O Dragão de Gelo (George R. R. Martin)

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“Adara gostava do inverno mais do que tudo, pois quando o mundo esfriava, o dragão de gelo aparecia.

Ela nunca teve muita certeza se era o frio que trazia o dragão de gelo ou o dragão de gelo que trazia o frio.” (Página 13)

O Dragão de Gelo (The Ice Dragon) é um conto infantil publicado originalmente em 1980 na antologia Dragons of Light editada por Orson Scott Card. Desde então, foi republicada duas outras vezes: em 2007 com ilustrações de Yvonne Gilbert, e em 2014 com ilustrações do artista espanhol Luis Royo. E foi esta última edição que a Leya trouxe para o Brasil.

A trama de Martin gira em torno de Adara, uma garotinha que nasceu durante o frio rigoroso e seu melhor amigo, o temido dragão de gelo. Poderíamos dizer que Adara nasceu naquele inverno famoso nas histórias da Velha Ama de Guerra dos Tronos. Este pequeno conto se passaria então, muito tempo antes dos eventos da série mais famosa de Martin, contudo são só suposições, já que não há confirmação por parte do autor de que a história se passaria no mesmo mundo de GOT. E, tirando os dragões e algumas referências a um rei em uma terra mais ao sul e rebeldes no longínquo norte, não há nada mais que relacione as duas obras. Não vá então com muita sede ao pote, atrás de dicas, ou quaisquer vislumbres da trama adulta. Dragão de Gelo é apenas um conto infantil e como tal, está repleto de metáforas e lições de moral. Nem por isso é menos interessante. Continuar lendo

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Cidades de Papel (John Green)

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“… se você levar em conta todos os eventos improváveis, é possível que pelo menos um deles vá acontecer a cada um de nós. Eu poderia ter presenciado uma chuva de sapos. Poderia ter pisado em Marte. Poderia ter sido engolido por uma baleia. Poderia ter me casado com a rainha da Inglaterra ou sobrevivido à deriva no mar. Mas meu milagre foi diferente. Meu milagre foi o seguinte: de todas as casas em todos os condados em toda a Flórida, eu era vizinho de Margo Roth Spiegelman.”       (Pág. 11)

O Prólogo de Cidades de Papel já nos entrega em grande parte, as características dos protagonistas da trama. Quentin, ou Q., o garoto calado, centrado, acostumado a nunca quebrar as regras, nem forçar seus limites (o que para alguns pode ser só uma forma bonita de se chamar alguém de medroso). Margo é a impávida, a curiosa, a que não se conforma apenas com os fatos, mas que quer saber os motivos que os levaram a acontecer. A apaixonada por mistérios, por resolvê-los e por criá-los.

Quentin e Margo são vizinhos desde os dois anos. O Q. e a Margo de antes eram muito amigos e partilhavam aventuras. O Q. e a Margo de hoje, formando do ensino médio, não são mais tão amigos. Ela é a garota super popular, a rainha da escola, e ele é apenas um dos invisíveis, que ainda nutre uma paixão platônica pela amiga não mais tão amiga assim.

A vida seguia assim. Margo e seus amigos super populares. Q. e seus amigos (Radar e Ben) tão invisíveis quanto ele. Até que em um 5 de maio que poderia ter sido como qualquer outro dia, Margo invadiu o quarto de Q. pela janela, com o rosto todo pintado de preto e pedindo ajuda para uma tarefa. E é claro que Q. não conseguiu negar. E assim, naquela madrugada, ele e Margo tiveram uma baita aventura. Envolvendo muito peixe podre, latas de tinta spray e alguns momentos constrangedores. E Q. acha que pode finalmente ter reencontrado a amiga.

Mas, depois da noite de aventura, Q. descobre que Margo sumiu. Será esse mais um dos sumiços frequentes da garota? Margo é famosa por seus sumiços planejados, sumiços que são pré-anunciados por dicas e cujos destinos podem ser obtidos pelas pistas que ela deixa para trás. E dessa vez não é diferente. Q. logo descobre uma de suas pistas e com a ajuda de Ben e Radar começa a segui-la. Com o avançar da investigação, Q. começa a ter terríveis suspeitas sobre o paradeiro de Margo. E também começa a perceber que não conhece a verdadeira Margo, que ela nunca se mostrou verdadeiramente a alguém. Continuar lendo

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Fingindo (Cora Carmack)

Fingindo

Fingindo é o segundo volume da série Losing It da Cora Carmack. A Mari já leu e resenhou o primeiro livro, Perdendo-me (aqui). Quando Fingindo chegou, eu pretendia prosseguir a leitura a partir daqui. Com os conhecimentos adquiridos pela resenha da Mari. E que fique claro que dá para lê-lo assim, como uma obra única. Mas, aí eu descobri que o protagonista da vez fora o preterido da história anterior e tive que ler Perdendo-me antes de prosseguir com a leitura, porque queria saber mais sobre o background do mocinho da vez.

Perdendo-me traz a história de Bliss e Garrick. E Cade é só mais um dos clichês presentes no livro: o melhor amigo que queria ser mais que um amigo, mas que não tomava coragem para agir e que quando finalmente resolveu correr atrás, foi suplantado por Garrick e seu sotaque britânico. Achei a leitura de Perdendo-me divertida, boa para passar o tempo e só. Fingindo segue essa mesma linha, mas a inclusão de um drama familiar foi algo que pesou para que eu preferisse este ao primeiro livro. Continuar lendo

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Caixa de Pássaros (Josh Malerman)

Caixa de Pássaros

Quando soube sobre o livro do Josh Malerman, confesso que não me interessei muito em lê-lo. Isso porque Caixa de Pássaros transmite uma vibe muito forte de história de terror. E eu e histórias de terror simplesmente não combinamos. Principalmente se a história for repleta de mortes violentas (na maioria das vezes sem sentido algum) e sangue jorrando para todo o lado. E bem, a promessa de algo lá fora que provocava a morte das pessoas lembrava muito um romance de King para o meu gosto. Mas aí, comecei a ler alguns comentários sobre a obra e a curiosidade venceu o receio original. Comecei a perceber que mais do que uma história de terror, a obra de Malerman prometia um drama psicológico, um certo ar de distopia e muito mais suspense que terror. Pronto, bastou para que eu decidisse conferir o livro. E o melhor, foi que não me decepcionei, nem um pouco.

“Malorie sabe que quatro anos podem facilmente virar oito. Oito se tornarão doze em um instante. E então as crianças serão adultas. Adultos que nunca viram o céu. Nunca olharam por uma janela. O que doze anos vivendo como gado fariam com suas cabeças? Será que há um momento em que as nuvens do céu passam a existir apenas em suas mentes e o único lugar onde os filhos se sentirão à vontade será atrás do tecido negro das vendas?” (Página 9)

Há alguma coisa lá fora, mas Malorie está decidida a enfrentá-la hoje junto com seus filhos, Garoto e Menina, em busca de um lugar onde possam recomeçar a vida longe desse terror. A história começa com a fuga dela e das crianças desse lugar devastado. E depois retorna no tempo para quase cinco anos atrás, quando Malorie ainda estava grávida e o terror apenas começava. Indo e voltando no tempo, Malerman vai traçando os rumos dessa história dramática. Continuar lendo

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A Mais Pura Verdade (Dan Gemeinhart)

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Quando a Novo Conceito anunciou o lançamento de A Mais Pura Verdade, as comparações foram inevitáveis. Um livro sobre câncer e com a capa azul? Não demorou muito para compararem a obra de Gemeinhart com a de Green. Mas, já vou logo avisando: a semelhança para por aí. Antes de tudo, Mark, o protagonista, tem apenas doze anos, logo o foco aqui não é um romance, mas sim o seu relacionamento de amizade com Jessie, sua melhor amiga desde que ele se lembra. Não há reuniões, terapias em grupo ou sonhos que possam ser patrocinados por associações. O único desejo de Mark é perigoso, potencialmente mortal e nada adequado para um garoto de doze anos sofrendo com o câncer, não é à toa que sua jornada é solitária e clandestina.

“- É como se, sei lá, eu levasse um pedaço de vida comigo. Todas essas coisas acontecem, todos esses pequenos momentos passam por nós e vão embora. Então você vai embora. – Inspirei profundamente e expirei no vidro da janela. – Mas, quando você tira uma foto, aquele momento não passa. Você o prende. É seu. Você pode guardá-lo.” Página 80.

O livro traz a história de Mark. Um garoto de 12 anos, que tem um cachorro chamado Beau, uma melhor amiga chamada Jessie, gosta de fotografar e escrever haicais em seu caderno e tem o sonho de um dia escalar a maior montanha da América do Norte. Mas Mark está doente. Ele tem o tipo de doença da qual algumas pessoas nunca melhoram. O tipo de doença que lhe reserva notícias desesperadoras. É por isso, que Mark decide fugir. Sair de casa apenas com seu cachorro por companhia, sua máquina fotográfica, seu caderno e caneta, remédios e equipamentos de alpinismo. Em direção ao Monte Rainier. Continuar lendo

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Apenas um Dia (Gayle Forman)

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“Deixei as memórias me inundarem à medida que preenchia a página. Então outra. E então não estou escrevendo sobre ele. Estou escrevendo sobre mim. Sobre todas as coisas que senti naquele dia, incluindo o pânico e o ciúme, mas, acima de tudo, sobre sentir que o mundo não era nada além de possibilidades.” página 236.

Em comemoração pela sua formatura no ensino médio, Allyson ganhou dos pais uma viagem de intercâmbio cultural pela Europa. E sendo Allyson certinha do jeito que é, seguiu toda a programação da empresa, evitou as noitadas mais animadas e não vê a hora de voltar para casa e sua vida regrada, fato que é constantemente questionado por sua melhor amiga e companheira de viagem, Melanie. As provocações da amiga poderiam não ter dado em nada, se Allyson não tivesse esbarrado em Willem, um ator de uma peça itinerante de Shakespeare. E, após reencontrá-lo no trem para Londres ele não tivesse feito um convite inusitado: ir com ele à Paris, por um dia. É assim que Allyson, decide assumir um novo nome (Lulu), deixar a vida regrada de lado e fazer algo diferente. Lulu vai à Paris com Willem, mas a aventura não termina como ela esperava, e o coração partido não lhe deixa seguir em frente… Continuar lendo

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O Livro das Princesas (Meg Cabot, Paula Pimenta, Lauren Kate e Patrícia Barboza)

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Quando soube do projeto da Galera Record de reunir algumas autoras para recontar contos de fadas, fiquei interessada. Principalmente, porque a Paula Pimenta era uma das autoras escolhidas e não é segredo para ninguém que gosto muito dos trabalhos dela. O livro foi lançado, o tempo passou e demorei para adquiri-lo e quando o fiz, demorei para lê-lo. Não foi à toa que acabei lendo primeiro o livro “Princesa Adormecida” da Paula, parte de um outro projeto que teve sua origem aqui. E, mesmo tendo me decepcionado um pouco com a história de Áurea, ainda assim estava curiosa para conferir a história da tal DJ Cinderela que foi elogiada por muitos.

Mas, discorrendo mais sobre o Livro das Princesas, ele traz quatro histórias tendo como protagonistas personagens inspiradas nos contos de A Bela e a Fera, Cinderela, A Bela Adormecida e Rapunzel. E com um prefácio de uma das princesas fictícias mais conhecidas da atualidade: Mia Thermopholis. Continuar lendo

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Diga aos Lobos que Estou em Casa (Carol Rifka Brunt)

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“Observar pessoas é um bom hobby, mas você precisa ter cuidado. Não pode deixar que as pessoas o peguem olhando. Se o pegam, elas o tratam como um criminoso de primeira grandeza. E talvez estejam certas em fazer isso. Talvez devesse ser crime tentar ver nas pessoas coisas que elas não querem que você veja.” página 8.

Diga aos Lobos que Estou em Casa é o primeiro romance de Carol Rifka Brunt, com o qual ela ganhou o Prêmio Alex, da Young Library Services Association. O livro, que se passa em 1987, traz a história de June Elbus, uma garota de 14 anos que tem dificuldade em fazer amigos, tem um relacionamento deteriorado com Greta, sua irmã mais velha, e só se sentia ela mesma na companhia de seu tio (padrinho) Finn, um renomado pintor que perdeu sua vida para a AIDS. A perda do tio faz a vida de June desabar. Sua morte também traz para a vida da garota uma nova pessoa e desenterra algumas verdades dolorosas sobre sua família. E é esse redescobrir de June, o descobrir de uma nova amizade e o reatar de velhas relações, que Carol nos convida a desbravar em seu romance. Continuar lendo

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Eve & Adam (Michael Grant & Katherine Applegate)

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Evening Spiker sofreu um terrível acidente e ficou entre a vida e a morte. E mesmo correndo o risco de perder uma perna e recém-saída de uma cirurgia de 14 horas, sua mãe Terra Spiker a retira do hospital para levá-la para seu instituto de pesquisa, a Spiker Biopharmaceuticals. Ali, sua recuperação segue à passos largos sob as vistas de sua mãe, dos médicos do instituto e de Solo, o garoto misterioso envolvido no seu resgate do hospital. Mas, logo, manter uma adolescente de 17 anos ocupada se torna uma tarefa difícil e Terra decide envolver Eve em um projeto de genética. O Projeto 88715. A tarefa de Eve será a de criar o garoto perfeito. E ela logo começa a brincar com sua criação acreditando que ela será apenas virtual. Será?

“Sei uma coisa ou outra sobre o Projeto 88715, e é bem maior do que uma coisinha educacional que você faz depois de se drogar.

É mais do que uma sequência brilhante de DNA em um monitor gigante.

Mais do que um brinquedo que Terra tem usado para manter Eve ocupada.

E de uma coisa eu já sei: quando Tommy e os gênios, aos sussurros, falam sobre o Projeto 88715, eles o chamam por outro nome.

Chamam de “Projeto Adam”.” página 71.

É esse o ponto de partida da história que a Katherine Applegate e o Michael Grant decidiram escrever em conjunto. Uma história que mistura romance, ciência, ficção científica, conspiração e espionagem industrial, e que rendeu um livro bem interessante. Continuar lendo

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The Music

Olá pessoal, hoje vamos a mais um capítulo da nossa jornada pelo mundo mágico da música. Desta vez, gostaria de compartilhar com vocês um pouco sobre uma banda que eu gosto muito, mas que infelizmente não teve muita repercussão, os ingleses da banda The Music. A banda se formou em 1999, enquanto os integrantes ainda estavam no colegial, e já em 2001 emplacaram seu primeiro single, You Might As Well Try To Fuck Me. Já nesta primeira música é possível perceber o que viria a ser a sonoridade mais marcante da banda: guitarras com muita distorção e power chords,  com predominância de riffs ao invés de solos. Esta quase ausência de solos, embora detrimental para alguns, colabora para dar destaque à voz de Robert Harvey, com amplitude vocal mais puxada para os agudos, e resiliência esbanjada para seus (muitos) gritinhos.

Em 2002, a banda lançou seu primeiro álbum, The Music, promovido pelos singles The People, Getaway e The Truth Is No Words. Getaway foi a primeira música da banda que eu ouvi, e é uma das músicas que nunca sai do meu iPod, sendo uma das músicas mais marcantes da minha adolescência. A música começa já embalando o ouvinte em uma batida crescente, com as guitarras de Harvey e Adam Nutter ditando o ritmo, apenas para explodirem em distorção numa seção vocal logo após os refrões. Quanto mais alto colocar o som, melhor!

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