O Teorema Katherine (John Green)

O-Teorema-Katherine

“Quando se trata de garotas (e, no caso de Colin, quase sempre se tratava), todo mundo tem seu tipo. O de Colin Singleton não é físico, mas linguístico: ele gosta de Katherines. E não de Katies, nem de Kats, nem Kitties, nem Cathys, nem Rynns, nem Trinas, nem Kays, nem Kates, nem – Deus o livre – Catherines. K-A-T-H-E-R-I-N-E.  Já teve dezenove namoradas. Todas chamadas Katherine. E todas elas – cada uma, individualmente falando – terminaram com ele. ” (Página 24)

Desde que se entende por gente, ou melhor dizendo, desde que passou a ter interesse amoroso por outras pessoas, Colin namora Katherines. Eventualmente, a Katherine sempre termina com ele. Sempre foi assim, e agora, Colin acaba de levar seu décimo nono pé na bunda. Ele também acabou de se formar no Ensino Médio, e tendo sido considerado uma criança prodígio desde a mais tenra idade, ele tem a impressão de que desperdiçou todo o seu potencial. Que poderia ter se transformado em um gênio, mas que agora será alcançado por todos, será apenas mais um.

Desiludido, Colin decide cair na estrada com seu carro, o Rabecão do Satã, na companhia do seu melhor amigo Hassam. Essa viagem acaba tendo uma parada não intencional em Gutshot, Tennessee. Ali, os garotos conhecem Lindsey e sua mãe, arrumam um emprego e Colin tem o seu tão sonhado momento eureca: criar uma fórmula capaz de prever o desfecho de todos namoros do mundo. Algo que ele espera, o coloque no rol dos gênios da humanidade, e que talvez o ajude a reconquistar sua 19° Katherine. É claro que são as Katherines que servem de inspiração e fundamento para que o seu teorema tome forma. E, ao longo da história, todos os seus relacionamentos são rememorados conforme Colin trabalha em seu projeto.

Tenho que confessar que gostei mais do apêndice matemático escrito pelo amigo do John Green do que da história em si. Depois de já ter lido boa parte dos livros do Green, acho que já posso me considerar uma boa conhecedora das suas obras, e conhecendo todo o seu potencial, O Teorema Katherine poderia ter sido mais. A escrita não é ruim, a narrativa é fluída, mas a história é fraca. Aqui, não há um amor adolescente com os dias contados por causa de uma triste e malvada doença; não há uma busca interminável por algo que não se sabe bem o que é, mas que é necessário para dar um sentido à vida; não há a perda repentina e o processo de superação, de reparação. Tudo o que Colin almeja é ser famoso, não ser esquecido, ganhar um prêmio por sua genialidade, e bem, isso não é uma característica que garante muita empatia. Gostar de Colin não é uma tarefa muito fácil e, ainda bem que Green colocou em Hassam, e mais tarde também em Lindsey, o pendor para o alívio cômico, por vezes, sarcástico. São eles que contribuem para termos passagens que nos deixam com um sorriso no rosto e que extraem de Colin sua parte cativante, mostrando-nos que há sim o que gostar no garoto. Mas, ao término da leitura, a impressão que ficou foi que todo esse auê em torno das Katherines foi injustificado. E isso, porque esse denominador comum na vida de Colin foi pouco explorado. Acreditar em destino, em coincidências tão similares, dezenove vezes. É pedir demais. Teria sido muito mais crível, se Colin tivesse algum transtorno que o fizesse ter uma fixação por Katherines. Como não há, se elas tivessem sido Claras, Anas, Lívias ou garotas com nomes completamente diferentes, isso não iria fazer a mínima diferença na história. Colin ainda teria sua motivação para criar o Teorema, e descobriria que nem tudo pode ser previsto, e que a imprevisibilidade pode ser algo bom.

Enfim, O Teorema Katherine é um livro de fácil e rápida leitura, mas também tem o inconveniente de ser rápida no tempo em que permanece em nossos pensamentos. Definitivamente, não é um livro que eu recomendaria para quem ainda não conhece o autor. De todos os que já li, este foi o mais fraquinho.

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1 comentário

Arquivado em Lendo aleatoriamente, Resenhas da Núbia

Uma resposta para “O Teorema Katherine (John Green)

  1. Quero muito ler esse livro 😀

    Beijos e até mais,
    Jayane Fereguetti
    http://www.ulalahmundo.com

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