Arquivo da tag: Tag Experiências Literárias

Colecionando Textos #38

 

 

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Primavera Num Espelho Partido (Mario Benedetti)

Depois de me enveredar por histórias em meio a regimes ditatoriais, no Brasil e no Oriente Médio, acabei indo parar no Uruguai. O livro de fevereiro da TAG Curadoria (indicação do autor Julián Fuks) foi Primavera num espelho partido, escrito por Mario Benedetti quando se encontrava na Espanha em um exílio que já durava mais de dez anos em decorrência da repressão militar no Uruguai.

“Reorganizar-se no exílio não é, como se diz tantas vezes, começar a contar do zero, mas começar de menos quatro ou menos vinte ou menos cem. ” (Página 102)

O romance foi escrito no período após o plebiscito de novembro de 1980 que marcou o início do processo de abertura e redemocratização política do Uruguai, mas apesar do período esperançoso, Benedetti não deixa de mostrar o amargor e a solidão dos que tiveram a vida interferida pelo regime. Especialmente de Santiago e sua família. Ele que foi preso pelo regime e sua família, esposa, filha e pai que se viram obrigados a buscar asilo longe de seu país. Benedetti traz um retrato do cotidiano maculado pela ditadura. Para fazer isso, ele traz um romance polifônico, no qual a realidade de muitos exilados e presos políticos se mescla a ficção da história de Santiago. Continuar lendo

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Colecionando Textos #37

 

 

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Colecionando Textos #34

 

 

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A Velocidade da Luz (Javier Cercas)

Para ser bem sincera fiquei mais cativada pelas palavras de João Anzanello Carrascoza, responsável pela curadoria da TAG Experiências Literárias em janeiro, do que por seu indicado, o autor espanhol Javier Cercas. Não é que a narrativa de Cercas deixe a desejar, muito pelo contrário já que seu texto é bastante fluido, mas é que já é de praxe Cercas transformar seus narradores em alteregos e a imagem que isso constrói em alguns momentos não é muito legal, sobretudo o machismo inerente do autor. Que sim, talvez seja espelho da época retratada no romance e per se, apesar de incômodo, é admissível. É por isso, que relevando isso, a narrativa de Cercas é envolvente e em A Velocidade da Luz ele traz para os holofotes uma narrativa sobre a literatura, ou melhor sobre como se produz literatura. Um prato cheio para qualquer amante dos livros.

A trama abarca mais de vinte anos e tem início nos anos 1980 quando o narrador, espanhol e aspirante a autor, desembarca para uma temporada em uma pequena cidade dos Estados Unidos. Ali, ele conhece Rodney Falk, um veterano da Guerra do Vietnã, com quem trava diálogos bastante eloquentes. Continuar lendo

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Colecionando Textos #33

 

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O Coração é um Caçador Solitário (Carson McCullers)

Em dezembro do ano passado, a TAG Curadoria trouxe mais um romance escrito por uma jovem autora. Assim como Carmen Laforet em Nada, Carson McCullers publicou O coração é um caçador solitário na década de 1940 quando só tinha 23 anos. O romance foi publicado em 1944 e está ambientado no final dos anos 1930, após a Grande Depressão e anterior à Segunda Guerra Mundial, que já dava seus primeiros sinais.

Carson McCullers traz uma história representativa do gênero southern gothic que foi responsável por romper as amarras da literatura elitista norte-americana e trazer os relegados à marginalidade para o centro das tramas. São essas as vozes que ela traz para seu romance polifônico. Cinco personagens solitários. Em busca de companhia, atenção, liberdade e representação. Singer, um surdo mudo que sempre carregou uma sensação de não pertencimento, que por ter aprendido falar não se sentia inteiramente pertencente ao grupo dos surdos mudos por ter ido além, nem ao dos falantes e ouvintes por se considerar aquém, que por um momento encontrou essa sensação de liberdade junto ao amigo Antonapoulos e logo se viu privado disso, vivendo na eterna saudade da liberdade de usar suas mãos para se comunicar, de não ficar preso aos parcos diálogos usando o papel. Mick, uma garota de 12 anos sempre às voltas com os irmãos menores, que anseia por conseguir um pouco de espaço e pequenos momentos de solidão em meio a balbúrdia da hospedaria da família para se dedicar aos seus projetos pessoais. Que sonha com o futuro, almejando mudanças que lhe permitam viver a música e viver de música. Jake, um bêbado revolucionário, que decidiu permanecer nessa pequena cidade e inspirar revoluções, ainda que não encontre um solo fértil para isso. Copeland, um médico negro, de certa forma também revolucionário, que sonha com futuros melhores para os negros. Que a sua maneira tenta garantir um mínimo de dignidade aos doentes e oprimidos, mas que na maioria das vezes não consegue se fazer entender em suas ambições. E, Biff, dono do New York Café, restaurante que todos os personagens frequentam. E, talvez, por ter a oportunidade de observar a todos, é Biff que se entrega a uma espécie de voyeurismo. Ávido por desvendar os segredos alheios enquanto esconde os seus à sete chaves. Continuar lendo

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Colecionando Textos #30

 

 

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Nada (Carmen Laforet)

 

Nada, romance de estreia da espanhola Carmen Laforet, foi publicado em 1944, quando ela só tinha 23 anos, e é considerada a segunda grande obra do movimento tremendismo: “corrente estética espanhola do século 20 que advoga, na expressão da realidade pela literatura e artes plásticas, o exagero dos aspectos mais crus da vida (Dicionário Houaiss) ”. O movimento surgiu como resposta ao contexto de miséria e desilusão do pós-Guerra Civil, e é nessa atmosfera sufocante e desalentadora que encontramos Andrea, a protagonista de Laforet.

É nessa desolada Barcelona, do início dos anos 1940, que a jovem Andrea chega cheia de planos e aspirações para estudar Letras. Ao deixar a vida no interior, ela sonha com as perspectivas que a vida na cidade grande pode lhe trazer. Mas as ilusões logo começam a cair por terra, a começar por seus familiares e a casa que tanto marcou as memórias de sua infância. O casarão na Rua Aribau sempre fora sinônimo de mesa farta, de longas brincadeiras no quintal e de ricos passeios pelas agitadas ruas de Barcelona. Mas não é isso que a espera agora. A casa das memórias da infância de Andrea está mudada, o avô já se foi, a avó tem dificuldades em lembrar, tia Angustias está amarga e os tios guardam feridas internas deixadas pela Guerra Civil. Para piorar, Gloria, esposa de tio Juan, é o ponto de discórdia entre eles. Continuar lendo

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O Deserto dos Tártaros (Dino Buzzati)

O Deserto dos Tártaros foi publicado em 1940 e é considerada a obra-prima do italiano Dino Buzzati. A história, que tem uma grande carga filosófica, versa sobre a espera. Sobre engolir sapos, esperando posteriormente desfrutar de um lauto banquete. Mas, como bem colocado por Antonio Candido em sua resenha do livro, a obra de Buzzati é um romance de desencanto. Não há muito o que esperar do porvir, porque a vida, ah, essa só reserva frustrações. Contudo, por mais que a tristeza esteja reservada para o fim e que a melancolia seja companheira ao longo de toda a narrativa, isso não diminui a beleza poética do texto de Buzzati, um romance no qual os anseios e as renúncias são praticamente personagens.

“Do deserto do norte devia chegar a sorte, a aventura, a hora milagrosa, que, pelo menos uma vez, cabe a cada um. Para essa vaga eventualidade, que parecia tornar-se cada vez mais incerta com o tempo, os homens consumiam ali a melhor parte das suas vidas.” (Página 54)

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