K-dorama – Moon Lovers: Scarlet Heart Ryeo

Um eclipse solar total lança uma mulher de 25 anos do século 21 diretamente para o século 10, em plena Dinastia Goryeo. Não como uma mulher de 25 anos, traída pela melhor amiga e pelo namorado e desencantada pela vida, mas como uma garota mais jovem e pertencente a uma família bem relacionada com a família real. E, entenda bem relacionada como pertencente ao círculo de convivência diária dos residentes palacianos, que envolve a quantia pequena de oito príncipes e boa parte deles não demoram a cair de amores pela protagonista. Você pode estar pensando que em sua vida passada ela provavelmente deve ter salvado um reino para ser abençoada com tantos belos príncipes encantados por ela.

Assim, fazer fanservice se torna até mais fácil. [Fonte]

Mas, Scarlet Heart Ryeo é mais do que isso. É claro que o romance está presente em boa parte da trama, mas, por ser essencialmente um drama histórico, há muitas intrigas palacianas, conspirações políticas, traições e dramas familiares. Há cenas fofas e cenas engraçadas, mas não se deixem enganar por elas, há também muitos embates, muita injustiça e sangue aos borbotões. E, ainda que desde o início alguns personagens já despontem como vilões, é ao longo da trama que muitos deles vão sendo construídos (ou desconstruídos), então preparem-se para eventualmente se decepcionar e ficar com muita raiva de uns e outros. Apesar disso, e talvez justamente por isso, o dorama te pega de jeito e é impossível não querer ver um capítulo atrás do outro.

  • Título: 달의 연인 : 보보경심 / Dalui Yeonin : Bobogyungsim Ryeo
  • Também conhecido como: 보보경심: 려 / Bobogyungsim: Ryeo / Scarlet Heart: Ryeo / Scarlet Heart: Goryeo / Scarlet Heart
  • Gênero: histórico, romance, drama, viagem no tempo
  • Episódios: 20
  • Período em que foi ao ar: 29/agosto/2016 a 01/novembro/2016
  • Rede de televisão: SBS
  • Diretor: Kim Kyu Tae
  • Roteirista: Jo Yoon Young

De início já chama a atenção o fato da história se passar durante a Dinastia Goryeo. Quem já tem costume de acompanhar as produções históricas, sabe que frequentemente o período retratado é o da Dinastia Joseon, a última e mais longa dinastia antes da implementação do Grande Império Coreano. E, enquanto nesta, as invasões estrangeiras representavam as maiores fontes de problemas políticos, na Dinastia Goryeo, os problemas são muito mais internos, já que foi nela que os Três Reinos da Coreia foram reunidos e ainda persistiam em seu período inicial muitos clãs resistentes à união e à perda do poder. O Imperador Taejo foi o fundador da Dinastia, e sim, ele teve muitos filhos, é por isso que há tantos deles no dorama, e olha que eles representam uma ínfima parte dos filhos do imperador. E, com tanto personagem, é difícil não ficar um pouco perdido nas relações entre eles nos primeiros episódios, então acho válido explicar quem é quem.

Go Ha Ji (IU) transportada para o passado, acaba na pele de Hae Soo. A garota vive com a prima mais velha, Lady Hae (Park Shi Eun), que é casada com o 8° Príncipe Wang Wook. O seu afogamento atrelado ao eclipse solar, culminou com o seu envio para a Dinastia Goryeo. Ali, Hae Soo também sofreu um acidente, que acabou servindo de desculpa para a amnésia repentina da personagem. E, enquanto Go Ha Ji vai se acostumando em ser Hae Soo, o novo jeito um tanto quanto atrevido e os novos trejeitos adquiridos pela garota acabam conquistando todos ao seu redor. Seu conhecimento da história coreana (ainda que um tanto falho) também a acabam colocando em situações bastante perigosas e comprometedoras.

Na família imperial é preciso frisar que o Imperador Taejo (Jo Min Gi) teve inúmeras consortes, mas apenas duas tiveram papel efetivo na trama do dorama. A Imperatriz Yoo (Park Ji Young) que é mãe do 3° Príncipe Wang Yo, do 4° Príncipe Wang So e do 14° Príncipe Wang Jung; e a Imperatriz Hwangbo (Jung Kyung Soon), mãe do 8° Príncipe Wang Wook e da Princesa Hwangbo Yeon-Hwa. A Imperatriz Yoo especificamente é aquela que já se delineia como vilã desde o princípio e termina o drama como tal. Seu sonho é se tornar a Imperatriz Mãe e para isso quer colocar Wang Yo no trono, ainda que o Príncipe Herdeiro seja outro, e para isso não poupa esforços e conluios. Ela também tem um passado rancoroso com seu filho Wang So, por quem não nutre sentimento maternal.

Dentre os príncipes, temos o Príncipe Herdeiro Wang Moo (Kim San Ho) destinado a sofrer inúmeras tentativas de assassinato. O 3° Príncipe Wang Yo (Hong Jong Hyun), as esperanças da Imperatriz Yoo de se tornar a Imperatriz Mãe, é o filho invejoso, que almeja o trono e não tem escrúpulos na hora de tramar contra a vida do próprio irmão. O 14° Príncipe Wang Jung (Ji Soo) pode não angariar as “pretensões tronais” de sua mãe, mas é o seu filho favorito. Ao contrário de Wang Yo ele nutre sentimentos realmente verdadeiros por seus irmãos e não almeja o trono. É um grande lutador e chega a fugir frequentemente do palácio para se envolver em brigas de rua. Se apaixonará por Hae Soo. O 10º Príncipe Wang Eun (Byun Baekhyun) é o alívio cômico do drama. É o que se envolve nas brincadeiras infantis, que entra em disputas com Hae Soo e que mais tarde se apaixona por ela e se torna seu grande amigo. O 13º Príncipe Wang Wook (Baek-ah) (Nam Joo Hyuk) é um espírito livre, não se interessa pelos assuntos envolvendo o trono e os conchavos políticos e é um admirador da beleza e das artes. Assim como Wang Jung, também foge frequentemente do palácio, mas para entrar em contato com o povo, desenhar, pintar e tocar. Se torna um grande amigo de Hae Soo e é o irmão favorito de Wang So. O 9º Príncipe Wang Won (Yoon Sun Woo) bem poderia ser aquele personagem que entra quieto e sai calado. Vive às sombras dos irmãos, mas esse é só o jeito dele lutar pelo poder, correndo pela sombra dos outros. É um personagem ao qual você não dá muita atenção, mas que depois que mostra as garras você passa a odiar fortemente. A Princesa Hwangbo Yeon-Hwa (Kang Han Na) é daquelas personagens que você já fica com o pé atrás desde a primeira aparição, não é bem vilã, não descaradamente, mas a sua ambição colocará muitas pessoas em xeque, e sim, você aprenderá a odiá-la também.

O 8° Príncipe Wang Wook (Kang Ha Neul) compõem juntamente com Hae Soo e Wang So, o triângulo amoroso da história. Ele não é um personagem ruim e chega até mesmo a realizar boas ações, mas simplesmente não dá para levar a sério alguém que desenvolve sentimentos amorosos pela prima da esposa, a prima que a esposa cria como sua própria filha. Simplesmente não dá para torcer pelo desenrolar do relacionamento dele com Hae Soo. Mesmo quando a esposa, que está muito doente, dá o seu aval. Então, ainda que o seu relacionamento com Hae Soo tenha rendido algumas cenas fofas, não dá para torcer por ele e nem ficar triste quando os sentimentos da garota migram para Wang So. Além disso, ao longo da trama, o personagem sofrerá mudanças profundas e que renderão muitas reviravoltas na trama.

E, finalmente chegamos ao 4° Príncipe Wang So (Lee Joon Gi). Utilizado pela mãe para atingir o Imperador, acabou ferido no rosto por esta quando ainda criança. Foi enviado pela família para viver com uma das consortes do rei e foi criado praticamente como refém. Ainda que essa criação lhe tenha negado o amor dos pais e o convívio com os irmãos, foi também o que permitiu que ele crescesse desenvolvendo habilidades dignas de um imperador (para eterno desgosto de sua mãe). Conhecido como Cão Louco, sua fama de intratável o precede. Retornou ao palácio para a cerimônia de preparação do Príncipe Herdeiro e decidiu lutar para permanecer junto a família, ainda que muitos o queiram ver pelas costas. Logo se vê envolvido nas investigações para descobrir quem está tramando contra o Príncipe Herdeiro, colocando-se muitas vezes na linha de fogo. Mas, ele também tem seus próprios fantasmas a enfrentar, como a dura renegação da mãe, as barreiras advindas de sua cicatriz que o tornaram muito fechado para se proteger e a luta pelo direito de ser reintegrado com todos os seus direitos à família imperial. É um dos personagens mais complexos do dorama e Joon Gi ficou excelente no papel, sabendo explorar todas as suas facetas e transpirando sentimentos. Wang So é daqueles personagens que você vai odiar, vai sentir pena, vai sentir orgulho e irá aprender a amar ainda que algumas atitudes suas sejam repreensíveis. Nunca almejou o trono, mas teve de se colocar no jogo quando as disputas pelo poder na Dinastia Goryeo atingiram proporções catastróficas.

O desenrolar do relacionamento de Hae Soo e Wang So é convincente. De início ela chama a atenção dele por ser uma das poucas que não tem medo de enfrentá-lo, resquícios de sua educação do século 21. Seus conhecimentos também o ajudam diversas vezes, ainda que em outras tantas Hae Soo troque as mãos pelos pés e confunda tudo (já comentei do probleminha dela com a história coreana né). Hae Soo inicialmente apaixonada por Wang Wook, não enxerga em Wang So mais do que um amigo cheio de traumas e carente de amor, mas quando sua atenção começa a promover mudanças no mundo de Wang So e ele se determina a conquistá-la, não demora para que as atenções dela recaiam sobre ele. Contudo, não é um amor fácil, há todos os empecilhos gerados pela vida palaciana, todos os conchavos que muitas vezes a colocam na voragem dos acontecimentos e toda a pressão política que impede que eles realmente possam viver o seu amor. E, enquanto acompanhamos esse relacionamento, aprendemos muito sobre o início e o estabelecimento da Dinastia Goryeo e como sentimos cada uma das perdas que temos que enfrentar pelo caminho. Esse dorama é para os fortes ou para os que não têm medo de se entregar aos sentimentos.

Por se tratar de uma protagonista que foi parar no passado ao qual não pertencia, era esperado que a conclusão do drama se encaminhasse para um determinado fim (nada novo nisso aí). E, se tivesse terminado aí, seria um final triste sem dúvidas, mas super condizente com a situação e de certa forma belo. Para tentar superar os finais triste, em outros doramas com essa temática o pessoal tem disso engenhoso na hora de juntar novamente os protagonistas. Nesse, ou faltou mais afinco por parte do roteirista ou o final demasiadamente em aberto foi proposital, talvez viabilizando uma continuação…. Será? Se essa foi a intenção, o final passa a ser mais interessante, caso não seja, ele deixa muito a desejar.

Alerta de spoiler, selecione a área contida entre as tags para conseguir ler o texto. Por sua conta e risco.

[SPOILER]Hae Soo morreu em Goryeo e foi só por isso que Go Ha Ji retornou ao presente, então ora bola, qual o sentido de fazer Ha Ji lembrar tudo o que ela viveu sendo Hae Soo sendo que ela está presa em sua realidade? Totalmente desnecessário. [SPOILER]

Vale a pena mencionar:

  • Todo mundo sabia sobre os sentimentos de Wang Wook e Hae Soo só o Wang So que não. Está bem que suas preocupações durante a trama eram outras, mas não fez o mínimo sentido manter o personagem alienado a essa relação só para poder utilizar tal informação mais tarde para gerir mudanças na trama.
  • A marcação da passagem de tempo deixou muito a desejar, quando você assusta você percebe que já se passaram 1 ou 2 anos. Apenas um episódio (se não estou enganada o 16) teve uma marcação da passagem de tempo bem feita. Se tivessem investido em algo parecido em todas as outras passagens do tempo o dorama só ganharia em qualidade.
  • Pessoal continua como sempre literalmente voando nas perseguições nos telhados.
  • O drama é baseado no romance chinês Bu Bu Jing Xin (publicado em 2006 e revisado em 2009 e 2011) da autora contemporânea Tong Hua.
  • Além da adaptação coreana, há também a adaptação chinesa (de 2011) Scarlet Heart. Além delas, foram feitas adaptações para o rádio, teatro e filme.
  • Para quem tiver mais curiosidade sobre a Dinastia Goryeo, neste link (sim é da Wikipedia, superem) temos uma árvore genealógica da Dinastia.
  • Tirando uma música ou outra que acabaram destoando da época na qual a maior parte da história se passa (rap gente, sério?), a OST do drama é muito bonita. Essa aqui é linda e é difícil querer parar de ouvir:

  • O diretor Kim Kyu Tae também dirigiu IRIS, o que explica a quantidade desmensurada de sangue, bem como as cenas quase coreografadas de lutas.
  • O final do drama ficou tão aberto que até petição online pedindo uma segunda temporada direcionada aos executivos da SBS foi feita.
  • Havia rumores de que a devida conclusão da história seria feita em um filme, para o qual as gravações inclusive foram realizadas durante a gravação do dorama. Como nada surgiu desde então, acho que no fundo eram só rumores mesmo.

Para conferir:

DramaFever (Usuários Premium)

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