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Black Hammer – Origens Secretas (Jeff Lemire, Dean Ormston & Dave Stewart)

Jeff Lemire é um nome bastante conhecido pelos que acompanham quadrinhos da Marvel e da DC Comics, e também por suas obras autorais como O Soldador Subaquático e Condado de Essex. A história de Black Hammer foi concebida por Lemire em 2007-2008 mas só atingiu sua atual conformação e começou a ser publicada em 2016, tendo sido agraciada com um Prêmio Eisner em 2017 por Melhor Série Original. Continuar lendo

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Deuses Americanos – Sombras (Neil Gaiman, P. Craig Russell & Scott Hampton)

Quando escrevi sobre a minha experiência de leitura com Deuses Americanos comentei que eu o releria facilmente. Naquela época eu ainda não sabia que uma adaptação para graphic novel estava em vias de publicação. Poder revisitar esse universo com roteiro e layouts de P. Craig Russell e arte de Scott Hampton (que já trabalharam em Sandman) foi uma ótima experiência. Continuar lendo

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Leia Mulheres: a importância de termos mulheres produzindo quadrinhos

Participo de alguns grupos do Facebook onde o foco das discussões é a literatura. Neste mês algumas postagens sobre livros escritos por mulheres acabaram aparecendo por lá, particularmente lembro-me de uma postagem feita por um rapaz no qual ele comenta a menor quantidade de escritoras que leu em comparação aos escritores no ano passado e como pretendia tentar diminuir essa defasagem este ano. Não foi a postagem dele que me surpreendeu, mas sim o comentário de um homem que enfatizou que estava muito surpreso com o fato das pessoas quererem ler mais autoras, ou ler tanto mulheres quanto homens, para ele o importante era o conteúdo apenas e que agora tudo era motivo para se instituir cotas (não vou nem comentar sobre o quão errado foi utilizar o sistema de cotas com tom de desmerecimento para estabelecer a comparação).

Será que o conteúdo realmente é importante para ele? O conteúdo de um livro, além da narrativa e da trama também passa pela construção dos personagens. E a construção de personagens femininas fortes, que não sejam utilizadas como meras muletas para o desenvolvimento dos protagonistas masculinos; de personagens que não sejam relegadas à objetos ou sejam hipersexualizadas; que tenham voz e que realmente tenham espaço na narrativa é uma parte muito importante do conteúdo dos livros e por mais que alguns autores consigam representar bem suas personagens femininas, muito do que ali é representado acaba sendo permeado por sua visão de mundo enquanto gênero historicamente dominante. Não há dúvidas, de que algumas representações do feminino só possam ser efetivamente alcançadas pela ótica feminina e isso para mulheres, garotas e meninas, que perfazem uma boa parcela da população de leitores, é muito importante. É importante ler e perceber como os pensamentos, as formas de encarar o mundo, os desafios enfrentados e as dúvidas encontram ressonância em nossa vida. A identificação do leitor com o personagem é uma parte fundamental da leitura e ao incentivarmos que mais autoras sejam publicadas e lidas, queremos que essa identificação seja mais efetiva. Que as meninas possam ler sobre mulheres determinadas, possam se inspirar por suas trajetórias, possam encontrar alento em uma história de superação que lhes dê ânimo para enfrentar os próprios problemas, que possam ler ali nas páginas aquelas vozes que durante tanto tempo permaneceram caladas. Continuar lendo

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Um Autor de Quinta #101

Coluna inspirada no Uma Estante de Quinta da Mi Muller do Bibliophile.

 Nossa coluna do Um Autor de Quinta já estava praticamente soterrada nas camadas de poeira, o que não é legal porque é sempre bom poder falar mais sobre um autor/autora, apresentar seu trabalho, trocar informações com outros leitores quiçá fãs e descobrir trabalhos vindouros e/ou produções associadas à sua obra. Então, vou assumir o compromisso de não deixar a coluna agonizar e trazer ao menos um post por mês. E, nada melhor do que começar com uma autora/quadrinista que mal conheci mas que já admiro pacas desde que caí de amores pela graphic novel Nimona. É sério, se você ainda não leu não perca mais tempo. E já aviso que este post explodirá em imagens (não poderia ser de outra forma).

Noelle Stevenson

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Foto de Jody Culkin.

Noelle Stevenson nasceu em 31 de dezembro de 1991 em Columbia na Carolina do Sul, EUA. Ela se graduou no Maryland Institute College of Art e atualmente mora em Los Angeles. Continuar lendo

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Mônica – Força (Bianca Pinheiro)

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A enorme força da Mônica sempre foi a sua característica mais marcante, não são raras as histórias em que ela emprega o uso de sua força, principalmente se elas envolverem os planos infalíveis do Cebolinha. Só que agora, na trama desta Graphic MSP o Sidney Gusman teve a ideia de explorar um outro lado desta força. Confrontar a Mônica, do alto de seus sete anos, com a realidade de que a força muitas vezes não é a solução para todos os problemas. Há problemas além do alcance de suas coelhadas, que expõem sua fragilidade e impotência. A Bianca Pinheiro foi a escolhida para encarar esse desafio. Ela é mais conhecida pela série Bear (publicada pela Nemo) que ainda não tive a oportunidade de conferir, mas que fiquei com muita vontade depois de ter lido sua história da Mônica.

A trama é simples que pode até ser considerada banal. Mas foi tratada com uma grande sensibilidade pela Bianca. A história foge dos padrões das histórias da Mônica, com uma trama mais intimista, de poucas palavras e muitos simbolismos (e algumas referências), na qual até mesmo as folhas de guarda participam da história. Os traços são limpos, sem muitos detalhes, porém bastante expressivos. O enquadramento é amplo, Bianca aproveita bem todos os espaços disponíveis. Tudo isso aliado a uma paleta de cores tão linda, que mesmo sendo uma trama dolorida, ainda assim explode em fofura. Continuar lendo

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Ms. Marvel – Nada Normal (Wilson & Alphona)

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Paquistanesa. Mulçumana. Adolescente. Mulher. Kamala Khan é uma garota comum de New Jersey, com um traço de rebeldia contra as restrições de sua cultura familiar. Historicamente Kamala é expoente de todos os elementos que a deixam à margem da sociedade americana (e há personagens para nos lembrar disso), mas quis a roteirista G. Willow Wilson (acertadamente) garantir o protagonismo à uma personagem que de outra forma estaria renegada aos papeis secundários.

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Com muitas referências aos Vingadores, dos quais Kamala é praticamente presidente do fã-clube, e uma providencial bomba terrígena, Wilson e Adrian Alphona (responsável pelos desenhos) nos apresentam a novíssima Miss Marvel. Uma garota sem papas na língua, destemida, com todas as suas inseguranças de adolescente e que agora precisa lidar com seus novos poderes, e com a imagem de heroína que ela acha que deve e a que ela precisa mostrar para a sociedade e para si mesma. Continuar lendo

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Nimona (Noelle Stevenson)

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Noelle Stevenson entrou no meu radar com a obra Lumberjanes, uma série em quadrinhos que acompanha as aventuras de cinco amigas que vão passar o verão num acampamento de escoteiros. Uma série criada por mulheres (além de Noelle, Grace Ellis, Shannon Watters e Brooke Allen também respondem pela autoria) e protagonizadas por personagens femininas, da qual só ouvi elogios de quem já conferiu e que acaba de chegar ao Brasil pela Devir. Lumberjanes chamou minha atenção para a ilustradora, e Nimona me deu a certeza de que quero continuar acompanhando seus trabalhos.

Nimona surgiu como uma webcomic, a Noelle publicava uma página por semana no seu Tumblr. E fez tanto sucesso, que a HarperCollins comprou os direitos de publicação antes mesmo da série ser finalizada. A hq foi publicada, com algumas modificações, em 2015.

A trama mistura elementos de cavalaria, magia e ciência, e conta com uma protagonista que encarna a anti-heroína, com ideias ferrenhas e um tanto exacerbadas e um visual que foge de todos os estereótipos. Nimona cativa por quem ela é, mesmo com sua sede pelo mau feito e pelos ânimos um pouco exaltados, mas, principalmente pelo seu humor, sua característica peculiar de se metamorfosear e sua independência. Continuar lendo

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Star Wars – Império Despedaçado (Rucka, Checchetto, Unzueta & Laiso)

STAR WARS IMPERIO DESPEDACADO

Star Wars – Império Despedaçado é uma minissérie gráfica composta por quatro volumes publicada pela Marvel. Elas fazem parte do novo cânon da franquia e ajudam a criar a ponte entre os filmes seis e sete. No Brasil, os quatro volumes foram reunidos em um único encadernado pela Panini. As histórias têm roteiro do Greg Rucka (autor de Star Wars: A Missão do Contrabandista e Star Wars: Antes do Despertar), arte do Marco Checchetto, Ángel Unzueta e Emilio Laiso e cores de Andres Mossa.

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Maus (Art Spiegelman)

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Depois de inúmeros romances e filmes retratando a Segunda Guerra Mundial e os horrores do Holocausto de forma tão trágica e massacrante, é impossível não se perguntar se a sensibilidade, a emoção e o horror conseguiriam ser bem retratados em uma graphic novel. Foi essa a tarefa que Art Spiegelman tomou para si lá em 1973, quando a primeira parte do primeiro volume de Maus foi publicada, este que só seria finalizado em 1986 e que ganharia um segundo (e final) volume finalizado em 1991. A tarefa foi concluída com sucesso, tanto é que no ano seguinte, foi agraciado com o Prêmio Pulitzer de literatura. Na edição brasileira publicada em 2005 pela Companhia das Letras (pelo selo Quadrinhos na Cia.) todas essas partes foram reunidas em um volume único.

Maus, palavra alemã para rato, traz a história de Vladek Spiegelman, pai do autor, um judeu polonês que sobreviveu ao campo de concentração de Auschwitz. A história de Art vai se desenrolando perante nossos olhos como uma conversa e para isso ele se coloca como personagem. É Art, que depois de adulto e durante suas visitas ao seu idoso pai, que o convence a compartilhar sua história. São essas conversas, marcadas pela relação não tão próxima entre pai e filho e pelas interrupções de Vladek para corrigir partes da história já anteriormente narradas que encaminham a trama de Spiegelman aos anos pré-Guerra e aos anos de embate propriamente dito. Continuar lendo

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Turma da Mata – Muralha (Artur Fujita, Roger Cruz & Davi Calil)

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O nono volume do selo Graphic MSP traz a Turma da Mata em um trabalho de seis mãos: roteiro de Artur Fujita, arte de Roger Cruz e cor de Davi Calil. Acho que de todas as Graphic MSP lançadas até o momento, talvez seja esta a que menos fazia questão de ler e sobre a qual menos tinha expectativas. E isso, porque minhas lembranças da Turma da Mata (excetuando-se o Jotalhão por motivos óbvios) são praticamente inexistentes. Não lembrava, por exemplo, da característica original dos quadrinhos do Mauricio de inserir uma pitada de política nas histórias, e que o trio fez questão de resgatar em sua releitura. Minhas parcas lembranças podem ter sido o que me fez gostar do trabalho deles, então, não sei se para alguém que costumava acompanhar as histórias originais a adaptação será bem recebida. Mas, o trabalho apresentado aqui, tem uma trama interessante e traços e cores que renderam uma HQ bastante colorida e bonita.

Em Turma da Mata – Muralha, um metal tão raro quanto rentável colocou a Turma da Mata e o reino de Leonino em lados opostos. Há muito tempo, o rei Leonino I encontrou numa montanha uma grande mina de Calerium. Um metal raro e com aplicações que propiciaram o desenvolvimento da era do vapor e o surgimento de invenções com a nau voadora. Para proteger o tesouro, Leonino mudou seu reino para a montanha e a cercou com uma imensa muralha. O acesso à cidade é apenas pelo céu (com as naus voadoras) e a ganância pelo metal levou Leonino a capturar moradores da Mata e escravizá-los para trabalharem nas minas. Inúmeras batalhas aconteceram ao longo dos anos e líderes de ambos os lados foram capturados e abatidos. Mas agora, a mina de Calerium de Monte Leon secou e a descoberta de uma nova mina na Mata, pode tornar a batalha iminente a maior e mais sangrenta de todas. É com esse pano de fundo que Fujta, Cruz e Calil nos reapresentam os personagens de Mauricio. Continuar lendo

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