Clubes Literários: Intrínsecos

A última pesquisa Retratos da Leitura (realizada pelo Instituto Pró-Livro e que pode ser conferida na íntegra aqui) mostrou que o número de leitores aumentou no Brasil, mas que eles ainda são poucos, costumam ler poucos livros por ano e não têm o costume de comprá-los. A pesquisa é de 2016 e parece que desde então esses números têm melhorado. O brasileiro pode até continuar a carregar a fama de não gostar de ler, mas os que leem têm contribuído para movimentar o mercado editorial brasileiro e incentivado o surgimento de novos nichos literários.

Os mais recentes são os clubes literários, nos quais os assinantes recebem mensalmente em casa, obras escolhidas por um serviço de curadoria e frequentemente acompanhadas por um mimo relacionado ao universo literário da obra do mês. E tem para todos os públicos e gostos. Clubes voltados para o público infantil, para os que gostam de ler livros juvenis e de fantasia, para os que gostam de obras mais políticas, que querem ler mais obras escritas por mulheres, grandes livros da literatura mundial e brasileira, livros há muito esgotados ou outros que ainda nem chegaram por aqui. Este último é justamente o nicho explorado pelo novo clube de livros lançado pela Editora Intrínseca.

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Pequenos Incêndios Por Toda Parte (Celeste Ng)

Celeste Ng, em Pequenos incêndios por toda parte, mostrou-se exímia em fazer histórias de pessoas comuns renderem intricadas tramas e narrativas cativantes. Em colocar em discussão assuntos tabu e questões de representatividade com muita naturalidade, desprovida de julgamentos e sem ser determinística entre o certo e o errado. Em mostrar como as escolhas, os mal-entendidos, a falta de comunicação e os atos de desespero espalham pequenos incêndios por aí. Uma casa incendiada na cidade modelo de Shaker Heights (onde tudo tem seu lugar) marca o início dessa trama na qual as pequenas amostras do presente, passado e futuro nos mantém fisgados à espera do porvir. Continuar lendo

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Um Autor de Quinta #106

Coluna inspirada no Uma Estante de Quinta da Mi Muller do Bibliophile.

 

Josh Malerman

Foto: Doug Coombe (fonte)

 

Desde que li Caixa de Pássaros, fui surpreendida pela forma como Josh Malerman trabalha o medo do impalpável. Mais do que histórias de terror, suas histórias exploram a psique humana e levam a extremos os sentidos humanos. Em Caixa de Pássaros foi a visão, em Piano Vermelho a audição, só podemos ficar curiosos sobre o que Malerman irá aprontar em seus próximos livros, mas sempre poderemos esperar por futuros pós-apocalípticos, thrillers com elementos sobrenaturais e locações para lá de esquisitas. Continuar lendo

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Resumo do Mês

Post rápido só para mostrar o que rolou aqui no blog este mês, e para falar sobre uma novidade literária que causou hoje nas redes sociais. Não deixem de conferir os links abaixo, caso tenham perdido alguns de nossos posts.

Resenhas:

Endurance – Um ano no espaço (Scott Kelly) – Parceria Intrínseca

Tempo de migrar para o norte (Tayeb Salih) – TAG Experiências Literárias

O Labirinto de Fogo (Rick Riordan) – Parceria Intrínseca

Voragem (Junichiro Tanizaki) – TAG Experiências Literárias

Aleatoriedades:

Colecionando Textos #16

Colecionando Textos #17

TAG 50%

Leia Mulheres: Distopia

E, para não perder o costume, essas foram as postagens com mais visualizações no mês:

K-dorama: Best Love

K-dorama: The Heirs

K-dorama: My Girl

Minha Vida Fora de Série – 3° Temporada (Paula Pimenta)

K-dorama: City Hunter

E a novidade literária de hoje?

Ficou por conta da Editora Intrínseca que divulgou em suas redes sociais o lançamento do clube literário Intrínsecos. O clube irá funcionar por assinatura e todo mês os assinantes receberão em casa um livro ainda inédito no Brasil em design exclusivo e capa dura, acompanhado de uma revista e brindes.

Mas olha aqui, será que vale a pena? Com quanta antecedência ao lançamento oficial dos livros eles serão enviados ao assinante?

Bom, saber se valerá a pena, só depois de experimentar a primeira caixa. Quanto a antecedência, ela será de 45 dias. O design do livro também será diferente daquele que irá para as lojas.

Quanto custará?

Serão dois planos, sendo o mensal de R$ 54,90 e o anual de R$ 49,90.

Onde posso me inscrever?

As assinaturas ainda não estão disponíveis, mas você já pode preencher um cadastro para receber em primeira mão informações e novidades sobre o clube. Acesse aqui.

 

 

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Voragem (Junichiro Tanizaki)

Publicado em 1931, o romance de Junichiro Tanizaki acompanha a história de Sonoko Kakiuchi, uma jovem casada que se apaixona por uma colega do curso de Arte e de repente se vê envolvida em uma trama de intrigas, paixão, chantagem e suspeitas.

Sonoko nunca teve uma vida conjugal feliz, presa a um casamento mais de conveniência do que qualquer outra coisa e no qual sempre faltou amor, por parte dela e do marido. Presa nessa vida monótona, para se distrair, decidiu começar a frequentar as aulas de pintura na Escola Feminina de Artes. Ali ela conhece Mitsuko, de quem primeiro se torna amiga e com quem logo se envolve romanticamente, desesperadamente. Um relacionamento conturbado e bombástico para a época, que não demora a se transformar em um triângulo amoroso com a inclusão de Watanuki, um interesse amoroso do passado de Mitsuko. Aqui começam as dúvidas. Quem é o real interesse amoroso de Mitsuko: Sonoko ou Watanuki? Sonoko foi só a desculpa que Mitsuko encontrou para continuar se relacionando com Watanuki? Como a inclusão deste na trama, a narrativa atinge ares de drama novelesco. As disputas pelo amor de Mitsuko, as escolhas feitas no afã da loucura para garantir um espaço na vida dela, as chantagens decorrentes dessas ações impensadas e os entrames psicológicos nos quais os personagens se veem envolvidos. Continuar lendo

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O Labirinto de Fogo (Rick Riordan)

Atenção, esta resenha trata sobre os acontecimentos do terceiro livro da série As Provações de Apolo (The Trials of Apollo). Por isso, pode conter spoilers, revelando parte do conteúdo dos livros anteriores. Para saber o que eu achei dos demais livros, confira os links no final desta resenha.

O Labirinto de Fogo é o terceiro livro da série As Provações de Apolo, que traz as aventuras e desventuras do adolescente Lester, na verdade o deus Apolo que foi expulso do Monte Olimpo e que agora precisa partir em missões para recuperar seus oráculos das mãos de sanguinários, cruéis e sádicos ex-imperadores romanos. Como já é de praxe nos livros do Riordan, cada livro traz uma missão a ser cumprida nele, mas na série de Apolo, são vários os ajudantes e boa parte deles são velhos conhecidos nossos. Os dois primeiros livros são repletos de humor, piadinhas, poesia e uma vibe que lembra muito os primeiros livros do Riordan. Neste, o humor tão característico é mantido, mas Riordan também nos mostra que é capaz de fazer escolhas difíceis. Continuar lendo

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Colecionando Textos #17

 

 

 

*Free Online Logo Maker. https://www.designevo.com

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Leia Mulheres: Distopia

No mês de março foi a última vez que eu trouxe uma postagem desta coluna aqui no blog. Desde abril o meu ritmo de leitura deu uma desacelerada e o desânimo acabou se refletindo nas postagens do blog e eu acabei deixando algumas colunas do blog acumulando pó, portanto, essa é uma postagem para tentar resgatá-las e quiçá não as deixar relegadas ao esquecimento novamente.

Desta vez vamos falar sobre mulheres e distopia. A distopia é um gênero bastante abordado nos livros jovens adultos, e além disso, hoje também conta com uma grande quantidade de autoras publicando livros nessa temática, inclusive autoras brasileiras como a Bárbara Morais e a sua trilogia Anômalos e a Roberta Spindler com seu romance A Torre Acima do Véu. A lista de autoras que se enveredam por esses mundos distópicos, na maioria das vezes comandados por governos totalitários opressores, alguns com protagonistas jovens, outros com um poderoso e necessários discurso feminista, é imensa, mas seguindo minha rotina, trago apenas algumas poucas indicações de autoras das quais já li um ou mais trabalhos. Continuar lendo

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Tempo de Migrar Para o Norte (Tayeb Salih)

Tayeb Salih nasceu em uma pequena vila na região norte do Sudão. E, apesar de ter se formado em literatura pela Universidade de Cartum, na capital do Sudão, ele deixou o país em 1952 fazendo parte da primeira geração de sudaneses educados na Grã-Bretanha. Por sempre ter se mantido nessa transição entre seu país de origem e o que o acolheu, Tayeb manteve-se conectado às suas raízes orientais, ao mesmo tempo que ao carregar também o ocidente dentro de si, talvez nunca tenha se sentido plenamente em casa quando no seu país de origem. É essa dualidade que Tayeb traz para seu romance. A de um sudanês que se vê dividido entre diferentes costumes, raízes e modos de vida.

“No dia seguinte à minha chegada, acordei na mesma cama, no mesmo quarto cujas paredes haviam sido testemunhas da trivialidade da minha vida na infância e na adolescência. Entreguei meus ouvidos ao vento: é um som deveras conhecido por mim, que, em nossa terra, tem um alegre sussurro. O vento quando sopra entre as palmeiras é diferente daquele que passa pelos trigais. Ouvi o murmúrio da rola e, da janela, olhei para a palmeira do nosso quintal e constatei que a vida continua boa. Contemplando o tronco forte, as raízes fixadas na terra e a copa de folhas verdes, senti-me tranquilo. Não tenho mais a sensação de ser uma pessoa ao vento. Sou como aquela palmeira, uma criatura que tem origem, raiz e objetivo. ” (Página 6)

É assim que o narrador de Tempo de migrar para o norte quer nos mostrar sua felicidade por estar de volta ao Sudão despois de sete anos morando na Europa a estudos. Uma felicidade que acaba não se mostrando tão plena assim e que acaba sendo demonstrada por seu interesse excessivo em Mustafa Said. Um forasteiro que chegou à sua vila natal há cinco anos e se estabeleceu por lá. Um forasteiro que o narrador não demora muito a descobrir que fala inglês fluentemente o que a partir de então, o deixa bastante determinado em desvendar todos os segredos de Mustafa. Seria Mustafa outra alma dividida entre duas culturas assim como ele? Que segredos sórdidos ele estaria escondendo? O narrador tanto o faz que consegue que Mustafa lhe transforme em fiel depositário de sua história. Uma história de superação, de partida em direção ao norte em busca de um futuro melhor, da sedução pelo desconhecido habilmente empregada por Mustafa em seus relacionamentos, dos conflitos culturais e da ruptura interior que essa experiência provocou em Mustafa, eternamente condenado a jamais se sentir em casa, quer seja no exterior ou em seu país, e as ações extremas que isso acabou suscitando nele. Continuar lendo

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