A Guerra dos Tronos (George R. R. Martin)

Já aviso de antemão que não farei comparações entre As Crônicas de Gelo e Fogo (série da qual A Guerra dos Tronos é o primeiro volume) e O Senhor dos Anéis seguindo os passos equivocados da Veja e só lamento que muitos acreditem e concordem com o que foi posto ali. Martin e Tolkien só tem em comum a ficção fantástica, cada qual com suas características e estilos. Se sou fã de Tolkien por tudo que ele representou e ainda representa para a literatura fantástica, me tornei fã de Martin por mostrar que o gênero segue firme e forte e que novas vertentes sempre podem ser exploradas garantindo boas obras.

Martin em sua obra nos apresenta Westeros, um grande continente situado no extremo oeste do mundo, composto por Sete Reinos que mantem fidelidade ao Rei, que governa do Trono de Ferro situado na cidade Porto Real. As Terras do Sul são caracterizadas pelas altas temperaturas e fauna e flora extravagante e as Terras do Norte são sempre companheiras do frio constante e de invernos extremamente cruéis. Ao norte o reino termina na grande Muralha, que mantém (ou pelo menos tenta) a Floresta Assombrada e todas as criaturas que nela habitam longe das terras situadas ao sul de sua barreira.

“Todas as casas nobres tinham as suas palavras. Lemas de família, pedras de toque, espécies de orações, que alardeavam honra e glória, prometiam lealdade e verdade, juravam fé e coragem. Todas, menos a dos Stark. O inverno está para chegar, diziam as palavras Stark. Refletiu sobre como aqueles nortenhos eram um povo estranho, e já não era a primeira vez que o fazia.”

Winterfell, lar de Lord Eddard Stark (ou simplesmente Ned), está situada no longínquo norte e, apesar dos maus augúrios que rondam a Muralha é do sul que partem notícias que marcarão profundamente o clã Stark. A Guerra dos Tronos nos traz justamente esses eventos. Lorde Jon Arryn, antigo detentor do cargo de Mão do Rei, o segundo no poder de Westeros, morreu misteriosamente e sua esposa, irmã de Catelyn Stark, suspeita que ele tenha sido assassinado a mando da rainha Cersei Lannister. Ned, grande amigo de Arryn e também do rei Robert Baratheon, ao ser convidado para assumir o cargo do amigo pensa em recusá-lo, mas Catelyn o convence a aceitar para que assim possa realmente descobrir o que está se passando na corte. Lord Stark é um personagem que crê na justiça, isso o torna forte, mas também é sua maior fraqueza. Sem se dar conta disso ele parte para a corte, sem imaginar o real perigo em que colocaria sua família.

Tomamos conhecimento sobre o que acontece na Muralha através de Jon Snow, o filho bastardo de Ned. A ameaça dos Outros, seres que só existiriam nas lendas, mas que começam a fazer vítimas entre os vigias do norte; a formação de uma nova força na Muralha e a importância que ela terá para os eventos futuros. Além do mar do leste, estão as terras denominadas livres, os habitantes de lá vivem sua vida pouco se importando com aqueles que estão além-mar. Exceto por Viserys e Daenerys, únicos descendentes vivos do antigo rei de Westeros deposto por Baratheon e que ainda almejam voltar a governar do Trono de Ferro.

E assim, Martin vai traçando uma intricada trama em torno da disputa pelo poder. Pelo meio do caminho, enche de forças personagens que já estavam desacreditados e abandona outros que poderiam render mais e o Cornwell concorda comigo. Em sua história não há personagens totalmente heróis, nem totalmente vilões (tá aqui eu discordo em partes) e essa dualidade faz muitas vezes você vacilar em escolher um lado para torcer. Temos Catelyn, uma mãe amorosa, mas que ao mesmo tempo destrata o filho bastardo do marido. Tyrion Lannister que sabe fazer chacota como ninguém, mas ao mesmo tempo é bom conselheiro. Seria ele outra víbora do clã Lannister ou o trigo no meio do joio? E aqueles personagens que elegi como favoritos (e aqui se sintam a vontade para discordar): Jon Snow, o bastardo que acima de tudo é fiel e zeloso por sua família; Bran e toda sua coragem e Arya com toda sua intrepidez e determinação infantil.

Martin utiliza em sua narrativa um método que parece estar em voga nas histórias atuais. Porque restringir a história a apenas um narrador, quando se pode explorar diferentes pontos de vistas e permitir que o leitor tenha uma visão panorâmica da obra? E bota visão panorâmica nisso, em vez de dois, três narradores, Martin nos presenteia com oito! Nesse primeiro volume em sua maioria são os Stark que nos contam a história, acompanhados por Tyrion Lannister e Daenerys e pela forma como a história termina é fácil supor que nos próximos volumes esse número continue tão grande ou até mesmo maior.

Só me resta continuar a acompanhar essa disputa. Nos livros e agora que terminei o primeiro, por meio da série da HBO também, que logo pretendo conferir.

Conheça a série As Crônicas de Gelo e Fogo (livros já publicados no Brasil):

  1. A Guerra dos Tronos
  2. A Fúria dos Reis
  3. A Tormenta de Espadas
  4. O Festim dos Corvos

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13 Comentários

Arquivado em Resenhas da Núbia

13 Respostas para “A Guerra dos Tronos (George R. R. Martin)

  1. Nossa amiga, eu preciso criar coragem para ler o livro, pq eu já amo a série de tv, sério.

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    • Nubia Esther

      Precisa mesmo Karlinha, e ó, o livro assusta pelo tamanho mas a leitura é tão empolgante que você lê ele rapidinho. Li em três dias apenas. Tenho que começar a ler logo o segundo para já emendar a primeira temporada da série com a segunda! \o/

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  2. migraziele

    Já ouvi muita gente falando bem desse livro. Também quero ler!

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    • Nubia Esther

      Leia mesmo Graziele, se eu soubesse que ia ser tão bom, tinha começado a ler antes. Há tempos estava com ele criando teias de aranha na estante. xD

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  3. Uau – são oito narradores?! Eu não sabia que eram tantos >< hahahah
    Já tenho esse primeiro livro aqui em casa e quero muito lê-lo logo!

    Beijos,

    Nanie – Nanie’s World

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  4. Fernanda

    Bem, depois de ler o seu post, com certeza vou ler os livros (mesmo sendo enormes, mas esses são os meus preferidos, rsrs) e também vou ver a série. Sinceramente respeito muito autores capazes de criam um mundo próprio para contarem suas histórias. É muito fácil escrever sobre um universo já conhecido, mas criar um do zero, isso com certeza dá trabalho! ^_^

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