Os Crimes do Dançarino da Sé – Marcelo Antinori

Atenção! Esta é a resenha do segundo livro da série “Sereia de Vidro”, de Marcelo Antinori, e pode conter spoilers não intencionais do roteiro do livro anterior. Para conferir a resenha do primeiro livro da série, clique aqui.

Pouco depois do retorno de Ana Paula a São Paulo, o comando que Coutinho tem sobre o centro da cidade é posto à prova quando um crime horrendo é cometido no meio do seu território. O corpo decapitado de um mendigo foi deixado em um carrinho de supermercado na praça da Sé por uma pessoa que atravessou o centro da cidade passeando com o defunto.

Madre Cristina, a freira leitora de cartas de tarô que conhecemos no primeiro livro, entra em contato com o narrador da história – que permanece sem nome – para lhe informar que a “Dama de Ouros” está correndo perigo. Ao confrontar Luciana, ele descobre que ela tem mantido segredo sobre um homem que a tem perseguido nos últimos meses.

Estas duas histórias aparentemente desconexas logo se misturam quando o narrador (que eu apelidei de Marcelo em homenagem ao autor) se une a Ana Pérsia para tentar capturar o Dançarino da Sé e conquistar a confiança de Coutinho.

No segundo livro da série “A Sereia de Vidro”, o narrador se sente bem mais à vontade com a vida dupla que vem levando, e chega até a assumir que é hipócrita (por que? Leia o livro!). Eu estou bastante curiosa para saber aonde o desenvolvimento dele vai levá-lo, já que eu ainda não consegui simpatizar com o narrador porque as morais dele são tão diferentes das minhas. Continuar lendo

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Pax (Sara Pennypacker)

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Sou daquelas que acreditam que para a leitura não há idade e não há espaço para o preconceito (ao menos a gente tenta né). Da mesma forma que um pré-adolescente pode resolver encarar um “livro cabeça” e ter sim uma leitura prazerosa, um adulto pode se encantar por um livro destinado ao público infantil e dele tirar lições para a vida. Com Pax, Sara Pennypacker reforçou esse sentimento trazendo a bela história de amizade de um garoto e sua raposa. Uma história para encantar as crianças e fazer palpitar até os corações adultos mais peludos.

Peter e Pax são inseparáveis. Peter encontrou Pax, a raposa, quando este tinha poucos dias de vida. Desde então ele cuidou de Pax, e Pax cuidou dele, até chegar a guerra… O pai de Peter irá para o exército e o garoto terá de ir morar com o avô, e Pax não poderá ir junto. A raposa que nunca viveu no ambiente selvagem é abandonada, mas logo Peter se arrepende, se rebela e parte em busca do amigo. Continuar lendo

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Mistério no Centro Histórico (Tailor Diniz)

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No prefácio de Crime na Feira do Livro (2010), a obra na qual Diniz nos apresenta o detetive Walter Jacquet, o autor havia comentado sobre a dificuldade em dar continuidade a outras histórias com o personagem, uma pendenga que foi solucionada por ele. Em Mistério no Centro Histórico Diniz resgata seus personagens e nos convida a enveredar novamente pela cidade de Porto Alegre. Estão de volta Walter Jacquet, seu amigo Joãozinho e Inácia, a governanta de Joãozinho que tem o dom de fazer comentários certeiros e por vezes hilários.

Apesar de editorialmente ser mais recente do que Crime na Feira do Livro, a trama de Mistério no Centro Histórico é mais antiga. Enquanto a trama sobre o assassinato de Adavílson Doceiro tem lugar em 2008, neste os acontecimentos se passam em 2002, isso porque a ideia para essa história tem raízes antigas. A trama que envolve um suposto atentado terrorista no centro histórico de Porto Alegre, a criação de um romance e a confrontação dos fatos pelo uso da lógica, surgiu de um projeto de mestrado apresentado por Diniz à PUCRS há cerca de dez anos.  A proposta não foi selecionada, mas Diniz decidiu não abandonar a trama e finalizar a história.

Na trama, Joãozinho Macedônio, aspirante a escritor, finalmente consegue escrever uma novela baseada em um fato real, a explosão de uma bomba no centro histórico de Porto Alegre. Por depositar todas as suas esperanças nesse manuscrito, ele logo pede que seu amigo – o detetive Walter Jacquet recém-chegado dos EUA para uma temporada na cidade – avalie a sua história. Bomba explodindo em lugar diferente do sugerido por uma denúncia anônima, muitos interesses políticos e uma pressa suspeita em capturar o autor do atentado, incitam Walter a utilizar a lógica para descontruiu passa-a-passo o caso (e para desespero de Joãozinho de sua novela) e enveredar por suas próprias investigações. Continuar lendo

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Destinos e Fúrias (Lauren Groff)

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Terminei de ler Destinos e Fúrias há um tempinho já, mas para escrever esta resenha, precisei ruminar um pouco essa história. A trama de Groff me deixou com sentimentos ambíguos. Foi um livro com o qual a leitura não fluiu totalmente, várias vezes interrompi a leitura porque os personagens não conseguiam me prender. Lotto e Mathilde não são personagens fáceis de ‘engolir’, eles não te cativam logo de cara e, durante muito tempo você até mesmo não gosta deles, o que te faz pensar muitas vezes sobre qual foi o objetivo de Groff ao escrever uma história sobre personagens tão, na falta de melhor palavra para descrevê-los, antipáticos. Mas aí Groff faz sua mágica e você nem mesmo percebe. De repente você passa a enxergar a aura dourada de Lotto que sempre lhe angariou admiradores fiéis, e Mathilde revela toda a sua complexidade, sua força interior. Os defeitos de ambos continuam ali, e no fim das contas, são eles que os tornam mais humanos e acessíveis. E é assim que o livro com o qual comecei a leitura com a impressão de que não iria gostar, de que o auê em torno dele era injustificável e que não havia nada de mais na história de Groff, me pegou de jeito. O casal pode não ser tão extraordinário assim, mas Groff tornou o nosso papel de observadores desse casamento fascinante.

“- Minha esposa – disse. – Minha.

(…)

– Pare – pediu ela. Perdera o sorriso, tão tímido e constante que deixara o marido espantado de vê-la de perto sem um. – Ninguém é de ninguém. Fizemos algo grandioso. É novidade.

(…)

– Você tem razão – disse ele; pensando “Não”, pensando em quão profundamente pertenciam um ao outro. Sem dúvida.

Entre a pele dele e a dela havia o menor dos espaços, mal cabia ar, mal cabia a camada de suor que começava a esfriar. Mesmo assim, uma terceira pessoa, o casamento dos dois, se insinuara ali. ”

(Páginas 10 e 11)

Lotto e Mathilde se casaram aos 22 anos, loucamente apaixonados. É o pontapé inicial da narrativa de Groff que nos convida então a desvendar as facetas dessa união por intermédio de seus dois lados. Assim, Destinos e Fúrias torna-se dois livros. Destinos, narrado sob o ponto de vista de Lotto, traz sua história desde antes do seu nascimento: o envolvimento dos pais, o relacionamento com os amigos desaprovado pela mãe, o envio para o internato em outro estado, a solidão, a descoberta do teatro, seu despertar como don juan, o casamento com Mathilde… Continuar lendo

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O Orfanato da Srta. Peregrine para Crianças Peculiares (Ransom Riggs)

o orfanato da srta peregrine

Quando o primeiro volume da série do Ransom Riggs foi lançado, confesso que não havia me animado em conferir a história de suas crianças peculiares. Mas aí o livro ganhou uma adaptação cinematográfica (estreia agora em setembro) com direção do Tim Burton e foi o que bastou para colocar a história de Riggs em evidência novamente. Com o trailer de divulgação e a promessa da publicação dos demais volumes da série rapidamente (e a Intrínseca cumpriu!) finalmente decidi conferir essa história. Para ser bem sincera, o fato é que haverá um filme que quero muito assistir e há uma obra literária por trás, meu TOC literário simplesmente não me deixaria queimar uma etapa e partir direto para a telona.

Jacob Portman cresceu ouvindo as histórias extraordinárias do avô. A principal versava sobre como ele fugira de monstros na Polônia e fora acolhido em um orfanato mágico, protegido por uma ave, em uma ilha no País de Gales. Essa história vinha acompanhada de estranhas fotografias de seus moradores. Quando era pequeno Jacob se deleitava nessas histórias, ao crescer começou a achar que nada havia de fantasioso nelas e que as narrativas serviam apenas para mascarar os horrores da Segunda Guerra que marcaram a vida do avô. Até o dia que o avô fora atacado e antes de morrer lhe fez prometer que encontraria a Ilha, o orfanato e a ave. A única forma de Jacob ficar seguro. Na ilha Jacob tem seus primeiros contatos com as crianças peculiares. Jovens com características (melhor dizendo poderes) que as tornam únicas e no mundo real incompreendidas e caçadas. Eis um claro discurso sobre aceitar as diferenças e a crítica velada ao preconceito e às atitudes extremas que ele pode levar. Alguns podem achar piegas, lugar comum, mas o discurso encaixa-se perfeitamente à trama, e que bom que Riggs não se privou de fazê-lo. Continuar lendo

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Star Wars – Império Despedaçado (Rucka, Checchetto, Unzueta & Laiso)

STAR WARS IMPERIO DESPEDACADO

Star Wars – Império Despedaçado é uma minissérie gráfica composta por quatro volumes publicada pela Marvel. Elas fazem parte do novo cânon da franquia e ajudam a criar a ponte entre os filmes seis e sete. No Brasil, os quatro volumes foram reunidos em um único encadernado pela Panini. As histórias têm roteiro do Greg Rucka (autor de Star Wars: A Missão do Contrabandista e Star Wars: Antes do Despertar), arte do Marco Checchetto, Ángel Unzueta e Emilio Laiso e cores de Andres Mossa.

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A Presa de Sharpe (Bernard Cornwell)

Atenção, esta resenha trata sobre os acontecimentos do quinto livro (ordem cronológica) da série As Aventuras de um Soldado nas Guerras Napoleônicas. Por isso, pode conter spoilers, revelando parte do conteúdo dos livros anteriores. Para saber o que eu e a Mari achamos de outros livros da série, confira os links no final desta resenha.

APresadeSharpe

Depois da Batalha de Trafalgar, eu confesso que esperava reencontrar um Sharpe mais feliz. Com algum dinheiro no bolso, uma posição efetiva como soldado nos Fuzileiros e, quem sabe, o amor de Lady Grace. Mas, a leitura deste quinto volume mostrou que se Cornwell pode deixar a vida de seu protagonista árdua e melancólica, ele o irá fazê-lo sem meias medidas. É assim que reencontramos Sharpe em 1807 (dois anos depois de Trafalgar): vagando solitário e sem dinheiro pelas ruas de Londres, desenganado com o amor e cansado de tentar ser um bom soldado e não reconhecerem o seu valor. Será o fim de sua carreira como oficial? Se ele pudesse ter vendido sua patente talvez fosse, mas como até isso lhe foi negado, restou ao acaso o papel de reunir velhos companheiros de batalhas indianas e garantir a Sharpe uma missão. Acompanhar o nobre oficial John Lavisser à Dinamarca. Lavisse irá propor um suborno ao príncipe herdeiro dinamarquês e quem sabe trazer a Dinamarca para o lado inglês e impedir uma guerra. Cabe a Sharpe mantê-lo a salvo dos franceses. Mas, se tem uma coisa que aprendemos com os livros anteriores é que sempre há um traidor e, se ele não é Haskewill (ainda estou me perguntando aonde o bendito foi parar e quando irá dar as caras novamente), será alguém bem próximo a Sharpe. Lavisser é claro, não é muito difícil perceber isso. Sharpe foi escolhido como substituto ao antigo soldado designado para proteger Lavisser e que acabou assassinado, e não demora para o nobre oficial tentar livrar-se de Sharpe também, mas é claro que não dá certo e agora é Sharpe que parte em seu encalço (por toda a Dinamarca) para desmascará-lo e fazê-lo pagar pela traição. Continuar lendo

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O Oráculo Oculto (Rick Riordan)

CAPA-O-Oráculo-Oculto

Riordan desta vez foi bonzinho e não nos deixou muito tempo longe dos personagens que aprendemos tanto a gostar. Após a conclusão da série Os Heróis do Olimpo e seu enveredamento pelo mundo dos deuses nórdicos, era de se esperar que Riordan fosse dar uma pausa nos mundos grego e romano. A participação de Annabeth na história do primo Magnus Chase vinha como um alento para mantermos contato, ainda que indiretamente, com os semideuses já tão conhecidos. Mas, pelo visto Riordan não conseguiu ficar muito tempo afastado do Olimpo e de Long Island e o término da batalha contra Gaia forneceu a desculpa que faltava para ele começar uma nova história, desta vez com um toque divino a mais, na verdade, a menos, bem menos…

 “ Inspecionei meu novo corpo. Eu aparentava ser um adolescente caucasiano do sexo masculino, usando tênis, calça jeans e uma camisa polo verde. Muito sem graça. Eu me sentia enjoado, fraco e tão, tão humano.

       Nunca vou entender como vocês, mortais, toleram isso. Vocês passam a vida toda presos em um saco de carne, incapazes de apreciar os prazeres mais simples, como se transformar em um beija-flor ou se dissolver em pura luz.

 E agora, que os céus me ajudem, eu era um de vocês, apenas mais um saco de carne no universo.” (Página 11)

Zeus culpou Apolo pela batalha entre os deuses e Gaia e como punição o expulsou do Olimpo. O deus do sol foi parar na Terra, agora sob a forma de garoto (mortal) de 16 anos. Não é a primeira vez que Apolo passa por tal provação e se tem uma coisa que suas experiências anteriores lhe ensinaram, era que ele estaria destinado a servir um semideus e que ainda sofreria muito até cair nas graças de seu pai novamente. Ele só não contava ficar a serviço de Meg McCaffrey, uma semideusa sem-teto e maltrapilha que se defende com frutas; que o seu mais famoso oráculo (o Oráculo de Delfos) ainda não estivesse funcionando e que caberia a ele (e não a um grupo de semideuses, por mais famosos e competentes que sejam) reavê-lo; e que como apenas mais um saco de carne no universo, entraria na mira de um de seus adversários mais antigos (e ele não está sozinho). Continuar lendo

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Loney (Andrew Michael Hurley)

Loney

Loney, romance de estreia de Andrew Michael Hurley, traz a história de dois irmãos. Um deles mudo e o outro destinado a ser seu eterno protetor. O livro é narrado em primeira pessoa pelo irmão protetor. Interessante que mesmo Hanny sendo mudo, a ele o direito de sua identidade não lhe é negado. O irmão, apesar de narrador, protetor e intérprete de Hanny, dele nem mesmo seu primeiro nome nos é permitido saber. O que escancara ainda mais o quanto Smith (sobrenome da família) ou Tonto (apelido dado pelo Padre) se anulou ao longo dos anos impelido pela mãe superprotetora e intransigente. E é justamente na construção do relacionamento fraternal, o fato de Smith ser o único capaz de compreender os anseios de Hanny e dele não se importar com a deficiência do irmão, enxergada como uma mácula que precisa ser expurgada pela mãe; que repousa a melhor parte da história de Hurley. Supera até mesmo o Loney e sua atmosfera lúgubre e, principalmente, é muito mais interessante que todas as manias, preceitos e preconceitos da sra. Smith.

A história de Hurley tem início com Smith lendo a notícia do corpo de uma criança que foi encontrado em Coldbarrow. Um lugar sobre o qual há trinta anos ele não ouvia falar, e ao qual será necessário voltar por meio de suas reminiscências. Continuar lendo

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Maus (Art Spiegelman)

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Depois de inúmeros romances e filmes retratando a Segunda Guerra Mundial e os horrores do Holocausto de forma tão trágica e massacrante, é impossível não se perguntar de a sensibilidade, a emoção e o horror conseguiriam ser bem retratados em uma graphic novel. Foi essa a tarefa que Art Spiegelman tomou para si lá em 1973, quando a primeira parte do primeiro volume de Maus foi publicada, este que só seria finalizado em 1986 e que ganharia um segundo (e final) volume finalizado em 1991. A tarefa foi concluída com sucesso, tanto é que no ano seguinte, foi agraciado com o Prêmio Pulitzer de literatura. Na edição brasileira publicada em 2005 pela Companhia das Letras (pelo selo Quadrinhos na Cia.) todas essas partes foram reunidas em um volume único.

Maus, palavra alemã para rato, traz a história de Vladek Spiegelman, pai do autor, um judeu polonês que sobreviveu ao campo de concentração de Auschwitz. A história de Art vai se desenrolando perante nossos olhos como uma conversa e para isso ele se coloca como personagem. É Art, que depois de adulto e durante suas visitas ao seu idoso pai, que o convence a compartilhar sua história. São essas conversas, marcadas pela relação não tão próxima entre pai e filho e pelas interrupções de Vladek para corrigir partes da história já anteriormente narradas que encaminham a trama de Spiegelman aos anos pré-Guerra e aos anos de embate propriamente dito. Continuar lendo

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