Perdido em Marte (Andy Weir)

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A contracapa da edição brasileira de Perdido em Marte traz um comentário do astronauta Chris Hadfield (comandante da Estação Espacial Internacional) no qual ele diz que a precisão técnica utilizada por Weir é fascinante e que as situações vivenciadas por Mark lembravam muito um episódio de MacGyver. Para toda criança dos anos 90, o referido personagem é sinônimo de inventividade e superação de obstáculos, e Mark (o protagonista desta história) realmente encarna todo esse espírito, com um adendo: um pendor para a comicidade e o sarcasmo. E isso, conquista o leitor desde a primeira frase do livro. Mark está ferrado e tudo o que você quer é torcer por ele e vivenciar com ele todos os seus esforços para sobreviver em Marte e retornar à Terra.

Mark Watney, astronauta da Nasa, pode ter sido apenas a décima sétima pessoa a pisar em Marte, mas garantiu para si o título de primeira pessoa a ser esquecida, e provavelmente a primeira a morrer, no planeta vermelho. Ele era um dos tripulantes da missão Ares 3, que foi abortada por causa de uma forte tempestade de areia. Toda a tripulação foi embora e Mark, que acreditavam estar morto, foi deixado para trás.

“Então, esta é a situação: estou perdido em Marte. Não tenho como me comunicar com a Hermes nem com a Terra. Todos acham que estou morto. Estou em um Hab projetado para durar 31 dias.

Se o oxigenador quebrar, vou sufocar. Se o reaproveitador de água quebrar, vou morrer de sede. Se o Hab se romper, vou explodir. Se nada disso acontecer, vou ficar sem alimento e acabar morrendo de fome.

Então, é isso mesmo. Estou ferrado. ” (Página 14)

Mark está ferrado, mas ainda não está morto. E por mais que todas as chances estejam contra ele, ele não desiste e usa todos os seus conhecimentos (ele é engenheiro e botânico) e seu humor bastante peculiar para lutar por sua sobrevivência. Aumentar a quantidade de alimentos disponíveis, produzir água, garantir o aquecimento, estabelecer comunicação com a Terra…. Muitos termos técnicos, siglas, cálculos, reações químicas e experimentos biológicos que podem até confundir no início, mas, nada como uma boa piada para sedimentar a informação e tornar qualquer cálculo de sobrevivência, por mais intricado que seja, tragicômico. Com Weir o rir da desgraça alheia atinge proporções épicas quando o alheio estás a rir junto contigo. Perdido em Marte é daqueles livros que podem te fazer passar vergonha se estiver lendo-o em público. Weir consegue extravasar reações do leitor: gargalhar, roer as unhas e reclamar (porque não há piada que nos faça relevar Murphy) são algumas das ações constantes ao longo da leitura.

Outro ponto bastante positivo da trama de Weir é a precisão técnica que ele dedica às atividades de Mark, e o fato dele não ter abdicado dela em prol de um texto mais limpo e fluído. Transcrever todos os passos de um experimento químico pode ser feito de uma forma fascinante e sem tornar a trama maçante, Weir mostrou isso. Além disso, ele também utilizou com propriedade os dados reais das expedições da Nasa no planeta vermelho, como os equipamentos oriundos da Missão Mars Pathfinder (missão de 1996) que têm papel fundamental na trama.

Apesar de grande parte da narrativa ocorrer sob a forma de diários de bordo, narrados em primeira pessoa. O romance de Weir é extremamente gráfico e dinâmico. É fácil perceber o porquê decidiram transformá-lo em filme, a história implorava por algo do tipo. Até a trilha sonora Weir já tinha deixado engatilhada, afinal, não é porque o protagonista está perdido em Marte que não haja espaço para referências pop. Astronautas também têm direito aos seus momentos de diversão. Se conseguiram transpor 60% dessa história para as telas (é, ainda não vi o filme, shame on me), já prevejo que ele será daqueles filmes espaciais que sempre pararei para assistir quando estiver passando na TV.

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3 Comentários

Arquivado em Lendo aleatoriamente, Resenhas da Núbia

3 Respostas para “Perdido em Marte (Andy Weir)

  1. Alinde

    Eu já vi o filme e ainda não li o livro. Gostei muito do filme, o livro entrou na TBR. Essa piada que você citou eles usaram. Chato que vou ficar com o Matt Damon na cabeça quando ler o livro. Pelo menos ele é bonito hahaha

    Curtido por 1 pessoa

    • Nubia Esther

      Ah, eu nem tinha visto o filme, mas a exposição do Matt Damon estava tão grande (eu e minha mania de assistir à todos os eventos de premiação) que ele acabou se entranhando na minha imagem do protagonista. Mas é como você disse, pelo menos ele é bonito! XD

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  2. Pingback: TAG – Doenças Literárias | Blablabla Aleatório

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