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A Varanda do Frangipani (Mia Couto)

Dar início ao projeto de leitura “Volta ao mundo em 198 livros” foi o incentivo que faltava para que eu finalmente começasse a ter contato com obras de autores que há muito queria ler e vivia protelando. Foi assim, que finalmente peguei um Mia Couto para ler. Nem foi um de seus romances mais conhecidos, – comprei esse em uma promoção e não quis comprar outro até tirar a prova dos nove – mas, mesmo o menos aclamado “A Varanda do Frangipani” foi suficiente para me encantar pela forma de Mia contar suas histórias. Definitivamente é um autor que quero manter na minha estante e conhecer mais a fundo suas obras. Depois desta leitura, minha lista de livros desejados aumentou substancialmente.

O início dessa história nos apresenta Ermelindo Mucanga. Ele que faleceu há quase duas décadas, às vésperas da Independência de Moçambique (25 de junho de 1975), não teve um enterro direito. Ao morrer longe de sua terra natal, não teve cerimônia fúnebre e se tornou um xipoco, uma espécie de fantasma, ainda que tenha se guardado à prisão de sua cova, à sombra de uma árvore de Frangipani na fortaleza de São Nicolau onde estava trabalhando. Talvez tivesse permanecido um “xipoco adormecido” em seu arremedo de descanso eterno, se os governantes não tivessem decidido fazer dele um herói nacional e para isso fuçarem em seus restos mortais. Isso pouco lhe agrada e tal disparidade precisa ser impedida. Ele então segue o conselho do seu guia espiritual, o pangolim, e encarna no inspetor policial Izidine Naíta. Continuar lendo

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Corpus Delicti – Um Processo (Juli Zeh)

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Quando Corpus Delicti foi lançado aqui no Brasil logo me chamou a atenção. Um sistema totalmente amparado pelo conhecimento científico. A humanidade que goza da saúde perfeita em detrimento de sua autonomia individual. Uma sociedade sem guerras, doenças, fome…, mas, com um controle supremo do Estado. Demorei séculos para lê-lo e rolou um pouco de arrependimento de não o ter feito antes, porque a obra de Juli Zeh, apesar de distópica, tem uma ressonância na realidade que assusta. Em tempos de boom sobre a genômica pessoal e variações do tema. Basta extrapolar um pouco as fronteiras e a sociedade de Zeh bem poderia ser factível.

“Ali nada mais fede. Ali ninguém escava, nada lança fumaça, não se derruba e não se queima; ali uma humanidade que enfim se mostra calma e tranquila cessou de combater a natureza e assim também de combater a si mesma. ” (Página 13)

Para atingir esse nível de bem-estar social tudo é controlado pelo Estado. Níveis de cafeína na corrente sanguínea, quantidade de exercícios semanais, exames médicos periódicos, etc. Tudo é monitorado e julgado pelo Estado. O indivíduo que imputa danos ao seu corpo deve arcar com as sanções impostas a ele. Nessa sociedade não há espaço, na realidade não há direito, para sentir pudor. Nada referente ao indivíduo é de cunho privado. Tudo sancionado pelo que o governo denomina de o Método. Continuar lendo

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Projeto Literário: Volta ao Mundo em 198 Livros

Apesar de não ser adepta aos Projetos/Desafios Literários, sou adepta das metas de leitura, pelo menos a do Skoob, ainda que minha lista de livros escolhidos varie muito ao longo do ano, então acho que nem posso colocar que sou tão adepta assim. Nos últimos tempos têm surgido projetos de leitura muito interessantes e que tenho tentado adaptar aos meus hábitos de leitura, sem me comprometer entretanto com longas listas e metas, mas quando a Alinde postou no Instagram que ela começaria um projeto literário de ler ao menos um livro de cada um dos países do mundo na hora bateu a vontade de participar. Ela fez um bom histórico do projeto no seu post de apresentação.

Assim, inspirada pelo A volta do mundo em 198 livros da Camila Navarro do Viaggiando (vejam o vídeo que a Camila gravou recentemente falando sobre o projeto e mais um envolvendo a literatura brasileira que também me animou muito) e pelo Projeto Volta ao Mundo em 198 Livros da Alinde do Alindalë vou tentar quebrar o monopólio das literaturas norte-americanas e inglesas nas minhas leituras e quiçá conhecer novos autores e aprender mais sobre outros países. Assim como ela, também não estipularei data de término, serão muitos e muitos livros e nada mais justo que se transforme em um projeto para a vida, mas com um forte desejo de que seja cumprido.

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Como vai funcionar?
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