Arquivo da categoria: Resenhas da Núbia

A Culpa é das Estrelas (John Green)

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“Você me deu uma eternidade dentro dos nossos dias numerados e sou muito grata por isso.”

Depois de ler A Culpa é das Estrelas você vai passar a torcer por infinitos menos limitados, mas também vai aprender que um átimo de tempo pode ter loops de eternidade se você souber aproveitar cada momento…

Faltando poucos dias para fazer 17 anos, Hazel Grace, que luta contra um câncer desde os 13 anos, é recomendada por seu médico a frequentar um Grupo de Apoio. Um grupo formado única e exclusivamente por jovens pacientes com câncer, com uma alta rotatividade de membros, uma lista imensa de ex-membros, não porque de repente se tornaram menos depressivos, mas porque a batalha diária contra a morte chegou a um momento que não pôde mais ser mantida, e comandado por Patrick, que se brincar é capaz de deixar até um comprimido de Gardenal deprimido. Não é a toa que Hazel (e eu também) tem lá suas dúvidas de que essa sugestão irá funcionar… Mas, quando ela já estava resignada com a tristeza das reuniões, eis que Augustus Waters aparece, primeiramente com o único objetivo de dar ânimos ao amigo Isaac, mas Augustus (ou Gus) e Hazel estão destinados a promoverem mudanças mutuamente na vida um do outro e dos que estão ao seu redor. Continuar lendo

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O Triunfo de Sharpe (Bernard Cornwell)

Atenção, esta resenha trata sobre os acontecimentos do segundo livro (ordem cronológica) da série As Aventuras de Sharpe e pode haver spoilers sobre os fatos do primeiro livro. Para saber o que eu achei do primeiro livro, clique aqui.

Índia, setembro de 1803. Quatro anos após derrubar o Sultão Tipu, Sharpe agora é o Sargento Richard Sharpe e tem uma nova missão: ajudar o Coronel McCandless a capturar o Major William Dodd, traidor do exército britânico. Dodd se juntou à Confederação Mahratta determinado a fazer grandes fortunas ajudando a expulsar os britânicos do território indiano e vem provocando bastantes baixas em seu antigo exército. Em sua última incursão, Dodd provocou um massacre em Chasalgaon, um ataque que poderia ter sido considerado de enorme sucesso, se não tivesse deixado um sobrevivente para trás… o sortudo Richard Sharpe.

 “Sharpe observou de rabo de olho o homem alto. Sentia-se responsável, amargo, zangado, assustado. O sangue tinha esguichado do ferimento em seu escalpo. Estava tonto, com a cabeça latejando, mas vivo.”

É assim que Dodd acaba na lista negra de Sharpe, que não pensa duas vezes em largar seu posto em Seringapatam e partir com o Coronel McCandless atrás do desertor. Aliado a essa premissa temos o Sargento Hakeswill, seu antigo superior e seu nêmesis que continua tramando formas de se livrar de Sharpe e de quebra ficar com todo o tesouro que o rival “herdou” do Sultão Tipu e uma nova batalha. Assim como em Azincourt, Cornwell traz uma batalha em assimetria numérica: a Batalha de Assaye que aconteceu em 23 de setembro de 1803 e que segundo registros históricos foi um exemplo da perícia (em maior parte sorte) do exército britânico que com apenas 5 mil soldados derrotou um exército de 50 mil. Este último fato, confesso, me fez passar o livro na frente de outros tantos, porque depois da narrativa de Cornwell para a batalha de Azincourt, esperava algo tão ou mais sangrento e cheio de adrenalina (me condenem, mas me delicio com as descrições bélicas do autor). Mas, nesse quesito fiquei insatisfeita. O destaque para as batalhas foi pouco, nada de planos, ardis, baixas… Foram cerca de apenas três capítulos dedicados à batalha, capítulos bem escritos por sinal, mas poucos. Continuar lendo

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O Filho de Netuno (Rick Riordan)

Atenção, esta resenha trata sobre os acontecimentos do segundo livro da série Os Heróis do Olimpo e pode haver spoilers sobre os fatos do primeiro livro. Para saber o que eu achei do primeiro livro, clique aqui.

“Sete meios-sangue responderão ao chamado.
Em tempestade ou fogo, o mundo terá acabado.
Um juramento a manter com um alento final,
E inimigos com armas às Portas da Morte afinal.”

É chegada a hora de completar esse time de semideuses que começou a ser montado em O Herói Perdido, e sim, para os que já estavam com saudades do velho personagem, Percy Jackson está de volta! E se no livro anterior, apesar dos novos campistas e deuses, o foco ainda tenha permanecido na mitologia grega, no segundo volume, Riordan nos apresenta sua contraparte romana. Deuses, semideuses, criaturas mitológicas e um novo acampamento totalmente romanizado. E é no Acampamento Júpiter que encontramos um Percy totalmente desmemoriado (e não, isso não é mera coincidência), e Hera, agora Juno, novamente a pedir ajuda para salvar os deuses do Olimpo e evitar a destruição do mundo.

Os outros integrantes desse time são: Hazel Levesque, uma garota que nasceu com uma maldição e que se meteu em grandes problemas por ter obedecido a mãe, mesmo quando percebeu que a voz que falava com ela não era conhecida. Além do quê, não era para ela estar no Acampamento Júpiter. E Frank Zhang, descendente dos deuses gregos por parte de pai e com uma linhagem muito mais antiga por parte da mãe chinesa, também amaldiçoado, o garoto tem síndrome de inferioridade e é desastrado ao extremo, mas só até descobrir a verdadeira força que tem… Com Frank, Riordan inicia uma conversa com os deuses asiáticos. Confesso que seria bem interessante ter uma série com essa temática.

Com o despertar de Gaia e a libertação de seu exército na Terra, a vida dos deuses e semideuses está cada vez mais difícil, ainda mais depois da captura de Tânatos (o responsável por manter os mortos em seu lugar), já que agora matar monstros além de uma árdua tarefa está se tornando quase impossível com a Morte perdendo seu poder. Em meio a gigantes, górgonas, gegenes, amazonas, basiliscos e até o cavalo mais veloz do mundo (cujos diálogos com Percy renderam alguns bons momentos de humor, ainda que a dose tenha sido além da conta), os três semideuses partem para uma missão quase suicida. E um aviso: sentir-se confuso em relação aos deuses e suas características romanas e gregas é normal viu, os próprios deuses se confundem. Continuar lendo

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A Misteriosa Chama da Rainha Loana (Umberto Eco)

Yambo é um senhor de idade, que após salvar-se de uma grave doença e voltar do coma não se lembra de fatos da sua vida. O ano do “despertar” é 1991 e cada redescoberta de Yambo após voltar do coma é comparada com referências mil de Shakespeare, passando por Doyle até a Rainha do Crime, mostrando que sua memória semântica está em perfeita ordem e dando olé em muitas memórias por aí, já sua memória autobiográfica vai de mal a pior…

“[…] Dizem que os gatos, quando caem da janela e batem o nariz, não sentem mais os cheiros e, como vivem do olfato, não conseguem mais reconhecer as coisas. Eu sou um gato que bateu o nariz. Vejo coisas, entendo com certeza do que se trata, lá embaixo as lojas, aqui uma bicicleta que passa, lá as árvores, mas não… não os sinto em meu corpo, é como se tentasse enfiar o paletó de um outro.”

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Academia de Princesas (Shannon Hale)

No vilarejo do monte Eskel, no reino de Danland, todos trabalham na pedreira, todos menos Miri, uma garota de 14 anos, considerada pequena e fraquinha para o trabalho. Tudo o que a garota mais queria era poder trabalhar na pedreira e parar de se sentir uma inútil…

“Dizia-se pela aldeia que algo considerado inútil era “mais fraco que o braço de um homem da planície”. Quando ouvia esse ditado, Miri tinha vontade de cavar um buraco na rocha e se esconder lá nas profundezas”.

Eskel sempre foi um lugar isolado do reino, e o único interesse do povo da planície neles, era pelas pedras de cantaria tão importantes nas construções. Mas, inesperadamente as atenções se voltam para lá, pois foi decidido pelos padres do reino que a futura noiva do príncipe virá de Eskel. É assim que todas as jovens da aldeia com idade compatível ao príncipe se veem de repente obrigadas a se separar de seus familiares e a se prepararem para a escolha do príncipe em uma academia. E Miri, que a princípio é tão arredia a essa ideia vê todo um mundo se descortinar para ela e percebe que tem nas mãos a chance de mostrar seu valor. Em meio a castigos, lições, amizades e a descoberta do mundo das palavras, as meninas mudam seu destino e tornam-se protagonistas de mudanças em seu vilarejo.

Academia de Princesas é mais do que um simples romance de conto de fadas, da história de um príncipe e de uma princesa… a história traz ação, aventura, política, família e amor por suas raízes. Os personagens são fortes e simples e por isso mesmo, muito mais reais. A leitura é leve e pode até parecer bobinha a primeira vista, mas Hale consegue trazer uma bela história sobre coragem e força para mudar seu futuro. Adorei conhecer o povo de Eskel, Miri e as outras garotas da terra das pedras de cantaria.

E procurando mais informações sobre a autora para escrever essa resenha, descobri que sete anos depois da publicação de Academia de Princesa, Shannon escreveu uma continuação que foi publicada em 21 de agosto, Princess Academy – Palace of Stone. Vocês podem dar uma espiada no primeiro capítulo aqui. Espero que a Galera Record não demore a publicar o livro por aqui.

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Noite Sem Fim (Roberto Campos Pellanda)

A Vila é um lugar onde sempre é noite e vive sobre a rígida Lei dos Anciãos, lei essa que determina que a cada seis meses um navio deve partir para o Além-Mar, navios esses que nunca retornam…

É sob a ótica de Martin, um garoto de 14 anos, que conhecemos a história. Ele ficou órfão há seis meses, quando o pai embarcou em um desses navios. O garoto vive atormentado por perguntas sobre o regime Ancião e tem como companheiros de indagações o melhor amigo Omar e a garota de seus sonhos Maya. Além disso, os três também partilham uma paixão: os livros. São esses os fatos que Roberto Campos Pellanda nos conta sobre seu livro no Prefácio de apresentação e ele soube vender sua obra muito bem, eu que já estava curiosa sobre o enredo de Noite Sem Fim fiquei ainda com mais vontade de iniciar a leitura.

“- É verdade. Ainda somos um grupo, Martin. Um grupo clandestino de pessoas que querem ver todos os livros liberados na Vila e que gostariam de discutir a Lei Anciã. Ainda existem pessoas como o seu pai lá fora.”

A Vila é o típico mundo distópico. Para começar, os cidadãos estão confinados à ela, vivem aterrorizados com os limites marítimos, lar de criaturas selvagens que ocasionalmente visitam a Vila espalhando o terror, e o responsável por levar para longe seus entes amados, e por outro lado temos as fronteiras terrestres, ultrapassar a cerca é crime severo e os que já o fizeram experimentam sensações alucinantes. O sistema político também é dos mais severos, atende os interesses de uma minoria que usa artifícios antigos para exercer seu poder usurpador, poda qualquer tentativa reacionária e transforma o poder do conhecimento em algo criminoso. Continuar lendo

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Como Ser Legal (Nick Hornby)

Fato um: todos que me viram com o livro (e que não conhecem o Hornby e, portanto não perceberam a grande sacada irônica da coisa) acharam que o livro fosse de autoajuda.

Fato dois: de todos os livros do Hornby que já li (mas eu ainda não alcancei a meta de ler todos os já publicados no Brasil), Como Ser Legal foi o que mais me decepcionou.

A impressão que tive foi que a obra é um ensaio mal executado, você percebe que todos os elementos que tornam as narrativas do autor um sucesso estão ali, mas de alguma forma eles parecem não se encaixar. Mas, até quando decepciona, a literatura de Hornby acaba agradando em algum ponto. Como Ser Legal pode até não ter Rob Fleming e todo seu conhecimento musical ou ainda os diálogos magistrais de Uma Longa Queda, mas não posso negar que nas partes em que Kate não estava sendo uma chata de galocha ela conseguiu nos brindar com passagens realmente hilárias sobre o cotidiano de seu casamento e a loucura toda na qual seu marido se meteu. Continuar lendo

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O Retrato de Dorian Gray (Oscar Wilde)

O único romance de Oscar Wilde, considerado um dos grandes escritores irlandeses do século XIX, é considerado a primeiro a introduzir na ficção inglesa a homossexualidade, ainda que de forma bastante velada e provocou bastante alvoroço na época de sua publicação. A obra, aliás, foi utilizada como evidência no julgamento que acabou condenando Wilde a dois anos de prisão por cometer atos imorais com rapazes. O romance foi publicado inicialmente como a história principal na Lippincott’s Monthly Magazine em 20 de junho de 1980 e depois foi revista e alterada pelo autor antes de sua versão definitiva publicada em 1981. O romance é o terceiro volume da Coleção Clássicos Abril, que traz a obra com a tradução de José Eduardo Ribeiro Moretzsohn e texto complementar sobre a vida e obra do autor assinado por Heitor Ferraz.

Basil Hallard é o artista responsável pelo retrato de um jovem de extraordinária beleza. Dorian Gray é o nome do jovem retratado. Um jovem que se tornou amigo de Basil e que frequentemente o visita em seu ateliê e por quem o artista nutre ciúmes a ponto de não querer apresentá-lo ao amigo Lord Henry Wotton. E talvez até tivesse razão, caso soubesse o que tal acontecimento provocaria na vida do jovem que tanto admirava… É por meio de Lorde Henry, um hedonista que prega que só vale a pena viver pela beleza e pelo prazer, que Dorian é confrontado com o ideal da beleza e com a efemeridade de tal qualidade e ao perceber que a beleza que ele tanto esbanja por aí está fadada ao fracasso ele chega a pedidos desesperados: Continuar lendo

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Book Tour: Cordeluna (Élia Barceló)

Élia Barceló é uma autora espanhola de bastante sucesso mundo afora. A autora escreve romances policiais, ficção científica e literatura fantástica para adultos e jovens, e foi esse último gênero o escolhido pela Editora Biruta para começar a publicar seus livros no Brasil. E começaram com o pé direito, escolheram Cordeluna, um romance juvenil, ganhador do Prêmio Edebé de Literatura Juvenil, que mescla história medieval, romance e magia no melhor estilo conto de fadas.

“E enquanto os protagonistas atuais da história que vai começar vivem sua vidas cotidianas, outros protagonistas que já não têm nada, exceto seu amor e sua esperança, aguardam nas trevas geladas que o milagre aconteça.

Tudo começou há mil anos.

E, para o bem ou para o mal, acabará agora.”

A autora toma emprestada uma figura histórica espanhola e recria em volta dela um romance atemporal. Como ponto de partida uma antiga espada, chamada Cordeluna, que parece encerrar estranhos poderes e que faz parte de uma lenda de amor.

Com o jovem cavaleiro Sancho Ramírez, mergulhamos na Idade Média. O rapaz era vassalo do senhor Dom Rodrigo de Vivar (mais conhecido como El Cid), bom guerreiro e que vivia despertando as atenções das mulheres, sua última fã foi a viúva Dona Brianda, relacionamento esse que até poderia ter tido algum futuro se o rapaz não tivesse se enamorado pela jovem enteada dela, Guiomar. Um amor que desde o início já tinha tudo para dar errado, Guiomar era uma jovem da nobreza, Sancho um humilde ginete. Apesar dos empecilhos lutaram para viver seu amor, mas só puderam presenciar ele ser destruído pelo ódio e pela inveja e ser relegado às profundezas de uma maldição que só mil anos depois terá sua última chance de redenção.

Na Espanha atual conhecemos Glória e Sérgio, dois jovens que foram selecionados para participar de um projeto de uma peça teatral em homenagem a El Cid. Eles e outros jovens irão ficar alojados em um antigo mosteiro na região dos Burgos, vivenciando os costumes da Idade Média. No primeiro encontro dos dois, sentimentos fortes brotam e ambos começam a ter estranhas sensações e visões. Como a história de Sancho e Guiomar mil anos atrás se espelha na vida de Sérgio e Glória? Conseguirão eles quebrar essa maldição tão antiga? Continuar lendo

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A Tormenta de Espadas (George R. R. Martin)

*Atenção, este livro é o terceiro da série As Crônicas de Gelo e Fogo e esta resenha pode conter spoilers dos livros anteriores. Quer saber o que nós achamos dos livros anteriores? No final da resenha disponibilizo os links.

 

Depois da leitura um tanto quanto decepcionante do segundo volume, Martin acerta novamente os ponteiros e nos brinda com a narrativa ágil com a qual nos conquistou no primeiro livro. E o melhor é que A Tormenta de Espadas traz tantas reviravoltas na trama, que não sobrou espaço para o autor se delongar em reminiscências sem propósitos, apesar das mais de 800 páginas!

Usando a licença que um livro estruturado em crônicas permite, Martin retoma alguns acontecimentos que estavam ocorrendo na mesma época dos acontecimentos derradeiros de A Fúria dos Reis (como a Batalha da Água Negra e a invasão de Winterfell) e que não puderam ter um destaque maior. Assim, ele fornece uma visão panorâmica ao leitor que descobre exatamente a situação vivida em cada recanto de Westeros e também nas Terras Livres. E enquanto esperamos o inverno que está para chegar – mas que ainda não resolveu mostrar as caras – acompanhamos todas as efervescências provocadas pela disputa do poder (que mais do que nunca faz suas vítimas) e pelos temíveis selvagens que resolvem que as terras além da Muralha não são boas o suficiente para eles (e não poderiam estar mais certos) e que colocam em xeque o trabalho de defesa da Patrulha da Noite… Continuar lendo

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