Colecionando Textos #66

 

 

 

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As Vantagens de Ser Invisível (Stephen Chbosky)

Preciso começar esta resenha com uma confissão: Eu não assisto uma adaptação cinematográfica uma vez que não tenha lido o livro que serviu de inspiração. É por isso que torci como nunca para o Leonardo DiCaprio finalmente ganhar seu Oscar, mesmo não tendo até hoje conferido sua atuação (é, ainda preciso ler O Regresso). Agora, finalmente posso ver a adaptação da obra de Stephen Chbosky. Há tempos As Vantagens de Ser Invisível estava na minha lista de futuras leituras, e, ainda que não haja mais o auê todo em torno da história, a trama de Chbosky continua atual e tem todos os elementos para agradar os jovens da década de noventa ou de atualmente.

“(…) acho que somos quem somos por várias razões. E talvez nunca conheçamos a maior parte delas. Mas mesmo que não tenhamos o poder de escolher quem vamos ser, ainda podemos escolher aonde iremos a partir daqui. Ainda podemos fazer coisas. E podemos tentar ficar bem com elas. ” (Página 221)

A história se passa na década de noventa e traz a história de um adolescente que decide escrever cartas para alguém (não se sabe quem), e também não sabemos quem ele é, só que usa a alcunha de Charlie. Em suas cartas o garoto narra episódios de sua vida: o primeiro dia na escola, o suicídio do amigo, os relacionamentos familiares, os primeiros interesses românticos, a espiral de pensamentos conturbados em que às vezes se vê preso. Continuar lendo

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Intérprete de Males (Jhumpa Lahiri)

Publicado originalmente em 1999, o primeiro livro de Jhumpa Lahiri, Intérprete de Males, traz contos atemporais. São nove contos que narram a fragmentação da identidade e o sentimento de não pertencimento dos que partiram em busca de oportunidades em outros países (especificamente nos Estados Unidos) e daqueles que mesmo em terras conhecidas são colocados à parte diante das expectativas sociais. Para criar essas narrativas migratórias Lahiri aprofundou-se em sua experiência como filha de imigrantes indiano que primeiro se mudaram para o Reino Unido e depois para os Estados Unidos. Uma trajetória que ressoa em algumas das histórias compartilhadas aqui. O resultado são narrativas pungentes que exprimem toda a batalha interna para alcançar (a por vezes inalcançável) sensação de pertencimento. Além do choque entre a cultura indiana e como isso por vezes acaba influenciando as relações familiares. Continuar lendo

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Colecionando Textos #65

 

 

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O Bom Filho (You-jeong Jeong)

Consumir cultura coreana já tem sido uma constante na minha vida há algum tempo. Principalmente músicas, doramas e filmes. Logo que descobri os doramas (alguns dos quais são baseados em livros) e passei a querer conhecer a sociedade coreana mais a fundo, foi natural querer me aventurar pela literatura também. Mas, durante algum tempo foi difícil conseguir títulos traduzidos por aqui. Então, é realmente uma coisa muito boa que mais e mais obras do leste asiático tenham aportado por aqui. É por causa desse boom no mercado editorial que obras como O Bom Filho têm sido publicadas aqui, trazendo tramas interessantes e a oportunidade de imergir em outras culturas.

O Bom Filho é um thriller que traz como protagonista Yu Jin, um rapaz que toma remédios para um transtorno mental, ou melhor, tomava, pois deixou de fazer para “experimentar a realidade”. Um dia, após um ataque epiléptico que o deixou sem lembranças, ele acorda em casa e se depara com sangue, muito sangue, e o corpo de sua mãe. Ele todo ensanguentado. Ela, degolada. Yu Jin entra então num vórtice de pensamentos tentando explicar a situação e se eximir de uma provável culpa. Continuar lendo

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Colecionando Textos #64

 

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Todos Nós Adorávamos Caubóis (Carol Bensimon)

Cora e Júlia, duas amigas dos tempos da universidade, uma road trip pelo interior pouco conhecido e divulgado do Rio Grande do Sul, um passado para acertar as contas e um presente para traçar planos para o futuro. É esse o esqueleto do romance de formação bem brasileiro de Carol Bensimon. Mas, apesar de duas protagonistas, Todos nós adorávamos caubóis é essencialmente o Bildungsroman de Cora. É ela, a garota intrinsecamente urbana, ligada às questões de gênero e feminista, que nos narra a história. Em contraponto à Júlia, a garota do interior, de educação religiosa, que permanece sendo uma incógnita para o leitor, ainda que tenha papel efetivo na trama.

A trama já começa com as duas envolvidas na viagem, mas Bensimon pede licença para retornar no tempo e contar um pouco sobre os preparativos da viagem e o que acarretou que ela finalmente acontecesse. A Viagem Sem Planejamento (por cidades desinteressantes) era um projeto de longa data das garotas e que nunca foi levado adiante. Agora, depois de Cora passar uma temporada em Paris, e Júlia, em Montreal, a viagem sai do plano das ideias. Aliás, o ir e vir no tempo é característica marcante da narrativa de Bensimon, mais do que uma viagem pelas rodovias gaúchas, é nos meandros das memórias, pela reconstrução dos pensamentos, sentimentos e convicções, que essa jornada é mais pungente. Durante a Viagem Sem Planejamento vão se descortinando antigos momentos de Cora e Júlia que delineiam um romance. E, Todos nós adorávamos caubóis levanta a bandeira identitária, e Bensimon o faz muito bem. Tudo trabalhado de forma bastante natural, das primeiras experiências aos eventos que marcaram as vidas de Cora e Júlia. Continuar lendo

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Colecionando Textos #63

 

 

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Colecionando Textos #62

 

 

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Não, Não é Bem Isso (Reginaldo Pujol Filho)

Não, Não é Bem Isso é o quarto livro do Reginaldo Pujol Filho, mas é o primeiro do autor que leio e eu adorei a experiência. São doze textos, onze contos e uma novela nos quais Reginaldo encarna vários narradores, de uma alma recém desencarnada a uma criança com pretensões pela santidade. O caldeirão de misturas rendeu narrativas deliciosas e bastante diversificadas. Não tem como ficar entediado, a cada conto, é como se fosse um novo livro. A luta de classes, as confusões provocadas pelas diferenças linguísticas, uma pandemia, um bigode emblemático e uma experiência com consequências funestas, uma herança diferente, releituras… Muitas das histórias espalham-se pelo mundo e algumas (poucas) espraiam-se pelas ruas e praças de Porto Alegre. Mas, falando do mundo ou de casa, Reginaldo é certeiro nas palavras e incisivo em suas críticas sociais.

“A história é apenas John, ou Paul, ou George, Ringo não conversando com Dumbo, perguntando para Dumbo quantos chineses eles vão explodir hoje, chineses porque vietnamitas ou vietcongues é um troço complicado de falar e o preconceito é fácil, fácil de dizer. ”

 (página 36  – Helicóptero elefantes, Emília, John, ou Paul, ou George, Ringo não)

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