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Um Autor de Quinta #104

Coluna inspirada no Uma Estante de Quinta da Mi Muller do Bibliophile.

 

 

Randall Munroe

O americano Randall Patrick Munroe nasceu em 17 de outubro de 1984 e é mais conhecido por sua webcomic com figurinhas de palitinhos, a famosa xkcd. Munroe nasceu na Pensilvânia, mas cresceu na Virginia e se formou em física pela Universidade Christopher Newport. Antes mesmo de se formar, Munroe conseguiu um emprego na área de robótica na NASA. Seu apreço pelos desenhos, esquemas e fluxogramas, vem desde a época da escola e continuou durante toda a sua graduação. As margens de seus cadernos e livros sempre foram tomadas por essas figuras. Mais tarde, muitas dessas figuras foram escaneadas e colocadas em seu site pessoal, surgia assim, em setembro de 2005, o xkcd. Em 2006, a NASA não renovou seu contrato, então Munroe mudou-se para o Massachusetts e passou a se dedicar exclusivamente ao xkcd, que hoje conta com uma enorme base de fãs. Por meio de suas histórias, ele fala sobre a vida, o amor, matemática, programação, piadas científicas, o universo e tudo o mais, tudo com uma boa dose de humor e sarcasmo e muitas referências à cultura pop. Continuar lendo

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O Diário de Zlata (Zlata Filipović)

Se tem algo que o projeto de leitura ‘Volta ao Mundo em 198 Livros’ me proporcionou, foi uma boa “chacoalhada” na minha lista de leituras, quer seja com a aquisição de títulos desconhecidos, com a retirada de pó de títulos “esquecidos” na estante, ou com o incentivo que faltava para ir atrás de títulos que já tinha um bom tempo que desejava ler. Desde que comecei o projeto, sabia que queria ler como representante da Bósnia e Herzegovina o diário escrito por Zlata Filipović entre o período que antecedeu e durante os primeiros anos da Guerra da Bósnia. Quando se fala em guerra e diário, é impossível não se lembrar de Anne Frank, mas a história de Zlata, além do ponto de vista infantil da guerra e suas consequências, não guarda semelhanças com a história da garota alemã. Para início de conversa, seu diário foi publicado em 1993 (no Brasil em 1994) em plena época de conflito. As primeiras fotocópias do diário foram publicadas quando Zlata ainda mantinha seus registros e a publicação aconteceu por influência da UNICEF que queria mostrar a situação das crianças durante a guerra no país para o resto do mundo. Entre o tempo desde as primeiras fotocópias até a edição definitiva que ganhou o mundo, Zlata praticamente se tornou uma espécie de correspondente de guerra. Situação esta, que sem dúvida contribuiu para que ela e a família entrassem na mira da mídia e das autoridades políticas da Europa. A última entrada do diário é do dia 17 de outubro de 1993, mais tarde naquele ano, pouco antes do Natal, ela e os pais receberam a permissão para deixar Saravejo (o que era praticamente impossível sem alguma influência externa) e foram refugiados em Paris. Diferentemente de Anne, Zlata saiu calejada, mas viva da experiência.

A edição brasileira (a que eu tenho é a reimpressão feita em 1997 da edição de 1994) conta com um prefácio escrito por Leão Serva. Serva é jornalista e escritor e foi correspondente durante a Guerra da Bósnia. Com um livro extremamente paradidático para se trabalhar conflitos armados em salas de aula e recomendado para figurar nas bibliotecas escolares, a inclusão do prefácio de Serva tornou a leitura ainda mais completa e contextualizada. Ele dá uma boa pincelada sobre a situação geopolítica da Bósnia e países limítrofes no passado até os dias que antecederam a explosão da guerra civil. Que na época da publicação do diário por aqui, ainda não havia acabado. Continuar lendo

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A Varanda do Frangipani (Mia Couto)

Dar início ao projeto de leitura “Volta ao mundo em 198 livros” foi o incentivo que faltava para que eu finalmente começasse a ter contato com obras de autores que há muito queria ler e vivia protelando. Foi assim, que finalmente peguei um Mia Couto para ler. Nem foi um de seus romances mais conhecidos, – comprei esse em uma promoção e não quis comprar outro até tirar a prova dos nove – mas, mesmo o menos aclamado “A Varanda do Frangipani” foi suficiente para me encantar pela forma de Mia contar suas histórias. Definitivamente é um autor que quero manter na minha estante e conhecer mais a fundo suas obras. Depois desta leitura, minha lista de livros desejados aumentou substancialmente.

O início dessa história nos apresenta Ermelindo Mucanga. Ele que faleceu há quase duas décadas, às vésperas da Independência de Moçambique (25 de junho de 1975), não teve um enterro direito. Ao morrer longe de sua terra natal, não teve cerimônia fúnebre e se tornou um xipoco, uma espécie de fantasma, ainda que tenha se guardado à prisão de sua cova, à sombra de uma árvore de Frangipani na fortaleza de São Nicolau onde estava trabalhando. Talvez tivesse permanecido um “xipoco adormecido” em seu arremedo de descanso eterno, se os governantes não tivessem decidido fazer dele um herói nacional e para isso fuçarem em seus restos mortais. Isso pouco lhe agrada e tal disparidade precisa ser impedida. Ele então segue o conselho do seu guia espiritual, o pangolim, e encarna no inspetor policial Izidine Naíta. Continuar lendo

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Leia Mulheres: escritoras de não-ficção que vale a pena conhecer

Com o Dia Internacional da Mulher se aproximando, nada mais justo do que lembrar a data colocando em evidência as mulheres que fazem do mundo das palavras suas profissões. O título deste post faz referência ao projeto #readwomen2014 (adotado no Brasil como #leiamulheres2014) proposto pela escritora Joanna Walsh e que propunha que todos lessem mais mulheres, as quais historicamente sempre tiveram menos visibilidade no mercado editorial. Houve um grande engajamento no ano de 2014 e até hoje ele rende frutos. No Brasil hoje temos o projeto Leia Mulheres que já conta com vários clubes de leituras espalhados pelo Brasil e que tem contribuído para colocar em destaque o trabalho de várias escritoras. A minha contribuição de formiguinha aqui é apresentar cinco escritoras de não-ficção que me proporcionaram ótimas leituras, algumas extraordinárias, e, que eu gostaria que cada vez mais tivessem suas obras conhecidas e lidas por mais pessoas.

A ordem de apresentação das autoras é aleatória.

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Foto de Elke Wetzig

Era inconcebível eu fazer essa lista e deixar de fora a bielorussa Svetlana Aleksiévitch laureada em 2015 com o Prêmio Nobel de Literatura pelo livro Vozes de Tchernóbil, uma leitura sofrida e angustiante, mas de uma sensibilidade e um compromisso com o povo de Tchernóbil imensos. O livro faz jus a todo o burburinho que causou na época de seu lançamento aqui no Brasil e se você ainda não leu se permita ter essa experiência. Dela a Companhia das Letras também já publicou outros dois livros: “A guerra não tem rosto de mulher” e “O fim do homem soviético”. O primeiro traz o relato da Segunda Guerra Mundial do ponto de vista das mulheres que longe de ficarem na retaguarda, estiveram na linha de frente das batalhas. Uma leitura com um grande enfoque feminino e que já está na pilha de livros para ler ainda este ano. Continuar lendo

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Maus (Art Spiegelman)

maus

Depois de inúmeros romances e filmes retratando a Segunda Guerra Mundial e os horrores do Holocausto de forma tão trágica e massacrante, é impossível não se perguntar se a sensibilidade, a emoção e o horror conseguiriam ser bem retratados em uma graphic novel. Foi essa a tarefa que Art Spiegelman tomou para si lá em 1973, quando a primeira parte do primeiro volume de Maus foi publicada, este que só seria finalizado em 1986 e que ganharia um segundo (e final) volume finalizado em 1991. A tarefa foi concluída com sucesso, tanto é que no ano seguinte, foi agraciado com o Prêmio Pulitzer de literatura. Na edição brasileira publicada em 2005 pela Companhia das Letras (pelo selo Quadrinhos na Cia.) todas essas partes foram reunidas em um volume único.

Maus, palavra alemã para rato, traz a história de Vladek Spiegelman, pai do autor, um judeu polonês que sobreviveu ao campo de concentração de Auschwitz. A história de Art vai se desenrolando perante nossos olhos como uma conversa e para isso ele se coloca como personagem. É Art, que depois de adulto e durante suas visitas ao seu idoso pai, que o convence a compartilhar sua história. São essas conversas, marcadas pela relação não tão próxima entre pai e filho e pelas interrupções de Vladek para corrigir partes da história já anteriormente narradas que encaminham a trama de Spiegelman aos anos pré-Guerra e aos anos de embate propriamente dito. Continuar lendo

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Diversidade da Vida (Edward O. Wilson)

diversidade da vida

“Ouvi ao meu redor o coro grego do treinamento e da cautela: como você pode provar que esta é a razão de serem dominantes? Fazer tal associação não é mais uma vez concluir precariamente que se dois eventos ocorrem juntos um tem de causar o outro? Algo inteiramente diferente pode ter causado ambos. Pense nisso. Que tal uma maior capacidade individual de luta? Ou sentidos mais aguçados? Ou o quê?

Esse é o dilema da biologia evolucionista. Temos problemas a resolver e temos respostas claras – um excesso de respostas claras. O difícil é escolher a resposta certa. A mente isolada move-se em círculos lentos, e os avanços são raros. A solidão é melhor para eliminar ideias do que para criá-las. Gênio é apenas a produção de muitos vinculada aos nomes de poucos para facilitar a lembrança, uma injustiça para tantos cientistas. ” (Página 14)

Em Diversidade da Vida Edward O. Wilson traz quinze capítulos divididos em três seções: Natureza Violenta, Vida Resistente; O Aumento da Biodiversidade; e O Impacto Humano. Na primeira seção Wilson apresenta alguns exemplos emblemáticos de como eventos destrutivos são contornados pela vida e termina falando sobre os cinco grandes eventos de extinção que a Terra sofreu ao longo de sua história evolutiva. Assim, nos prepara para inserir o evento mais emblemático, recorrente e atual de extinção que estamos provocando. Mais pernicioso do que alguns dos mais catastróficos do passado, justamente por não haver tempo de recuperação cabível, não ao menos na escala de vida do Homo sapiens. Continuar lendo

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Sagrado (Dennis Lehane)

Atenção, esta resenha trata dos acontecimentos do terceiro livro da série dos detetives Kenzie & Gennaro e pode haver spoilers (evitados ao máximo) sobre fatos dos livros anteriores. Para saber o que eu achei dos outros livros, confira os links no final desta resenha.

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Dando continuidade aos meus planos de ler a série protagonizada pelos detetives Kenzie e Gennaro na ordem cronológica, chego ao terceiro volume. E, após as perdas recentes e a violência escancarada que adentrou às vidas de Patrick e Angie há poucos meses (Apelo às Trevas), neste volume, Lehane atinge novos patamares com seu humor sarcástico. Angie e Patrick estão mais afiados do que nunca, o que contribuiu para tornar a leitura de Sagrado ainda mais ágil. Ele também não poupou nas reviravoltas…

“Talvez a honra estivesse em seu ocaso. Talvez ela já estivesse em declínio havia muito tempo. Ou, pior: talvez ela nunca tivesse passado de uma ilusão.

Todo mundo é suspeito. Todo mundo é suspeito.

Aquilo estava virando o meu mantra. ” (Página 208)

Desde os eventos trágicos há poucos meses atrás, Angie e Patrick fecharam o escritório e decidiram deixar o trabalho de detetives em estase. Mas, alguns clientes como o milionário Trevor Stone não aceitam a porta fechada. Trevor quer saber o que aconteceu com sua bela e deprimida filha. E, quando o antigo mentor de Patrick que já fora contratado anteriormente para resolver esse mesmo caso, também se encontra desaparecido, os detetives se veem envolvidos em uma caçada que envolve uma empresa que oferece terapias para a dor, meandros religiosos e evidências bastante enganosas. Nada é o que parece, e se Lehane pode tornar um caso aparentemente simples em algo intricado, é claro que ele o irá fazer. Mas, sem quebrar o ritmo da narrativa e sem utilizar a estratégia em demasia. Continuar lendo

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Cartas a um jovem cientista (Edward O. Wilson)

cartas a um jovem cientista

“Todo mundo sonha acordado, como um cientista, de alguma forma. Fantasias elaboradas com disciplina são a grande fonte de todo o pensamento criativo. Newton sonhava, Darwin sonhava, você sonha. As imagens evocadas são a princípio vagas. Elas podem variar de formato e surgir ou desaparecer. Elas se tornam um pouco mais sólidas quando desenhadas em diagramas em blocos ou folhas de papel, e ganham vida à medida que se buscam e se encontram exemplos reais. ” (Página 31)

Provavelmente não há um biólogo do campo da zoologia, ecologia, e/ou evolução que não tenha ouvido algo sobre Edward O. Wilson. Em algum momento da graduação, você conheceu ou conhecerá um pouco mais sobre esse cientista, que escolheu estudar as formigas e que fez importantes contribuições nas áreas da sociobiologia, da biogeografia de ilhas e do comportamento das formigas. Mas, acima de tudo, pelo seu comprometimento em proteger a biodiversidade da Terra e em compartilhar o conhecimento científico por meio de diversos livros publicados, muitos deles, voltado ao público geral como o A Criação: como salvar a vida na Terra ou Diversidade da Vida.

Em Cartas a um Jovem Cientista, seu público é um pouco mais focal, mas ainda assim é abrangente no sentido de não se direcionar apenas aos aspirantes as carreiras científicas nas áreas biológicas, mas também em outras áreas da ciência como a química e a física. Escrito no formato de epístolas, Wilson compartilha vinte cartas sobre o amor pela ciência e o prazer pela descoberta. E Wilson tem muitas histórias para compartilhar. Histórias de quando era garoto e colecionava insetos, de quando passou um tempo interessado pelas serpentes na época que fora escoteiro, e de como acabou escolhendo as formigas para serem suas companheiras pelo resto de sua vida científica. Seus primeiros passos na academia, suas expedições em busca de seus graais, seu envolvimento com os projetos de seus orientados e sua dedicação para fornecer a eles todo o suporte necessário para o bom encaminhamento de suas pesquisas. Continuar lendo

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Persépolis (Marjane Satrapi)

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Depois de um tempo me dedicando às graphic novels mais fofinhas e coloridas, decidi que era chegada a hora de partir para uma com um tema mais sóbrio e Persépolis, que já estava há um bom tempo na estante, foi a escolhida, marcando assim a minha estreia em dois nichos dos quadrinhos: as graphic novels autobiográficas e os quadrinhos iranianos.

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Marjane Satrapi nasceu em Rasht, no Irã, em 1969. Aos dez anos se viu obrigada a usar o véu islâmico e a frequentar uma escola só para garotas. Ela vivenciou a derrubada do Xá em 1979 por meio de uma revolução popular que posteriormente acabou se transformando em um regime ditatorial. Com a violência perpetrada pelo regime cada vez mais frequente e a guerra contra o Iraque contribuindo para fazer ainda mais vítimas, Marjane ficou cada vez mais revoltada contra o sistema. E isso só foi possível porque a garota apesar de não ter a cultura do país renegada de sua educação, foi criada em um ambiente bastante aberto às discussões políticas e sociais e à cultura ocidental. Uma educação progressista que a tornou naturalmente questionadora e a colocou em rota de colisão contra o governo, motivo pelo qual os pais tiveram que a enviar para morar no exterior durante uma grande parte de sua adolescência. Depois de retornar ao Irã, onde concluiu seus estudos, Marjane mudou para a França onde atua como autora e ilustradora. Foi ali, na França, que ao ser questionada sobre sua história por seus amigos, surgiu Persépolis. Uma obra autobiográfica escrita em francês e publicada originalmente em quatro volumes, que foram traduzidos e reunidos em um volume único pelo selo Quadrinhos na Cia da editora Companhia das Letras (a obra também foi publicada no formato original de quatro volumes). Continuar lendo

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E Se? Respostas Científicas Para Perguntas Absurdas (Randall Munroe)

E SE

“Há quem diga que não há questões imbecis. Óbvio que se enganam. (…) Mas tentar responder meticulosamente a uma dúvida imbecil pode nos levar a lugares bem curiosos ” (Página 14)

Randall Munroe é mais conhecido por sua série de quadrinhos com figuras de palitinhos publicadas na internet. O tal famoso xkcd. Desde 2005 o número de fãs da página vem só crescendo, e, por Munroe utilizar seus personagens para falar sobre o universo e tudo o mais, logo, os leitores, curiosos de plantão, começaram a fazer perguntas, algumas bem absurdas. Foi por causa dessa enxurrada de questionamentos bizarros e criativos, que surgiu o blog What If?. Nele, Munroe esmiúça as questões, faz simulações, cálculos, consulta cientistas e trabalhos especializados, para tentar responder seus leitores satisfatoriamente e sempre com bom humor.

O blog, agora chegou ao papel. E Se? Respostas Científicas Para Perguntas Absurdas traz versões estendidas e atualizadas de algumas das questões mais populares do blog e outras tantas nunca antes respondidas. São 56 perguntas (e que perguntas!) e ainda há 12 seções especiais que “homenageiam” as perguntas mais bizarras já recebidas por Munroe. Continuar lendo

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