Loney (Andrew Michael Hurley)

Loney

Loney, romance de estreia de Andrew Michael Hurley, traz a história de dois irmãos. Um dele mudo e o outro destinado a ser seu eterno protetor. O livro é narrado em primeira pessoa pelo irmão protetor. Interessante que mesmo Hanny sendo mudo, a ele o direito de sua identidade não lhe é negado. O irmão, apesar de narrador, protetor e intérprete de Hanny, dele nem mesmo seu primeiro nome nos é permitido saber. O que escancara ainda mais o quanto Smith (sobrenome da família) ou Tonto (apelido dado pelo Padre) se anulou ao longo dos anos impelido pela mãe superprotetora e intransigente. E é justamente na construção do relacionamento fraternal, o fato de Smith ser o único capaz de compreender os anseios de Hanny e dele não se importar com a deficiência do irmão, enxergada como uma mácula que precisa ser expurgada pela mãe; que repousa a melhor parte da história de Hurley. Supera até mesmo o Loney e sua atmosfera lúgubre e, principalmente, é muito mais interessante que todas as manias, preceitos e preconceitos da sra. Smith.

A história de Hurley tem início com Smith lendo a notícia do corpo de uma criança que foi encontrado em Coldbarrow. Um lugar sobre o qual há trinta anos ele não ouvia falar, e ao qual será necessário voltar por meio de suas reminiscências. Continuar lendo

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Maus (Art Spiegelman)

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Depois de inúmeros romances e filmes retratando a Segunda Guerra Mundial e os horrores do Holocausto de forma tão trágica e massacrante, é impossível não se perguntar de a sensibilidade, a emoção e o horror conseguiriam ser bem retratados em uma graphic novel. Foi essa a tarefa que Art Spiegelman tomou para si lá em 1973, quando a primeira parte do primeiro volume de Maus foi publicada, este que só seria finalizado em 1986 e que ganharia um segundo (e final) volume finalizado em 1991. A tarefa foi concluída com sucesso, tanto é que no ano seguinte, foi agraciado com o Prêmio Pulitzer de literatura. Na edição brasileira publicada em 2005 pela Companhia das Letras (pelo selo Quadrinhos na Cia.) todas essas partes foram reunidas em um volume único.

Maus, palavra alemã para rato, traz a história de Vladek Spiegelman, pai do autor, um judeu polonês que sobreviveu ao campo de concentração de Auschwitz. A história de Art vai se desenrolando perante nossos olhos como uma conversa e para isso ele se coloca como personagem. É Art, que depois de adulto e durante suas visitas ao seu idoso pai, que o convence a compartilhar sua história. São essas conversas, marcadas pela relação não tão próxima entre pai e filho e pelas interrupções de Vladek para corrigir partes da história já anteriormente narradas que encaminham a trama de Spiegelman aos anos pré-Guerra e aos anos de embate propriamente dito. Continuar lendo

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K-dorama: The Heirs

the heirs

  • Título: 왕관을 쓰려는자, 그무게를 견뎌라상속자들 / Wangkwaneul Sseuryeoneunja, Geumoogereul Gyeondyeora – Sangsokjadeul
  • Também conhecido como: The Inheritors / The One Trying to Wear the Crown, Withstands the Weight – The Heirs
  • Gênero: romance, drama, comédia, juventude, escolar
  • Episódios: 20
  • Período em que foi ao ar: 09/outubro/2013 a 12/dezembro/2013
  • Rede de televisão: SBS
  • Diretor: Kang Shin Hyo
  • Roteirista: Kim Eun Sook

 

Não tem como começar a assistir The Heirs e não lembrar de Boys Before Flowers, principalmente porque coube ao Lee Min Ho dar vida ao protagonista Kim Tan, herdeiro do Grupo Empire e pertencente ao topo da alta sociedade. Mas, se o papel anterior pode ter facilitado o trabalho de interpretação do Min Ho em alguns aspectos, o trabalho da Kim Eun Suk como roteirista foi essencial para afastar a trama de The Heirs da de Boys Before Flowers e mostrar que ainda era possível reinventar a fórmula garoto rico, garota pobre e ambiente escolar. A começar pelo fato do ambiente escolar só ser inserido mais para frente na trama. Toda a apresentação dos personagens e o primeiro encontro do casal de protagonistas ocorre fora da escola e fora da Coreia. Continuar lendo

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De Repente Acontece (Susane Colasanti)

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Minhas duas outras experiências com livros da Susane Colasanti (Esperando por Você e Tipo Destino) não foram muito positivas. Eu gostei dos personagens criados por ela, me diverti durante a leitura, mas no final restou a sensação de que ficou faltando algo. Faltam diálogos mais profundos (e antes que comentem, YA não é sinônimo de superficialidade) e faltou um maior aprofundamento nas temáticas sociais bastante frequente em suas tramas.

Em De Repente Acontece Colasanti traz a história de Sara e Tobey.  Dois adolescentes que estão para começar o último ano da escola e não poderiam estar caminhando para direções mais distintas.

Sara está preocupada em entrar para a universidade dos seus sonhos, mas também não quer ser apenas a nerd que sempre foi. Ela quer se reinventar, e no processo encontrar um amor verdadeiro. Tobey não leva a escola a sério e não quer saber de universidade. Sua única preocupação é sua banda e a Batalha das Bandas… Ele também está apaixonado por Sara. Mas ela, só tem olhos para Dave, e Tobey não é muito de colocar a cara a tapa. Continuar lendo

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Diversidade da Vida (Edward O. Wilson)

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“Ouvi ao meu redor o coro grego do treinamento e da cautela: como você pode provar que esta é a razão de serem dominantes? Fazer tal associação não é mais uma vez concluir precariamente que se dois eventos ocorrem juntos um tem de causar o outro? Algo inteiramente diferente pode ter causado ambos. Pense nisso. Que tal uma maior capacidade individual de luta? Ou sentidos mais aguçados? Ou o quê?

Esse é o dilema da biologia evolucionista. Temos problemas a resolver e temos respostas claras – um excesso de respostas claras. O difícil é escolher a resposta certa. A mente isolada move-se em círculos lentos, e os avanços são raros. A solidão é melhor para eliminar ideias do que para criá-las. Gênio é apenas a produção de muitos vinculada aos nomes de poucos para facilitar a lembrança, uma injustiça para tantos cientistas. ” (Página 14)

Em Diversidade da Vida Edward O. Wilson traz quinze capítulos divididos em três seções: Natureza Violenta, Vida Resistente; O Aumento da Biodiversidade; e O Impacto Humano. Na primeira seção Wilson apresenta alguns exemplos emblemáticos de como eventos destrutivos são contornados pela vida e termina falando sobre os cinco grandes eventos de extinção que a Terra sofreu ao longo de sua história evolutiva. Assim, nos prepara para inserir o evento mais emblemático, recorrente e atual de extinção que estamos provocando. Mais pernicioso do que alguns dos mais catastróficos do passado, justamente por não haver tempo de recuperação cabível, não ao menos na escala de vida do Homo sapiens. Continuar lendo

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O Palácio da Meia-Noite (Carlos Ruiz Zafón)

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O Palácio da Meia-Noite foi o segundo romance publicado por Zafón e, juntamente com seu antecessor (O Príncipe da Névoa) e o As Luzes de Setembro compõem a Trilogia da Névoa. Mas, como já havia dado para perceber desde a leitura do primeiro livro, o agrupamento desses livros em uma trilogia é artificial e cada qual funciona perfeitamente como um romance único. Os personagens e as tramas são distintos e as histórias tomam formas em lugares tão díspares quanto um vilarejo no litoral do Atlântico ou em Calcutá. Talvez o único denominador comum entre os livros seja a Névoa e o que ela representa: o sobrenatural, os perigos representados pelo oculto e a atmosfera sufocante que Zafón consegue imprimir tão bem em seus romances.

Em O Palácio da Meia-Noite Zafón nos convida a acompanhá-lo em Calcutá. Em 1916, um homem está em fuga desenfreada para salvar a vida de dois bebês gêmeos de um homem (uma entidade?) sobrenatural que matou a mãe das crianças e agora as quer mortas também. Para mantê-los a salvo, as crianças são separadas. A menina (Sheere) fica com a avó materna e o menino (Ben) é entregue no orfanato St. Patrick’s. E, durante um tempo a ameaça arrefeceu. Até maio de 1932. Prestes a completarem dezesseis anos, Ben e Sheere se reencontram e o passado da família e o homem que os caça deverão ser enfrentados. Continuar lendo

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Simon vs. A Agenda Homo Sapiens (Becky Albertalli)

Simon vs. a agenda Homo Sapiens

Simon tem 16 anos e é gay, mas ninguém sabe. Bem, para falar a verdade, uma pessoa sabe. Blue, o garoto com que Simon (sob a alcunha de Jacques) troca e-mails. Um garoto com quem cada vez mais Simon se identifica. Mas, esse relacionamento permanece no mundo virtual, livre das inibições e receios que o encarar frente a frente poderia provocar. Ainda mais por ambos estudarem na mesma escola, e, não terem se assumido como gays ainda. Só que essa história é abalada quando Martin, um colega da turma de Simon, descobre sobre a troca de e-mails e começa a chantageá-lo. Uma ameaça que pode colocar em xeque esse relacionamento imberbe. Como Simon irá reagir a essa chantagem e o quanto de mudanças ela irá provocar na vida do garoto é o cerne dessa trama. Para ter uma chance real com Blue, Simon precisará convencer o misterioso garoto a se revelar; terá que manejar a chantagem de Martin; e, acima de tudo, aceitar as mudanças e arriscar-se fora de sua concha, assumindo seus verdadeiros desejos e sentimentos.

“Você não acha que todo mundo devia ter que sair do armário? Por que o comum é ser hétero? Todo mundo devia ter que declarar o que é; devia ser uma coisa bem constrangedora, não importa se você é hétero, gay, bi ou sei lá o quê. ” (Página 130)

“É mesmo muito irritante que hétero (e branco diga-se de passagem) seja o normal e que as pessoas que precisam pensar sobre sua identidade sejam só aquelas que não se encaixam nesse molde. ” (Página 131)

A história é narrada em primeira pessoa, por Simon, e os capítulos alternam-se entre a “narrativa principal” e os e-mails trocados por Jacques e Blue, que garantem diálogos humorados e algumas vezes até mesmo sarcásticos. E é assim, despretensiosamente, que Albertalli te prende à história. A leitura flui e você não quer parar até descobrir quem é Blue e se os dois garotos um dia irão se encontrar e ficar juntos. Continuar lendo

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Sagrado (Dennis Lehane)

Atenção, esta resenha trata dos acontecimentos do terceiro livro da série dos detetives Kenzie & Gennaro e pode haver spoilers (evitados ao máximo) sobre fatos dos livros anteriores. Para saber o que eu achei dos outros livros, confira os links no final desta resenha.

Sagrado_lehane

Dando continuidade aos meus planos de ler a série protagonizada pelos detetives Kenzie e Gennaro na ordem cronológica, chego ao terceiro volume. E, após as perdas recentes e a violência escancarada que adentrou às vidas de Patrick e Angie há poucos meses (Apelo às Trevas), neste volume, Lehane atinge novos patamares com seu humor sarcástico. Angie e Patrick estão mais afiados do que nunca, o que contribuiu para tornar a leitura de Sagrado ainda mais ágil. Ele também não poupou nas reviravoltas…

“Talvez a honra estivesse em seu ocaso. Talvez ela já estivesse em declínio havia muito tempo. Ou, pior: talvez ela nunca tivesse passado de uma ilusão.

Todo mundo é suspeito. Todo mundo é suspeito.

Aquilo estava virando o meu mantra. ” (Página 208)

Desde os eventos trágicos há poucos meses atrás, Angie e Patrick fecharam o escritório e decidiram deixar o trabalho de detetives em estase. Mas, alguns clientes como o milionário Trevor Stone não aceitam a porta fechado. Trevor quer saber o que aconteceu com sua bela e deprimida filha. E, quando o antigo mentor de Patrick que já fora contratado anteriormente para resolver esse mesmo caso, também se encontra desaparecido, os detetives se veem envolvidos em uma caçada que envolve uma empresa que oferece terapias para a dor, meandros religiosos e evidências bastante enganosas. Nada é o que parece, e se Lehane pode tornar um caso aparentemente simples em algo intricado, é claro que ele o irá fazer. Mas, sem quebrar o ritmo da narrativa e sem utilizar a estratégia em demasia. Continuar lendo

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Tenshi (Luciane Rangel & Ana Claudia Coelho)

Tenshi

“Eu não pedi para vir ao Japão. Eu não pedi para viver aqui e ser diferente.

Ao mesmo tempo em que era destacada, naquele país estava tudo o que eu conhecia: meu nome, minha míngua, meus costumes, minha família…. Porém, ainda assim, eu não pertencia àquele lugar.

Eu não pertencia a lugar algum. ” (Página 20)

Matsuo Umi tem quinze anos e foi abandonada quando bebê na porta de um orfanato em Chiba no Japão. Aos cinco anos foi adotada por um casal de japoneses. Por ter cabelos loiros e ondulados, olhos azuis e ser considerada alta para o padrão japonês, Umi sofreu e sofre bullying, principalmente na escola. Suas únicas amigas são a Gallagher Natsu (uma mestiça, filha de uma japonesa e um americano) e Shimada Kaori (antissocial convicta). Umi também é apaixonada por Shimada Hinoki, irmão mais velho de Kaori e professor de biologia delas.

Só as histórias de Umi, Natsu e Kaori já garantem drama suficiente. Umi convive com a mágoa de ter sido abandonada, com a crueldade dos que a rejeitam por ser diferente e com o medo de não ser mais necessária caso os pais tenham um bebê. Natsu tem que encarar diariamente a ausência do pai e supre essa falta com tudo o que vem dos Estados Unidos. Kaori e o irmão mais velho (não tão mais velho assim) desbravam o mundo sozinhos desde que os pais morreram. Mas, além disso, a Luciane e a Ana Claudia acrescentaram um garoto misterioso nessa história. Continuar lendo

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Temporada de Acidentes (Moïra Fowley-Doyle)

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A Irlanda é conhecida por seu rico folclore e pela grande importância que a sorte (ou a falta dela) tem na vida das pessoas. Em seu livro de estreia, Moïra Fowley-Doyle utiliza de forma interessante todo esse arcabouço criando um romance imagético e leva as últimas consequências a importância da sorte. Afinal, por que trabalhar alguns eventos esporádicos de má sorte se você pode tornar azarado um mês inteiro? Por que não retroceder e instituir uma temporada inteira de azar que se repete ao longo dos anos?

“É a temporada de acidentes: acontece todos os anos na mesma época. Um período em que ossos quebrados, cortes e hematomas são frequentes. (…)

Resumindo: apertamos os cintos, pois sabemos que o pior está por vir. Nunca saímos de casa sem pelo menos três camadas de roupa. Temos medo da temporada de acidentes. Temos medo da facilidade com que os acidentes se transformam em tragédias. Já passamos por muitas. ”

(Página 15)

Desde que Cara se entende por gente, e antes disso, sua família se torna vulnerável a todo tipo de acidentes durante o mês de outubro. Este ano a temporada de acidentes segue cobrando dividendos dos Morris, mas desta vez será diferente. O passado será remexido, cicatrizes (e não somente as físicas) serão relembradas, haverá o prenúncio de uma grande tragédia, mas também sobrará espaço para a amizade e o amor. Continuar lendo

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