Colecionando Textos #29

 

 

*Feito no Canva.
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Clara Carcosa (Juliana Fiorese)

“Quando não temos noção de tempo e espaço, parece que perdemos direção.

Parece que perdemos dimensão.

E quando os perdemos, tudo ao redor acaba virando eternidade.

É a eternidade que nos observa.

Que nos aguarda.

E que nos engole. ”

(Página 92)

A Juliana Fiorese é bastante conhecida nas redes sociais por suas ilustrações características de personagens com cabeças e olhos grandes. Seus marcadores de livros são realmente coisas lindas de se ver. Das ilustrações para criar suas próprias histórias foi um passo natural e Clara Carcosa, sua primeira HQ, reflete bem isso.

A trama conta a história de uma garota perdida que se vê envolvida por seus maiores medos: solidão, escuridão e silêncio profundo. Ela não sabe em que lugar está e como foi parar ali e por isso, decidiu seguir as misteriosas sombras, a única companhia que tem neste lugar.

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Colecionando Textos #28

 

 

*Feito no Canva.

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Nada (Carmen Laforet)

 

Nada, romance de estreia da espanhola Carmen Laforet, foi publicado em 1944, quando ela só tinha 23 anos, e é considerada a segunda grande obra do movimento tremendismo: “corrente estética espanhola do século 20 que advoga, na expressão da realidade pela literatura e artes plásticas, o exagero dos aspectos mais crus da vida (Dicionário Houaiss) ”. O movimento surgiu como resposta ao contexto de miséria e desilusão do pós-Guerra Civil, e é nessa atmosfera sufocante e desalentadora que encontramos Andrea, a protagonista de Laforet.

É nessa desolada Barcelona, do início dos anos 1940, que a jovem Andrea chega cheia de planos e aspirações para estudar Letras. Ao deixar a vida no interior, ela sonha com as perspectivas que a vida na cidade grande pode lhe trazer. Mas as ilusões logo começam a cair por terra, a começar por seus familiares e a casa que tanto marcou as memórias de sua infância. O casarão na Rua Aribau sempre fora sinônimo de mesa farta, de longas brincadeiras no quintal e de ricos passeios pelas agitadas ruas de Barcelona. Mas não é isso que a espera agora. A casa das memórias da infância de Andrea está mudada, o avô já se foi, a avó tem dificuldades em lembrar, tia Angustias está amarga e os tios guardam feridas internas deixadas pela Guerra Civil. Para piorar, Gloria, esposa de tio Juan, é o ponto de discórdia entre eles. Continuar lendo

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Os Prós e os Contras de Nunca Esquecer (Val Emmich)

“As pessoas acham que eu não devia sentir falta das coisas porque tenho a lembrança delas guardada na caixa do meu cérebro, mas essas lembranças só me fazem sentir mais falta das coisas. É por isso que foi tão difícil agir normalmente hoje no restaurante, enquanto todo mundo bebia daquelas taças chiques: porque eu estava vendo a vovó Joan de verdade, sentada à mesa com a gente. Eu queria falar com ela sobre a minha música, mas não podia porque ela não estava ali . ” (Página 192)

Síndrome da memória autobiográfica altamente superior, lembrar-se com detalhes de tudo o que viveu, é assim com Joan a protagonista de Val Emmich em Os prós e os contras de nunca esquecer. Mas, a garotinha de 10 anos carrega consigo um grande medo, o de ser esquecida. Gavin, o outro protagonista dessa história, acabou de perder o grande amor de sua vida e as lembranças dele ainda machucam. Ambos começam essa história em lados opostos dos Estados Unidos, mas a trama não demora a convergir.  Gavin cantava na banda do pai de Joan, e Sidney, o marido de Gavin, era o melhor amigo desde sempre da mãe dela. E é claro que o casal se oferece para receber Gavin em casa e ajudá-lo nesse momento em que a perda ainda é tão recente. Joan, apesar de entender o sentimento de perda, está com outras preocupações em mente. Como compor uma música que a torne famosa (e inesquecível) e quem sabe evitar no processo que o pai tenha de fechar o estúdio de gravação, seu paraíso infinito particular. E é claro que Joan quer a ajuda de Gavin, mas tem de convencê-lo a ajudar. Continuar lendo

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Ponciá Vicêncio (Conceição Evaristo)

“Veio-me à lembrança o doloroso processo de criação que enfrentei para contar a história de Ponciá. Às vezes, não poucas, o choro do personagem se confundia com o meu, no ato da escrita. Por isso, quando uma leitora ou um leitor vem me dizer do engasgo que sente, ao ler determinadas passagens do livro, apenas respondo que o engasgo é nosso. ” (Prefácio, Página 7)

Acompanhando as redes sociais literárias, o nome de Evaristo sempre surgia aqui e ali, mas com a campanha para sua indicação à Academia Brasileira de Letras, suas obras ficaram em destaque e a vontade de finalmente conhecer os escritos dessa autora mineira só aumentou. Ter conhecido a Maya Angelou por seu intermédio na curadoria da TAG Experiências Literárias, só aumentou a sensação de que as palavras de Evaristo ressoariam em mim. Foi assim com Ponciá Vicêncio, a primeira publicação solo da autora. Com um texto enxuto, mas com uma trama rica em apontamentos sociais, Evaristo nos traz a história de Ponciá, neta de escravos libertos, que cresceu nas terras do sinhô coronel de quem “herdou” até o sobrenome, e que parte para a cidade grande em busca de um futuro melhor. Continuar lendo

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Breves Respostas Para Grandes Questões (Stephen Hawking)

“… a maioria das pessoas acredita que ciência de verdade é difícil e complicada demais. Não concordo com isso. Pesquisar sobre as leis fundamentais que governam o universo exigiria uma disponibilidade de tempo que a maioria não tem; o mundo acabaria parando se todos decidissem estudar física teórica. Mas a maioria pode compreender e apreciar as ideias básicas, se forem apresentadas de maneira clara e sem equações, algo que acredito ser possível e que sempre gostei de fazer. ” (Página 28) 

Stephen Hawking dedicou uma grande parte da sua vida profissional em popularizar a ciência. Não com o objetivo de tornar todos cientistas, mas contribuindo para que alfabetizando cientificamente um maior número de pessoas, isso contribuísse para o nosso desenvolvimento nos mais variados campos. Ainda temos muito em que melhorar, em vários campos a situação é desesperadora, mas a semente plantada por Hawking ainda terá muito o que germinar. Para quem tanto dedicou de sua vida em popularizar a ciência e em desvendar para os leigos os mistérios e a beleza do universo, este livro é uma bela despedida. Continuar lendo

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Hazel Wood – A Origem do Azar (Melissa Albert)

Alice Proserpine tem 17 anos e passou a maior parte da sua vida na estrada com a mãe, nunca parando muito tempo em um só lugar, principalmente por causa das ondas de azar que sempre pareceram procurá-las. Elas também sempre fugiram da notoriedade para lá de estranha da avó de Alice, uma famosa escritora de contos de fadas sombrios. Na verdade, escritora de um livro só, contendo horripilantes histórias de fadas que se passam em um lugar chamado Recôndito e que tem um fandom que pode ser tão assustador quantos seus personagens.

O nome da protagonista da história da Melissa Albert me confundiu e acabei começando a leitura de Hazel Wood imaginando se tratar de uma releitura da famosa história de Lewis Carroll, o que teria sido legal é bom frisar. Mas, mais do que o País das Maravilhas, Melissa em sua obra (que será uma trilogia) faz uma homenagem aos contos de fadas, dos Irmãos Grimm à Angela Carter. Continuar lendo

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O Deserto dos Tártaros (Dino Buzzati)

O Deserto dos Tártaros foi publicado em 1940 e é considerada a obra-prima do italiano Dino Buzzati. A história, que tem uma grande carga filosófica, versa sobre a espera. Sobre engolir sapos, esperando posteriormente desfrutar de um lauto banquete. Mas, como bem colocado por Antonio Candido em sua resenha do livro, a obra de Buzzati é um romance de desencanto. Não há muito o que esperar do porvir, porque a vida, ah, essa só reserva frustrações. Contudo, por mais que a tristeza esteja reservada para o fim e que a melancolia seja companheira ao longo de toda a narrativa, isso não diminui a beleza poética do texto de Buzzati, um romance no qual os anseios e as renúncias são praticamente personagens.

“Do deserto do norte devia chegar a sorte, a aventura, a hora milagrosa, que, pelo menos uma vez, cabe a cada um. Para essa vaga eventualidade, que parecia tornar-se cada vez mais incerta com o tempo, os homens consumiam ali a melhor parte das suas vidas.” (Página 54)

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Então, eu reli #3: Harry Potter e a Câmara Secreta (J.K. Rowling) – edição ilustrada

Depois de ter descoberto o maravilhoso mundo mágico, e de finalmente se sentir querido, Harry não está disposto a voltar a viver entre seus tios trouxas, ainda que as férias de Hogwarts sejam torturantes já que é para lá que ele deve voltar. No início do segundo ano em Hogwarts é justamente esse medo que Rowling trabalha aqui. Com a inclusão de Dobby, o elfo doméstico e um dos personagens mais emblemáticos da saga, a possibilidade de não retornar à Hogwarts e depois de poder ser expulso dela ou mesmo vê-la fechada para sempre por causa dos acontecimentos tenebrosos que marcaram o segundo ano de Harry, se torna real. O início da trama da Câmara Secreta, tanto no livro quanto no filme, sempre me deixou aflita. Eu adoro o Dobby, mas sua introdução, com tudo o que ele apronta para “salvar” o Harry é de nos fazer puxar os cabelos, mas, ao mesmo tempo, como ficar com raiva de uma criaturinha tão esquisita, mas tão fofa? Jim Kay conseguiu exprimir isso muito bem em suas ilustrações. Continuar lendo

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