O Livro do Cemitério (Neil Gaiman)

Começo esta resenha de trás para frente, dos agradecimentos para ser mais específica,  para contar-lhes o que Gaiman não fez questão de esconder: seu livro foi inspirado na obra O Livro da Selva de Rudyard Kipling, Ninguém Owens de certa forma é o seu Mogli e sua selva, o Cemitério da Colina…

Gaiman, como ninguém, sabe conferir um tom sombrio às suas histórias e o fato de um livro seu ser dedicado ao público infanto-juvenil não o impede de fazê-lo com maestria. É com um tom sombrio que começamos a acompanhar os fatos narrados em O Livro do Cemitério.

Em uma noite, que poderia ter sido como outra qualquer, um triplo assassinato ocorreu. Um indivíduo chamado Jack tinha como incumbência matar toda a família, mas um bebê conseguira escapar e com toda sua curiosidade inata ele foi parar no cemitério no fim da rua que sobe a colina. Ali ele foi encontrado por um casal de fantasmas, os Owens, foi adotado e assim “nasceu” Ninguém Owens. Porém, você deve estar se perguntando como um casal de fantasmas pode criar um bebê. Como fica a alimentação, o carinho, as coisas de que todo bebê precisa para crescer forte e saudável. Silas, uma espécie de zelador do cemitério torna-se o seu guardião e fica responsável por conseguir os bens materiais necessários ao bebê e que os seres diáfanos estão impossibilitados de conseguir. Quanto ao carinho, bem, digamos que Ninguém tem um dom e que este dom permite que ele veja e toque os fantasmas.

Ninguém, ou Nin, cresce longe dos perigos que ainda o espreitam. Quem é Jack? Porque sua família fora morta? São questões que permanecem sem respostas e enquanto isso, o cemitério o protege…

“[…] ”Você recebeu a Liberdade do Cemitério, afinal”, Silas diria a ele. “Então o cemitério está cuidando de você. Enquanto estiver aqui, pode enxergar no escuro. Pode andar por alguns caminhos que os vivos não deviam percorrer. Os olhos dos vivos não cairão sobre você […]”

E assim, passamos a acompanhar as aventuras de Nin – que nos cativa a partir do momento em que perde suas fraldas – suas aventuras entre as lápides, seu relacionamento com Silas, com seus “pais”, com os outros fantasmas do Cemitério da Colina. Acompanhando estes acontecimentos, vemos o crescimento de Nin até o momento derradeiro em que o passado bate à porta novamente e o futuro traz implicações necessárias.

Ao exemplo de Kipling, Gaiman mostra como o diferente pode contribuir para a formação do Eu; sua selva são as lápides, um ambiente que por si só é considerado lúgubre, mas que através de sua narrativa ganha cor, humanidade, vira um lar. Nunca imaginei que gostaria tanto de um cemitério como passei a gostar daquele, lá na Cidade Velha, no fim da rua que sobe a Colina.

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