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Noite Sem Fim (Roberto Campos Pellanda)

A Vila é um lugar onde sempre é noite e vive sobre a rígida Lei dos Anciãos, lei essa que determina que a cada seis meses um navio deve partir para o Além-Mar, navios esses que nunca retornam…

É sob a ótica de Martin, um garoto de 14 anos, que conhecemos a história. Ele ficou órfão há seis meses, quando o pai embarcou em um desses navios. O garoto vive atormentado por perguntas sobre o regime Ancião e tem como companheiros de indagações o melhor amigo Omar e a garota de seus sonhos Maya. Além disso, os três também partilham uma paixão: os livros. São esses os fatos que Roberto Campos Pellanda nos conta sobre seu livro no Prefácio de apresentação e ele soube vender sua obra muito bem, eu que já estava curiosa sobre o enredo de Noite Sem Fim fiquei ainda com mais vontade de iniciar a leitura.

“- É verdade. Ainda somos um grupo, Martin. Um grupo clandestino de pessoas que querem ver todos os livros liberados na Vila e que gostariam de discutir a Lei Anciã. Ainda existem pessoas como o seu pai lá fora.”

A Vila é o típico mundo distópico. Para começar, os cidadãos estão confinados à ela, vivem aterrorizados com os limites marítimos, lar de criaturas selvagens que ocasionalmente visitam a Vila espalhando o terror, e o responsável por levar para longe seus entes amados, e por outro lado temos as fronteiras terrestres, ultrapassar a cerca é crime severo e os que já o fizeram experimentam sensações alucinantes. O sistema político também é dos mais severos, atende os interesses de uma minoria que usa artifícios antigos para exercer seu poder usurpador, poda qualquer tentativa reacionária e transforma o poder do conhecimento em algo criminoso. Continuar lendo

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Guardians – Volume 3 (Luciane Rangel)

Com os eventos de Guardians 2 ainda frescos na memória não consegui me segurar e tive que adquirir o terceiro e último volume dessa aventura tão bem conduzida pela Luciane. Fiquei tentando me lembrar de como deparei-me com Guardians pela primeira vez, mas as memórias me fogem. Só sei que o encontro foi tímido e receoso de minha parte. Tive a oportunidade de conhecer a obra através do Book Tour organizado pela própria autora. Talvez se não fosse por isso eu nem chegasse a tomar conhecimento dessa história, mas foi só começar a ler, para Guardians me conquistar. Os personagens foram tão empáticos e a história teve tanta aventura que de repente soube que teria que ir até o fim e fico feliz de dizer que não me arrependi. Continuar lendo

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Book Tour: Guardians – Volume 2 (Luciane Rangel)

Depois dos acontecimentos atribulados no final do livro anterior, seria impossível começar Guardians 2 na calmaria e a Luciane não se fez de rogada. A frágil barreira entre o mundo dos humanos e dos youkais está prestes a se romper e Kuro (o líder dos youkais) tem planos para se tornar o rei dos dois mundos. Planos esses que parecem envolver os Guardiões. E a história já começa dando vislumbres do segredo de Sofie, um segredo que parece ir de encontro com os planos de Kuro. Quem é Giulia Gautier Benetti? O que Hikari não entenderia? Qual o segredo sombrio que a antiga guardiã quer tanto esquecer? O primeiro capítulo traz muita ação e já dá mostras do que podemos esperar neste segundo volume. No melhor estilo animê, a narrativa ganha agilidade e a sucessão de eventos torna impossível largar a leitura.

Se ainda restavam quaisquer dúvidas sobre a qualidade da história da Luciane, após a leitura desse segundo volume, elas definitivamente não existem mais. Sim, a história da Luciane tem clichês e o desenrolar de alguns acontecimentos pode até ser óbvio, mas isso não tira o brilho de uma história bem contada. O texto dela é bastante fluido e a narrativa é gostosa de ler. Ao criar personagens/protagonistas tão diferentes, a autora conseguiu deixar sua história mais rica e cativante. Há protagonistas para todos os gostos e opções, alguns são chatos de galochas, outros ingênuos e avoados, há os que te cativam à primeira vista e outros que só agora começam a mostrar que ainda tem um lado gentil. Continuar lendo

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Fazendo Meu Filme 4 – Fani em Busca do Final Feliz (Paula Pimenta)

*Atenção, esta resenha pode conter spoilers referentes aos primeiros livros da série! 

Conheci a série Fazendo Meu Filme apenas em 2010, desde então me encantei pela garota tímida apaixonada por filmes, pelo garoto que gosta de extravasar sentimentos através de músicas e por todos os outros personagens que tornaram o roteiro da Paula Pimenta inesquecível. Com uma narrativa centrada nas relações interpessoais e capaz de provocar emoções tão díspares em seus leitores, a história de Fani vem recheada de romance, amizade, família, a busca pela realização dos sonhos, assuntos rotineiros (outros nem tanto), que fazem com que a identificação dos leitores seja forte, ainda que você não esteja mais na “faixa etária” (para quem acredita nessa balela) à qual a obra é direcionada.

“É apenas uma história…

E esta tem um final feliz.”

(Três Vezes Amor)

É muito bom começar a leitura de FMF4 com a citação acima. Afinal, um final feliz para Fani é o que todos os apaixonados pela série querem. Ao longo da história acompanhamos o desabrochar dos sentimentos da garota, o amadurecimento proporcionado pelo intercâmbio na Inglaterra, todas as atribulações da vida de pré-vestibulanda e os altos e baixos de seu relacionamento com Leo. Agora, no momento derradeiro, cinco anos depois da despedida em FMF3, encontramos uma Fani mais madura, extrovertida (na medida do possível), realizada profissionalmente, mas que guarda marcas profundas do término de seu relacionamento com Leo. Após cinco anos, é normal que pessoas façam parte do nosso passado, outras continuem no nosso presente e outras surjam para preencher os lugares vagos. É assim, que sentimos falta de alguns personagens que já foram muito presentes nos outros livros, matamos a saudade de velhos amigos, podemos conhecer melhor outros que antes não tinham tanto espaço (Hello Tracy!) e adicionamos nessa lista novos personagens que nada deixam a desejar aos antigos, seja o animado Alejandro ou a mini conselheira Cecília. Continuar lendo

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Todas as Estrelas do Céu (Enderson Rafael)

Esta resenha foi publicada inicialmente no meu perfil do Skoob (há um tempinho já), mas decidi compartilhá-la aqui no blog também. ;D

Todas as Estrelas do Céu foi escrito pelo Enderson Rafael há mais de 10 anos e depois de esforços bem sucedidos empreendidos pelo autor o livro foi publicado por uma editora e tem feito muito sucesso. Para quem não conhece a história, o Enderson fez várias cópias do seu manuscrito e saiu distribuindo-as por todo o Brasil assim ele pretendia que o seu livro se tornasse conhecido e quem sabe assim chamar a atenção das editoras e alçar vôos mais altos. Eu ganhei a minha cópia em uma promoção no finado orkut, então tive a chance de conhecer a história da Carol e do Lê antes de todo o sucesso que o livro está fazendo hoje, sucesso merecido é claro.

A história criada pelo Enderson cativa aos pouquinhos e literalmente nos pega desprevenidos. Adorei conhecer a Carol e o Lê e sua história de amor impossível. Quer dizer, impossível não a história é bem possível todas as impossibilidades são plantadas pelo preconceito arraigado, preconceito com alma de erva daninha, daquelas que quando se acha que conseguiu se livrar dela lá está novamente. É assim que enxergo o papel dos “pais” dos garotos. “Pais” pois para os desavisados de plantão o livro conta a história de amor entre dois irmãos Leandro (filho adotivo) e Carol. Sempre se tratando como irmãos e confidentes, os dois não percebem os sussurros provocados pelo sentimento latente e acabam sendo despertados pelos rugidos de um amor sublime, total e forte. Com força o suficiente para carregar os personagens em suas aventuras em prol desse amor, desde o inicio destinado a ser suplantado e calado por aqueles que os cercam. Será que o amor dos dois conseguiu ser ouvido, ou será que foi silenciado? Não contarei o final para não estragar a surpresa. Continuar lendo

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Réquiem para um assassino – Paulo Levy

Um homem é encontrado morto no pântano de uma pequena e pacata cidade: Palmyra. Como o corpo foi encontrado em um ponto turístico, o delegado da polícia, Joaquim Dornelas logo se vê pressionado para descobrir quem foi assassinado e mais importante: quem é o culpado. Quando as pistas levam o caso às portas da elite política da região, o delegado tem que pisar em ovos para não culpar a pessoa errada e ser a próxima vítima.

Paralelamente à investigação, acompanhamos a jornada pessoal de Dornelas, recentemente divorciado e sentindo falta dos filhos e da mulher. Ver o lado humano da protagonista, os conflitos internos, os caminhos que o raciocínio dele percorrem para resolver os problemas à mão. Tudo isso é mostrado na narrativa de uma maneira tão real que parece que você é vizinho do protagonista e está vivendo com ele todas as suas angústias. Continuar lendo

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Cira e o Velho (Walter Tierno)

Cira e o Velho é o primeiro livro do autor brasileiro Walter Tierno. A história pensada inicialmente para ser uma HQ, depois de quase 200 páginas de ilustrações prontas foi transformada em prosa e tenho que dizer que é uma prosa muito gostosa de se ler, com uma narrativa ágil, bem delineada e que prende a atenção do leitor. Com ilustrações do próprio autor, a história se passa no Brasil do final do século XVII. Em um Brasil que ainda está sendo conquistado pelos povos de além-mar, conhecemos a história de dois irmãos o cobra Norato e Maria Caninana, um pacto com o Senhor das Mentiras e as mortes decorrentes disso.

O autor dá vida a um narrador e utiliza a viagem deste em busca das histórias de Cira para contar a nós leitores uma lenda bem brasileira, com índios, escravos, bandeirantes e muitas criaturas folclóricas.

Maria Caninana e Norato são filhos de uma índia com uma cobra, ainda recém-nascidos presenciaram a morte da mãe, morte que marcou profundamente Caninana e que a tornou cruel. Para se vingar daquele que matou sua mãe, Caninana engendra um plano que envolve a si e seu irmão, esse plano envolve um pacto que exige um pagamento e para cumprir esse pagamento Caninana “contrata” os serviços do sertanista Domingos Jorge Velho. O sertanista sai então em busca dos últimos descendentes vivos de Norato para matá-los, entre eles Cira, filha de Norato com a bruxa Guaracy. Mas, o sertanista não contava que aquele trabalho não sairia conforme o planejado e que isso lhe traria muitos problemas no futuro, porque apesar da mãe de Cira ter morrido, ela sobreviveu e agora quer vingança.

A protagonista da história de Tierno não é lá muito carismática, mas não se pode negar que a moça tem atitude.  Vestindo uma roupa vermelha feita da pele despojada de seu pai e trazendo no ombro uma caveira, Cira parte no encalço de Domingos, lutando contra bandos de lobisomens, mboitatás, princesa de histórias antigas e chegando até Quilombo do Palmares. A aventura de Cira e sua fiel companheira Nhá nos permite desbravar um Brasil de muitas histórias, bichos e gente. Poderia até ser um típico romance regionalista, mas há muitas mortes e muita sede de vingança para caracterizarmos Cira e o Velho apenas assim. A obra acima de tudo é uma lenda bem contada.

“A força das lendas, dizem, está em quem as espalha”.

Para mais informações sobre a obra e o autor visite o site pessoal de Walter Tierno aqui.

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