A Batalha do Apocalipse (Eduardo Spohr)

Tenho me surpreendido com os livros de ficção fantástica que tem sido publicados atualmente no Brasil. Sim, é uma incursão recente e o gênero não é muito difundido entre os escritores brasileiros, mas já tive a oportunidade de ler obras de fantasia de qualidade e que merecem ser conhecidas pelos que gostam do estilo. A Batalha do Apocalipse, referida por seus fãs como ABdA, com certeza está nesta lista. E a história de Spohr para conseguir publicar seu livro é o exemplo de uma batalha bem sucedida. Em 2007 o autor disponibilizou 70 cópias de seu livro no site Jovem Nerd, cópias estas que esgotaram em apenas 5 horas, logo mais exemplares foram disponibilizados e a obra caiu nas graças dos nerds de plantão e cerca de 4500 livros foram vendidos através do selo Nerdbooks criado por Spohr e seus amigos do site, isso em 2009. Finalmente em 2010 o livro foi publicado pela Editora Verus atingindo excelentes marcas de vendagem e já com várias reimpressões. E alçou voos maiores, ABdA já foi publicado em Portugal, na Holanda e na Alemanha. Fugindo das mitologias mais tradicionais, Spohr apostou nos anjos para criar seu romance catastrófico e o fez com bastante propriedade.

Há muito tempo o paraíso celeste foi palco de uma batalha sangrenta. Querubins leais à Yahweh se levantaram contra o Arcanjo Miguel e seus seguidores. Isso porque após o descanso divino, os arcanjos mandavam e desmandavam a bel-prazer, principalmente contra a criação divina de que tinham mais ciúme: a humanidade. Porém, os revoltosos foram derrotados, expulsos do céu e condenados a vagar pelo mundo dos homens até o fim dos tempos.

“No céu e no inferno, o Armagedon marca o início de uma nova era. Quando o ciclo for completado, Deus despertará de seu sono e todas as sentenças serão revistas. O tecido da realidade cairá. Antigos inimigos se enfrentarão, e não haverá fronteiras entre as dimensões paralelas. Esse será o Dia do Ajuste de Contas.

O Crepúsculo do sétimo dia se aproxima, e a noite cairá em breve.”

Ablon, o último anjo renegado, sente que o fim está próximo e que o dia de enfrentar Miguel se aproxima. Com a ajuda da feiticeira Shamira e outros anjos rebeldes, ele terá papel decisivo no destino da humanidade, mas para isso terá que descobrir quais os reais interesses do arcanjo Miguel e de Lúcifer…

Spohr entremeia fatos presentes (ou o futuro próximo) com acontecimentos antigos e para isso traz elementos do cristianismo, mitologias celta, egípcia, grega e mitos antigos. Além de muita pesquisa política e histórica da Grécia, Roma, Egito e Constantinopla e descrições geográficas caprichosas e isto só para citar alguns dos elementos utilizados. Elementos que a priori podem parecer tão díspares, ganham coesão com a presença de Ablon, Shamira e outros, contribuem para dar uma maior densidade à história e servem para conhecermos os personagens mais profundamente e aumentar nossa empatia por eles. Não se pode negar a preocupação de Spohr e o cuidado na manufatura de seus personagens, a pesquisa que deve ter feito para criar um enredo tão detalhado… e o que é melhor, ainda que no início tenhamos certa dificuldade com tantos nomes (vários personagens são denominados por diferentes nomes) e acontecimentos, depois a leitura flui e deixa de ser cansativa.

A história de ABdA é dividida em três partes principais. A primeira parte traz o histórico, o início dos tempos, o surgimento dos seres angélicos e da humanidade. Traz-nos informações importantes para entendermos os acontecimentos e prepara o terreno para o Apocalipse vindouro. A segunda parte é composta praticamente toda por reminiscências que revelam fatos importantes para a trama e a terceira traz os eventos derradeiros. Antes de me aventurar pelo mundo dos anjos, li alguns comentários sobre a obra e vi que eles variam dos que amam a obra aos que odeiam, e entre as críticas são recorrentes aquelas que reclamam da falta de fidedignidade com a hierarquia e história angélica. Como é inerente a uma obra ficcional, Spohr faz uma releitura de fatos históricos e religiosos para criar a sua obra. Se existem erros em relação à Bíblia e ao que se sabe sobre os anjos não sei e isso não tira o mérito da história criada pelo autor, que coroa seu enredo com uma batalha épica, de tirar o fôlego do leitor.

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4 Comentários

Arquivado em Resenhas da Núbia

4 Respostas para “A Batalha do Apocalipse (Eduardo Spohr)

  1. Toda a mitologia aqui dissecada por Spohr é realmente bastante interessante para qualquer fã deste gênero literário, além disso ele consegue transitar muito bem entre o os momentos mais ”eruditos” da história e a ação em si, que por sinal é também muito bem escrita. A pungência nas batalhas é de fato sentida pelo leitor, com uma tonicidade épica principalmente nos momentos de clímax.
    A minha ressalva com relação à obra ficaram realmente em relação aos flashbacks. Mesmo o autor explicando a importância deles no fechamento do enredo (claro que não nego isso), a meu ver eles foram arrastados demais e muito longos. A alternância entre o ‘presente’ e o passado contado tem um contraste de ritmo tão díspar, que muitas me peguei questionando a importância deles na obra como um todo. Penso que se fossem um pouco mais curtos e mais dinâmicos, o livro só teria a ganhar.

    No mais, é muito importante este estilo estar crescendo no Brasil e espero que o Eduardo nos traga mais títulos interessantes…antes que o crepúsculo do sétimo dia se aproxime…

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    • Nubia Esther

      Sim, não posso negar que o ritmo entre o “presente” e os flashbacks é bem destoante. Mas, acho que não questionei tanto a presença deles porque gostei da história que foi contada por meio deles. Tenho que conferir Os Herdeiros de Atlântida agora e sim, espero que o gênero cresça cada vez mais no Brasil. o/

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  2. Fazem talvez 2 anos desde que li este livro, e muito já desvaneceu, mas o que ficou mais forte foi a lembrança dos intermináveis flashbacks. No final, fiquei com a impressão que o autor costurou uma série de contos originalmente não relacionados em um “historião”, com uma explicação forçada no final para amarrar tudo.

    Sou completamente a favor das iniciativas brasileiras no gênero, mas acho que A Batalha precisava ter sido melhor estruturado antes de publicado.

    Admiro que o autor tenha se empenhado em concentrar em um único volume toda sua história, já que o mais comum é vermos autores esticando histórias simples para caber em trilogias e assim vendar mais livros, porém no caso da Batalha acredito que uma divisão em mais volumes poderia ter contribuído para o resultado final.

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    • Nubia Esther

      Sim, os flashbacks realmente ficaram bem carregados, e a reclamação de como eles contribuíram para arrastar a história é bastante recorrente. Não tinha pensado por esse lado, mas realmente, talvez uma quebra em dois ou três livros desse mais espaço para o autor desenvolver seus personagens e diálogos e contribuísse para melhorar a história. Obrigada pela visita!

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