O Segredo do Meu Marido (Liane Moriarty)

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Depois de ter sido fisgada pelo estilo da narrativa da Moriarty em Pequenas Grandes Mentiras (que a propósito virará série televisiva), mais do que depressa coloquei O Segredo do Meu Marido no topo da pilha de leituras ainda que já o tivesse na estante há tempos (my mistake). Neste livro, Moriarty continua mostrando porque é uma exímia contadora de histórias de pessoas comuns e aparentemente pouco interessantes, e que situações cotidianas, que beiram o ordinário, podem render tramas surpreendentes.

Moriarty segue aqui a sua fórmula de lançar tramas paralelas que aos poucos começam a se entrelaçar e entregar o arcabouço da trama mãe. A história tem início com as histórias de três mulheres: Cecilia, Rachel e Tess. Cecilia é casada com John-Paul há quinze anos e tem três filhas. Ela tem uma vida extremamente organizada. Todos os seus afazeres diários, bem como a sua casa, são rigorosamente controlados. Mas um dia, seu controle é perdido, porque no sótão em meio aos papeis antigos do marido ela encontra uma carta endereçada a ela, para ser aberta apenas após a morte dele. Tess acabou de receber a notícia de que seu casamento acabou. Felicity, sua prima e praticamente única amiga, envolveu-se com seu marido. Com a vida matrimonial destruída e a profissional indo pelo mesmo caminho já que os três tinham uma empresa juntos, ela decide abandonar tudo e partir com o filho para a casa da mãe em Sidney. Rachel acabou de descobrir que o filho, a nora e o neto irão se mudar para Nova York. O garotinho é seu único alento desde a tragédia que abateu sua família em 1984.

Cecilia, Tess e Rachel mal conhecem uma a outra, mas têm suas vidas ligadas pela comunidade do St. Angela. A escola onde Rachel trabalha como secretária e os filhos das outras duas estudam. A narrativa alterna-se entre as três e aos poucos vamos conhecendo mais sobre os seus cotidianos, os problemas familiares, seus passados e seus segredos. O entrelaçamento das três tramas é sutil, até que atinge o seu ápice, quando Cecilia decide abrir a carta de John-Paul. Continuar lendo

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Bidu – Caminhos (Eduardo Damasceno & Luís Felipe Garrocho)

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Depois de ter me encantado com o trabalho do Vítor e da Lu Cafaggi em Laços, estou mais do que decidida a conferir todos os outros álbuns da coleção Graphic MSP (o do Penadinho acabou de ser publicado!). Sei que com essa meta em mente, seria mais lógico ter pegado Astronauta – Magnetar como próxima leitura, já que ele foi a primeira história publicada pelo selo, mas, não consegui resistir ao cãozinho azul.

Bidu foi o primeiro personagem criado por Maurício (foi o primeiro a ter uma revista própria também) e já nasceu na companhia do seu parceiro Franjinha. Então, o que foi proposto para Damasceno e Garrocho, foi recontar uma parte da história dos dois personagens que não havia sido explorada antes. A trama é simples, a história de como um garotinho encontrou seu melhor amigo, de como um cãozinho de rua encontrou um lar. Mas, ao focá-la no ponto de vista do Bidu, ganhou uma nova faceta. Continuar lendo

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O Grande Ivan (Katherine Applegate)

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“Minha árvore genealógica também é muito extensa. Sou um macaco grande, assim como os chimpanzés e os orangotangos e os bonobos. Todos nós somos primos distantes e desconfiados. Sei que isso é problemático. Também acho difícil acreditar que haja uma conexão no tempo e pelo espaço ligando-me a uma raça de palhaços mal-educados.

Chimpanzés… não há desculpa para eles. ” (Página 14)

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Uma História de Amor e TOC (Corey Ann Haydu)

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“Podemos ser loucos, mas existe uma lógica por trás até mesmo das coisas mais loucas que fazemos. ” (Página 237)

Já tem um bom tempo que Bea não sabe o que é ser uma garota normal. Semanalmente ela tem consultas com a Dra. Pat, que tenta ajudá-la com suas obsessões e compulsões. Mas, fica difícil quando o alvo mais recente de sua obsessão frequenta o mesmo consultório e terapeuta que ela. Bea foi diagnosticada com Transtorno Obsessivo Compulsivo, mas a obsessão dela não é tão “banal” (se é que podemos chamar qualquer obsessão de banal) quanto lavar as mãos inúmeras vezes, colecionar objetos estranhos, comer sempre nos mesmos lugares, ou fazer atividades em uma determinada ordem. Sua obsessão é um pouco mais comprometedora e na maioria das vezes (e com razão) é mal interpretada. Bea é uma stalker de caras. Daquelas que quando fica obcecada por alguém, começa a segui-lo (para certificar-se de que ele esteja bem), anotar os mínimos detalhes da vida do alvo em seu caderno, e, como no caso do alvo mais recente, até mesmo entreouvir partes de suas sessões de terapia.

Para ajudá-la com o TOC, a Dra. Pat decide fazê-la participar de sessões de terapia em grupo. Ali, ela reencontra/conhece Beck, o garoto que ela ajudara durante um blecaute em uma festa escolar, um cara sarado e com obsessão compulsiva por lavar as mãos e frequentar academias. Bea tem quase certeza de que apenas outra pessoa tão ferrada quanto ela, seria capaz de entendê-la e permanecer ao seu lado mesmo com todos os seus defeitos. Será Beck essa pessoa? Será que ele conseguirá superar suas obsessões e ceder um pouco mais de tempo para Bea? Será que ela conseguirá parar de stalkear sua atual obsessão e redirecionar (de forma menos acentuada de preferência) sua atenção? Continuar lendo

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Turma da Mônica – Laços (Vitor Cafaggi & Lu Cafaggi)

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Em 2009, para comemorar os 50 anos da carreira do Mauricio de Sousa, foi lançado o álbum MSP 50, no qual 50 autores do Brasil inteiro reinterpretaram os personagens criados pelo Mauricio. Vitor Cafaggi participou dessa coletânea com uma história do Chico Bento e da Rosinha. Com uma qualidade que chamou a atenção do Mauricio.

Com todo o sucesso que o MSP 50 teve, não demorou para que um novo projeto envolvendo releituras fosse lançado. Surgiu assim o selo Graphic MSP. Neste novo projeto, os artistas convidados têm mais páginas para se aventurarem no universo do Mauricio. O primeiro volume do selo foi Astronauta – Magnetar feito pelo Danilo Beyruth (que pretendo ler em breve) e publicado em outubro de 2012. Turma da Mônica – Laços é o segundo volume, publicado em maio de 2013. Continuar lendo

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Pequenas Grandes Mentiras (Liane Moriarty)

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Durante uma festa de pais de alunos da Escola Pública de Pirriwee, alguém cai da varanda da escola e morre. Eis o evento chave no qual Moriarty apoia toda a trama de Pequenas Grandes Mentiras. Utilizando um recurso muito comum em algumas séries televisivas procedurais, ela dá um vislumbre do que ocorreu, sem entregar informações cruciais (quem é a vítima?), e retrocede no tempo para ir mostrando aos poucos os eventos que culminaram no fatídico acontecimento.

Aqui, voltamos seis meses no tempo. É início das aulas na Escola Pública de Pirriwee e aos poucos somos apresentados à enorme quantidade de personagens, o que pode até confundir num primeiro momento, mas que Moriarty, com sua narrativa sob múltiplos pontos de vista, logo consegue deixá-los íntimos ao leitor. E especialmente, ela deixa o leitor bem próximo daquelas que poderiam ser consideradas as protagonistas dessa história: Madeline, Celeste e Jane.

Madeline é aquela pessoa que tem todos os elementos para você não gostar muito dela logo de cara: seu pendor por futilidades (que ela mesmo admite), sua tendência a criar tempestades com copos d’água e sua prontidão para se vingar, mesmo quando o assunto não tem nada a ver com ela, acho que podemos acrescentar aqui também, sua tendência a meter o bedelho onde não é chamada. Mas, ao mesmo tempo, toda essa exuberância em viver, em não levar “patada” para casa, em estar disponível para os amigos são qualidades cativantes. Ela também é uma mãe de primeira e faz tudo por seus filhos, mesmo quando a mais velha (filha do primeiro casamento) está determinada a ir morar com o pai e a jovem madrasta. O pai que quando a menina nasceu, fez as malas e foi embora. O pai que decidiu voltar e de repente se tornar o progenitor exemplar e com o qual Madeline ainda terá que ter mais contato do que acharia ser saudável, já que a filha do ex-marido com a nova mulher estará na mesma turma de jardim de infância de sua filha caçula. Não é difícil entender o seu lado e torcer por ela em muitos momentos dessa história. Continuar lendo

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O Dragão de Gelo (George R. R. Martin)

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“Adara gostava do inverno mais do que tudo, pois quando o mundo esfriava, o dragão de gelo aparecia.

Ela nunca teve muita certeza se era o frio que trazia o dragão de gelo ou o dragão de gelo que trazia o frio.” (Página 13)

O Dragão de Gelo (The Ice Dragon) é um conto infantil publicado originalmente em 1980 na antologia Dragons of Light editada por Orson Scott Card. Desde então, foi republicada duas outras vezes: em 2007 com ilustrações de Yvonne Gilbert, e em 2014 com ilustrações do artista espanhol Luis Royo. E foi esta última edição que a Leya trouxe para o Brasil.

A trama de Martin gira em torno de Adara, uma garotinha que nasceu durante o frio rigoroso e seu melhor amigo, o temido dragão de gelo. Poderíamos dizer que Adara nasceu naquele inverno famoso nas histórias da Velha Ama de Guerra dos Tronos. Este pequeno conto se passaria então, muito tempo antes dos eventos da série mais famosa de Martin, contudo são só suposições, já que não há confirmação por parte do autor de que a história se passaria no mesmo mundo de GOT. E, tirando os dragões e algumas referências a um rei em uma terra mais ao sul e rebeldes no longínquo norte, não há nada mais que relacione as duas obras. Não vá então com muita sede ao pote, atrás de dicas, ou quaisquer vislumbres da trama adulta. Dragão de Gelo é apenas um conto infantil e como tal, está repleto de metáforas e lições de moral. Nem por isso é menos interessante. Continuar lendo

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Cidades de Papel (John Green)

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“… se você levar em conta todos os eventos improváveis, é possível que pelo menos um deles vá acontecer a cada um de nós. Eu poderia ter presenciado uma chuva de sapos. Poderia ter pisado em Marte. Poderia ter sido engolido por uma baleia. Poderia ter me casado com a rainha da Inglaterra ou sobrevivido à deriva no mar. Mas meu milagre foi diferente. Meu milagre foi o seguinte: de todas as casas em todos os condados em toda a Flórida, eu era vizinho de Margo Roth Spiegelman.”       (Pág. 11)

O Prólogo de Cidades de Papel já nos entrega em grande parte, as características dos protagonistas da trama. Quentin, ou Q., o garoto calado, centrado, acostumado a nunca quebrar as regras, nem forçar seus limites (o que para alguns pode ser só uma forma bonita de se chamar alguém de medroso). Margo é a impávida, a curiosa, a que não se conforma apenas com os fatos, mas que quer saber os motivos que os levaram a acontecer. A apaixonada por mistérios, por resolvê-los e por criá-los.

Quentin e Margo são vizinhos desde os dois anos. O Q. e a Margo de antes eram muito amigos e partilhavam aventuras. O Q. e a Margo de hoje, formando do ensino médio, não são mais tão amigos. Ela é a garota super popular, a rainha da escola, e ele é apenas um dos invisíveis, que ainda nutre uma paixão platônica pela amiga não mais tão amiga assim.

A vida seguia assim. Margo e seus amigos super populares. Q. e seus amigos (Radar e Ben) tão invisíveis quanto ele. Até que em um 5 de maio que poderia ter sido como qualquer outro dia, Margo invadiu o quarto de Q. pela janela, com o rosto todo pintado de preto e pedindo ajuda para uma tarefa. E é claro que Q. não conseguiu negar. E assim, naquela madrugada, ele e Margo tiveram uma baita aventura. Envolvendo muito peixe podre, latas de tinta spray e alguns momentos constrangedores. E Q. acha que pode finalmente ter reencontrado a amiga.

Mas, depois da noite de aventura, Q. descobre que Margo sumiu. Será esse mais um dos sumiços frequentes da garota? Margo é famosa por seus sumiços planejados, sumiços que são pré-anunciados por dicas e cujos destinos podem ser obtidos pelas pistas que ela deixa para trás. E dessa vez não é diferente. Q. logo descobre uma de suas pistas e com a ajuda de Ben e Radar começa a segui-la. Com o avançar da investigação, Q. começa a ter terríveis suspeitas sobre o paradeiro de Margo. E também começa a perceber que não conhece a verdadeira Margo, que ela nunca se mostrou verdadeiramente a alguém. Continuar lendo

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Fingindo (Cora Carmack)

Fingindo

Fingindo é o segundo volume da série Losing It da Cora Carmack. A Mari já leu e resenhou o primeiro livro, Perdendo-me (aqui). Quando Fingindo chegou, eu pretendia prosseguir a leitura a partir daqui. Com os conhecimentos adquiridos pela resenha da Mari. E que fique claro que dá para lê-lo assim, como uma obra única. Mas, aí eu descobri que o protagonista da vez fora o preterido da história anterior e tive que ler Perdendo-me antes de prosseguir com a leitura, porque queria saber mais sobre o background do mocinho da vez.

Perdendo-me traz a história de Bliss e Garrick. E Cade é só mais um dos clichês presentes no livro: o melhor amigo que queria ser mais que um amigo, mas que não tomava coragem para agir e que quando finalmente resolveu correr atrás, foi suplantado por Garrick e seu sotaque britânico. Achei a leitura de Perdendo-me divertida, boa para passar o tempo e só. Fingindo segue essa mesma linha, mas a inclusão de um drama familiar foi algo que pesou para que eu preferisse este ao primeiro livro. Continuar lendo

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Caixa de Pássaros (Josh Malerman)

Caixa de Pássaros

Quando soube sobre o livro do Josh Malerman, confesso que não me interessei muito em lê-lo. Isso porque Caixa de Pássaros transmite uma vibe muito forte de história de terror. E eu e histórias de terror simplesmente não combinamos. Principalmente se a história for repleta de mortes violentas (na maioria das vezes sem sentido algum) e sangue jorrando para todo o lado. E bem, a promessa de algo lá fora que provocava a morte das pessoas lembrava muito um romance de King para o meu gosto. Mas aí, comecei a ler alguns comentários sobre a obra e a curiosidade venceu o receio original. Comecei a perceber que mais do que uma história de terror, a obra de Malerman prometia um drama psicológico, um certo ar de distopia e muito mais suspense que terror. Pronto, bastou para que eu decidisse conferir o livro. E o melhor, foi que não me decepcionei, nem um pouco.

“Malorie sabe que quatro anos podem facilmente virar oito. Oito se tornarão doze em um instante. E então as crianças serão adultas. Adultos que nunca viram o céu. Nunca olharam por uma janela. O que doze anos vivendo como gado fariam com suas cabeças? Será que há um momento em que as nuvens do céu passam a existir apenas em suas mentes e o único lugar onde os filhos se sentirão à vontade será atrás do tecido negro das vendas?” (Página 9)

Há alguma coisa lá fora, mas Malorie está decidida a enfrentá-la hoje junto com seus filhos, Garoto e Menina, em busca de um lugar onde possam recomeçar a vida longe desse terror. A história começa com a fuga dela e das crianças desse lugar devastado. E depois retorna no tempo para quase cinco anos atrás, quando Malorie ainda estava grávida e o terror apenas começava. Indo e voltando no tempo, Malerman vai traçando os rumos dessa história dramática. Continuar lendo

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