Leia Mulheres: Temas Sérios/Sociais

Desde que eu comecei esta pequena coluna aqui no blog, já falei de autoras que escrevem livros de não ficção, romances e graphic novels com protagonistas fortes e senhoras do seu destino, outras que ajudaram a formar muitos leitores com suas histórias infantis e infanto-juvenis e outras que provam por A mais B que mulher sabe escrever livro de fantasia sim senhor e que muitos de seus livros podem ser repletos de aventuras. Este ano vamos começar falando sobre temas mais sérios ou de cunho social, que estas autoras da lista não tiveram dúvidas em abordar ou até mesmo dedicar uma obra inteira a eles.

Katherine Boo

A americana Katherine Boo é jornalista premiada e é bastante conhecida por seus trabalhos que colocam em evidências as pessoas de comunidades pobres e desfavorecidas negligenciadas pelas autoridades. Livro mesmo, ela só publicou um, Em Busca de um Final Feliz, no qual ela faz um retrato pungente e detalhista da vida das castas mais baixas da Índia, no caso dos moradores de Annawadi, um dos mais de trinta assentamentos irregulares em Mumbai, reduto dos que vivem abaixo da linha da miséria e destinados a viverem cercados pela opulência dos hotéis cinco estrelas. Para escrever seu livro, Katherine conviveu, ouviu, acompanhou os moradores de Annawadi e registrou seus relatos de novembro de 2007 a março de 2011. Continuar lendo

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Star Wars – Lordes dos Sith (Paul S. Kemp)

“Vader completou a meditação e abriu os olhos. No transparaço escuro e reflexivo da câmara de meditação pressurizada, fitou um rosto pálido, deformado de modo selvagem pelas chamas. Sem a conexão neural com a armadura, tinha plena consciência dos cotos das pernas, da ruína dos braços, da eterna dor em sua carne. Ele a recebia de braços abertos. A dor alimentava o seu ódio, e o ódio alimentava sua têmpera. Antigamente, quando era Jedi, meditava para encontrar a paz. Agora, meditava para aguçar a raiva. ”(Página 20)

Assim como Luceno em Tarkin, coube à Kemp dar o protagonismo aos vilões em outro romance do novo cânone de Star Wars. Pena que diferentemente do primeiro, Kemp escorregou na caracterização dos seus personagens e ainda que Lordes dos Sith tenha um enredo inicial interessante, algumas de suas escolhas e a caracterização superficial de Vader e Palpatine deixaram a história de Kemp bastante problemática e muito aquém do que prometia inicialmente.

Lordes dos Sith está situado temporalmente entre os filmes III e IV, pouco depois do “surgimento” do Darth Vader. O relacionamento entre o novo Sith e seu Mestre ainda é um tanto quanto cambaleante e é do interesse de Palpatine colocar seu pupilo à prova. E a oportunidade vem na forma do movimento rebelde Ryloth Livre liderado pelo twi’lek Cham Syndulla. O sobrenome não é uma coincidência, ele é pai da Hera da série Rebels e do livro Um Novo Amanhecer. Quando o movimento começa a aparecer nos radares do Império, Palpatine decide fazer uma averiguação in loco do movimento insurgente em Ryloth, e leva consigo Darth Vader. E é claro que os rebeldes não deixariam tal oportunidade passar. O plano de Cham é audacioso: matar Vader e o Imperador. É temerário e ingênuo também, porque é óbvio que há tramoias do Imperador por trás de tudo. Com alguns bons personagens, como Cham e todo o seu idealismo e a vontade de acender uma chama que se alastre por todos os mundos e que inspire os oprimidos a lutarem por sua liberdade; e, também Isval e seu passado como escrava imperial, que a tornou um pouco mais sanguinária e com objetivos mais imediatistas em relação ao Império; o livro de Kemp cativa o leitor mais rapidamente do que o protagonizado pelo Luke (leia a resenha de Herdeiro do Jedi), talvez porque atrás de cada missão (mesmo as solos) há um objetivo maior, há todo o propósito evidente de lutar contra o Império que confere um tom de grandiosidade que eleva a narrativa. Continuar lendo

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Colecionando Textos #4

 

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Pela Boca da Baleia (Sjón)

“(…) Naquele instante, percebi que aquela boca jamais cessaria de devorar, que aquelas mandíbulas jamais parariam de mastigar e que aquela língua jamais se cansaria de ser banhada no sangue de outros seres viventes. Então, teus lábios se mexeram. Esforçavas-te para dizer tua primeira palavra. E a palavra seria “eu”. Porém, o pai te cortou a palavra, dirigindo-se a mim com aquela voz ao mesmo tempo cordial e dominadora:

– Lúcifer, eis o homem! Deves obedecê-lo da mesma forma que teus irmãos…

(…)

Como é sabido de todos, não me curvei perante aquele novo bicho de estimação do pai, e por isso fui defenestrado do reino dos céus, junto com aqueles que quiseram me seguir. E a ti, criatura, lego-te, como um adeus, minha visão de ti. ”(Página 14)

É com esse prelúdio que Sjón entrega o prenúncio de sua obra. Um prenúncio um tanto pretensioso demais? Foi com essa sensação que adentrei à história de Jónas Pálmason. Inspirado por sua formação musical (talvez), Sjón é letrista e assinou canções de um álbum da Björk e de um dos filmes do diretor Lars von Trier, ele estruturou sua obra quase como uma peça musical: um prelúdio, seguido de dois movimentos, um intervalo, mais dois movimentos e a conclusão. Sem dúvidas, essa estruturação vestiu a obra de uma grandeza exacerbada. A impressão que tive é que no final das contas não havia tanto a contar sobre a história de Jónas e que todo esse rebuscamento empreendido por Sjón longe de potencializar sua história, faz é afastar o leitor que acaba não sendo cativado. Não duvido nada de que muita gente deva ter abandonado Jónas pelo caminho.

Em Pela Boca da Baleia encontramos Jónas Pálmason durante o equinócio de outono em 1635. Há quatro anos ele já está em seu exílio forçado em uma ilha isolada da Islândia. É ali, com os olhos presos no horizonte em busca do continente que lhe é proibido, que ele nos convida a enveredar-nos pelos meandros de suas reminiscências. Por que ele foi parar na ilha? Quais os seus pecados? Quais foram os interesses das pessoas que lhe impingiram o desterro? Seu fascínio pelos bezoares, que o levava a empreender caçadas por carcaças de corvos ainda em sua tenra idade? Suas leituras e a curiosidade pouco ortodoxa que o tornaram um entendedor dos males femininos e um bom curador deles? Suas experiências como exorcista que lhe renderam grande renome? Suas inúmeras incursões pelos vastos caminhos desconhecidos da ciência, pelos sagrados costumes da religião e pelas histórias fantásticas da mitologia? Toda essa mistura incongruente que está na essência da formação do povo islandês é enaltecida por Sjón enquanto amealhamos as memórias de Jónas. Continuar lendo

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Colecionando Textos #3

 

 

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Desafio Livrada 2018 – Minhas Escolhas

Quem me conhece há algum tempo, sabe que eu não sou muito adepta de metas, até faço as minhas “metas de leitura” no Skoob, mas ela muda constantemente ao longo do ano, mas nunca participei de nenhum desafio ao longo desses anos enquanto leitora. O Yuri do canal Livrada, já há um tempo lança todos os anos o Desafio Livrada contendo algumas categorias nas quais o participante é que escolhe os livros que encaixam em cada uma delas e tenta concluí-las ao longo do ano vigente. Conheço o desafio de acompanhar alguns canais literários que participam todos os anos, mas o do ano passado foi o primeiro que realmente eu acompanhei alguns participantes desde a escolha, passando pelos vídeos resenhas, até a conclusão, o que me deixou com muita vontade de participar também. No ano passado não deu (já peguei o bonde andando), mas este ano, assim que o Yuri lançou o post com as categorias no Instagram e depois fez o vídeo explicando cada uma delas, não perdi tempo em elaborar minha lista e começar as leituras.

Veja abaixo as categorias criadas pelo Yuri para o desafio deste ano e os livros que escolhi para cada uma delas. Já aviso de antemão que a lista não é definitiva e é totalmente passível de sofrer mudanças ao longo do ano. E para unir o útil ao agradável, aproveitei para espalhar os livros escolhidos para o Projeto de Leitura “Volta ao Mundo em 198 Livros” pelas diversas categorias. Continuar lendo

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Colecionando Textos #2

 

 

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Branco Como a Neve (Salla Simukka)

Atenção, esta resenha trata sobre os acontecimentos do segundo livro da trilogia Branca de Neve. Por isso, pode conter spoilers, revelando parte do conteúdo do livro anterior. Para saber o que eu achei do primeiro livro, confira os links no final desta resenha.

Depois de se ver envolvida nos negócios da máfia e quase acabar perdendo a vida, Lumikki decide dar um tempo e escapar da Finlândia para aproveitar as férias. Com ela desembarcamos em Praga, mas longe de se ver livre do perigo ela acaba envolvida no misterioso passado de Zelenka, que alega ser sua irmã. Zelenka chega provocando as memórias de Lumikki e com uma vida repleta de restrições junto a pessoas cheias de reservas e com um ar de seita religiosa que não passa despercebido a Lumikki, que após ter um vislumbre da casa onde a pretensa irmã mora fica determinada a desvendar os segredos do lugar antes de ir embora.

“A história de Zelenka era coo uma pela de um quebra-cabeça, que cabia em um lugar que incomodava a vida de Lumikki há mais tempo do que podia se lembrar. Ela sempre soubera, sentira e pressentira que sua família escondia algo. Havia algo grande de que eles não falavam, mas que às vezes invadia os cômodos de tal maneira que se tornava difícil respirar. A tensão do pai. Os olhos tristes da mãe, até mesmo marejados. Discussões, que paravam quando Lumikki chegava.”

(Página 16)

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Colecionando Textos #1

 

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Mindhunter (John Douglas & Mark Olshaker)

“(…) desde Thomas Harris e O Silêncio dos Inocentes, escritores, jornalistas e cineastas vivem nos procurando para descobrir a ‘história real’ por trás dos casos.

Entretanto, logo notei, ao relatar os detalhes de alguns de meus casos mais interessantes e perturbadores, que muitas pessoas da plateia estavam se distraindo e deixando de prestar atenção. Elas estavam ficando realmente enojadas ao ouvir as coisas que eu e minha equipe víamos todos os dias. Percebi que não se interessavam pelos detalhes, e devem ter percebido também que não queriam escrever sobre isso da maneira como era de verdade. Não vejo problema nisso. Cada um de nós tem a própria clientela. ”(Página 373)

Como membro da clientela dos que escrevem sobre isso não da maneira como é de verdade (leia-se livros, séries e filmes policiais), fiquei curiosa a respeito do livro de John Douglas e do Mark Olshaker quando fiquei sabendo que teria uma série da Netflix inspirada nele. Para quem sempre teve interesse em saber mais sobre os casos retratados (ou que serviram de inspiração), sobre como funciona o processo investigativo, como se dá a ‘leitura’ do potencial assassino e toda a burocracia que atravanca o serviço de investigação e obtenção de provas, Mindhunter é uma leitura obrigatória e repleta de informações. E, mesmo que tenha sido publicado em 1995 e muita coisa desde então tenha mudado e aprimorado (ao menos esperamos), os primórdios da utilização da ciência comportamental nas investigações criminais estão devidamente bem representados.

John Douglas foi o fundador e chefe da Unidade de Apoio Investigativo do FBI, criada em 1980. O nome um tanto quanto genérico era proposital, naqueles anos ninguém levava a sério as ciências comportamentais, não como ferramenta para a solução de crimes. É justamente como venceu essas barreiras e como o estudo baseado nas entrevistas com assassinos em série presos (primeiro informalmente e depois de forma sistematizada com a inclusão da dra. Ann Burgess – especialista em doenças mentais – ao grupo) permitiu o reconhecimento de padrões nos criminosos que Douglas discorre neste livro. A narrativa lembra muito um romance biográfico, com Douglas inclusive trazendo fatos de sua infância e anos pré-FBI e do FBI nos tempos de Hoover. Assim como uma biografia, a narrativa assume um tom de memórias, na medida do possível temporalmente linear, ainda que comumente um caso tratado mais a frente em maiores detalhes tenha sido brevemente citado antes. Estruturar o livro como um romance biográfico foi uma ótima escolha, pois tornou a leitura mais fluída e menos parecida com um manual sobre como decifrar a mente de assassino, ainda que em algumas partes o livro ganhe um tom professoral muito semelhante ao de livros textos. Depois de tantos cursos e palestras ministrados por Douglas, isso até que é compreensível. Continuar lendo

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