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Os Fuzileiros de Sharpe (Bernard Cornwell)

Atenção, esta resenha trata sobre os acontecimentos do sexto livro (ordem cronológica) da série As Aventuras de um Soldado nas Guerras Napoleônicas. Por isso, pode conter spoilers, revelando parte do conteúdo dos livros anteriores. Para saber o que eu e a Mari achamos de outros livros da série, confira os links no final desta resenha.

Depois da caçada a Lavisser, dois anos atrás na Dinamarca, e as dúvidas que fizeram Sharpe quase desistir do exército, ele acabou decidindo retornar ao seu posto de intendente, com a promessa de que não seria deixado para trás quando o regimento viajasse outra vez para a guerra. Agora, ele está na Espanha. Nesse período, a França é senhora de toda a Europa e Napoleão avançou com todas as forças de seu exército imperial sobre a Espanha e Portugal. Com perdas significativas nos dois países, o exército britânico está restrito a esparsos regimentos e muitos soldados almejam retornar para os seus países. Há seis meses Sharpe se junto ao 95° Regimento de Fuzileiros no cargo de intendente é claro, afinal, não é do interesse de ninguém conferir algum poder a um tenente ascendido das fileiras. Se tudo corresse conforme o planejado, caberia a Sharpe apenas gerir as provisões de seu batalhão enquanto ignoraria os esgares e o escárnio de seus companheiros, mas com Sharpe, nada ocorre como o esperado.

Na Espanha, a cavalaria francesa massacra o 95° Regimento, faz de reféns oficiais, fere mortalmente outros e, para infelicidade de todos os fuzileiros sobrevivente, resta apenas Sharpe com a patente requerida para comandá-los.

“(…) Os cinquenta fuzileiros eram inofensivos como os destroços de um naufrágio, e se os franceses soubessem que os fugitivos eram liderados por um intendente, iriam considerá-los ainda mais inócuos.

Mas o intendente lutara contra os franceses pela primeira vez há quinze anos, e continuara lutando desde então. Os fuzileiros perdidos podiam chamá-lo de tenente novato, e podiam até enfatizar a palavra “novato” com o escárnio dos soldados velhos, mas isso era porque não conheciam este homem. Tinham-no como um mero sargento ascendido das fileiras, mas estavam enganados. Ele era um soldado, e seu nome era Richard Sharpe.” (Página 35)

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Sharpe em Trafalgar (Bernard Cornwell)

Atenção, esta resenha trata sobre os acontecimentos do quarto livro (ordem cronológica) da série As Aventuras de um Soldado nas Guerras Napoleônicas. Por isso, pode conter spoilers, revelando parte do conteúdo dos livros anteriores. Para saber o que eu e a Mari achamos de outros livros da série, confira os links no final desta resenha.

Sharpe-em-Trafalgar

“(…) Sharpe fitou a silhueta negra da torre e mais uma vez desejou que não estivesse partindo. Gostara da Índia, que se revelara um paraíso para guerreiros, príncipes, mercenários e aventureiros. Ali Sharpe encontrara riqueza, lutara em suas colinas e fortalezas antigas, e fora promovido. Na Índia deixava amigos e amantes, e alguns inimigos em suas sepulturas. E estava trocando este lugar pelo quê? Pela Grã-Bretanha, onde ninguém o esperava, e em cujas colinas não cavalgavam aventureiros, e onde tiranos não espreitavam por trás de ameias vermelhas. ” (Página 44)

Depois de exemplares descrições de batalhas em terra, Cornwell pede licença neste para se embrenhar pelos mares e trazer uma batalha naval para o foco da narrativa. Após flechas, arcos, bestas, espadas, escudos, mosquetes e canhões, é chegada a vez dos navios e todo o seu poderio bélico de suas bordadas de artilharia. Depois da batalha da Fortaleza de Gawilghur, o alferes Richard Sharpe foi efetivamente transferido para o batalhão de fuzileiros, o que também significa que ele deixará a Índia, uma viagem bem longa por mar até a Grã-Bretanha. Então, Cornwell que não é bobo, deu um jeitinho de colocar Sharpe em rota por Trafalgar na época da famosa batalha naval, e a sorte de Sharpe que sempre o coloca no lugar certo mesmo nas horas mais impróprias, lhe garante um lugar à bordo de um importante vaso de guerra de setenta e quatro canhões. Junta-se a isso alguns personagens de opiniões bastante contundentes, um comandante que não se apega a títulos e prefere admirar a bravura de um bom soldado à patentes, alguns traidores e a presença ilustre do almirante Horatio Nelson e temos todos os elementos que tornaram Sharpe em Trafalgar um leitura bastante interessante.

O comboio anual de navios britânicos está prestes a partir de Bombaim em direção à Grã-Bretanha. Mas, antes de Sharpe embarcar no Calliope, ele precisa resolver alguns negócios pendentes, afinal, ninguém tenta passar a perna em Richard Sharpe e permanece incólume. E, para sorte de Sharpe, mais do que um acerto de contas, tal ato faz com ele caia nas graças do comandante da Marinha Joel Chase. Cornwell garante assim o estabelecimento de uma amizade que permitirá a reviravolta na situação precária na qual o alferes se encontrará pouco tempo depois. Isso porque o Calliope trouxe tanta sorte quanto azar à Sharpe. No Calliope ele caiu de amores por Lady Grace, a esposa de um figurão político insuportável, e foi “vendido”, pelo capitão do navio, juntamente com toda a tripulação e o tesouro que carregam, para piratas franceses da nau Revenant. E agora, tudo o que Sharpe quer é evitar que suas perdas materiais sejam grandes, proteger Lady Grace e se vingar. E uma ajuda do comandante Joel Chase vem bem a calhar. Chase resgata o Calliope das mãos dos franceses, traz Sharpe para bordo do Pucelle e parte em perseguição ao Revenant. Uma perseguição que acaba indo parar em uma batalha náutica! O Revenant se junta às esquadras francesa e espanhola e o Pucelle se junta à britânica sob o comando da nau capitânia de Nelson. Continuar lendo

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A Fortaleza de Sharpe (Bernard Cornwell)

Atenção, esta resenha trata sobre os acontecimentos do terceiro livro (ordem cronológica) da série As Aventuras de Sharpe. Por isso, pode conter spoilers, revelando parte do conteúdo dos livros anteriores. Para saber o que eu achei dos outros livros, confira links no final desta resenha.

fortaleza-sharpe

“Aliás, suar era a única coisa que ele tinha para fazer ali. Maldição. Aquela era uma companhia muito boa, e não precisava nem um pouco de Richard Sharpe. Urquhart comandava-a com muita competência, Colquhoun era um sargento magnífico, os homens estavam sempre tão satisfeitos quanto soldados podiam ficar, e a última coisa que a companhia precisava era de um oficial recém-promovido, ainda por cima inglês, que apenas dois meses antes era sargento.”

Índia, dezembro de 1803. Apenas alguns meses antes, a Batalha de Assaye representou grandes mudanças na vida de Sharpe. Naquela batalha ele salvou a vida de sir Arthur Wellesley e por isso ganhou a patente de alferes no 74° Regimento do Rei, mas, também perdeu o grande mentor Coronel McCandless por culpa do desertor William Dodd e sua vingança contra Hakeswill foi adiada mais uma vez.

Sharpe sempre acalentou o sonho de ascender no exército e ser um bom oficial, mas sua nova ascensão, longe de promover boas mudanças em sua vida, está é lhe trazendo muitos problemas. Os soldados não veem sua ascensão com bons olhos e é claro que além de perder o companheirismo que tinha quando ainda era apenas um soldado, eles também não o respeitam como oficial. E os outros oficiais, bem, estes o reprovam abertamente, veem nele alguém que usurpou um direito daqueles de bom nascimento. E o fato de ter sido alocado em um batalhão escocês também não contribuiu para melhorar essa situação. E sendo Sharpe como é ele até poderia suportar toda essa humilhação. Mas, quando lhe sugerem que venda a sua patente e lhe comunicam que após a batalha em Gawilghur ele será transferido para o batalhão de fuzileiros e que enquanto isso ele ficará responsável pelo comboio de bois, leia-se, bem longe do front de batalha. Sharpe não acha certo desperdiçar seu treinamento ficando retido na retaguarda do exército e percebe que é hora de mostrar seu valor e lutará como nunca. Continuar lendo

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O Triunfo de Sharpe (Bernard Cornwell)

Atenção, esta resenha trata sobre os acontecimentos do segundo livro (ordem cronológica) da série As Aventuras de Sharpe e pode haver spoilers sobre os fatos do primeiro livro. Para saber o que eu achei do primeiro livro, clique aqui.

Índia, setembro de 1803. Quatro anos após derrubar o Sultão Tipu, Sharpe agora é o Sargento Richard Sharpe e tem uma nova missão: ajudar o Coronel McCandless a capturar o Major William Dodd, traidor do exército britânico. Dodd se juntou à Confederação Mahratta determinado a fazer grandes fortunas ajudando a expulsar os britânicos do território indiano e vem provocando bastantes baixas em seu antigo exército. Em sua última incursão, Dodd provocou um massacre em Chasalgaon, um ataque que poderia ter sido considerado de enorme sucesso, se não tivesse deixado um sobrevivente para trás… o sortudo Richard Sharpe.

 “Sharpe observou de rabo de olho o homem alto. Sentia-se responsável, amargo, zangado, assustado. O sangue tinha esguichado do ferimento em seu escalpo. Estava tonto, com a cabeça latejando, mas vivo.”

É assim que Dodd acaba na lista negra de Sharpe, que não pensa duas vezes em largar seu posto em Seringapatam e partir com o Coronel McCandless atrás do desertor. Aliado a essa premissa temos o Sargento Hakeswill, seu antigo superior e seu nêmesis que continua tramando formas de se livrar de Sharpe e de quebra ficar com todo o tesouro que o rival “herdou” do Sultão Tipu e uma nova batalha. Assim como em Azincourt, Cornwell traz uma batalha em assimetria numérica: a Batalha de Assaye que aconteceu em 23 de setembro de 1803 e que segundo registros históricos foi um exemplo da perícia (em maior parte sorte) do exército britânico que com apenas 5 mil soldados derrotou um exército de 50 mil. Este último fato, confesso, me fez passar o livro na frente de outros tantos, porque depois da narrativa de Cornwell para a batalha de Azincourt, esperava algo tão ou mais sangrento e cheio de adrenalina (me condenem, mas me delicio com as descrições bélicas do autor). Mas, nesse quesito fiquei insatisfeita. O destaque para as batalhas foi pouco, nada de planos, ardis, baixas… Foram cerca de apenas três capítulos dedicados à batalha, capítulos bem escritos por sinal, mas poucos. Continuar lendo

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O Tigre de Sharpe (Bernard Cornwell)

A série As Aventuras de Sharpe (agora renomeada de As Aventuras de um Soldado nas Guerras Napoleônicas, prefiro o nome antigo) conta com 21 livros e três contos lançados e é bem antiga, Cornwell publicou o primeiro livro em 1981, há mais de 30 anos! A série narra as aventuras de Richard Sharpe, um soldado do exército britânico, durante o poderio britânico na Índia e as Guerras Napoleônicas. E a característica mais marcante da série é que Cornwell não seguiu uma ordem cronológica ao escrever os livros. Apesar de O Tigre de Sharpe representar o marco inicial na carreira do recruta Sharpe na Índia em 1799, o livro só foi publicado em 1997, 16 anos depois da publicação do primeiro livro da série, A Águia de Sharpe, que narra os acontecimentos de 1809. A série não tem uma ordem específica e cada livro narra um acontecimento na vida de Sharpe. Mas, por mais que o autor tenha concebido a série assim, não me vejo lendo sobre a vida de Sharpe aleatoriamente. Seguir a ordem cronológica dos eventos é meu lema e ainda bem que a Editora Record, que publica os livros no Brasil, está lançando os livros na ordem cronológica.

“O exército decidia quando Sharpe devia acordar, dormir, comer, marchar e ficar sentado de braços cruzados, que era sua atividade principal. Essa era a rotina de um recruta do exército, e Sharpe estava farto dela. Estava entediado e pensando em fugir.”

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