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Fazendo Meu Filme em Quadrinhos: 2 – Azar no Jogo, Sorte no Amor? (Paula Pimenta)

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Com a chegada do segundo volume dos quadrinhos de Fazendo Meu Filme, o desejo por um volume com o dobro de fofura foi reforçado. Como fã dos personagens dos livros, gostaria de ter mais páginas, desenhos e cores para matar a saudade. Mas, mesmo que as doses sejam pequenas, já está valendo. E essa turminha nascida em palavras e transformada em desenhos multicoloridos segue não decepcionando.

Em Azar no Jogo, Sorte no Amor? Paula explora um acontecimento que foi apenas mencionado em Fazendo Meu Filme 1: quando Alan teve os óculos quebrados em uma briga de torcidas no Mineirão. Para contar essa história, ela deixou alguns personagens de lado, mas era preciso, afinal, três novos personagens precisavam ser apresentados: o pai da Fani, o Alberto e o Marquinho. Com essa trama, ela também aproveitou para revelar o time do coração de vários personagens. Continuar lendo

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Chico Bento – Pavor Espaciar (Gustavo Duarte)

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Desde que eu descobri as graphic novels do selo Graphic MSP, as histórias que tive maior vontade de ler, eram as adaptações da turma do bairro do Limoeiro (o meu núcleo favorito ever) e a do Chico Bento. Laços foi uma homenagem muito bonita e saudosista feita pelos irmãos Cafaggi. Pavor Espaciar, do Gustavo Duarte, foi publicada em 2013, mas só consegui conferir agora, depois de sua reedição. E, apesar de toda a ansiedade para ter o volume em mãos, não estava esperando tanto da história, pois havia lido algumas resenhas negativas que diziam que o Gustavo Duarte não fazia jus ao personagem, reclamando da ausência de texto… Foi com um pé atrás que comecei essa história, mas o traço limpo e bastante expressivo de Duarte, sua história simples e de certa forma tão ligada às crendices das cidades do interior e as mil referências espalhadas pelas páginas, garantiram uma leitura bastante divertida.

Do núcleo do Chico Bento, Gustavo Duarte decidiu fazer um recorte e criar uma história na qual Chico, Zé Lelé, Torresmo e Giselda fossem os personagens em destaque. Com isso, os pais do Chico têm apenas uma pequena aparição, e outros conhecidos nossos (como a Rosinha) nem dão as caras. E isso é um porém, que espero que uma nova HQ do Chico poderia sanar. Mas, voltando a história… Continuar lendo

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Astronauta – Singularidade (Danilo Beyruth)

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“…. Estou sempre procurando algo, mas não sei bem o quê. A maioria das pessoas imagina o espaço como um imenso vazio. Eu o vejo como ele é: um lugar repleto de descobertas para serem feitas. ”  (Página 27)

Em Astronauta – Singularidade, Danilo Beyruth dá continuação à história apresentada em Magnetar. No primeiro volume Beyruth utilizou um episódio de “naufrágio” no espaço para enfocar a solidão tão característica do personagem, e rememorar os eventos da sua infância e as escolhas que o Astronauta teve de fazer por causa de sua carreira. Agora, em Singularidade, reencontramos o Astronauta passando por avaliações psicológicas que irão determinar se ele poderá continuar em seu posto. E é claro, há uma nova missão: investigar um buraco negro, mas não sozinho! Ele irá acompanhado da doutora responsável por sua avaliação e um tripulante do país responsável pelo seu resgate na malfadada missão anterior. Continuar lendo

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Sereia de Vidro – Marcelo Antinori

Um escritor pede ajuda a uma freira cartomante pois se sente preso e incapaz de escrever algo que lhe agrada. O que as cartas revelam o surpreende: ele está preso em um mundo limitado, e que seu futuro reserva um confronto necessário para que volte a criar. A freira também recomenda que ele olhe mais ao redor e preste atenção ao que acontece. É assim que ele conhece Ana Pérsia. Alguns dias depois, ela pede sua ajuda para sumir pois sua vida corre perigo.

Preocupação com Ana, e lembranças do que as cartas disseram, fazem com que o protagonista investique mais, e descubra mais do que esperava. O fim do livro vem cedo demais, deixando o leitor órfão e curioso. Travestis, tráfico de drogas, traição, politicagem, suborno, sadomasoquismo: todos esses elementos se encontram na construção da história.

O livro é curtíssimo e dá para ler em uma sentada – foi o que fiz. O ritmo da narrativa com certeza ajuda: é bem ágil, e o autor não perde tempo com detalhes que não vão contribuir com a narrativa. Inclusive, nem o nome da personagem principal não foi revelado na história – e foi relativamente difícil escrever a resenha sem o nome!
O segundo livro da série já está disponível: Os Crimes do Dançarino da Sé. Estou super curiosa para saber o que acontece depois! Se você quer um livro nacional que vale a pena pegar para ler, fica a dica =)

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Birman Flint e o Mistério da Pérola Negra (Sergio Rossoni)

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“Flint era um gato magro demais, esguio demais para a sua idade. Pouco se sabia sobre ele, filho de uma cantora de ópera cuja passagem por Siamesa havia selado seu destino ao conhecer Theodor Flint, um elegante e sedutor gato, considerado um excêntrico aventureiro, que parecia ter deixado como herança para seu único filho a vocação para farejar uma boa encrenca, que no seu caso, servira-lhe profissionalmente. ” (Página 29)

Birman Flint é repórter do Diário do Felino, ele também é um gato. Em seu romance de estreia, Sergio Rossoni, talvez inspirado pela obra icônica orwelliana, também escolheu os animais para retratar a sociedade humana, e, ainda que o foco não seja satirizar a Rússia e o governo stalinista, é também na Europa Oriental que se passa sua trama. Só que a inspiração aqui foi a última dinastia imperial russa, e assim, os Romanov viraram os Ronromanovich. E além de gatos, há ratos, camundongos, lobos, galos, esquilos e tigres só para citar alguns.

O ano é 1920 e a história tem início no Porto de Siamesa em Françoaria. Karpof Mundongovich, um camundongo e agente imperial da Rudânia, e ao que parece agente duplo, tem sua vida ceifada porque suas ações começaram a colocar em xeque uma operação secreta contra o império rudanês. Mas, antes do seu suspiro final, Karpof consegue deixar sua morte em evidência e deixar pistas sobre os planos conspiratórios. Continuar lendo

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Piteco – Ingá (Shiko)

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A corruptela do nome científico Pythecanthropus erectus deu origem ao nome do personagem criado por Mauricio, Piteco, em 1963 para um jornal da cidade de Bauru. E, quando falamos do Piteco, a memória da infância puxa aquelas histórias que tinham como foco a Thuga e sua corrida eterna atrás do amor do Piteco, fato que sempre me fez torcer o nariz para as histórias do homem da Idade da Pedra, Logo, Piteco – Ingá não era uma das revistas do selo Graphic MSP que eu estava ansiosa para conferir, mas, li tantos elogios à releitura do Shiko e a revista teve um sucesso de vendas tão grande, que acabei não resistindo à curiosidade. E a releitura de Shiko, história, arte e cor, produziu um trabalho surpreendente, que me fez ter outro olhar sobre os personagens e concluiu maravilhosamente o primeiro ciclo do selo Graphic MSP.

Shiko é nordestino, nasceu no sertão paraibano, e trouxe sua origem como inspiração para criar essa história. A Pedra do Ingá, inspiração para o pontapé inicial dessa história e que também a nomeia, realmente existe e está localizada no Agreste da Paraíba. Além disso, Shiko também utiliza elementos de lendas brasileiras como o Boitatá e a Caipora, e elementos míticos andinos como o Camazotz, um morcego gigante. Continuar lendo

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Astronauta – Magnetar (Danilo Beyruth)

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“No mar, me dediquei a desfrutar desse exercício de descobrir a proximidade por meio da distância. E, de quando em quando, só por prazer, de o inverter. Aos leitores desse solitário Astronauta, em que Danilo Beyruth reinterpreta o clássico de Mauricio de Sousa, desejo que desfrutem do mesmo prazer.” (Amyr Klink – navegador e escritor)

Astronauta – Magnetar marca o lançamento do selo Graphic MSP e por se tratar de um personagem de menos visibilidade entre tantos outros criados pelo Mauricio, não parece ser uma escolha óbvia para marcar o début de um selo que tem por objetivo apresentar releituras dos personagens do Mauricio. Quando criança, lembro que as histórias do Astronauta não figuravam entre as minhas favoritas. Ainda assim, nunca deixava de ler as histórias daquele cara que passava tanto tempo sozinho no espaço e que muito esporadicamente voltava a Terra para visitar seus pais e a garota por quem era (é) apaixonado, Ritinha. Mas, as histórias do Astronauta sempre tiveram um tom mais adulto, mais melancólico e filosófico, que você só passa a curtir quando mais velho. E todas essas características combinaram muito bem com o enfoque dado por Danilo Beyruth em sua releitura do personagem. O enfoque é na solidão enfrentada pelo personagem, sua escolha de carreira e o que ela representou para as outras partes de sua vida, e o espaço, seus fenômenos físicos e seus mistérios.

Apesar da história se passar quase que totalmente no espaço, Beyruth não deixa de resgatar a infância do Astronauta, seu relacionamento com o avô, com os pais e com a Ritinha e interliga-os muito bem em sua trama. Aqui, o Astronauta está em uma missão para coletar mais informações sobre um curioso corpo celestial, o Magnetar. O tema Magnetar foi sugerido por Eduardo Cypriano do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciência Atmosférica da USP, durante a consultoria que ele prestou a Beyruth. E no geral, os conhecimentos astrofísicos foram respeitados, mas, algumas licenças poéticas tiveram que ser feitas em prol da fluidez da história. Essas incongruências perante as leis da física, a gente releva que é para melhor aproveitar a história, e o melhor é que elas nos são justificadas pelo próprio Beyruth em nota no final da hq contendo um glossário bastante elucidativo dos temas trabalhados. Mas, voltando a trama. Durante sua missão, o Astronauta enfrenta problemas que acabam deixando-o à deriva no espaço e colocando sua vida em risco. Continuar lendo

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Minha Vida Fora de Série – 3° Temporada (Paula Pimenta)

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Tome cuidado com o que você deseja. Eu já tinha escutado essa frase antes, mas nunca havia levado a sério. Até que um dos meus desejos se realizou fazendo com que a minha vida saísse de órbita completamente. E só então eu entendi a tal advertência. Porque é preciso mesmo ter muito cuidado com aquilo que queremos. Simplesmente porque podemos conseguir. ”

(Página 11)

Confesso que eu fui uma das que torceu muito para que o último desejo da Priscila se realizasse. Eu só não imaginava a bagunça tremendo que isso iria causar e o quanto iria influenciar o namoro da Pri e do Rô. É esse o ponto de partida para a terceira temporada da vida fora de série da Priscila. E desta vez, o seriado foi uma mistura de drama familiar, aventura com as amigas, dramas românticos, tragicomédia (sim, porque algumas situações seriam muito cômicas se não fossem tão trágicas), muita fofura animal e um belo trabalho de arqueologia da Paula, que soube desenterrar com maestria alguns personagens.

Em Minha Vida Fora de Série – 3° Temporada reencontramos os personagens dois anos depois dos eventos narrados na segunda temporada. A Priscila agora está com 19 anos e percebe que precisa começar a lidar com as responsabilidades da vida adulta. O namoro de cinco anos e meio com o Rodrigo, que está cada vez mais sério. O início da faculdade e as dúvidas sobre o futuro profissional. E as novidades familiares que colocarão o namoro em xeque, mas que também garantirão momentos de muitas alegrias. E essa temporada já começa super agitada e com um ótimo espaço para os filmes. Priscila e Fani em L.A. não tinha como ser ruim. Como os eventos narrados aqui acontecem entre os eventos de FMF3 e FMF4, há muita novidade da Pri, mas também tem bastante Fani, Alejandro e sobra espaço até para o Christian e para a Tracy! As aventuras da Pri em L.A. foram bem animadas e o mais legal é que além de deixarem contentes os fãs mais saudosos, também foram bem utilizadas pela Paula para trabalhar a reviravolta da vez e lançar as sementinhas que poderão ser melhor exploradas nas temporadas vindouras. Continuar lendo

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Apaixonada por Histórias (Paula Pimenta)

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Em Apaixonada por Palavras, a Paula Pimenta compartilhou conosco crônicas sobre o cotidiano, o que a Paula por detrás de nossos personagens favoritos, pensa sobre família, relacionamentos, amores, sonhos… O livro foi lançado sem maiores pretensões, mas fez um sucesso tão grande e foram tantos os pedidos por mais textos que uma segunda coletânea foi encomendada.

Apaixonada por Histórias já começa apaixonando o leitor desde a capa, o Diogo Droschi já deixou todos os leitores da Paula mal-acostumados com capas tão lindas. E aqui, a exemplo de Apaixonada por Palavras e Confissões, ele não se restringe apena a capa, envereda pelas páginas colorindo ainda mais a narrativa da Paula (as folhas roxinhas são puro amor!). Continuar lendo

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Bidu – Caminhos (Eduardo Damasceno & Luís Felipe Garrocho)

bidu caminhos

Depois de ter me encantado com o trabalho do Vítor e da Lu Cafaggi em Laços, estou mais do que decidida a conferir todos os outros álbuns da coleção Graphic MSP (o do Penadinho acabou de ser publicado!). Sei que com essa meta em mente, seria mais lógico ter pegado Astronauta – Magnetar como próxima leitura, já que ele foi a primeira história publicada pelo selo, mas, não consegui resistir ao cãozinho azul.

Bidu foi o primeiro personagem criado por Maurício (foi o primeiro a ter uma revista própria também) e já nasceu na companhia do seu parceiro Franjinha. Então, o que foi proposto para Damasceno e Garrocho, foi recontar uma parte da história dos dois personagens que não havia sido explorada antes. A trama é simples, a história de como um garotinho encontrou seu melhor amigo, de como um cãozinho de rua encontrou um lar. Mas, ao focá-la no ponto de vista do Bidu, ganhou uma nova faceta. Continuar lendo

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