Vermelho Como o Sangue (Salla Simukka)

vermelho como o sangue

“Lumikki reconhecia aquela sensação. Ela se lembrava de ter olhado para si mesma no espelho em algum momento do outono da primeira série, um pouco antes do Natal, e de ter visto uma menininha assustada e chocada que nunca poderia ter acreditado que algo como aquilo pudesse acontecer com ela. Que algo assim tivesse existido. “Eu não sou mais eu.” Foi o que ela pensou. E era verdade. Ela se tornara outra coisa, um tipo diferente de menina.

Era uma vez uma menina que aprendeu a ter medo.”

(Página 135)

No interior da Finlândia, Natalia Smirnova tentou deixar o “emprego” e voltar para casa, mas a máfia não perdoa e ela é assassinada. No outro dia, três garotos com amnésia pelo uso de entorpecentes, invadem o laboratório de fotografia da escola para lavar dinheiro sujo de sangue.

Lumikki Andersson mora sozinha e estuda em uma conceituada escola. Ela não é uma garota de muitos amigos (para ser mais realista é melhor dizer nenhum) e algo de muito ruim aconteceu com ela no passado. Algo que a transformou em uma caçadora nata de esconderijos. Algo que a fazia sentir medo e o que levou-a a decidir deixar a casa dos pais e a cidade onde morava. E, por ter essa mania de se esconder, Lumikki acaba se deparando com o dinheiro sujo de sangue no laboratório da escola. Ela também descobre quem são os garotos e por descobrir demais, acaba se envolvendo em uma investigação que não queria e que frequentemente coloca sua vida em risco. Isso porque ela acaba presa em uma rede de corrupção envolvendo uma quadrilha internacional.

Salla Simukka criou sua história inspirada pelo conto da Branca de Neve. Sua protagonista recebeu seu nome em homenagem à personagem (Lumikki é como a personagem é chamada em finlandês); seus pais perderam alguém importante antes dela nascer; ela vive na Finlândia, onde há neve, muita neve, e ela é praticamente um personagem nessa história; talvez, tenha até mesmo um príncipe nessa história (que está mais para sapo na verdade). Assim como a personagem dos irmãos Grimm, Lumikki sabe cuidar de si mesma e é bastante independente. E, para apresentar a personagem, Simukka resolveu adicionar à história um crime, uma sacola de dinheiro, alguns adolescentes irresponsáveis, traficantes de drogas e personagens corruptos. E é assim, que ela transforma sua Branca de Neve em detetive.

E ainda que o background da personagem consiga nos prender mais eficientemente à história do que a própria problemática a ser solucionada no livro. No fim, a mistura de um passado doloroso, um romance fracassado e uma investigação criminal provou ser uma boa ideia. Só não consegui captar nas entrelinhas o que poderá vir a acontecer nos outros livros, já que a história apesar de encerrar-se de forma satisfatória e poder muito bem se passar por uma obra única, na verdade é uma trilogia. O jeito é esperar pelo próximo volume para ver o que Simukka nos reservou.

Sobre a edição brasileira é preciso tecer alguns comentários. A capa ficou linda e a diagramação interna também está ótima. Contudo, há tempos não lia um livro publicado pela Novo Conceito com tantos erros de tradução/revisão. Passando por pontuação errada, supressão de palavras e até mesmo confusão nas datas no início dos capítulos. O pior é que o livro é curto e relativamente há poucos parágrafos, o que só serviu para enfatizar a falha em deixar tantos erros passarem. Espero que um pouco mais de atenção seja dedicada aos próximos volumes da trilogia.

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Arquivado em Editora Novo Conceito, Editoras Parceiras, Resenhas da Núbia

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