na adolescência. Entreguei meus ouvidos ao vento: é um som deveras conhecido por mim, que, em nossa terra, tem um alegre sussurro. O vento quando sopra entre as palmeiras é diferente daquele que passa pelos trigais. Ouvi o murmúrio da rola e, da janela, olhei para a palmeira do nosso quintal e constatei que a vida continua boa. Contemplando o tronco forte, as raízes fixadas na terra e a copa de folhas verdes, senti-me tranquilo. Não tenho mais a sensação de ser uma pessoa ao vento. Sou como aquela palmeira, uma criatura que tem origem, raiz e objetivo. ” (Página 6)

É assim que o narrador de Tempo de migrar para o norte quer nos mostrar sua felicidade por estar de volta ao Sudão despois de sete anos morando na Europa a estudos. Uma felicidade que acaba não se mostrando tão plena assim e que acaba sendo demonstrada por seu interesse excessivo em Mustafa Said. Um forasteiro que chegou à sua vila natal há cinco anos e se estabeleceu por lá. Um forasteiro que o narrador não demora muito a descobrir que fala inglês fluentemente o que a partir de então, o deixa bastante determinado em desvendar todos os segredos de Mustafa. Seria Mustafa outra alma dividida entre duas culturas assim como ele? Que segredos sórdidos ele estaria escondendo? O narrador tanto o faz que consegue que Mustafa lhe transforme em fiel depositário de sua história. Uma história de superação, de partida em direção ao norte em busca de um futuro melhor, da sedução pelo desconhecido habilmente empregada por Mustafa em seus relacionamentos, dos conflitos culturais e da ruptura interior que essa experiência provocou em Mustafa, eternamente condenado a jamais se sentir em casa, quer seja no exterior ou em seu país, e as ações extremas que isso acabou suscitando nele. Continuar lendo

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Arquivado em Lendo aleatoriamente, Resenhas da Núbia, Volta ao Mundo em 198 Livros

Colecionando Textos #16

 

 

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