O Tigre de Sharpe (Bernard Cornwell)

A série As Aventuras de Sharpe (agora renomeada de As Aventuras de um Soldado nas Guerras Napoleônicas, prefiro o nome antigo) conta com 21 livros e três contos lançados e é bem antiga, Cornwell publicou o primeiro livro em 1981, há mais de 30 anos! A série narra as aventuras de Richard Sharpe, um soldado do exército britânico, durante o poderio britânico na Índia e as Guerras Napoleônicas. E a característica mais marcante da série é que Cornwell não seguiu uma ordem cronológica ao escrever os livros. Apesar de O Tigre de Sharpe representar o marco inicial na carreira do recruta Sharpe na Índia em 1799, o livro só foi publicado em 1997, 16 anos depois da publicação do primeiro livro da série, A Águia de Sharpe, que narra os acontecimentos de 1809. A série não tem uma ordem específica e cada livro narra um acontecimento na vida de Sharpe. Mas, por mais que o autor tenha concebido a série assim, não me vejo lendo sobre a vida de Sharpe aleatoriamente. Seguir a ordem cronológica dos eventos é meu lema e ainda bem que a Editora Record, que publica os livros no Brasil, está lançando os livros na ordem cronológica.

“O exército decidia quando Sharpe devia acordar, dormir, comer, marchar e ficar sentado de braços cruzados, que era sua atividade principal. Essa era a rotina de um recruta do exército, e Sharpe estava farto dela. Estava entediado e pensando em fugir.”

Misore, Índia, 1799. Richard Sharpe pertencente ao 33° Regimento do exército britânico é um jovem recruta integrante da expedição para destronar o sultão Tipu de Seringapatam. O recruta é pobre, analfabeto e possui poucas chances de galgar posições mais altas em um exército no qual as patentes são concedidas não pelo valor de um soldado, mas pela quantia de dinheiro que ele traz no bolso. Apesar disso, é um bom soldado, de pensamento ágil e carismático o que frequentemente o coloca em maus lençóis com o sargento de seu batalhão Hakeswill. Homem intratável, avarento, invejoso ao extremo e injusto, daqueles que provocam antipatia instantânea e que acaba acusando o recruta de insubordinação e o condenando à morte por chibatadas. Morte da qual Sharpe escapa, para ser destacado para uma missão suicida, infiltrar-se em Seringapatam juntamente com o tenente Lawford, descobrir quais informações importantes o Coronel McCandless (que foi capturado) tem e trazer essa informação ao exército britânico para que o ataque à Seringapatam tenha sucesso. Para isso é preciso enganar Tipu, conhecido por ser implacável com o inimigo e por manter uma arena no qual os presos são executados por homens treinados na arte de matar e frequentemente servem de alimento para os tigres que o sultão mantém.

A narrativa realista que é a marca de Cornwell está presente, o autor não poupa detalhes na descrição das batalhas e na descrição das execuções ordenadas por Tipu, sempre preocupado em retratar fidedignamente os acontecimentos históricos que serviram de inspiração para sua narrativa, e mesmo quando alterações foram necessárias, o autor faz questão de deixar isso claro em uma ótima nota histórica no final do livro. Para os que gostam de um bom romance histórico não há como deixar de ler Cornwell e para os que curtem descrições bélicas, ouso escrever que o autor é um dos melhores na descrição pormenorizada (sem ser maçante) do front de batalha, independente do armamento utilizado. Se com Thomas na série A Busca do Graal era possível imaginar a rota da flecha e o clangor das espadas nos escudos, com Sharpe o ato de carregar os mosquetes, o ricocheteio das balas e os tiros dos canhões saltam aos olhos com a propriedade tão característica do autor.

Sharpe é um herói bem real, também tem defeitos, se dá mal na maioria das vezes (o que é quase sempre), mas tem a coragem que parece faltar a maioria de seus pares no exército. Tinha tudo para ser apenas mais um recruta pobre e analfabeto, sempre mandado por seus superiores, mas vai contra todos os costumes ao ascender não pelo dinheiro, mas por seus próprios méritos. Só me resta ficar na expectativa para saber o que o futuro reserva à Sharpe. Mais uma série do autor que tem tudo para figurar entre as minhas séries favoritas.

Durante a década de 90 a série foi adaptada para uma série televisiva estrelada pelo ator inglês Sean Bean. A série teve quatorze episódios e foi transmitida no Reino Unido entre 1993 e 1997 e teve mais dois filmes lançados em 2006 e 2008.


Conheça a Série As Aventuras de Sharpe (livros na ordem cronológica, como publicados no Brasil):

  1. O Tigre de Sharpe [Skoob]
  2. O Triunfo de Sharpe [Skoob]
  3. A Fortaleza de Sharpe [Skoob]
  4. Sharpe em Trafalgar [Skoob]
  5. A Presa de Sharpe [Skoob]
  6. Os Fuzileiros de Sharpe [Skoob]
  7. A Devastação de Sharpe [Skoob]
  8. A Águia de Sharpe [Skoob]
  9. O Ouro de Sharpe [Skoob] [Resenha da Mari]

Fontes:

http://www.bernardcornwellbr.net

http://www.bernardcornwellbr.net/canal_sharpesfilms/index.htm

http://bernardcornwell.net/

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7 Comentários

Arquivado em Resenhas da Núbia

7 Respostas para “O Tigre de Sharpe (Bernard Cornwell)

  1. Eu li a resenha no aeroporto, na viagem de ida, aí não dava pra comentar pelo celular. Não ia dar tempo!
    Fiquei mto feliz de ver que você gostou de Sharpe ❤ De todos os heróis do Cornwell, ele é o meu favorito justamente porque ele se ferra o tempo todo. Os outros se ferram, mas eles sempre têm uma vantagem na vida… O Sharpe é mais real ao meu ver.
    E o Cornwell já falou que ele espelhou o Hakeswill nele mesmo! Imagina isso!!!!! HUAhuaheuah
    Mas leia o resto da série ❤ Estou ansiosa demais para saber o que vc vai achar!!
    Ah, a resenha está fabulosa, as usual =)
    bjos

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    • Nubia Esther

      Ah não creio, o Hakeswill? o.O lol
      O Sharpe é um ótimo personagem mesmo e tem tudo para ficar entre os meus favoritos junto com Derfel. Logo pegarei os outros livros para ler, tô dando preferência agora para ler livros que já estão há muito tempo na estante hehe. Acabei de ler Azincourt e gostei muito também, gostei do personagem Hook, ah, mas também eu adoro os romances sobre arqueiros do Cornwell.

      E obrigada, a gente sempre se esforça. ^^

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