Boneco de Neve (Jo Nesbø)

Boneco de neve

A série policial que tem como protagonista o inspetor Harry Hole, começou a ser publicada em 1997 e já conta com dez livros. No Brasil a Editora Record já publicou cinco livros da série, só que eles decidiram (simplesmente não consigo compreender essas decisões editoriais) apresentar o personagem ao público brasileiro pelo terceiro livro da série e não sei nem se há planos deles publicarem os dois primeiros livros (espero que sim!). Em Boneco de Neve, o quinto livro publicado por aqui e o sétimo livro da série, já encontramos um Hole bem calejado e com um passado atormentado, um passado que podemos apenas inferir. Apesar disso, a parte procedural da trama não é afetada por essa falta de conhecimento, Boneco de Neve foi meu primeiro contato com a obra do autor e o romance funciona bem sozinho, podemos até perder fatos da vida de Hole, mas o “caso da vez” está bem completo, não exige conhecimentos prévios e inicia-se e é finalizado nesta obra.

“Em breve virá a primeira neve. E então ele aparecerá outra vez. O boneco de neve. E, quando a neve sumir, ele terá levado alguém consigo. O que deve perguntar é: “Quem fez o boneco de neve? Quem faz bonecos de neve? Quem deu à luz The Murri?”Porque o boneco de neve não sabe.”

Em novembro de 2004, durante a primeira neve do ano a cair na cidade de Oslo, Jonas acorda no meio da noite e percebe que sua mãe não está em casa. No chão há pegadas molhadas e no jardim um boneco de neve envolto com o cachecol de sua mãe e com seus olhos negros voltados para a janela do quarto. No dia seguinte a polícia é acionada e o inspetor Harry Hole é enviado para investigar o ocorrido. E o que se pensava ser apenas uma “ocorrência comum” de desaparecimento atinge maiores proporções, porque Harry está certo de que o caso está relacionado com uma carta que recebeu assinada pelo autointitulado Boneco de Neve, e mesmo com todos seus colegas fazendo chacota por considerarem ele um aficionado em criar serial killers onde eles não existem, Harry segue cavando pistas que o colocam de frente com vários casos similares na última década e que não foram solucionados. E quando o assassino resolve romper seus padrões, Oslo entra em polvorosa com esse monstro à solta, e Hole se vê envolvido em um jogo de gato e rato e que pode ter consequências catastróficas.

A Oslo de Harry Hole. [Fonte] http://jonesbo.com/#!/books/harrys-oslo

A Oslo de Harry Hole. [Fonte]

Com esse plot e com uma narrativa de tirar o fôlego, ainda que só a partir da segunda parte do livro, Jo Nesbø nos brinda com uma ótima história e um ótimo protagonista. Harry Hole não é daqueles investigadores que de cara lhe provocam empatia, é estourado, alcóolatra, um tanto paranoico, se opõe a qualquer tipo de autoridade e é considerado insuportável por muitos. Mas, aos poucos, o inspetor acaba caindo em nossas graças e quando menos percebemos estamos torcendo por ele, seja em seu trabalho ou em sua vida pessoal. Harry Hole é daqueles personagens do estilo Gregory House, você o odeia muitas vezes, xinga outras tantas, mas está sempre ali torcendo para ele se dar bem e totalmente cativada pelo personagem. Justamente por isso Harry Hole convence, é um personagem crível, que tem seus próprios demônios para enfrentar e que mesmo em meio ao desajuste que é sua vida, transformou a tarefa de prender criminosos em sua cruzada pessoal, e o faz com um raciocínio lógico bem afiado.

“Harry sentiu-se envergonhado. Porque tinha sempre que provocar essas competições infantis, do tipo mijo à distância, que nada significavam, apenas pela satisfação de poder mostrar o dedo do meio a alguém – quem quer que fosse? Uma vez, Rakel havia dito que ele no fundo queria ter nascido com um dedo do meio extra, que ficasse em riste o tempo todo.”

Sobre o assassino, no fim das contas meu palpite sobre quem ele era foi certeiro, mas isso não tirou o brilho da narrativa de Nesbø, que soube criar uma trama envolvente. Uma investigação eletrizante que faz você grudar na leitura e torcer para que Harry consiga prender logo o bandido. E no fim, o motivo que levou o boneco de neve a matar é bem fundamentado. Nesbø criou um ótimo arcabouço, tornando seu bandido bem palpável. Só fiquem atentos aos nomes dos personagens, eles são tantos e tão diferentes que podem confundir a um primeiro momento, mas depois que você se acostuma a história flui bem. Quanto ao macabro, eu não esperava do livro algo nesse sentido, se o The Sunday Times ou The Guardian tentaram vender a obra assim e muitos compraram para depois se verem decepcionados… Bem, comprei o outro lado dessa história, o lado investigativo, o romance policial, e nesse sentido Nesbø não me decepcionou nem um pouquinho. Agora só me resta torcer para a Record publicar os dois primeiros livros da série e continuar a seguir seu cronograma de publicação dos livros mais recentes, eis uma série que eu gostaria de acompanhar na íntegra e na ordem.

Conheça a série Harry Hole:

  1. The Bat (1997) [Goodreads][Skoob]
  2. The Cockroaches (1998) [Goodreads][Skoob]
  3. The Redbreast (2000) – Garganta Vermelha (2009) [Goodreads][Skoob]
  4. Nemesis (2002)  – A Casa da Dor (2009) [Goodreads][Skoob]
  5. The Devil’s Star (2003)  – A Estrela do Diabo (2011) [Goodreads][Skoob]
  6. The Redeemer (2005)  – O Redentor (2012) [Goodread][Skoob]
  7. The Snowman (2007)  – Boneco de Neve (2013) [Goodreads][Skoob]
  8. The Leopard (2009) [Goodreads][Skoob]
  9. Phantom (2011) [Goodreads][Skoob]
  10. Police (2013) [Goodreads][Skoob]

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Arquivado em Editoras Parceiras, Grupo Editorial Record, Resenhas da Núbia

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