Eu Sei Por Que o Pássaro Canta na Gaiola (Maya Angelou)

 

Eu sei por que o pássaro canta na gaiola é o primeiro de uma série de livros autobiográficos escritos por Maya Angelou. Angelou, nascida Marguerite Anne Johnson, foi uma escritora, poetisa, jornalista, cantora, dançarina, atriz, roteirista…. Foi a primeira mulher negra a escrever para uma produção de Hollywood, foi ativista dos direitos civis e teve participação ativa em muitos governos presidenciais dos Estados Unidos. Talvez, só talvez, você não saiba quem foi Maya Angelou, mas é bem provável que já tenha entrado em contato com alguns de seus versos mais conhecidos:

“Você pode me inscrever na história

Com as mentiras amargas que contar

Você pode me arrastar no pó,

Ainda assim, como pó, vou me levantar. ”

(trecho de Still I Rise, tradução de Francesca Angiolillo)

A edição publicada pela TAG – Experiências Literárias em parceria com a editora Astral Cultural, traz o prefácio escrito pela Oprah Winfrey em 2015, o livro foi publicado originalmente em 1969. As palavras da Oprah demonstram bem a representatividade que a obra teve para tantas garotas negras que cresceram sob o jugo do racismo e da falta de oportunidades. A história de Maya, traumática e cerceada pela segregação racial, infelizmente refletiu a história de muitas outras garotas, mas a resiliência e o inconformismo de Maya também serviram de incentivo para muitas delas se sentirem empoderadas para lutarem suas próprias batalhas.

A autobiografia de Maya abarca o período dos seus três aos 16 anos e provavelmente foi escrito não apenas para ser um resgate da memória, mas uma espécie de “revivência” dos fatos, o que se exprime na linguagem escolhida por Maya que espelha a linguagem esperada de uma garotinha e mais tarde de uma adolescente. É assim que ela nos convida a uma viagem compartilhada ao seu passado.

Quando tinha apenas três anos, os pais da pequena Marguerite se separaram e ela juntamente com o irmão Bailey foram enviados da Califórnia para o Arkansas para morar com a avó paterna. Ali viveram por poucos anos até voltarem para St. Louis para morarem com a mãe. Ali, no seio familiar foi vítima de abuso, que acabou se concretizando em um estupro que durante muitos anos lhe calou a voz. Maya puniu-se não se permitindo falar, mas foi nas palavras, ou melhor nos livros, que ela acabou encontrando conforto. E, ao retornar ao Arkansas e à proteção da avó, acabou por descobrir a beleza da poesia, mesmo em meio à sociedade racista que não fazia questão nem de esconder que haviam diferenças na educação fornecida aos negros e aos brancos, ou que não pensava duas vezes antes de negar atendimento odontológico a um negro.

“Enquanto eu comia, ela começou a primeira do que mais tarde viemos a chamar de “minhas lições de vida”. Disse que eu devia sempre ser intolerante com a ignorância, mas compreensiva com o analfabetismo. Que algumas pessoas, mesmo sem poderem ir à escola, eram mais educadas e até mais inteligentes do que professores universitários. Ela me encorajou a ouvir com atenção o que as pessoas do interior chamavam de bom senso. Que nos ditados populares havia a sabedoria coletiva de gerações. ” (Página 121)

 

“Os alunos brancos teriam a chance de se tornar Galileus e Madames Curie e Edisons e Gauguins, e nossos garotos (as meninas nem estavam na conta) tentariam ser Jesse Owens e Joes Louis. ”

(Página 203)

Na juventude, já com a mãe novamente, Maya trava sua primeira batalha por mais direitos e oportunidades de trabalho. Ela queria trabalhar nos bondes de São Francisco, um emprego que negros não ocupavam, mas que ela estava determinada a ocupar. Desde então não parou mais. Ao longo de sua vida, Maya encarou inúmeras batalhas pelos Direitos Civis dos Negros Americanos. Ela também nunca deixou de almejar mais, mesmo tendo de encarar uma gravidez na adolescência e uma sociedade que persistia em tentar podar o seu caminho. Ao superar a mudez e expor suas dores por meio das palavras, Maya fortaleceu-se para encarar suas batalhas e é essa força que de certa forma ela compartilha conosco em Eu sei por que o pássaro canta na gaiola. Um livro deveras transformador. Uma leitura mais do que necessária nesses tempos em que o flerte com as atitudes passadas se faz cada vez mais presente.

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