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A Profecia das Sombras (Rick Riordan)

Atenção, esta resenha trata sobre os acontecimentos do segundo livro da série As Provações de Apolo (The Trials of Apollo). Por isso, pode conter spoilers, revelando parte do conteúdo do livro anterior. Para saber o que eu achei do primeiro livro, confira os links no final desta resenha.

 

O segundo livro da série As Provações de Apolo já começa em ritmo frenético. No final do livro anterior, após Lester/Apolo e os outros semideuses salvarem o oráculo do Bosque de Dodona, uma profecia carimba de vez o passaporte de Apolo para o mundo das missões perigosas e nenhum reconhecimento (para seu eterno desgosto) dos semideuses. Aqui, já o reencontramos em viagem na companhia de Leo Valdez, Calipso e é claro, no dragão mecânico de Leo, Festus. Na busca pelo oráculo da vez, os garotos vão parar em Indiana e ali Lester descobre que o próximo integrante do Triunvirato é alguém que já teve muita importância para ele no passado e que ele não será o único “fantasma” que terá de enfrentar.

Com Lester atingindo plenamente o status quo de semideus, ao menos no que diz respeito a colocar a vida em risco para fazer um favorzinho a um deus, o deus do sol começa a perceber muitas das injustiças cometidas pelos deuses.

“Alguns metros à frente, um semideus desconhecido estava imóvel no chão. (…). Eu não sabia de que lado ele estava, mas isso não importava. Fosse como fosse, sua morte era uma perda terrível e desnecessária. Eu estava começando a achar que talvez as vidas dos semideuses não eram tão descartáveis quanto nós, deuses, gostávamos de acreditar. ” (Página 293)

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Deuses Americanos (Neil Gaiman)

Em 1992 Gaiman foi morar nos Estados Unidos. E como imigrante recém-chegado naquele grande país, ele queria entende-lo, ainda que a tarefa na maior parte das vezes fosse impossível. E, como escrito, não há melhor forma de tentar conhecer algo do que escrever sobre ele. Apesar disso, a ideia de escrever sobre mitos e colocar os Estados Unidos no centro disso tudo só veio em 1998.

“Eu queria que o livro fosse uma série de coisas. Queria escrever uma história que fosse grandiosa, excêntrica e sinuosa, e escrevi, e ela era. Queria escrever uma história que incluísse todas as partes dos Estados Unidos pelas quais eu estava obcecado e encantado, que costumavam ser os pedaços que nunca apareciam nos filmes e nas séries de tevê. ” (Página 8)

Deuses Americanos realmente é uma história grandiosa (ultrapassa as quinhentas páginas, e os personagens viajam praticamente de costa a costa do país), excêntrica (tanto no humor quanto nos personagens bastante peculiares) e é sinuosa (Shadow e Wednesday viajam por encantos obscuros e atalhos, e sempre que você acha que sabe para onde a história está se encaminhando, lá vem Gaiman com suas reviravoltas retraçando os caminhos). Para escrever essa história que mistura deuses, romance investigativo e uma road trip inusitada, Gaiman colocou os pés na estrada. Todos os lugares que aparecem na história (ou pelo menos a maioria deles) foram visitados por ele. E, ainda que alguns lugares sejam conhecidos (quer sejam dos filmes ou das séries de tevê), foi uma experiência interessante conhecer tantos outros pelo ponto de vista do imigrante.

A edição publicada recentemente pela Editora Intrínseca é considerada como sendo o texto definitivo e a edição favorita de Gaiman. Ela é uma mistura das edições americana e inglesa, com a mistura dos textos pré e pós-edição e do texto impresso. A edição reformulada tem cerca de doze mil palavras a mais do que a edição original de 2001.

A história tem início com Shadow, um homem condenado a seis anos de prisão, mas que após cumprir três está prestes a ganhar a liberdade por bom comportamento. Tudo o que ele queria era retomar sua via junto à esposa. Mas, dois dias antes da sua soltura Laura morre e de repente Shadow já não tem mais para onde voltar. Ao sair ele conhece o misterioso Wednesday que lhe oferece um serviço. Shadow até reluta no início, mas acaba cedendo aos pedidos de Wednesday. Ambos então partem em uma longa viagem pelos Estados Unidos para angariar aliados para uma guerra iminente entre deuses velhos e novos. Continuar lendo

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O Martelo de Thor (Rick Riordan)

Atenção, esta resenha trata sobre os acontecimentos do segundo livro da trilogia Magnus Chase e os Deuses de Asgard. Por isso, pode conter spoilers, revelando parte do conteúdo do livro anterior. Para saber o que eu achei do primeiro livro, confira os links no final desta resenha.

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“Desde que eu renasci, me acostumei a muitas coisas esquisitas. Viajei pelos nove mundos e conheci deuses nórdicos, elfos, anões e um bando de monstros com nomes impronunciáveis. Encontrei uma espada mágica, atualmente pendurada no meu pescoço na forma de um pingente de runa. E até tive uma conversa muito louca com minha prima Annabeth sobre os deuses gregos, que habitavam Nova York e dificultavam a vida dela. Aparentemente, os Estados Unidos estavam infestados de deuses antigos. Era uma verdadeira praga. ” (Página 14)

Acho que já posso admitir que perdi a imparcialidade para falar dos livros do Rick Riordan, pelo menos das suas obras dedicadas ao público jovem. Nem eu mesma imaginava que acabaria sendo sugada para suas narrativas e que iria gostar tanto dessa história de moradias dos desuses estarem espalhadas pelo Estado Unidos. Isso foi justamente o que me fez torcer o nariz para Percy Jackson e o Ladrão de Raios! Mas, aos poucos os personagens foram me cativando e Riordan demonstrando que essa história de dar uma repaginada nos seres mitológicos tinha muito potencial. Começamos com um Acampamento em Long Island (Nova York), fizemos uma parada ocasional em uma Casa no Brooklyn (NY), nos enveredamos por outro Acampamento nas Oakland Hills (São Francisco) e agora somos hóspedes do Hotel Valhala em Boston. E assim como Magnus, já percebemos que ter divindades mesoamericanas ou (insira sua mitologia favorita aqui) zanzando pelos Estados Unidos não seria de todo surpreendente e é algo que Riordan pode nos presentear daqui a pouco. E bem que ele podia mesmo. Continuar lendo

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O Oráculo Oculto (Rick Riordan)

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Riordan desta vez foi bonzinho e não nos deixou muito tempo longe dos personagens que aprendemos tanto a gostar. Após a conclusão da série Os Heróis do Olimpo e seu enveredamento pelo mundo dos deuses nórdicos, era de se esperar que Riordan fosse dar uma pausa nos mundos grego e romano. A participação de Annabeth na história do primo Magnus Chase vinha como um alento para mantermos contato, ainda que indiretamente, com os semideuses já tão conhecidos. Mas, pelo visto Riordan não conseguiu ficar muito tempo afastado do Olimpo e de Long Island e o término da batalha contra Gaia forneceu a desculpa que faltava para ele começar uma nova história, desta vez com um toque divino a mais, na verdade, a menos, bem menos…

 “ Inspecionei meu novo corpo. Eu aparentava ser um adolescente caucasiano do sexo masculino, usando tênis, calça jeans e uma camisa polo verde. Muito sem graça. Eu me sentia enjoado, fraco e tão, tão humano.

       Nunca vou entender como vocês, mortais, toleram isso. Vocês passam a vida toda presos em um saco de carne, incapazes de apreciar os prazeres mais simples, como se transformar em um beija-flor ou se dissolver em pura luz.

 E agora, que os céus me ajudem, eu era um de vocês, apenas mais um saco de carne no universo.” (Página 11)

Zeus culpou Apolo pela batalha entre os deuses e Gaia e como punição o expulsou do Olimpo. O deus do sol foi parar na Terra, agora sob a forma de garoto (mortal) de 16 anos. Não é a primeira vez que Apolo passa por tal provação e se tem uma coisa que suas experiências anteriores lhe ensinaram, era que ele estaria destinado a servir um semideus e que ainda sofreria muito até cair nas graças de seu pai novamente. Ele só não contava ficar a serviço de Meg McCaffrey, uma semideusa sem-teto e maltrapilha que se defende com frutas; que o seu mais famoso oráculo (o Oráculo de Delfos) ainda não estivesse funcionando e que caberia a ele (e não a um grupo de semideuses, por mais famosos e competentes que sejam) reavê-lo; e que como apenas mais um saco de carne no universo, entraria na mira de um de seus adversários mais antigos (e ele não está sozinho). Continuar lendo

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A Espada do Verão (Rick Riordan)

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“- Você tem dezesseis anos agora, já é um homem. Escapou deles uma vez, na noite em que sua mãe morreu. Eles não vão deixar você escapar de novo. Essa é nossa última chance. Se não me deixar ajudá-lo, você não sobreviverá até o fim do dia. ” (Página 25)

Durante a leitura da série Os Heróis do Olimpo, muito leitores devem ter ficado com a impressão (e a esperança) de que Riordan estava preparando algo envolvendo a mitologia chinesa, mas qual não foi a surpresa quando veio a notícia de que a próxima série de livros focaria na mitologia nórdica. E ela chega com Magnus Chase, e o sobrenome não é coincidência não, Magnus é primo da nossa já querida Annabeth. E ela é claro não é esquecida e até tem suas participações na trama, as quais prometem vir a serem mais frequentes no próximo livro.

A nova série de Riordan traz todos os elementos já tão característicos do autor: a grande quantidade de personagens; uma trama estruturada em torno de uma grande missão (decorrente de uma profecia feita na hora mais imprópria); missões menores que servem de preparação para o embate final; deuses melindrosos, misteriosos e meio doidos; um lugar para reunir os heróis (já conhecíamos alguns acampamentos e uma casa no Brooklyn, agora é a vez de um hotel que é o próprio Valhala); muitas e muitas referências pop e uma boa pitada de humor. Aliás, o tom de hilaridade atinge níveis estratosféricos nessa nova série. Mas, ao mesmo tempo, ele não deixou de explorar temas mais sérios como o bullying e a rejeição familiar devido a deficiência de um dos personagens. A narrativa também lembra muito a utilizada na série do Percy Jackson, com a narrativa em primeira pessoa e apenas sob o ponto de vista de Magnus. Até mesmo os títulos estranhos e engraçados estão de volta. Continuar lendo

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Os Filhos de Anansi (Neil Gaiman)

Os Filhos de Anansi

“As pessoas reagem às histórias. Elas as contam, as histórias se espalham e, conforme são contadas, mudam os contadores. E quem nunca tinha pensado em nada além de fugir dos leões e se aproximar com cautela dos rios para não virar comida de crocodilo agora começa a sonhar em morar em um local diferente. O mundo pode ser o mesmo, mas o cenário mudou. Entende? As pessoas ainda têm a mesma história, em que nascem, fazem coisas e morrem, mas agora a história tem um significado diferente do que tinha antes. ” (Página 237)

Se não me falha a memória este já deve ser o quinto livro do Gaiman que leio (ainda preciso começar a ler suas graphic novels) e não importa seu público alvo, quer seja um romance com aura de contos de fadas, uma aventura infanto-juvenil, ou um romance envolvendo anjos e demônios. Gaiman sempre acerta o tom e é expert em tornar seus leitores cativos. Com Os Filhos de Anansi não foi diferente, a começar pela dedicatória destinada a nós leitores e se embrenhando por uma história de muitas pernas, personagens e eventos aparentemente incongruentes. Gaiman se mostrou um bom tecedor de teias e um exímio contador de histórias.

Se você como eu pegou (ou pretende pegar) Os Filhos de Anansi para ler sem ter muitas informações sobre a obra, pode ficar encucado com o texto de orelha do Fábio Moon na edição da Intrínseca. Nele nós descobrimos que aqui, Gaiman irá retornar ao universo fantástico já explorado em Deuses Americanos e aí é impossível não bater a dúvida. Será que não é imprescindível ler Deuses Americanos antes? Será que se partir direto para a leitura deste livro, posso não compreender a história narrada em Os Filhos de Anansi? Sem ter Deuses Americanos na estante, a solução foi arriscar. E no fim, ainda que seja um universo revisitado, não ter travado conhecimento com ele anteriormente em nada prejudica esta leitura. A única sensação que ficou, foi o desejo de conhecer mais a fundo o resto desse universo criado por Gaiman. Mal posso esperar para ter Deuses Americanos nas mãos. Mas, voltando aos filhos de Anansi… Continuar lendo

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A Casa de Hades (Rick Riordan)

Atenção, esta resenha trata sobre os acontecimentos do quarto livro da série Os Heróis do Olimpo e pode haver spoilers dos livros anteriores. Para saber o que eu achei dos outros livros veja os links no final desta resenha.

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“Ao vê-los reunidos no Tártaro, Percy se sentiu tão desamparado quanto as almas no Rio Cócito. E daí que era um herói? E daí que realizara feitos corajosos? O mal sempre estava presente; regenerando-se, fervilhando sob a superfície. Percy não passava de um pequeno estorvo para aqueles seres imortais. Eles só precisavam esperar.” Página 373.

A Casa de Hades é o penúltimo livro da série Os Heróis do Olimpo e fazendo jus ao papel que carrega, ele traz toda a carga dramática inerente a uma aventura que está cada vez mais difícil e na qual os níveis de esperança estão cada vez mais baixos. Após os eventos derradeiros do livro anterior, não dava para esperar outra coisa. Os semideuses já sabiam que chegar às Portas da Morte seria uma tarefa hercúlea, mas não contava que a jornada para dois deles fosse ser mais árdua e um tanto quanto impossível, afinal, atravessar o Tártaro e atingir as Portas da Morte pelo outro lado é uma tarefa que extrai até a última gota de esperança de Annabeth e Percy. É desesperador, sombrio e doloroso. Mas, aqui do outro lado as coisas não estão muito melhores. Os ânimos dos outros semideuses estão abalados pela separação dos dois amigos, as forças de Gaia transformam-se em empecilhos cada vez mais maiores, e todos, sem exceção, são obrigados a enfrentar seus monstros no armário e provarem-se como merecedores dessa missão, não para os outros, mas para si mesmos. Continuar lendo

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A Marca de Atena (Rick Riordan)

Atenção, esta resenha trata sobre os acontecimentos do terceiro livro da série Os Heróis do Olimpo e pode haver spoilers dos livros anteriores. Para saber o que eu achei dos outros livros veja os links no final desta resenha.

a marca de atena

A profecia fornecida por Rachel no último livro da primeira saga do Percy Jackson guiou todas as ações dos semideuses nos dois primeiros livros desta série. Desde o início eles eram sete, mas estavam divididos entre as contrapartes gregas e romanas, vivendo aventuras que de certa forma eram apenas o aperitivo, a preparação para tudo que teriam que enfrentar depois, todos juntos. Em A Marca de Atena, o programa de intercâmbio planejado por Hera/Juno atinge um novo nível, é chegada a hora de reunir velhos conhecidos e estabelecer novas alianças. Os sete semideuses aos quais a profecia faz referência finalmente estão juntos e prontos para cumprirem seus destinos. Mas, antes da aventura final é preciso fazer um pequeno desvio. Porque uma antiga profecia vem à tona e os semideuses percebem que solucionar essa profecia pode ser o caminho necessário para conseguirem levar a cabo sua missão. E fazendo jus ao título do livro e à personagem principal dessa profecia, era de se esperar que Annabeth ganhasse um maior destaque, para alegria daqueles que sempre tiveram a filha de Atena entre o rol dos seus personagens favoritos. Continuar lendo

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Onde as Sombras se Deitam (Michael Ridpath)

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Após escrever os primeiros capítulos de O Senhor dos Anéis, Tolkien deixou a obra em banho-maria durante alguns meses enquanto ruminava sobre como fazer para continuar a história e ligá-la ao seu primeiro romance O Hobbit. Bem, não é segredo para ninguém que o Um Anel foi o elo encontrado por ele para unir as duas histórias e criar uma das melhores sagas de fantasia de todos os tempos (ah, me deixa enaltecer um dos meus autores favoritos) e é justamente sobre como ele chegou a essa solução que Ridpath repousa o arcabouço de seu romance policial. Ambientado na Ilha do Fogo e do Gelo, Onde as Sombras se Deitam é o primeiro romance de uma série que tem como protagonista o detetive islandês Magnús Ragnarsson. E Tolkien e sua mitologia foram escolhidos como cartão de visita para que por meio da mitologia, Ridpath nos apresentasse esse país rico em misticismo e lendas. Mas, é lá em Boston que essa história começa… Continuar lendo

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A Sombra da Serpente (Rick Riordan)

Atenção, esta resenha trata sobre os acontecimentos do terceiro e último livro da série As Crônicas dos Kane e pode haver spoilers sobre fatos dos livros anteriores. Para saber o que eu achei dos outros livros, confira os links no final da resenha.

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No último volume da trilogia Sadie e Carter têm um importante papel e seus poderes serão fundamentais para a restauração do Maat, a ordem do mundo. E com Apófis, a serpente do Caos, liberto essa tarefa torna-se ainda mais difícil, já que agora eles têm que correr contra o tempo para evitar que a serpente destrua o planeta e no meio disso tudo tendo que lidar com magos revoltosos, casas de magia sendo destruídas e deuses ficando cada vez mais enfraquecidos. A única chance dos dois jovens magos é tentar uma magia que pode lhes custar a vida e para isso, vão ter que ir atrás da alma de um mago psicótico no Duat e impedir seu julgamento, além disso, Walt, uma peça necessária para que o plano dê certo, está com seus dias entre os vivos contados.

Bailes de formatura, pinguins, um triângulo amoroso para lá de esquisito, um livro perdido de um deus e lidar com um deus gagá são só partes do que esses irmãos terão que enfrentar para vencer mais esse desafio. Riordan caprichou nesse último volume, que nada deixa a dever a seus antecessores em aventuras, tramoias e surpresas. Como tinha comentado nas resenhas anteriores, a estrutura narrativa utilizada por Riordan apesar de todos os comentários e discussões em off de Sadie e Carter (que aliás foi uma das melhores coisas feitas pelo autor, já que serviu para aproximar o leitor dos personagens e garantir o tom divertido da história), acaba podando um pouco o autor, pois já é determinista. Apesar, de todos os percalços, no fim ambos se deram bem, afinal, as fitas foram gravadas depois de todos os eventos terem acontecido. Mas, após a leitura de A Sombra da Serpente relevei essa minha birra, a história tem tantas surpresas ao longo da narrativa que acaba superando tudo isso. E eu que já tinha sido cativada pelas mitologias grega e romana, rendi-me de vez à mitologia egípcia e aos personagens criados pelo autor. Sadie e Carter não ficam devendo nada perante seu personagem mais famoso (aka Percy) e seus companheiros de aventuras também são bem interessantes: Khufu, Felix, Bes e outros tantos tornam algumas passagens deveras divertidas. A representatividade de vários países em alguns personagens também deve ter agradado alguns leitores ao redor do mundo. É impossível não ficar toda feliz ao ver que a personagem que Riordan escolheu para ter nacionalidade brasileira (a Cleo) é uma fã de livros, responsável pela biblioteca da Casa do Brooklyn e que pode pirar só de pensar em alguém maltratando um livro. Rola uma identificação e um desejo do país cada vez mais fazer jus a essa imagem, com cada vez mais leitores. Continuar lendo

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