A Sexta Extinção (Elizabeth Kolbert)

 

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“Muito, mas muito de vez em quando, no passado remoto, o planeta sofreu mudanças tão violentas que a diversidade da vida despencou de repente. Cinco desses antigos eventos tiveram um impacto catastrófico o suficiente para merecer uma única categoria: as Cinco Grandes Extinções. No que parece ser uma coincidência fantástica, mas que provavelmente não é coincidência alguma, a história desses eventos é recuperada bem na hora em que as pessoas começam a perceber que estão provocando mais um. Embora ainda seja demasiado cedo para saber se atingirá as proporções dos anteriores, esse novo evento fica conhecido como a Sexta Extinção. ” (Página 29)

Em A Sexta Extinção – Uma História Não Natural, vencedor do Pulitzer de não-ficção em 2015, Elizabeth Kolbert nos apresenta histórias emblemáticas de espécies já extintas e outras em vias de extinção. Revisitando a história do planeta e todos os outros processos de extinções já experimentado por ele ao longo de sua história, Kolbert retraça o papel do ser humano nas alterações sofridas pelo planeta e escancara o legado trágico deixado pela humanidade. Para isso, ela foi em busca de cientistas das mais diversas áreas do conhecimento, fez entrevistas, leu publicações científicas, participou de expedições, visitou museus e laboratórios. Kolbert se embrenhou na floresta noturna, no recife localizado no meio do nada, mergulhou em águas ácidas, escalou barrancos enlameados, visitou ilhas ermas e acampou na floresta amazônica andina. O resultado é um texto claro e bastante completo, que passa longe da superficialidade. E que tem tudo para agradar tanto os leitores já íntimos do tema quanto os mais leigos no assunto.

Kolbert dividiu o livro em treze capítulos, em cada um o enfoque é dado a um organismo ou grupo de organismos já extintos ou em vias de extinção. É assim que conhecemos mais sobre a história dramática da rã-dourada-do-panamá, hoje já extinta na natureza e destinada a persistir apenas em cativeiros esterilizados para manter de fora seu temido algoz: um fungo que tem causado a morte de inúmeras espécies de anfíbios. Ou, como a descoberta de estranhos ossos nos Estados Unidos e o trabalho pioneiro de Georges Cuvier como anatomista, foi o grande pontapé para o desenvolvimento do conceito de extinção. Como a caça desenfreada aos araus-gigantes levou ao surgimento de uma das primeiras leis visando a proteção da vida selvagem. Como a junção de várias áreas do conhecimento levou a descoberta da ocorrência de eventos cataclísmicos como o que causou a extinção dos dinossauros. E a Pangeia inversa provocada pelo homem. Pouco a pouco Kolbert vai unindo esses eventos isolados e evidenciando o padrão que eles formam. Muitas histórias são exemplos de resiliência, de adaptação, outras tantas chegam a ser desesperadoras. A extinção é um processo instigante, natural, o lado oposto da balança onde também está a diversificação. Em muitos momentos esse equilíbrio foi quebrado, levando a vida a seguir caminhos que nos possibilitaram ser hoje uma das espécies mais bem adaptadas e bem-sucedidas do planeta. Só que isso, às custas do equilíbrio e da constância tão necessárias a vida.

O tema discutido aqui não poderia ser mais atual ou necessário. É importante refletir sobre nossas escolhas e hábitos e agir para mitigar ou retardar ao máximo a tragédia anunciada. Kolbert conseguiu escrever um livro que durante a leitura nos passa a impressão de estarmos assistindo a um documentário. Com uma linguagem clara, concisa e visual, ela consegue nos transportar para a Floresta Amazônica, para o recife na Oceania, o sítio arqueológico na França e outros tantos lugares belos e ameaçados que tornam esse grito de socorro ainda mais pungente. Livro para ler, reler, discutir e indicar para o maior número de pessoas.

PS: A tradução da edição brasileira coube à Mauro Pinheiro, e no geral, está bem boa, exceto pelas ocasionais escorregadelas na flexão de gênero. Acho que ele se esqueceu que é uma autorA a responsável pela obra. Alguns termos científicos também ficaram errados e poderiam ter sido facilmente percebidos por uma revisão de alguém mais acostumado com a terminologia científica. Mas, são erros pequenos e que não chegam a interferir na leitura. Uma ótima leitura.

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4 Comentários

Arquivado em Editora Intrínseca, Editoras Parceiras, Resenhas da Núbia

4 Respostas para “A Sexta Extinção (Elizabeth Kolbert)

  1. Gente, fiquei mega curiosa! Vou ler já.
    Parabéns pelo blog, sucesso sempre!

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