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Um Autor de Quinta #71

Coluna inspirada no Uma Estante de Quinta da Mi Muller do Bibliophile. Pretendemos toda quinta-feira trazer informações, curiosidades e algumas dicas de leituras e afins sobre algum(a) autor(a).

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Luciane Rangel

A Luciane Rangel é carioca formada em Direito, mas que se descobriu envolvida pelo mundo das palavras. Hoje dedica-se à criar histórias, fortemente influenciadas pela cultura japonesa que tanto admira, e ao curso de Letras na UERJ. Luciane hoje tem uma trilogia (Guardians) publicada independentemente e está em fase de finalização de mais um trabalho.

Livros

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O primeiro volume da trilogia Guardians foi publicado em 2010, mas a história já era bem antiga. Segundo Luciane, a história não foi pensada para ser livro. Era uma história concebida para ser publicada na internet, capítulo a capítulo juntamente com as ilustrações feitas pela sua amiga Ana Claudia Coelho. Durante três anos Guardians foi publicada dessa forma, mas com o aumento do interesse do público e o pedido constante dos leitores para que a história fosse publicada, Luciane decidiu publicar de forma independente, apenas para suprir a demanda dos leitores fiéis que acompanharam sua história por três anos, mas após a publicação do primeiro volume a história foi caiu nas graças do público e chegou até aqueles que nunca tinham ouvido falar sobre isso (oi!) e que puderam se encantar por seus personagens e pelo universo criado pela autora. Hoje, além dos três livros principais, Luciane está escrevendo histórias extras dos Guardiões. O primeiro livro extra (Micaela & Maire) já foi publicado e pode ser conferido no Wattpad da autora (link abaixo). Continuar lendo

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Chantilly (Mare Soares)

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Avilly e Chantilly são duas cidades do interior da França que tem em comum um estranho surto ocorrido em 2020 que culminou na degradação de ambas as cidades. Em 2020 ambas as cidades foram acometidas por uma estranha doença que além de afetar a memória dos moradores também provocou a morte de muitas pessoas. Catherine de Aragon, moradora de Chantilly, aterrorizada pela perda da memória iminente decide começar um diário narrando à situação vivida por ela e implorando para quem encontrar suas anotações no futuro, tente descobrir a causa para o que está acontecendo hoje e que se ainda for possível encontrar uma solução que os ajude.

É este diário, que dez anos depois cai nas mãos de Ethan Stuart, um cientista que está muito interessado em desvendar os misteriosos fatos envolvendo as cidades. E através de cartas trocadas entre Ethan e Catherine, que parece estar se recuperando dos danos causados pela doença, o interesse do pesquisador só aumenta e ele decide começar uma investigação por conta própria. E como todo Sherlock tem seu Watson, Leon Saiter, um antigo morador de Chantilly com um baita pendor para o alcoolismo, é escalado para o papel. É assim que ambos acabam indo parar na França, conhecem a misteriosa Anabelle e começam a descobrir mais sobre o misterioso acontecimento que ao que parece não foi por causas naturais, mas fruto de um experimento que pode ter envolvido até o governo francês. Continuar lendo

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O Primeiro Amanhecer (Roberto Campos Pellanda)

Atenção, esta resenha trata sobre os acontecimentos derradeiros da série O Além-Mar e pode haver spoilers sobre os fatos do primeiro livro. Para saber o que eu achei de Noite Sem Fim, clique aqui.

O Primeiro Amanhecer

A última parte da história iniciada em Noite Sem Fim já chega revelando um importante segredo da vida de Martin, um segredo que nos deixará em dúvidas ao longo de boa parte da narrativa e que definirá as ações derradeiras daquele que se julgava um simples garoto da Vila com pendor para arranjar problemas por não concordar com o regime Ancião. O amadurecimento do protagonista ao longo da história é palpável e ter acompanhado as angústias, receios, desventuras, embates, mas também os momentos de aprendizado e alegria ao lado dos amigos contribuíram e muito para deixar Martin mais real aos nossos olhos e nos aproximar do personagem.

“Existe uma grande civilização no Além-Mar, Maya. E não me refiro aos monstros. Há pessoas como nós, vivendo em grandes cidades, muito maiores do que a nossa Vila – respondeu Dom Gregório. – E é chegada a hora desses povos, que já foram um só, se unirem outra vez.”

Os acontecimentos de Noite Sem Fim acarretaram no enfraquecimento do regime Ancião e na quebra de um antigo trato com os Knucks. O envio de navios para o Além-Mar foi interrompido e as consequências disso podem ser desastrosas não só para a Vila, mas também para as outras cidades. Se em Noite Sem Fim era sob a ótica de Martin que conhecíamos a história, agora esse papel precisa ser dividido com alguém para que possamos acompanhar as aventuras do garoto desbravando os novos mundos de Além-Mar, mas permaneçamos informados sobre os acontecimentos da Vila. E é assim que Maya ganha esse importante papel. Continuar lendo

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Book Tour – Guardians (Luciane Rangel)

Imagine um dia no qual, pela manhã, você está se preparando para uma festa de gala e à noite, toda sua vida muda bruscamente e você descobre que você está destinada a ajudar um grupo de estranhos a impedir que monstros atravessem uma fenda entre dimensões e ataquem a Terra. Bizarro? Foi isso que aconteceu com Anne Soares.

No dia em que a vida de Anne muda, Maurício “Mau” e Shermmie a salvam de um youkai* e convencem a garota de que ela é um dos guardiões que deve fechar a fenda e impedir que mais desses monstros voltem para a Terra. Os três partem para o Japão, onde encontram Sofie Gautier, ex-guardiã de Áries e mentora do grupo. Sim, Áries. Cada guardião está relacionado a um signo do zodíaco, e cada um tem um colar com o símbolo do signo.

*Monstro japonês

Com a chegada de Anne, Mau e Shermmie, ainda faltam três guardiões: Aquário, Peixes e Virgem. Mas mesmo que eles cheguem, ainda é preciso que os poderes de todos eles se despertem, o que ainda não aconteceu as mais novas do grupo. Com isso, todos os guardiões ficam bastante apreensivos, porque de acordo com os cálculos, eles têm três meses para fechar a fenda antes que seja tarde demais.

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Book Tour: Procura-se um Marido (Carina Rissi)

Procura-se um marido

Há tempos estava curiosa para conferir o trabalho da Carina Rissi. Perdida, seu romance de estreia, fez um sucesso estrondoso na blogosfera literária e já foi até publicado em outros países. Mas, como não tive a oportunidade de conferir a obra, fiquei muito feliz em poder participar do Book Tour de Procura-se um Marido, e a lê-lo só tive a certeza de que preciso ler Perdida o quanto antes.

Alicia tem 24 anos. Seu objetivo de vida? Aparentemente não parece ter nenhum a não ser que conte levar a vida inconsequentemente, testando todos os limites e a paciência do avô. A garota é sinônimo de problemas e internacionalmente! Seu trabalho, na galeria de um amigo, é levado nas coxas, sem um pingo de comprometimento por parte dela. Rica, mimada e voluntariosa, ainda bem que ela tem senso de humor ou poderia rolar uma antipatia imediata pela personagem…

O que Alicia não poderia imaginar é que sua vida de festas e aventuras seria abalada por fatores além de seu alcance. Seu avô, sua única família, morre. E além de ter ficado sozinha, durante a leitura do testamento uma surpresa: apesar de única herdeira, Alicia só terá direito à herança multimilionária de seu avô, após estar casada há mais de um ano. E enquanto a condição não é satisfeita, ela terá um emprego vitalício em uma das empresas do avô, mas, se contestar a decisão, ficará sem nada. Clóvis, o advogado de confiança do avô será seu tutor. E ela até pensou em não fazer nada e seguir aproveitando a vida, mas só até descobrir que seu emprego não era o cargo executivo que imaginava e ter que viver com o salário de uma secretária, além de ainda ter de aturar o Clóvis e a esposa mandando e desmandando na casa que era de seu avô! É assim que ela decide tomar uma atitude drástica: alugar um marido! Continuar lendo

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Apaixonada por Palavras (Paula Pimenta)

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“É rara a ocasião em que não estou com um livro por perto, e mais raro ainda é o momento que não estou com um bloco e uma caneta. Sempre anotando, pensando por escrito. Porque, se o amor à primeira vista aconteceu com as palavras lidas, o mesmo, e ainda mais forte, aconteceu com as manuscritas.”

(trecho da Introdução de Apaixonada por Palavras)

Pensar por escrito, está aí um hábito que tenho desde que me entendo por gente e depois da classe de alfabetização e cadernos de caligrafia. Pena que minhas aventuras pelo mundo das palavras se restringem às minhas leituras e as anotações que faço delas, talvez se não tivesse largado o hábito de escrever crônicas lá no ensino médio, conseguisse escrever uma crônica para falar das belas crônicas escritas por Paula. O jeito é me contentar com meus arremedos de resenhas.

Em Apaixonada por Palavras podemos acompanhar a Paula de dez anos atrás que já dava mostras da habilidade de “brincar” com as palavras e através delas falar de sonhos, amores, saudades, amizade e outros assuntos do seu (mas que também foram e ainda são do nosso) cotidiano. São nove anos de histórias, nove anos de fotografias em palavras, em sua maioria textos sobre amor e relacionamentos, mas também há espaços para textos mais sérios e tristes e também para textos sobre períodos marcantes de sua vida como a história da publicação de Fazendo Meu Filme. Depois de acompanhar o roteiro da vida da Fani, começar a acompanhar a vida fora de série da Priscila e ler Apaixonada por Palavras, cheguei a conclusão de que a identificação com as obras da Paula é inerente. Identificamo-nos com seus personagens tão habilmente construídos em seus romances, e também com a autora de carne e osso por trás deles que nos é revelada em seu livro de crônicas.

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Dos textos escolhidos para essa coletânea, tenho os meus preferidos: Casa, escrito em agosto de 2005, que fala sobre o período em que ela morou em Londres e a saudade constante companheira dessa época; O Filme da Minha Vida (setembro de 2005) e Bem Guardado (janeiro de 2008), ambas que falam sobre as lembranças, algumas que ficam só na memória, nossos filmes particulares, outras que voltam sempre que nos deparamos com as provas físicas de que aconteceram. Ri, chorei e tive momentos de fofurice lendo Apaixonada por Palavras. E, ah, amei o texto escolhido para encerrar o livro (Ani-versário). Crônica repleta de Paula e de suas esperanças de escritora. Aproveito a oportunidade para desejar que venham muitos anos e que em todos eles a Paula guarde muitos versos, ou melhor, compartilhe-os com seus leitores. Se você como eu também é apaixonada por crônicas, vale a pena conhecer os textos da Paula e correr o risco de se apaixonar por eles, se ainda não leu nada do gênero eis uma oportunidade para começar. Fiquei muito contente em saber que há planos para uma segunda coletânea.

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GO (Nick Farewell)

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Nick Farewell sempre se considerou muito mais leitor que escritor e durante muito tempo protelou a publicação de seu romance, já que começou a escrever muito mais para aprender a se expressar do que com o objetivo de se tornar um escritor (http://osegredodosescritores.blogspot.com.br/2009/10/entrevista-com-nick-farewell.html). Ainda bem que ele tomou coragem e GO marca a sua estreia no mundo literário.

“Mas essa não é a história do homem que lia pensamentos. Acredite, qualquer um pode fazer. O que eu quero contar para você é como um homem comum pode ser, ou se você preferir, ter o que quiser. Afinal o que eu quero da vida? A resposta é mais estúpida e genial possível: eu quero viver.”

A história se passa em São Paulo (sim gente, o autor é brasileiro). Nela conhecemos um cinéfilo, leitor compulsivo, DJ nas “horas vagas”, com problemas de relacionamento e que tem como projeto de vida conseguir terminar o romance que está escrevendo. Ele, que não nos entrega seu nome e atende pela alcunha de Mr. Fahrenheit, se entrega à elucubrações sobre a vida, os conhecidos, sobre como conseguir uma refeição gratuita, meios de trabalho ilegais, literatura e autores beat e outras informações que ele considera necessárias para viver a vida. E o início do livro basicamente se restringe a esses elementos. A história não entrega a que veio e se não podemos imaginar o que esperar para o protagonista, pelo menos, podemos contar com diálogos (ou monólogos como bem pontuado por ele) verborrágicos, filosóficos e humorados, apesar de toda melancolia que parece rondar sua vida. Talvez seja por isso que o início da leitura de GO foi demorada. O romance demora a engrenar e acho que em grande parte isso ocorreu porque demorei a me acostumar com o fluxo de consciência pessimista e com a tendência ao sofrimento que o protagonista vivia a se autoimpor. Continuar lendo

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Noite Sem Fim (Roberto Campos Pellanda)

A Vila é um lugar onde sempre é noite e vive sobre a rígida Lei dos Anciãos, lei essa que determina que a cada seis meses um navio deve partir para o Além-Mar, navios esses que nunca retornam…

É sob a ótica de Martin, um garoto de 14 anos, que conhecemos a história. Ele ficou órfão há seis meses, quando o pai embarcou em um desses navios. O garoto vive atormentado por perguntas sobre o regime Ancião e tem como companheiros de indagações o melhor amigo Omar e a garota de seus sonhos Maya. Além disso, os três também partilham uma paixão: os livros. São esses os fatos que Roberto Campos Pellanda nos conta sobre seu livro no Prefácio de apresentação e ele soube vender sua obra muito bem, eu que já estava curiosa sobre o enredo de Noite Sem Fim fiquei ainda com mais vontade de iniciar a leitura.

“- É verdade. Ainda somos um grupo, Martin. Um grupo clandestino de pessoas que querem ver todos os livros liberados na Vila e que gostariam de discutir a Lei Anciã. Ainda existem pessoas como o seu pai lá fora.”

A Vila é o típico mundo distópico. Para começar, os cidadãos estão confinados à ela, vivem aterrorizados com os limites marítimos, lar de criaturas selvagens que ocasionalmente visitam a Vila espalhando o terror, e o responsável por levar para longe seus entes amados, e por outro lado temos as fronteiras terrestres, ultrapassar a cerca é crime severo e os que já o fizeram experimentam sensações alucinantes. O sistema político também é dos mais severos, atende os interesses de uma minoria que usa artifícios antigos para exercer seu poder usurpador, poda qualquer tentativa reacionária e transforma o poder do conhecimento em algo criminoso. Continuar lendo

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Morte na Flip – Paulo Levy

Morte na Flip é o segundo livro de Paulo Levy sobre o delegado Joaquim Dornelas. A resenha do primeiro livro, Réquiem para um assassino, pode ser vista aqui.

Na noite antes de começar a Flip (Feira Literária Internacional de Palmyra*), o delegado Joaquim Dornelas está voltando para casa quando vê uma cena que atiçou o instinto de que algo estava errado. Como a polícia só pode agir depois que algo acontece, Dornelas falou para um dos seus investigadores ficar atento naquela madrugada.

A Flip de verdade é a Festa Literária Internacional de Paraty. E sim, ela foi a inspiração do autor.

Algumas horas mais tarde, Joaquim foi acordado com a notícia de que foram encontrados dois corpos: uma mulher com cara de gringa e um homem. Ainda esperançoso de que o crime não tinha nada a ver com a Flip, Joaquim e sua equipe começaram a investigação. Algumas horas mais tarde, foi chamado pela organização do evento porque uma autora famosa havia desaparecido.

O livro é incrível. Joaquim Dornelas é o Sherlock Holmes brasileiro e vê provas do crime em coisas corriqueiras. Sua equipe de Watsons também é bastante eficiente e traz à tona informações aparentemente desconexas, mas que permitem que o delegado monte com perfeição todos os acontecimentos do crime. Se Réquiem para um assassino já foi uma leitura deliciosa, Morte na Flip é ainda melhor. O foco da narrativa é o crime, mas não deixamos de ver o lado humano de todas as personagens: os relacionamentos pessoais de Joaquim, com a nova namorada, com a ex-mulher, os filhos – é tudo muito real. É possível esquecer que são personagens fictícios, de tão reais que são as descrições e os sentimentos envolvidos.

Assim como aconteceu em Réquiem para um Assasino, eu tinha certeza de que o culpado era um cara e no fim, ele não teve NADA a ver com o crime. É preciso uma maestria na hora de escrever a narrativa para conseguir enganar o leitor assim. É uma experiência deliciosa, ainda mais em um livro nacional.

Se você ficou curioso para conferir o livro, hoje (dia 08/10) é o lançamento do livro na Livraria da Vila do Shopping JK em São Paulo!

Gostaria de agradecer à Editora Bússola por ter me cedido o exemplar. Espero ter a oportunidade de ler mais livros da editora no futuro.

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Guardians – Volume 3 (Luciane Rangel)

Com os eventos de Guardians 2 ainda frescos na memória não consegui me segurar e tive que adquirir o terceiro e último volume dessa aventura tão bem conduzida pela Luciane. Fiquei tentando me lembrar de como deparei-me com Guardians pela primeira vez, mas as memórias me fogem. Só sei que o encontro foi tímido e receoso de minha parte. Tive a oportunidade de conhecer a obra através do Book Tour organizado pela própria autora. Talvez se não fosse por isso eu nem chegasse a tomar conhecimento dessa história, mas foi só começar a ler, para Guardians me conquistar. Os personagens foram tão empáticos e a história teve tanta aventura que de repente soube que teria que ir até o fim e fico feliz de dizer que não me arrependi. Continuar lendo

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