Passarinho (Crystal Chan)

Passarinho

“Quem eram aquelas pessoas? Onde estava toda aquela alegria, e onde ela se esconde depois de abandonar uma família? Será que vai para outra família, funde-se à terra ou se dissolve no ar como a fumacinha de nossa respiração no inverno? E se a alegria não vai embora, então por que não sobrou nem um pouquinho para mim?” Página 25.

No dia em que Joia nasceu, seu irmão John pulou para a morte. Neste mesmo dia, seu avô parou de falar. Isso porque a família atribui a ele a culpa pela morte de John, afinal, foi ele que lhe deu o apelido de Passarinho, quem talvez tenha feito o garoto de cinco anos acreditar que podia voar, o responsável pelo salto de Passarinho de um penhasco. Foi sob esta tensão que Joia nasceu e é sob esta tensão que ela vive desde então. Um avô que nunca fala e que parece guardar dentro de si uma raiva imensa contra tudo e todos, uma mãe que nunca parece estar feliz de verdade e um pai que vive excessivamente preocupado com o sobrenatural, especialmente com os duppies – os espíritos malvados tão comuns no país natal de sua família, a Jamaica.

Joia sempre se sentiu um zero à esquerda na vida dos pais. A começar pelo seu nome que ela tem certeza de que recebeu não por ser preciosa para os pais, mas por também começar com J como John e porque eles sentem saudades dele e não queriam lhe dar um nome comum. Passarinho fora importante, ela é só alguém fazendo número, aumentando a conta de gente na família. Continuar lendo

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A Senhora das Águas – Philippa Gregory

A vida de Jacquetta de Luxemburgo muda quando se casa com John de Lancaster, duque de Bedford, e tio do Rei da Inglaterra. Este é o segundo casamento do duque, que deseja Jacquetta apenas pelos dons que sua família supostamente tem: os descendentes de Melusina, a deusa da água, conseguem ver o futuro nas cartas e nos espelhos. Esse conhecimento é de grande valor para um dos principais defensores dos interesses da Inglaterra. Quando está na hora do Rei se casar, Jacquetta é escolhida para ajudar a nova rainha, que é sua conterrânea, a se acostumar à nova vida. Margarida de Anjou se aproxima rapidamente da personagem principal, e devido a essa amizade, conseguimos ver de perto os eventos que levaram à famosa Guerra das Rosas (ou Guerra dos Primos).

“Começo a perceber que a corte, o país e nós mesmo estamos passando de uma disputa entre primos para uma guerra entre primos.”

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Incendeia-me (Tahereh Mafi)

incendeiame

“Já estive aqui, digo a mim mesma. Já fui mais solitária do que isso, com menos esperança do que isso, mais desesperada do que isso. Já estive aqui antes e sobrevivi. Posso passar por isso.

Mas eu nunca havia sido tão completamente roubada. Amor e possibilidade, amizades e futuros: foram-se. Preciso começar do zero agora; enfrentar o mundo sozinha de novo. Tenho de fazer uma última escolha: desistir ou ir em frente.” página 16.

A tirar pelos acontecimentos que encerraram Liberta-me e foram revisitados sob um novo ponto de vista em Fragmenta-me, Incendeia-me, o último volume da trilogia Estilhaça-me, tinha tudo para começar com um ritmo frenético e com a batalha dos revolucionários do Ponto Ômega contra o Restabelecimento pegando fogo. Mesmo com todas as perdas e com o movimento revolucionário alquebrado, era de se esperar que um enfoque maior fosse dado a essa batalha para tentar consertar esse mundo desvalido. Contudo, Mafi decidiu focar a história exclusivamente em Juliette. E não, isso não é errado, afinal é justamente por ter esse foco que conseguimos perceber o quanto a personagem mudou ao longo do tempo e o quanto isso reflete-se no estilo da narrativa. A linguagem gráfica com textos tachados e o fluxo de consciência de alguém que se considerava louca, mudou para uma narrativa entrecortada e rápida, característica de alguém que ao libertar os próprios pensamentos viu-se tendo que enfrentar uma verborragia mental alimentada por seus medos e ao poucos chega ao que encontramos aqui: uma narrativa que vez ou outra pode até se mostrar entrecortada, quando a confiança capenga, mas no geral é feita em um texto claro, que transparece a força recém adquirida pela personagem. A forma como Mafi soube modificar sua personagem ao longo da história, inclusive imprimindo no texto as marcas desse processo é um dos pontos positivos de sua narrativa. Como disse manter o foco em Juliette não é errado, afinal é a partir dela que esperamos a catarse que promoverá a mudança nesse mundo, é ela a peça principal na luta contra o Restabelecimento. Só que todo esse movimento catártico fica relegado a segundo plano e o que antes tinha bastante espaço sim, mas não era o único foco, torna-se dominante em Incendeia-me: o romance. A história que tinha despontado como um romance em meio ao caos distópico, ganhou ares de história de heróis, ganhou uma verve política, e prometeu muito mais para no fim ser apenas um romance em meio ao caos distópico. Continuar lendo

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Mulheres que escolhem demais – Lori Gottlieb

Este livro é um relato verídito escrito por Lori Gottlieb, uma jornalista que decidiu ter um filho através da doação de espermas, enquanto não encontrava o seu Príncipe Encantado, com quem se casaria e teria o seu final feliz. No entanto, aos 41 e vendo que estava cada vez mais difícil encontrar o cara perfeito, ela começou a se perguntar onde estavam os homens que cumpririam a lista de pré-requisitos e a fariam feliz para sempre.

O problema é que Lori, como muitas mulheres dos dias de hoje, tem em mente ideias surreais sobre a pessoa com quem vai compartilhar o resto dos seus dias. Essa ideia pre-concebida (e totalmente errada) faz com que ela tome decisões sobre a vida amorosa que não apenas não fazem qualquer sentido, como simplesmente vão contra o seu objetivo final: encontrar “o cara”. A verdade é que ela estava tão focada em encontrar o Príncipe Encantado (que não existe) que deixou de enxergar o Alguém Razoável, o homem que além de existir, teria um conjunto de características que a fariam feliz. Ela então decide investigar o que torna um casal feliz, e como eles se encontraram (e se reconheceram como casal), para tentar usar essas informações em si mesma. Na sua aventura, Lori conversa com mães, avós, terapeutas, amigas e amigos, um conselheiro de sites de relacionamento (eles existem!) e um rabino. Todos eles a ajudaram a enxergar que ela não estava entrando no jogo dos relacionamentos da maneira correta, e que da maneira que ela estava procurando, não ia MESMO encontrar um marido. Continuar lendo

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Fragmenta-me (Tahereh Mafi)

Atenção, esta resenha trata dos acontecimentos ocorridos entre o segundo e o terceiro livro da trilogia Estilhaça-me e pode haver spoilers sobre fatos do livro anterior. Para saber o que eu achei dos livros anteriores, confira os links no final desta resenha. 

fragmenta-me

Assim como Destrua-me serviu de ponte para os acontecimentos narrados nos dois primeiros livros da trilogia de Mafi, agora cabe a Fragmenta-me preparar o terreno para os acontecimentos derradeiros envolvendo a luta dos rebeldes do Ponto Ômega contra o Restabelecimento. 

“O simples fato de ver o rosto dela ainda faz meu peito doer, mas a verdade é que eu não tenho mais ideia do que está acontecendo entre nós. Prometi a ela que encontraria uma maneira de passarmos por isto – e tenho treinado como um condenado, como sempre fiz -, mas, depois da noite passada, não vou mentir: estou um pouco apavorado. Tocar nela é mais sério do que já pensei. ”

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O Maravilhoso Agora (Tim Tharp)

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O Maravilhoso Agora, talvez estivesse predestinado a ser daqueles livros que talvez eu nunca fosse me dar conta dele, que acabaria passando despercebido em meio a tantos livros marcados como desejos de futuras leituras, isso porque tudo o que a sinopse da história de Tim Tharp promete é mais um romance adolescente. O envolvimento romântico entre duas pessoas completamente diferentes: ele, o rei das festas, o amigo da galera; ela, a nerd incompreendida, o desastre social. Histórias com esse mote há aos montes por aí, então não seria algo que me chamaria atenção para esse livro em particular. Provavelmente eu nunca teria conhecido Sutter Kelly se não fosse pela resenha que a Anica publicou em seu blog (o Hellfire Club) quando O Maravilhoso Agora era ainda apenas The Spectacular Now e nem havia previsão de sua publicação cá no Brasil. E eu nem me atrevo a sonhar em escrever uma resenha tão pormenorizada e certeira como a da Anica, e recomendo que aos que tem dúvida quanto à história ou estão indecisos se vale a pena ler ou não, que passem por lá e confiram seu texto.

Mas voltado ao livro. Se não é apenas mais um romance juvenil, então do que trata O Maravilhoso Agora? Traz a história de Sutter Kelly, um garoto que está no último ano do ensino médio, mas que ao contrário de todos os seus colegas que vivem de fazer planos para a vida pós-formatura, ele é extremamente apegado ao presente, de sentir PAVOR do futuro. Além disso, para Sutter a vida é uma constante festa e deve ser celebrada, de preferência com um 7Up e um whisky, em qualquer hora do dia ou noite. Sutter é o garoto carismático, que gosta de todo mundo, se dá bem com todo mundo e para quem não há tempo ruim. Ele é daquelas pessoas que fica feliz com a felicidade dos outros. Como não simpatizar com alguém que transborda tanta empatia? Mas em meio a tanta festa o que fica claro é que a relação do garoto com as bebidas ultrapassa qualquer limite aceitável, ainda que ele se utilize de justificativas tão fortes e mirabolantes para negar o problema com elas. E ele pode até falar que não bebe para esquecer, ou para fugir e que sua vida é maravilhosa, mas ao conhecermos um pouco mais de seu passado e percebermos que lhe falta a perspectiva de um futuro fica difícil acreditar nessa desculpa… Continuar lendo

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Segunda Sombria (Nicci French)

Segunda Sombria

Nicci French é o pseudônimo adotado pelo casal de jornalistas Nicci Gerrard e Sean French, eles que também escrevem separadamente já publicaram mais de 15 romances a quatro mãos. Segunda Sombria (Blue Monday) é o primeiro volume de uma série que já conta com quatro livros publicados e traz como protagonista a psicoterapeuta Frieda Klein e promete uma mistura de romance psicológico, investigativo e procedural com uma pitada noir. Para conferir o tom sombrio da obra, os autores souberam usar com propriedade o espaço e a caracterização dos protagonistas. Toda a narrativa se passa em Londres em pleno inverno e frequentemente boa parte da ação ocorre no período noturno. Frieda Klein é uma antissocial de carteirinha. Apta e boa em ouvir, compreender e ajudar as pessoas a enfrentarem seus medos, ela tem seus próprios esqueletos no armário e mantém o mundo à parte, preza pela organização e luta contra tudo e todos para manter-se assim. O investigador Karlsson não é lá muito melhor, mas conta com um adendo que faz a dupla funcionar: falta-lhe a fleuma que Frieda tem de sobra. O que contribui para bate-bocas impagáveis entre os dois. Continuar lendo

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Contando Estelas – Helen Dunmore

Na Roma de Julio César, sobre a qual eu estou lendo nos livros de Conn Iggulden, vivia um poeta que se tornaria imortal pela sua obra. Caio Valério Cátulo descrevia em seus poemas a vida em Roma, e as pessoas que lá viviam. Como poeta, não poderia deixar de se apaixonar perdidamente por alguma mulher completamente inapropriada para ele. Lésbia, em seus poemas, Clódia, na vida real, era uma mulher casada, dez anos mais velha e tinha pelo menos outros cinco amantes.

Helen Dunmore utilizou as informações que Cátulo e outros poetas contemporâneos deixaram em seus poemas para recriar a história de amor entre ele e sua Lésbia. A história conturbada envolve envenenamento, traições e vinho, muito vinho.

É um estilo diferente de livro, não diria que é em primeira pessoa, mas também não é em terceira pessoa. A autora escreve de uma maneira que parece que o narrador é consciente do que está acontecendo, como se fosse autobiográfico. Em alguns momentos, até fiquei confusa com esse estilo, mas sem desmerecer, apenas por ser diferente do que normalmente lemos. Continuar lendo

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Não Há Limites (Reginaldo Lincoln)

Porque Vanguart é Muito Mais que o Amor e o primeiro single do trabalho solo do Reginaldo Lincoln está muito lindo! <3

 

Mais informações: http://www.reginaldolincoln.com/

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A Feast for Crows – George R. R. Martin

*Atenção, este livro é o quarto da série As Crônicas de Gelo e Fogo e esta resenha pode conter spoilers dos livros anteriores. Quer saber o que nós achamos dos livros anteriores? No final da resenha disponibilizo os links.

Com a maior parte dos combatentes da Guerra dos Cinco Reis fora do tabuleiro, George R. R. Martin nos mostra como ficaram as peças restantes. Temos olhos em boa parte dos Sete Reinos graças às personagens espalhadas pelo mapa. Os aspirantes ao Trono de Ferro tramam para vencer a guerra dos tronos, e a trama se complica.

O quarto livro da série “A Game of Thrones” “A Song of Ice and Fire” é, inicialmente, o mais fraco. Cheio de personagens novas, com as quais ainda não simpatizamos, e sem nossos já definidos favoritos, é complicado de ler. Afinal, o que nos importa o que acontece em Dorne frente a Daenerys e seus dragões? E por que ler sobre as Ilhas de Ferro quando queremos é Tyrion?? Sim, é difícil, mas é necessário. Inicialmente, o autor havia planejado um “Cinco anos depois…” entre o terceiro e o quarto livros (e o quinto livro seria o quarto). No entanto, ao escrever a história desse modo, ele se viu precisando descrever muitos flashbacks, ou com um prólogo de 200 páginas. Então pareceu lógico diluir isso ao longo do livro – o qual ficou então muito longo para ser publicado em apenas um volume. Continuar lendo

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