O Presente (Cecelia Ahern)

O-presente

“Esta história é sobre pessoas, segredos e tempo. Sobre pessoas que, assim como os embrulhos, guardam segredos, escondem-se sobre várias camadas, até encontrarem as pessoas que poderão desembrulhá-las e ver o que há dentro. Às vezes é preciso se entregar a alguém para perceber quem você realmente é. Às vezes é preciso remexer as coisas para chegar ao âmago.” página 13.

Lou Suffern gasta o mínimo de tempo com qualquer pessoa, sempre está correndo, sempre tendo dois lugares para ir, duas coisas para fazer. Um executivo bem sucedido, também o clássico viciado em trabalho que não enxerga nada do que está ao seu redor, nada que não signifique cifrões, negócios e cargos mais altos no emprego. Mesmo com todo o espírito natalino explodindo ao seu redor, ele segue incólume não prestando atenção a ninguém ao seu redor. Até que um dia, o atarefado Lou decide parar e fazer um ato caridoso a um morador de rua. Gabe, que fica em frente ao prédio onde Lou trabalha e que é bastante observador. Ao conversar com Gabe, Lou fica intrigado com as informações que ele lhe fornece, é assim que ele percebe que há planos sendo construídos por outros colegas do seu trabalho. E o controlador Lou, vê em Gabe a chance de continuar controlando tudo e lhe oferece um emprego. O ruim é quando Lou percebe que talvez essa não tenha sido uma de suas melhores ideias, a quase onipresença de Gabe começa a lhe perturbar, assim como os conselhos e o sentimento de que Gabe sabe mais do que deveria saber…

Lou Suffern é a peça principal na trama criada por Ahern, mas também é o calcanhar de Aquiles que pode fazer com que a história não funcione para alguns. Ele é uma pessoa tão ruim que é impossível sentir o mínimo de empatia por ele. Não é que ele seja uma pessoa sem tempo, é que ele gasta seu tempo de forma tão egoísta, sem nem pensar nas pessoas que tem em volta, especialmente sua família. É o tipo de pessoa que não tem tempo para os pais, irmãos, esposa e filhos, mas encontra tempo para farrear e trair a esposa. Só pensa em sucesso na forma de bens materiais e em sua autossatisfação. É como uma versão atualizada do velho Scrooge de Dickens, a diferença é que Scrooge não permitia ninguém adentrar sua vida, Lou pelo contrário coloca pessoas em sua vida, para lhes ignorar. É a transformação desse homem que Ahern propõe a fazer em seu livro, e ajuda não vem de fantasmas de natais passados, mas de Gabe, um mendigo cheio de segredos e comprimidos mágicos. Mas, a tarefa de transformar esse homem perante os olhos do leitor é bastante árdua e ingrata e caso você de algum jeito não fique convencido completamente de que uma mudança nesse caso é possível, e de que Lou realmente merece essa segunda chance, a história pode não funcionar, ou não te emocionar como parece ser seu objetivo. Eu que sempre fiquei com um pé atrás em relação ao personagem, confesso que penei para terminar a história. Toda a história se passa em poucos dias, mas a impressão que tive é que foi muito mais, simplesmente não fluía.

Mas, apesar de todos os pesares, Ahern conseguiu me surpreender positivamente com os rumos tomados por sua história. A conclusão escolhida por ela foi um tanto inesperada e por isso mesmo convenceu e passou com propriedade a mensagem, a “moral da história”. Foi esse final que não me fez desgostar da história completamente. Contudo, mesmo no fim ela ainda escorrega um pouco, justamente por não medir tanto as palavras e acabar se delongando para encerrar sua história. Os três últimos parágrafos são totalmente dispensáveis. A mensagem já havia sido passada, lida e captada e ainda assim ela viu necessidade de acrescentar um texto totalmente clichê, sentimental ao extremo e que beirou a autoajuda. O Presente é uma história natalina em sua essência, totalmente dependente da carga sentimental inerente a essa época, e talvez funcione melhor se lida nesse período, ponto para a Novo Conceito que soube aproveitar isso muito bem publicando-o em dezembro do ano passado. Pelo pouco que já li da Cecelia Ahern, sei que o lado sentimental é o forte dos seus livros e em P.S. Eu Te Amo e O Livro do Amanhã esse lado foi bem trabalhado, mas em O Presente, infelizmente ela pecou pelo excesso.

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