O Rei Corvo (Maggie Stiefvater)

Atenção, esta resenha trata dos acontecimentos ocorridos no quarto e último livro da série A Saga dos Corvos e pode haver spoilers sobre fatos dos livros anteriores. Para saber o que eu achei dos outros livros, confira os links no final desta resenha.

 

É sempre uma sensação agridoce terminar uma série. É triste porque é chegada a hora de despedir-se de personagens com os quais você sonhou junto, sofreu junto e nutriu esperanças, e ao mesmo tempo, é bom descobrir como as situações duvidosas se resolveram, qual era aquele segredo que o autor lhe escondeu desde o início e o futuro dos personagens. Se a conclusão faz jus a todo o resto da história, melhor ainda! Chegou a hora de me despedir dos garotos corvos, de Blue Sargent e toda a sanidade transvestida em loucura da Rua Fox 300.

A Saga do Corvos me apresentou Maggie Stiefvater e sua escrita única. Uma narrativa fluída, personagens complexos e uma trama repleta de informações: magia, ocultismo, mitologia, fatos históricos; todas devidamente explicadas e introduzidas de forma harmoniosa à trama. Stiefvater nos entregou uma quadrilogia com inúmeros personagens (nenhum esquecível, ainda que uns tenham sido mais marcantes que outros) e uma boa quantidade de tramas paralelas, que no fim se uniram para nos entregar uma saga que mais do que romance trouxe à tona discussões sobre crenças, sobre vida e morte, escolhas, oportunidades, aceitação e amizade. Talvez esteja aqui a maior força de sua história. Ao não focar no lado romântico da trama (tática adotada comumente nos livros do gênero), Maggie abriu espaço para que todos os personagens tivessem voz, crescessem perante os olhos do leitor e tivessem tanta importância quanto Blue e Gansey nessa jornada.

Mesmo com tantos pontos positivos, também preciso dizer que nem tudo correu a mil maravilhas e em alguns momentos houveram escorregões. No primeiro volume o fator novidade contribuiu para colocar nossas expectativas lá no alto, no segundo Maggie entregou uma narrativa frenética, repleta de possibilidades e nos encantou definitivamente pelos seus personagens. A pretensa calmaria do terceiro livro foi um baque. A história demorou a engrenar e foi difícil enxergá-lo como um livro coeso como seus antecessores. Ele poderia facilmente ter sido dividido entre o segundo e este, sem maiores perdas. O que só evidencia que as decisões editoriais visando apenas o lucro nem sempre são acertadas. Este quarto volume também começa lento: ainda há personagens para serem introduzidos e outros, que precisamos conhecer melhor. Mas, depois da ambientação necessária, a trama de Stiefvater recupera o ritmo que nos cativou lá no início e finaliza sua trama satisfatoriamente.

Fonte: Maggie Stiefvater, The Raven Boys page.

 

“Foi só quando uma das médiuns da Rua Fox, 300 morreu, só quando a morte se tornou um fato real, que Gansey não pôde mais negar a verdade.

Os cães do Clube de Caça de Aglionby tinham uivado aquele outono: longe, longe, longe.

Ele era um rei.

Havia chegado o ano em que ele morreria. ” (Página 11)

 

Achando ou não Glendower, o rei Corvo, a busca de Gansey está chegando ao fim. Ao longo do caminho ele angariou amigos, que também tomaram para si a missão de encontrar o lendário rei. Ronan, sua couraça que mantém muitos afastados e seu dom único de roubar coisas do mundo dos sonhos; Adam, que durante muito tempo foi silenciado pelo pai e que depois fez um trato com poderes inimagináveis, colocando em xeque seu livre-arbítrio; e Noah e seu passado trágico, persistindo no presente, sem direito a um futuro. Pouco depois Blue os encontrou. E veio trazendo consigo toda a balbúrdia da Rua Fox 300, uma premonição e uma maldição. Acompanhamos todas as buscas, as incursões em Cabeswater, as sessões da Rua Fox, o desenrolar dos relacionamentos (a ainda há boas surpresas neste último volume) e todas a coletânea de personagens que tornaram essa história ainda mais rica: médiuns, assassinos, colecionadores, exploradores, políticos, outros alunos de Aglionby (Henry realmente foi uma boa adição), personagens retirados de sonhos e de pesadelos. Ao longo da história muitas tramas foram desenvolvidas, com múltiplas implicações para o final (a busca de Glendower, as premonições, maldições e perigos), e a forma como Stiefvater resolveu todas elas, foi bastante engenhosa. Mesmo como os percalços, é uma série que recomendo sem pensar duas vezes para quem gosta de romances jovens sobrenaturais, com um toque de fantasia e uma boa dose de investigação. Stiefvater sabe realmente como trabalhar todos esses elementos.

Minha única ressalva fica por conta do tratamento dado à edição brasileira. A revisão deixou muito a desejar e muitos erros passaram (trocaram até mesmo nomes de personagens!). Isso realmente irritou durante a leitura. Por isso, se você lê em inglês, dê preferência ao original.

 

Leia uma amostra aqui:

 

Conheça A Saga dos Corvos:

Os Garotos Corvos [Goodreads][Skoob][Resenha]

Ladrões de Sonhos [Goodreads][Skoob][Resenha]

Lírio Azul, Azul Lírio [Goodreads][Skoob][Resenha]

O Rei Corvo [Goodreads][Skoob]

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2 Comentários

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