Ilha do Medo/Paciente 67 (Dennis Lehane)

Não há como negar, Lehane fulgura no rol dos mestres da ficção policial, seja nos livros co-estrelados pelos detetives Kenzie e Gennaro, ou nos fora da série como é o caso de Sobre Meninos e Lobos e Ilha do Medo. O autor consegue imprimir uma atmosfera tão sombria e sufocante em seus livros, com tramas de ritmos tão intensos, que até quando a fórmula utilizada pode ser considerada batida, ele consegue nos deixar ofegantes em muitos momentos e embasbacados em tantos outros.

Em 1954, Teddy Daniels desembarca na ilha Shutter junto com seu novo parceiro Chuck Aule, para investigar a fuga de uma interna do hospital psiquiátrico Ashecliffe para criminosos. E aqui um adendo a bem trabalhada relação entre os dois xerifes. Teddy é o que já passou por tragédias na vida, cético, certeiro e direto em suas perguntas e austero, Chuck por outro lado é dono de uma ironia sarcástica premente. É o primeiro caso dos dois detetives juntos, mas a dupla funciona de forma instantânea, piadinhas, complementação de teorias… Percebe-se claramente que há um compartilhamento tácito de ideias entre os dois, mas tudo de forma bem natural, em nenhum momento parece forçado, já que a estranheza ao novo e o receio entre os fatos desconhecidos entre um e outro também está presente.

Rachel Solando, a paciente, conseguiu fugir de um quarto trancado e com vigília intermitente, sumiu misteriosamente da ilha, mas deixou para trás mensagens codificadas. Essa investigação que já começa difícil torna-se pior com a pouca colaboração dos funcionários do hospital e é aí que a história se mostra muito mais complexa: experimentos envolvendo drogas alucinógenas, práticas cirúrgicas pouco ortodoxas e cobaias humanas? Teddy passa a ter certeza de que alguma coisa errada está acontecendo naquela ilha. E é a partir deste momento que Lehane imprime em sua narrativa uma grande carga psicológica, a loucura tratada (ou fabricada) ali é mostrada em todos os seus detalhes e novas teorias e enredos nos são apresentados fazendo a história crescer em complexidade e nos mostrando que diversos caminhos podem ser enveredados pelo autor. Torna-se então impossível largar a leitura mesmo com a história ficando cada vez mais sufocante. Aos que gostam do gênero thriller psicológico, a história narrada por Lehane é uma ótima pedida.

Publicado originalmente em 2003, Shutter Island chegou ao Brasil em 2005 sob a alcunha Paciente 67 publicado pela Companhia das Letras. Em 2010, uma segunda edição, desta vez Ilha do Medo foi lançada em comemoração (ou para aproveitar o sucesso) à adaptação cinematográfica de Martin Scorsese, estrelada por Leonardo DiCaprio, para a obra de Dennis Lehane.

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