TAG – Chatice Literária

                                                       Foto de Padurariu Alexandru.

Ah, empolguei com as TAGs mil anos depois delas terem tido seu auge. Sempre li (vi) elas, mas nunca tinha tido ânimo para respondê-las, mas agora ninguém me segura. Muahaha!

Essa eu também vi no blog Momentum Saga, mas originalmente ela foi criada pelo Pausa Para um Café. E acho por bem avisar que essa TAG baseia-se completamente no gosto pessoal (no caso o meu) e pode ser que muitos não concordem com algumas das minhas escolhas. É assim mesmo pessoal, pessoas diferentes irão amar, odiar e achar chatas coisas diferentes. Normal. Vamos lá?

1 – Um livro que você achou que seria legal, mas foi chato.

Já vou começar chutando a porta. Minhas expectativas para Harry Potter e a Criança Amaldiçoada  eram altas, como pottermaníaca que cresceu lendo as aventuras do bruxinho e ansiando pelas publicações de cada novo volume, a chance de poder revisitar esse mundo mágico era algo muito bom. Bom demais para ser verdade. Como disse na resenha, como peça de teatro deve ter funcionado bem, mas as várias inconsistências na trama e um protagonista deveras intragável (que bem poderia figurar na pergunta quatro), tornou esse livro bem chato. Continuar lendo

Deixe um comentário

Arquivado em Lendo aleatoriamente, TAGs

Mitologia Nórdica (Neil Gaiman)

Não comece a ler este livro achando que se trata de um romance do Gaiman tendo por base a mitologia nórdica (para isso leia Deuses Americanos e aproveite para acompanhar a série de tv também), vi várias pessoas achando isso (não devem ter lido a sinopse) e se decepcionando durante a leitura. O que Gaiman se propôs a fazer em Mitologia Nórdica foi resgatar alguns contos escandinavos, conferindo-os um estilo mais atual (meta alcançada por causa do seu estilo narrativo), para que se tornasse mais palatáveis e emocionantes para o leitor minimamente interessado em aprender um pouco mais sobre Odin, Thor, Loki e outros deuses nórdicos. Não foi à toa que ele escolheu garimpar a Edda em Prosa e o Edda Poética, ambos compêndios do século XIII, para escolher as histórias que iria recontar. Há relatos mais recentes, lidos e admirados por ele, mas ele queria que outros, mais antigos, pudessem estar mais facilmente ao nosso acesso. Pode não ser uma história inédita de Gaiman, mas o livro ganha importância ao nos fornecer um novo material que pode ser lido, relido e utilizado como futura referência para os que quiserem conhecer mais alguns desses mitos nórdicos. Qualquer fã de Tolkien e do próprio Gaiman, ambos influenciados por essa mitologia em suas obras – Gaiman até mesmo colocou alguns desses deuses como personagens em suas histórias, fará bom uso desse material. E não nos esqueçamos dos leitores do Rick Riordan também, quem está lendo a trilogia Magnus Chase e os deuses de Asgard vai reconhecer algumas das histórias que o autor ‘reciclou’ em sua trama. Se você está acompanhando as aventuras de Magnus, considere adicionar este à sua estante. Perceber de onde Riordan retirou os elementos que ele utilizou é muito divertido. Continuar lendo

Deixe um comentário

Arquivado em Editora Intrínseca, Editoras Parceiras, Resenhas da Núbia

TAG – SKOOB: Minha Estante Virtual

Foto: Beatriz Pérez Moya

Vi essa TAG no blog Momentum Saga e como uma usuária fidelizada do Skoob não teve como não ficar com vontade de responder. Para mim, a rede social brasileira para leitores acabou tendo mais aderência do que o Goodreads, que até tentei usar, mas não rolou. O Skoob além de me possibilitar conhecer novas pessoas aficionadas por livros, também é uma ferramenta que acabo utilizando para descobrir lançamentos e organizar a estante da vida real também.

A TAG foi criada por uma usuária da rede (a Samantha Rabelo) e é antiga (de 2012). A convocação original no post do Skoob no Facebook pode ser vista aqui. Continuar lendo

Deixe um comentário

Arquivado em Lendo aleatoriamente, TAGs

A Varanda do Frangipani (Mia Couto)

Dar início ao projeto de leitura “Volta ao mundo em 198 livros” foi o incentivo que faltava para que eu finalmente começasse a ter contato com obras de autores que há muito queria ler e vivia protelando. Foi assim, que finalmente peguei um Mia Couto para ler. Nem foi um de seus romances mais conhecidos, – comprei esse em uma promoção e não quis comprar outro até tirar a prova dos nove – mas, mesmo o menos aclamado “A Varanda do Frangipani” foi suficiente para me encantar pela forma de Mia contar suas histórias. Definitivamente é um autor que quero manter na minha estante e conhecer mais a fundo suas obras. Depois desta leitura, minha lista de livros desejados aumentou substancialmente.

O início dessa história nos apresenta Ermelindo Mucanga. Ele que faleceu há quase duas décadas, às vésperas da Independência de Moçambique (25 de junho de 1975), não teve um enterro direito. Ao morrer longe de sua terra natal, não teve cerimônia fúnebre e se tornou um xipoco, uma espécie de fantasma, ainda que tenha se guardado à prisão de sua cova, à sombra de uma árvore de Frangipani na fortaleza de São Nicolau onde estava trabalhando. Talvez tivesse permanecido um “xipoco adormecido” em seu arremedo de descanso eterno, se os governantes não tivessem decidido fazer dele um herói nacional e para isso fuçarem em seus restos mortais. Isso pouco lhe agrada e tal disparidade precisa ser impedida. Ele então segue o conselho do seu guia espiritual, o pangolim, e encarna no inspetor policial Izidine Naíta. Continuar lendo

2 Comentários

Arquivado em Lendo aleatoriamente, Resenhas da Núbia, Volta ao Mundo em 198 Livros

Quem era ela (J.P. Delaney)

O que você estaria disposto a abandonar para ter a chance de recomeçar em um novo lugar? Você estaria disposto a abdicar de tudo o que adquiriu ao longo de sua vida para morar em um lugar high tech, uma casa linda e minimalista, considerada uma obra-prima da arquitetura londrina? Para morar na n°01 da Folgate Street há uma lista imensa de cláusulas restritivas que proíbem muitas coisas. Bastou apenas conhecer uma dessas proibições para ter a certeza de que eu nunca moraria ali. Proibir livros? Sem chance! Mas para Emma, e mais tarde, para Jane, essas e tantas outras proibições não as fizeram perder a vontade de tentar reconstruir suas vidas naquela casa onde o “supérfluo” não tem lugar, a beleza está por toda a parte e a segurança está acima de todas as coisas.

“Talvez esse seja o verdadeiro objetivo das Regras, como já as apelidamos. Talvez o arquiteto não seja um maníaco por controle preocupado com a possibilidade de bagunçarmos sua bela casa. Talvez seja algum experimento de moradia. ” (Emma – Página 23)

A primeira moradora que nos é apresentada é Emma. Ela e o namorado Simon estão procurando uma nova casa para morar depois de assaltantes terem invadido a casa anterior, quando Emma estava sozinha, e a ameaçado com uma faca.

A segunda moradora é Jane que está procura de um novo lugar que a ajude a superar a dor recente de ter perdido alguém e que lhe permita reconstruir sua vida. Continuar lendo

Deixe um comentário

Arquivado em Editora Intrínseca, Editoras Parceiras, Resenhas da Núbia

Resumo do Mês

O mês de março acabou não tendo tantas postagens quanto eu havia programado, o cronograma de estudos e as provas chegando acabaram tomando boa parte do meu tempo e diminuindo o ânimo para postar por aqui. Foram seis postagens só, mas no geral gostei do que trouxemos para vocês. Tivemos resenhas de três livros, um com uma experiência um tanto frustrante, outro que foi um dos melhores que li da safra de livros do cânone de Star Wars e a de Deuses Americanos porque é Neil Gaiman e a série já está pintando por aí. As resenhas que ficaram faltando já ficam engatilhadas para abril. Teremos o thriller recentemente publicado pela Intrínseca, mais um livro para o projeto Volta ao Mundo em 198 Livros e uma graphic novel. Espero ter tempo e ânimo para resenhá-los a contento. Além das resenhas também comecei uma série de postagens de incentivo à leitura de livros escritos por mulheres. Inicialmente iriam se restringir apenas à semana do dia 08 de março, mas acabei me animando e criando uma coluna fixa (pode ser acessada pelo menu ali em cima) que terá ao menos uma postagem por mês. Agora sem mais delongas, vamos ao que rolou por aqui em março. Se você que nos acompanha perdeu algum post, não deixe de dar uma conferida.

Resenhas

A Lista Negra (Jennifer Brown)

Estrelas Perdidas (Claudia Gray)

Deuses Americanos (Neil Gaiman)

Colunas

Leia Mulheres: escritoras de não-ficção que vale a pena conhecer

Leia Mulheres: escritoras de ficção e mulheres no controle da própria história

Leia Mulheres: Formando Novos Leitores

Esses foram os posts com mais visualizações no mês:

O Coração das Trevas (Joseph Conrad)

K-dorama: Love Rain

Que personagem de How I Met Your Mother (HIMYM) você é?

K-dorama: IRIS

De novo ao mundo dos doramas… GOONG!

Deixe um comentário

Arquivado em Simplesmente aleatório

Leia Mulheres: Formando Novos Leitores

Estudos já comprovaram que a exposição precoce de crianças à leitura em casa tem um impacto bastante positivo para a formação de novos leitores. O exemplo de ver os pais lendo e a experiência de conhecer novos mundos com a ‘contação de histórias’ e a leitura antes de dormir, podem ser cruciais para que as crianças cresçam vendo a leitura como uma atividade divertida e prazerosa e sigam levando esse hábito consigo. Mas, mais do que só despertar curiosidade sobre o hábito da leitura, é preciso também manter essa curiosidade acesa durante o desenvolvimento da criança e adolescente. Permitir que as crianças e os adolescentes possam escolher os livros que querem ler (de vez em quando) e poderem falar sobre eles, pode ser uma ótima iniciativa. No ensino fundamental os livros paradidáticos ainda trazem histórias de aventuras e com uma linguagem bem mais acessível que acabam captando muita a atenção das crianças, mas no ensino médio, quando chegam as listas de livros clássicos, muitos acham bem difícil engolir. Não é preciso excluir os clássicos, eles têm sua importância, mas por que não trazer livros mais do gosto da garotada para dentro da sala de aula? Trabalhar Harry Potter não exclui trabalhar Machado de Assis e nem precisa. Continuar lendo

1 comentário

Arquivado em Leia Mulheres, Lendo aleatoriamente

Deuses Americanos (Neil Gaiman)

Em 1992 Gaiman foi morar nos Estados Unidos. E como imigrante recém-chegado naquele grande país, ele queria entende-lo, ainda que a tarefa na maior parte das vezes fosse impossível. E, como escrito, não há melhor forma de tentar conhecer algo do que escrever sobre ele. Apesar disso, a ideia de escrever sobre mitos e colocar os Estados Unidos no centro disso tudo só veio em 1998.

“Eu queria que o livro fosse uma série de coisas. Queria escrever uma história que fosse grandiosa, excêntrica e sinuosa, e escrevi, e ela era. Queria escrever uma história que incluísse todas as partes dos Estados Unidos pelas quais eu estava obcecado e encantado, que costumavam ser os pedaços que nunca apareciam nos filmes e nas séries de tevê. ” (Página 8)

Deuses Americanos realmente é uma história grandiosa (ultrapassa as quinhentas páginas, e os personagens viajam praticamente de costa a costa do país), excêntrica (tanto no humor quanto nos personagens bastante peculiares) e é sinuosa (Shadow e Wednesday viajam por encantos obscuros e atalhos, e sempre que você acha que sabe para onde a história está se encaminhando, lá vem Gaiman com suas reviravoltas retraçando os caminhos). Para escrever essa história que mistura deuses, romance investigativo e uma road trip inusitada, Gaiman colocou os pés na estrada. Todos os lugares que aparecem na história (ou pelo menos a maioria deles) foram visitados por ele. E, ainda que alguns lugares sejam conhecidos (quer sejam dos filmes ou das séries de tevê), foi uma experiência interessante conhecer tantos outros pelo ponto de vista do imigrante.

A edição publicada recentemente pela Editora Intrínseca é considerada como sendo o texto definitivo e a edição favorita de Gaiman. Ela é uma mistura das edições americana e inglesa, com a mistura dos textos pré e pós-edição e do texto impresso. A edição reformulada tem cerca de doze mil palavras a mais do que a edição original de 2001.

A história tem início com Shadow, um homem condenado a seis anos de prisão, mas que após cumprir três está prestes a ganhar a liberdade por bom comportamento. Tudo o que ele queria era retomar sua via junto à esposa. Mas, dois dias antes da sua soltura Laura morre e de repente Shadow já não tem mais para onde voltar. Ao sair ele conhece o misterioso Wednesday que lhe oferece um serviço. Shadow até reluta no início, mas acaba cedendo aos pedidos de Wednesday. Ambos então partem em uma longa viagem pelos Estados Unidos para angariar aliados para uma guerra iminente entre deuses velhos e novos. Continuar lendo

4 Comentários

Arquivado em Editora Intrínseca, Editoras Parceiras, Resenhas da Núbia

Leia Mulheres: escritoras de ficção e mulheres no controle da própria história

Uma livraria em Cleveland costuma fazer uma ação interessante durante as duas primeiras semanas do mês de março. O experimento intitulado “Illustrating the Gender Gap in Fiction” consiste em virar as lombadas de todos os livros escritos por homens para esconder suas obras e colocar em evidência as obras escritas por mulheres. O que acaba evidenciando também a grande disparidade de espaço do mercado ocupado por ambos os sexos. Durante séculos as mulheres foram pouco incentivadas e muitas vezes impedidas de perseguirem carreiras literárias e ainda que hoje elas tenham mais espaço é inegável que os autores homens ainda têm predominância no mundo literário. E não são porque os livros escritos por mulheres são ruins não, na maioria das vezes é por falta de abertura de mercado e investimento em propaganda. Todo fã de Harry Potter sabe que a Rowling foi aconselhada por um editor a utilizar apenas as iniciais do seu nome porque garotos não leriam um livro escrito por mulher! Aliás, a utilização de pseudônimos masculinos ou a utilização das iniciais foi e ainda continua sendo uma prática recorrente entre as mulheres para poderem publicar suas obras: as irmãs Brontë e a escritora de romances policiais P.D. James são bons exemplos disso. A ação que alguns podem entender como ação sexista, na visão da livreira é só uma pequena forma de retribuir todos esses anos que as mulheres tiveram de permanecer blindadas aos olhos do público. O exercício também provoca a reflexão sobre nossos hábitos como leitores e sobre as nossas estantes e quem sabe nos levará a aumentar os espaços em nossas prateleiras dedicados a elas.   Continuar lendo

1 comentário

Arquivado em Leia Mulheres, Lendo aleatoriamente

Estrelas Perdidas (Claudia Gray)

Claudia Gray é conhecida por seus romances YA (alguns não tão bem-sucedidos assim) e nunca imaginei que algum dia leria algo dela relacionado ao universo de Star Wars (e ela já escreveu mais um livro que logo será publicado por aqui!) mas, se tem algo que o universo expandido da franquia sempre permitiu foi a pluralidade de adaptações e formatos. E, há espaço para romances YA também, principalmente os que nada ficam a dever em termos de qualidade, boas tramas, narrativas envolventes, personagens cativantes e que fornecem informações e lançam pistas acerca do futuro do novo cânone.

Em Estrelas Perdidas acompanhamos a história de Ciena Ree e Thane Kyrell. Ambos nasceram no isolado planeta Jelucan na Orla Exterior, no mesmo ano do soerguimento do Império. Ela, pertencente a uma família descendente da primeira leva de colonizadores do planeta, os quais ocuparam os vales e vivem na pobreza. Ele, pertencente a uma abastada família da segunda leva de colonizadores. Oito anos após a queda da Velha República, Jelucan foi conquistada pelo Império e é nesse cenário de festa e demonstração do poderio aéreo imperial que ambos têm seu primeiro contato, motivados pelo sonho compartilhado de pilotarem as naves do Império. A partir daqui, acompanhamos a amizade crescente dos dois, os primeiros treinamentos de voo em conjunto (algo criticado pela família de ambos), os estudos preparatórios e a entrada na Academia Imperial. Mas, é lá naquela primeira apresentação dos dois (com direito a uma participação especial do Grão Moff Tarkin) que Gray deixa claro as principais diferenças entre Ciena e Thane, diferenças depois utilizadas muito apropriadamente por ela para fundamentar as escolhas dos personagens. Continuar lendo

1 comentário

Arquivado em Lendo aleatoriamente, Resenhas da Núbia