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Beleza Perdida (Amy Harmon)

Beleza Perdida

Quando vi que estavam “vendendo” o livro da Amy Harmon como uma releitura de A Bela e a Fera, não me empolguei muito. A premissa de cinco garotos que vão para a guerra e apenas um retorna, desfigurado, e passa a se isolar de todos, sendo o isolamento vencido pela mocinha que sempre fora apaixonada por ele, prometia um romance bem água com açúcar, então, já havia me preparado para não esperar nada além disso. E sim, Beleza Perdida tem muito romance, mas Harmon adicionou ao romance uma pitada (bem grande) de drama e alguns personagens bem carismáticos. No fim das contas, o romance passa a ser coadjuvante em meio à tantas outras tramas, e isso, na verdade, é muito bom.

“E então eles se foram, através do mar, para um mundo de calor e areia, um mundo que não existia de verdade, pelo menos não para Fern. E talvez não existisse para o povo de Hannah Lake, simplesmente porque era longe demais, desconectado demais de qualquer coisa que eles conheciam. E a vida continuou como antes. A cidade fez orações, amou, sofreu e viveu. (…) E o relógio continuou a correr calmamente. ” (Página 99)

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A Playlist de Hayden (Michelle Falkoff)

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“Tentei não pensar muito na letra, em Hayden ali sentado fazendo essa seleção de músicas antes de tomar sua decisão final. Eu odiava imaginá-lo querendo desaparecer dessa forma. ” (Página 16)

Tudo o que Sam sabe é que houve uma festa e houve uma briga. E ele acabou se desentendo com seu melhor amigo, Hayden. Em uma certa manhã, Sam foi pedir desculpas ao amigo e o encontra morto. Ao seu lado, uma garrafa de vodca e comprimidos de Valium, além de um pendrive e um bilhete para Sam. “Ouça você vai entender”.

Essa é a premissa do romance de Michelle Falkoff. Sam ficou para trás, para enfrentar um mundo no qual Hayden era seu único amigo. O que há para entender? O que levou Hayden a tomar a atitude que tomou? Qual o significado da playlist deixada pelo amigo? Enquanto ouve cada uma das músicas escolhidas por Hayden, Sam tenta descobrir o que realmente aconteceu naquela noite. Ao mesmo tempo que precisa enfrentar a raiva do amigo e das pessoas que ajudaram a tornar a vida de Hayden miserável, a culpa por achar ter sua parcela de contribuição para o ocorrido, e a saudade da única pessoa que realmente o entendia. E por um tempo, a premissa funciona muito bem e a narrativa de Falkoff nos prende à busca por respostas. Continuar lendo

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Toda Luz Que Não Podemos Ver (Anthony Doerr)

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“Naquelas últimas noites em Paris, caminhando para casa com o pai à meia-noite, o enorme livro enganchado ao peito, Marie-Laurie pensa poder sentir um arrepio no ar, nas pausas entre os chiados dos insetos, como a superfície de água congelada trincando quando se coloca peso demais sobre ela. Como se todo esse tempo a cidade não fosse mais do que a maquete construída pelo seu pai, e a sombra de uma grande mão caísse sobre ela. ” (Página 77)

“- Sabe a maior lição da história? A história é aquilo que os vitoriosos determinam. Eis a lição. Seja qual for o vencedor, ele é quem decide a história. Agimos em nosso próprio interesse. Claro que sim. Me dê o nome de uma pessoa ou de um país que não faça isso. O truque é perceber onde estão os seus interesses. ” (Página 89)

Há inúmeros livros de ficção retratando o período da Segunda Guerra Mundial. Eu mesma, já li livros retratando o sofrimento impingido aos não-arianos, livros retratando a resistência dos que tentaram (muitas vezes sem sucesso) se manter longe dos campos de concentração, livros que se focam mais no front de batalha, outros que até tentaram utilizar a Guerra na trama, mas que se focaram tanto na parte romântica que a intenção de ser um romance de guerra ficou só na intenção. Há também aqueles que não são ficção. Quem não conhece a história da garota Anne Frank? Quem não se compadeceu por seu sofrimento? O fato é que a Segunda Guerra Mundial envolveu muitos países, praticamente todos os continentes, e teve desdobramentos que ainda se refletem hoje. Então, por mais que o assunto seja muitas vezes revisitado, há ainda algum ponto, alguma faceta desse período negro da história que pode ser utilizado como ponto de partida para uma nova história. Foi isso o que Anthony Doerr fez em seu Toda Luz que Não Podemos Ver. Doerr é formado em história e usou como inspiração para sua trama a quase destruição da cidade de Saint-Malo na França – em agosto de 1944, durante a Batalha da Normandia, e o papel fundamental que o rádio teve durante a Guerra. Continuar lendo

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E Se? Respostas Científicas Para Perguntas Absurdas (Randall Munroe)

E SE

“Há quem diga que não há questões imbecis. Óbvio que se enganam. (…) Mas tentar responder meticulosamente a uma dúvida imbecil pode nos levar a lugares bem curiosos ” (Página 14)

Randall Munroe é mais conhecido por sua série de quadrinhos com figuras de palitinhos publicadas na internet. O tal famoso xkcd. Desde 2005 o número de fãs da página vem só crescendo, e, por Munroe utilizar seus personagens para falar sobre o universo e tudo o mais, logo, os leitores, curiosos de plantão, começaram a fazer perguntas, algumas bem absurdas. Foi por causa dessa enxurrada de questionamentos bizarros e criativos, que surgiu o blog What If?. Nele, Munroe esmiúça as questões, faz simulações, cálculos, consulta cientistas e trabalhos especializados, para tentar responder seus leitores satisfatoriamente e sempre com bom humor.

O blog, agora chegou ao papel. E Se? Respostas Científicas Para Perguntas Absurdas traz versões estendidas e atualizadas de algumas das questões mais populares do blog e outras tantas nunca antes respondidas. São 56 perguntas (e que perguntas!) e ainda há 12 seções especiais que “homenageiam” as perguntas mais bizarras já recebidas por Munroe. Continuar lendo

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Benefício na Morte (Robin Cook)

beneficio na morte

Robin Cook é um autor bastante conhecido entre os que gostam de thrillers médicos, mas, apesar de já ter lido algumas sinopses de livros seus, ainda não tinha tido contato com a escrita do autor. Nem com thrillers médicos para falar a verdade, embora os romances e thrillers policiais e as séries com componentes médico-legais estejam entre meus gêneros favoritos. Após a leitura de Benefício na Morte, ficou comprovado que ambientar um romance investigativo em um hospital/laboratório de pesquisa – e o componente laboratório de pesquisa tem bastante espaço, o que desconfio foi o que acabou me fisgando de vez – pode ser tão interessante quanto àqueles que se passam nas delegacias e institutos médicos legais.

Em Benefício na Morte, Cook explora o campo das pesquisas médicas versus o mundo corporativo especializado em explorar o sofrimento de pacientes terminais e/ou doenças crônicas que diminuem e muito a expectativa de vida.

Pia Grazdani é estudante do quarto ano de medicina na Universidade de Columbia e está para começar o seu doutorado com o famoso geneticista molecular (e aparentemente intragável) Dr. Tobias Rothman. O cientista que ganhou um Prêmio Nobel por seu trabalho com cepas virulentas de salmonelas, está desenvolvendo um trabalho pioneiro de organogenia em colaboração com o Dr. Yamamoto. Uma pesquisa que promete revolucionar o campo dos transplantes e da saúde pública. Continuar lendo

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O Grande Ivan (Katherine Applegate)

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“Minha árvore genealógica também é muito extensa. Sou um macaco grande, assim como os chimpanzés e os orangotangos e os bonobos. Todos nós somos primos distantes e desconfiados. Sei que isso é problemático. Também acho difícil acreditar que haja uma conexão no tempo e pelo espaço ligando-me a uma raça de palhaços mal-educados.

Chimpanzés… não há desculpa para eles. ” (Página 14)

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Uma História de Amor e TOC (Corey Ann Haydu)

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“Podemos ser loucos, mas existe uma lógica por trás até mesmo das coisas mais loucas que fazemos. ” (Página 237)

Já tem um bom tempo que Bea não sabe o que é ser uma garota normal. Semanalmente ela tem consultas com a Dra. Pat, que tenta ajudá-la com suas obsessões e compulsões. Mas, fica difícil quando o alvo mais recente de sua obsessão frequenta o mesmo consultório e terapeuta que ela. Bea foi diagnosticada com Transtorno Obsessivo Compulsivo, mas a obsessão dela não é tão “banal” (se é que podemos chamar qualquer obsessão de banal) quanto lavar as mãos inúmeras vezes, colecionar objetos estranhos, comer sempre nos mesmos lugares, ou fazer atividades em uma determinada ordem. Sua obsessão é um pouco mais comprometedora e na maioria das vezes (e com razão) é mal interpretada. Bea é uma stalker de caras. Daquelas que quando fica obcecada por alguém, começa a segui-lo (para certificar-se de que ele esteja bem), anotar os mínimos detalhes da vida do alvo em seu caderno, e, como no caso do alvo mais recente, até mesmo entreouvir partes de suas sessões de terapia.

Para ajudá-la com o TOC, a Dra. Pat decide fazê-la participar de sessões de terapia em grupo. Ali, ela reencontra/conhece Beck, o garoto que ela ajudara durante um blecaute em uma festa escolar, um cara sarado e com obsessão compulsiva por lavar as mãos e frequentar academias. Bea tem quase certeza de que apenas outra pessoa tão ferrada quanto ela, seria capaz de entendê-la e permanecer ao seu lado mesmo com todos os seus defeitos. Será Beck essa pessoa? Será que ele conseguirá superar suas obsessões e ceder um pouco mais de tempo para Bea? Será que ela conseguirá parar de stalkear sua atual obsessão e redirecionar (de forma menos acentuada de preferência) sua atenção? Continuar lendo

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O Dragão de Gelo (George R. R. Martin)

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“Adara gostava do inverno mais do que tudo, pois quando o mundo esfriava, o dragão de gelo aparecia.

Ela nunca teve muita certeza se era o frio que trazia o dragão de gelo ou o dragão de gelo que trazia o frio.” (Página 13)

O Dragão de Gelo (The Ice Dragon) é um conto infantil publicado originalmente em 1980 na antologia Dragons of Light editada por Orson Scott Card. Desde então, foi republicada duas outras vezes: em 2007 com ilustrações de Yvonne Gilbert, e em 2014 com ilustrações do artista espanhol Luis Royo. E foi esta última edição que a Leya trouxe para o Brasil.

A trama de Martin gira em torno de Adara, uma garotinha que nasceu durante o frio rigoroso e seu melhor amigo, o temido dragão de gelo. Poderíamos dizer que Adara nasceu naquele inverno famoso nas histórias da Velha Ama de Guerra dos Tronos. Este pequeno conto se passaria então, muito tempo antes dos eventos da série mais famosa de Martin, contudo são só suposições, já que não há confirmação por parte do autor de que a história se passaria no mesmo mundo de GOT. E, tirando os dragões e algumas referências a um rei em uma terra mais ao sul e rebeldes no longínquo norte, não há nada mais que relacione as duas obras. Não vá então com muita sede ao pote, atrás de dicas, ou quaisquer vislumbres da trama adulta. Dragão de Gelo é apenas um conto infantil e como tal, está repleto de metáforas e lições de moral. Nem por isso é menos interessante. Continuar lendo

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Cidades de Papel (John Green)

cidades de papel

“… se você levar em conta todos os eventos improváveis, é possível que pelo menos um deles vá acontecer a cada um de nós. Eu poderia ter presenciado uma chuva de sapos. Poderia ter pisado em Marte. Poderia ter sido engolido por uma baleia. Poderia ter me casado com a rainha da Inglaterra ou sobrevivido à deriva no mar. Mas meu milagre foi diferente. Meu milagre foi o seguinte: de todas as casas em todos os condados em toda a Flórida, eu era vizinho de Margo Roth Spiegelman.”       (Pág. 11)

O Prólogo de Cidades de Papel já nos entrega em grande parte, as características dos protagonistas da trama. Quentin, ou Q., o garoto calado, centrado, acostumado a nunca quebrar as regras, nem forçar seus limites (o que para alguns pode ser só uma forma bonita de se chamar alguém de medroso). Margo é a impávida, a curiosa, a que não se conforma apenas com os fatos, mas que quer saber os motivos que os levaram a acontecer. A apaixonada por mistérios, por resolvê-los e por criá-los.

Quentin e Margo são vizinhos desde os dois anos. O Q. e a Margo de antes eram muito amigos e partilhavam aventuras. O Q. e a Margo de hoje, formandos do ensino médio, não são mais tão amigos. Ela é a garota super popular, a rainha da escola, e ele é apenas um dos invisíveis, que ainda nutre uma paixão platônica pela amiga não mais tão amiga assim.

A vida seguia assim. Margo e seus amigos super populares. Q. e seus amigos (Radar e Ben) tão invisíveis quanto ele. Até que em um 5 de maio que poderia ter sido como qualquer outro dia, Margo invadiu o quarto de Q. pela janela, com o rosto todo pintado de preto e pedindo ajuda para uma tarefa. E é claro que Q. não conseguiu negar. E assim, naquela madrugada, ele e Margo tiveram uma baita aventura. Envolvendo muito peixe podre, latas de tinta spray e alguns momentos constrangedores. E Q. acha que pode finalmente ter reencontrado a amiga.

Mas, depois da noite de aventura, Q. descobre que Margo sumiu. Será esse mais um dos sumiços frequentes da garota? Margo é famosa por seus sumiços planejados, sumiços que são pré-anunciados por dicas e cujos destinos podem ser obtidos pelas pistas que ela deixa para trás. E dessa vez não é diferente. Q. logo descobre uma de suas pistas e com a ajuda de Ben e Radar começa a segui-la. Com o avançar da investigação, Q. começa a ter terríveis suspeitas sobre o paradeiro de Margo. E também começa a perceber que não conhece a verdadeira Margo, que ela nunca se mostrou verdadeiramente a alguém. Continuar lendo

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Fingindo (Cora Carmack)

Fingindo

Fingindo é o segundo volume da série Losing It da Cora Carmack. A Mari já leu e resenhou o primeiro livro, Perdendo-me (aqui). Quando Fingindo chegou, eu pretendia prosseguir a leitura a partir daqui. Com os conhecimentos adquiridos pela resenha da Mari. E que fique claro que dá para lê-lo assim, como uma obra única. Mas, aí eu descobri que o protagonista da vez fora o preterido da história anterior e tive que ler Perdendo-me antes de prosseguir com a leitura, porque queria saber mais sobre o background do mocinho da vez.

Perdendo-me traz a história de Bliss e Garrick. E Cade é só mais um dos clichês presentes no livro: o melhor amigo que queria ser mais que um amigo, mas que não tomava coragem para agir e que quando finalmente resolveu correr atrás, foi suplantado por Garrick e seu sotaque britânico. Achei a leitura de Perdendo-me divertida, boa para passar o tempo e só. Fingindo segue essa mesma linha, mas a inclusão de um drama familiar foi algo que pesou para que eu preferisse este ao primeiro livro. Continuar lendo

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